quinta-feira, 11 de junho de 2026

Observador - Não perguntem quem perdeu se a guerra no Irão acabar mal (Rui Ramos)

 


(sublinhados pessoais)

Não perguntem quem perdeu se a guerra no Irão acabar mal

Deixemo-nos de ilusões. Se a guerra acabar mal, não é porque tenha sido um delírio de Trump, ou porque os generais americanos e israelitas a não tivessem planeado como deviam.

A guerra contra a ditadura iraniana pode não acabar bem. Não acabar bem significa a tirania dos Khamenei sobreviver, e os EUA enredarem-se outra vez no xadrez das negociações e sanções, onde os ayatollahs os têm toureado nas últimas décadas. Mas se a guerra acabar mal, há duas conclusões erradas que, por mais consoladoras que sejam, convém evitar.

A primeira é esta: a guerra acabou mal por ser uma guerra desnecessária. Errado. As guerras são sempre uma opção tremenda e arriscada. Se os EUA recorreram às armas, foi porque os outros meios falharam. Em 1979, a teocracia iraniana declarou-se inimiga do Ocidente e do que o Ocidente representava. Fundou e financiou organizações terroristas, tentou desenvolver armas nucleares, adquiriu mísseis capazes de atingir a Europa. Durante anos, americanos e europeus usaram negociações e sanções para dissuadir os teocratas de Teerão. Sem resultado. Da parte dos EUA, a operação militar foi um último recurso. Se a guerra acabar mal, não quer dizer que não devesse ter sido tentada.

A segunda é esta: a guerra acabou mal porque Trump não tinha um plano ou o seu plano era mau. Errado outra vez. Os EUA têm os meios militares para vencer um conflito armado, incluindo generais aptos para os usar da maneira mais eficiente. O problema não está nas armas, ou nos planos. Está em sistemas políticos e em economias que não parecem suportar uma campanha militar prolongada: governos que temem perder eleições, e economias minadas pelo endividamento, por impostos altos e pela inflação, e por isso impedidas de qualquer esforço mais espartano. Bastou aos mullahs fecharem Ormuz. Se a guerra acabar mal, não correrá melhor da próxima vez.

Dizer que a guerra foi apenas um capricho de Trump ou que um eventual insucesso se deveu somente à sua má planificação é muito confortável. Permite que acreditemos novamente que as valsas diplomáticas são a melhor solução para conter a ditadura iraniana, embora nunca tenham funcionado antes, ou que, sem Trump, venceremos da próxima vez, apesar de não se constatar, no Ocidente, qualquer movimento para ultrapassar as debilidades que agora espartilharam a sua força militar.

Deixemo-nos de ilusões. Se a guerra acabar mal, não é porque tenha sido um delírio de Trump, ou porque os generais americanos e israelitas a não tivessem planeado como deviam. Será por duas razões muito menos convenientes: porque a teocracia iraniana, fanática e sanguinária, é resiliente, e porque o Ocidente, dividido e endividado, não tem força para a derrubar. E isso justificará alguma inquietação, na medida em que a ditadura iraniana não é um problema local do Médio Oriente. O Irão, com 12% do petróleo mundial, quase 100 milhões de habitantes, e aliados como a Rússia e a China, dispõe do que é necessário para ser um problema global. Mais: o Irão dos Khamenei não é um Estado normal, susceptível de compromisso e moderação. É um projecto apocalíptico, que se alimenta de vertigem e ousadia. Funciona, desde 1979, como o principal foco do islamismo político, uma ideologia que subverteu o Médio Oriente, e que agora apela às comunidades muçulmanas que o caos migratório deixou instalarem-se na Europa. Derrotar a teocracia iraniana é a maneira de desacreditar o radicalismo político associado ao Islão, e prevenir que os muçulmanos na Europa se convertam em massa de manobra dos movimentos inspirados pela revolução islâmica iraniana.

É preciso que esta guerra não acabe mal. Mas se acabar, não perguntem quem perdeu. Não será Trump:  seremos nós todos. Porque se esta guerra acabar mal, isso apenas significará que a guerra continua.


Observador - Os EUA à mercê dos fígados do Aiatola (Rodrigues do Carmo)


 (sublinhados pessoais)

Os EUA à mercê dos fígados do Aiatola

quando Washington confunde prudência com súplica e diplomacia com rendição embrulhada em papel timbrado, Israel deve agradecer os conselhos e fazer aquilo que os Estados dignos fazem: defender-se.

Em certos casos a política internacional é bastante simples.

Continua a ser perigosa, naturalmente. Continua a ter mapas, interesses, alianças, petróleo, sondagens, diplomatas de linguagem criativa e generais que falam por eufemismos, mas deixa de ser complexa. Reduz-se até  a uma pergunta simples: quando uma civilização é atacada por quem a quer destruir, defende-se ou negoceia as condições da próxima humilhação?

A crise entre os EUA, Israel e o Irão chegou precisamente a esse ponto. Cem dias depois de Washington e Jerusalém terem entrado numa campanha destinada a travar o programa nuclear iraniano, degradar a indústria de mísseis balísticos da República Islâmica, cortar os braços terroristas de Teerão e, talvez, criar as condições para a queda do regime, a aliança entre os EUA e Israel atingiu o seu momento mais baixo. Não por falta de meios. Não por falta de diagnóstico. Não por falta de inimigo. Mas por falta de vontade o que, na guerra é apenas uma forma sofisticada de convite à agressão.

Com o norte de Israel fustigado pelo Hezbollah, Israel atacou simbolicamente Dahiyeh, o reduto terrorista nos subúrbios de Beirute. O Irão, fazendo aquilo que as ditaduras fazem quando interpretam  a prudência alheia como medo, disparou mísseis contra o norte de Israel. Israel preparou-se para responder.

E então surgiu Donald Trump, não como líder do mundo livre, mas como moderador de recreio numa escola problemática: já chega, cada um teve a sua diversão, Israel bateu, o Irão bateu, agora portem-se todos bem.
É difícil encontrar melhor resumo da decadência estratégica ocidental. Uma democracia atacada e uma teocracia agressora são colocadas no mesmo plano, como se Israel e a República Islâmica fossem dois vizinhos barulhentos a discutir lugares de estacionamento. A palavra “diversão”, aplicada a mísseis lançados por um regime que há décadas financia terrorismo, persegue dissidentes, arma proxies e procura chegar à bomba nuclear, é quase perfeita. Não por ser verdadeira, mas por ser reveladora. Mostra até que ponto uma parte da política americana já não consegue distinguir contenção de abdicação.

Trump quer um acordo. Não há nada de errado em querer um acordo. O problema começa quando o acordo passa a ser mais importante do que o objectivo que devia servir. A prioridade deixou de ser impedir o Irão de obter armas nucleares, neutralizar a sua rede regional ou restaurar a dissuasão. A prioridade passou a ser reabrir o Estreito de Ormuz, acalmar os mercados energéticos, anunciar que a guerra acabou e vender ao eleitorado americano uma fotografia de estadista vitorioso. O Médio Oriente pode continuar inflamável; o Irão pode continuar pérfido; o Hezbollah pode continuar armado até aos dentes; os aiatolas podem continuar a aproximar-se da bomba com a habitual paciência oriental. Desde que haja uma assinatura, um comunicado e uma conferência de imprensa, tudo se arranja.

Excepto a realidade, que tem a desagradável tendência de não obedecer a comunicados.

A guerra que devia ter acabado não acabou porque nenhuma das suas causas foi removida. O cessar-fogo não passa de uma pausa administrativa entre explosões. O Hezbollah continua a ser o exército avançado do Irão no Líbano. O Hamas continua a ser o laboratório palestiniano da violência iraniana. Os Houthis continuam a ameaçar rotas marítimas. As milícias xiitas continuam a compor o império informal de Teerão. E o programa nuclear iraniano continua a ser o centro gravitacional de toda esta arquitectura. Chamar a isto “fim da guerra” exige uma imaginação generosa. Ou uma necessidade eleitoral urgente.

O Irão percebeu. E percebeu depressa. Teerão está a testar limites. Está a fazer aquilo que os regimes revolucionários fazem quando encontram uma potência ansiosa por negociar: provoca, mede, observa, recua meio passo, avança dois, finge indignação e aguarda a próxima concessão. A cada hesitação americana, aprende. A cada telefonema para travar Israel, aprende. A cada ameaça não cumprida, aprende. A cada memorando sem dentes, aprende. A cada “estamos muito perto de um acordo”, aprende que a Casa Branca precisa mais da assinatura do que os aiatolas precisam da paz.
É uma pedagogia suicida que ensina o inimigo a ousar.

Samuel Huntington lembrava que as civilizações se organizam em torno de Estados-núcleo. No caso do Ocidente, trata-se dos EUA. São eles que garantem a arquitectura de segurança do Ocidente, sustentam alianças, projectam poder, asseguram rotas, dissuadem rivais e, quando ainda se lembram da sua função histórica, protegem a ordem internacional que herdámos do pós-guerra. Se o Estado-núcleo vacila, os aliados fazem contas. Se o Estado-núcleo confunde liderança com gestão de danos mediáticos, os inimigos fazem mais contas.

E é isso que está a acontecer. Riade observa. Abu Dhabi observa. Varsóvia observa. Kiev observa. Taipei observa. O Cairo observa. Todos observam. E todos perguntam o que vale uma aliança com Washington se, no momento decisivo, Washington pressiona mais o aliado do que o inimigo? Que vale uma garantia americana se ela depende do preço da gasolina, da irritação presidencial ou da necessidade de anunciar uma vitória diplomática antes do jantar? Que vale pertencer ao campo ocidental se o seu núcleo actua como mediador equidistante entre quem defende a fronteira e quem a incendeia?

A resposta é desagradável. Mas os Estados sérios vivem de respostas desagradáveis.

Israel sabe que a relação com os EUA é vital. Seria absurdo fingir o contrário. A superioridade tecnológica, a cooperação militar, a cobertura diplomática, o abastecimento de munições, a integração estratégica: tudo isto conta. Mas há uma diferença entre depender de um aliado e entregar-lhe a soberania sobre a própria sobrevivência. Israel pode ouvir Washington. Deve coordenar com Washington. Deve evitar rupturas desnecessárias com Washington. Mas não pode permitir que Washington transforme a sua segurança numa variável da política interna americana.

Para os EUA um mau acordo com o Irão pode ser vendido, revisto, renegociado, explicado na televisão e enterrado por outra administração.  Foi o que disse Vance. Para Israel, um mau acordo pode significar um inimigo nuclear, o Hezbollah reconstituído, o norte evacuado, cidades sob fogo, reféns esquecidos, fronteiras corroídas e a próxima guerra travada em condições piores. A América pode sobreviver a uma ilusão diplomática. Israel talvez não.

É por isso que a atitude americana é mais do que um erro circunstancial. É uma falha civilizacional. O núcleo do Ocidente está a comportar-se como se a sua missão fosse impedir Israel de vencer depressa, não impedir o Irão de continuar a ameaçar todos. Como se a estabilidade consistisse em evitar que a democracia atacada responda ao agressor. Como se o verdadeiro perigo fosse a firmeza israelita, não a expansão imperial de uma teocracia que usa milícias como instrumentos de política externa e o nuclear como seguro de vida.

A “desescalada” tornou-se a palavra preferida dos que não querem pronunciar a palavra “vitória”. Desescalar pode ser sensato quando os dois lados procuram equilíbrio. Mas o Irão não procura equilíbrio. Procura imunidade. Procura conservar o programa nuclear, proteger os proxies, manter a chantagem energética, controlar parte do Líbano, ameaçar Israel de várias frentes e, no fim, ser reconhecido como potência inevitável. Se a desescalada permite isto, então não é paz. É colaboração involuntária com a estratégia do inimigo.

Há aqui uma ironia amarga. Durante anos, os realistas ensinaram-nos que os Estados não têm amigos permanentes, têm interesses permanentes. Pois bem, Israel tem de aprender essa lição. Os seus interesses permanentes são sobreviver, impedir o nuclear iraniano, neutralizar ameaças imediatas e preservar liberdade de acção contra quem o quer destruir. Se os EUA partilham estes objectivos, óptimo. Se hesitam, pior. Se se opõem, Israel terá de escolher entre a gratidão devida ao aliado e a responsabilidade devida aos seus cidadãos.

Nenhum primeiro-ministro israelita tem o direito moral de escolher mal nesta matéria.

A República Islâmica não é um interlocutor difícil. É um inimigo declarado. O Hezbollah não é um partido libanês com uma ala militar. É uma ala militar com uma decoração parlamentar. Os Houthis não são uma curiosidade tribal do Iémen. São uma ferramenta de bloqueio e chantagem. O Hamas não é uma expressão desesperada de resistência. É a prova sangrenta de que o fanatismo, quando financiado e desculpado, não produz justiça mas sim massacres.

E perante isto, o Ocidente parece muitas vezes mais incomodado com a reacção israelita do que com a agressão iraniana. É uma velha doença europeia que agora ameaça contaminar Washington, a crença de que o problema não é o bárbaro à porta, mas o guarda que insiste em não largar a espada.

Em suma, a guerra não acabou porque o Irão não foi derrotado, o Hezbollah não foi desarmado, o Hamas não foi erradicado, os Houthis não foram neutralizados, o programa nuclear não foi encerrado e a dissuasão não foi restaurada. Acabou apenas na imaginação de quem precisa de dizer que acabou.

Israel não tem esse luxo. Não vive entre oceanos. Não está protegido por duas fronteiras pacíficas e milhares de quilómetros de distância. Vive no bairro real, com vizinhos reais, mísseis reais e inimigos reais. Por isso, quando Washington confunde prudência com súplica e diplomacia com rendição embrulhada em papel timbrado, Israel deve agradecer os conselhos, pesar os custos e fazer aquilo que os Estados dignos fazem quando os seus interesses vitais estão em causa:  Defender-se.

Porque uma civilização que pede licença ao aiatola já desistiu de liderar. E uma nação que espera autorização para sobreviver já começou a morrer.


segunda-feira, 8 de junho de 2026

The Spectator - Why Greta is so angry about Swedish immigration

 

(personal underlines)

Why Greta is so angry about Swedish immigration

(Photo: Getty)

Greta Thunberg is 23 years old. Six years have passed since her emotional address to the UN Climate Action Summit about the end of the world. She has since shifted her attention from climate activism to one fashionable left-wing cause after another, but her tone is as shrill as ever. The other day, she denounced Sweden’s migration policy as inhumane. Her conclusions, as usual, wrong. But she is at least right about one thing: Sweden has adopted an entirely new migration policy.

For years, Sweden took more asylum seekers per capita than any other country in Europe. Now asylum numbers have fallen to their lowest level since 1985, even as pressure across the rest of the continent remains immense.

Last year, only 6,700 people applied for asylum in Sweden – a drop over 95 per cent compared to 2015. This is no coincidence. Since taking office in 2022, the conservative government has pursued an active policy to bring this about.

We are living through a new age of migration. The world is more populous than ever, and more people now have the means to move across continents. In 1900, Europe had roughly 300 million inhabitants and Africa around 140 million. Today the EU has about 450 million people, while Africa has well over 1.5 billion. Surveys show that almost half of Africans aged 18 to 24 want to emigrate. In the Middle East, it is more than half. The most common motive is simple enough: a better life.

Few people move to Sweden for the weather. It is not the richest country in the world and the tax burden is high. Swedes are generally introverted and the culture is not easily accessible. The landscape may be beautiful, but it is hardly the deep forests and mushroom-picking that have attracted Africans and Arabs in their hundreds of thousands. Instead they are fleeing joblessness, bad governance and – simply – the prospect of a materially better life.

Had I been in my twenties and living in Senegal or Syria, I would probably have wanted to move to Europe too. For a young man, money is enough of a motivation. Once inside a European country, it is relatively easy for someone without much of a conscience to claim that he comes from a country that qualifies for refugee status. It is not much harder than it would be for me, as a Swede, to convince an Englishman that I am Norwegian.

That asylum seekers may lie when it suits them should surprise nobody. It is no more surprising than the welfare fraud and tax evasion seen in the wider population, in both Sweden and Britain. The more generous the system and the weaker the controls, the more abuse there will be.

In Sweden, the system has until now often penalised the honest and rewarded the dishonest. Even after a claim had been rejected, many have remained by appealing, exploiting delays and otherwise spinning the process out. In effect, ‘no, please leave’ was a rule only for the compliant.

Today, 20 per cent of Sweden’s population is foreign-born. Immigration from North Africa and the Middle East has had catastrophic consequences: serious organised crime, gang violence, widespread sexual offending, Islamism and terror threats, honour-based oppression and unemployment.

The current conservative government was elected on a promise to stop immigration — and it has succeeded to a remarkable degree. The Swedish government has established special return centres, where rejected asylum seekers are to live until they leave Sweden, in most cases no later than four weeks after the expulsion decision takes effect. Any new asylum or work permit application can no longer be made from within Sweden, but must instead be made from the country of origin.

Those who do not leave voluntarily are more often deported. Those who go into hiding are more often found by the police, who have been instructed to prioritise checks and the enforcement of deportation orders.

Tougher citizenship requirements, stricter benefit conditions, and other tougher rules mean that fortune-seekers now choose not to move to Sweden. At the same time, Sweden has made it easier for high-skilled migration that actually benefits the country.

Unfortunately, falsehoods are now being spread about what the new Swedish policy actually entails, and in this Greta seems to be doing her utmost to blacken the reputation of her own country. No one is deported where grounds for protection exist. Those entitled to asylum are granted it. The process is legally sound, with the right to have one’s case heard by the courts. Fortunately, Greta no longer seems to have the influence she once did as a child-prophet.

Sweden has nevertheless shown that migration can be brought down. For a British government with the same ambition, this should be possible as well. After all, it may have been a sunny bank holiday weekend, but people are not generally crossing the Channel for the British weather either.

Música - Saving Dookoosliid (Jay Begaye)

 



https://www.youtube.com/watch?v=TcIcGWx7NQQ&list=RDTcIcGWx7NQQ&start_radio=1

Observador - O iminente momento da extinção? (Miguel Morgado)




 (sublinhados pessoais)

Isto é que é ver para a frente! - LBC


O iminente momento da extinção?

O que temos diante de nós com a IA mostra todos os dias, não o nosso aperfeiçoamento, ou fortalecimento, mas a nossa obsolescência. Para ser mais rigoroso, mostra a nossa superfluidade.

Nos últimos meses têm-se multiplicado as reflexões sérias sobre a natureza e consequências da revolução da Inteligência Artificial. Na semana passada comentei no Observador as meditações do Papa Leão XIV sobre o tema. Não aborda todos os aspectos de forma satisfatória, mas não deixou de ser importante. O Papa imitou os outros. Em todo o mundo tanto as expectativas, como as preocupações, crescem a cada dia. A enxurrada justifica-se por inteiro. Mais, o tema adquiriu uma inequívoca urgência.

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Deixando de parte as importantes questões da concentração do poder das grandes empresas que dominam estas tecnologias, ou os usos sinistros e cruéis das novas possibilidades, temas que abordei na SIC Notícias, há um outro aspecto desta revolução que começa a enraizar-se precisamente pela sua urgência. É, de resto, um problema recorrente nas grandes revoluções tecnológicas e “industriais”. À medida que os modelos LLM vão, por um lado, melhorando, e, por outro, generalizando-se na sua utilização, vamos descobrindo as profissões e competências humanas em risco de substituição. Profissões até há muito pouco tempo consideradas insubstituíveis, como a de tradutor ou aquela que se dedicava ao coding, vão-se obliterando na linha de tiro da Inteligência Artificial. Uma após outra vão engrossando um desfile de relíquias do passado até ao infinito.

A tentação é pôr os óculos de historiador e dar a resposta que, noutras ocasiões, seria certeira e passaria por sofisticada.  Seria a resposta que reafirma todos os precedentes históricos para dizer que uma revolução tecnológica não cria desemprego – apenas reconfigura, por vezes de modo radical, imprevisível e irreconhecível, o mercado de trabalho e o elenco de funções. Foi assim no passado, será assim no presente.

O defeito clássico da sabedoria do historiador é profetizar eternas recorrências e repetições sem dar espaço para o que não tem precedentes, para o absolutamente inédito. Com efeito, no caso da revolução tecnológica que estamos a viver existe muita coisa que é nova. A começar pelo essencial: as revoluções tecnológicas do passado, incluindo as mais recentes, seguiram o alinhamento de estender, ou aumentar, as capacidades humanas. Tornavam as máquinas ferramentas dos humanos, fazendo deles, e ao seu comando, seres mais fortes, mais longevos, mais rápidos, mais memoriados. Sucede que o que temos diante de nós mostra todos os dias, não o nosso aperfeiçoamento, ou fortalecimento, mas a nossa obsolescência. Para ser mais rigoroso, mostra a nossa superfluidade.

Não há talento, competência, função profissional ou ociosa, que não esteja ameaçada pelo superior desempenho da máquina. Como devemos associar a revolução da inteligência artificial com a revolução na robótica, porque ambas estão associadas e sobretudo porque o potencial de alinhamento entre ambas é astronómico, mesmo as funções e desempenhos de carácter físico-atlético começarão a revelar a sua obsolescência. As grandes instituições sociais que edificámos para glória do mundo estão também em risco de cair na insignificância, como as universidades, os tribunais ou a escolha pública-política. Assim como estão as posições de mais elevado prestígio social, como a do advogado ou a do professor universitário, que têm os dias contados.

Daí que a discussão sobre se vai haver mais desemprego ou menos desemprego, acaba por ser surpreendentemente fútil. Se antes se propunha um rendimento de existência relativamente elevado para todos, obtido a partir dos novos ganhos de produtividade, e distribuído para compensar o desaparecimento de empregos, agora temos de finalmente confrontar a ameaça da total superfluidade. Ao contrário do que sugerem os suspiros estéreis da esquerda, não há rendimentos básicos universais que nos devolvam a substancial insubstituibilidade do ser humano, se esta for irremediavelmente perdida.

As razões desta escalada são muitas, desde a compreensão de que tanto no sentido da existência e na formação da identidade pessoal resulta do trabalho que fazemos, até à subversão dos usos do nosso prestes a ser adquirido lazer. Mas se, na consciência que temos de nós próprios, a máquina e o seu glorioso desenvolvimento nos devolverem uma incomensurável e profunda impressão de superfluidade, então o mundo humano morrerá. Não há outra maneira de dizê-lo.

Seria irónico que o momento histórico em que a Humanidade alcança o que durante séculos e milénios sonhou – não ter de trabalhar para viver e ter o seu corpo resistente contra a grande maioria dos males que o destruíam – coincidisse com uma espécie de gigantesca eutanásia. O momento de inauditas conquistas coincidiria com a derradeira extinção. Quanto mais depressa começarmos a confrontar este grande ponto de interrogação, melhor. Esta urgência não vai esperar, e, ao contrário do SNS, não há planos de emergência que sirvam de remendos.


domingo, 7 de junho de 2026

Observador - Os EUA do lado do Hezbollah? (Rodrigues do Carmo)

 


(sublinhados pessoais)

Os EUA do lado do Hezbollah?

Se os EUA já não protegem os aliados quando os aliados enfrentam os inimigos dos EUA, então quem, exactamente, ainda deve apostar a própria sobrevivência na palavra americana?

Na passada segunda-feira, o Irão esticou a corda. Não  com a delicadeza habitual dos aiatolas, feita de ameaças, chantagens e promessas de apocalipse. Esticou-a de modo ostensivo, suspendendo os contactos indirectos com os EUA, ameaçando alargar a guerra, acenando com estreitos, frentes, mísseis e desgraças variadas, e dizendo que qualquer ataque israelita aos subúrbios de Beirute onde o Hezbollah acoita a direcção política, a musculatura militar e os zeladores iranianos da empresa, seria tratado como violação da trégua em todos os teatros. Em português corrente, se Israel tocar no nosso braço libanês, nós fazemos birra mundial e expelimos mísseis.

Foi um momento definidor porque obrigou os EUA a fazer escolhas e mostrar em que pé estão as coisas.

A situação era clara: ou os EUA aceitavam a chantagem iraniana e pressionavam Israel a suspender a ofensiva contra o Hezbollah, ou ignoravam a ameaça e colocavam Teerão perante a alternativa de recolher as garras ou avançar para a guerra que dizia querer.

A jogada iraniana é, em si, reveladora. Teerão não arriscaria tanto por um ornamento. Se a Guarda Revolucionária decidiu que valia a pena travar as negociações, e ameaçar americanos e israelitas, para  salvar o Hezbollah de uma pancada israelita em Beirute, é porque o grupo terrorista não é um acessório da sua política externa. É uma das suas artérias. É o punhal colocado no pescoço de Israel, a base avançada no Mediterrâneo, um seguro de vida estratégico do regime e a prova material de que o Líbano deixou há muito de ser um Estado soberano para se transformar numa sala arrendada pela “teocracia” militar iraniana.

Perante isto, os EUA cederam.

Segundo os relatos disponíveis, Trump falou com Netanyahu, anunciou contactos indirectos com o Hezbollah por intermediários, e obrigou Israel a suspender uma operação prevista contra Beirute. Traduzido da língua diplomática para a língua dos adultos, a organização terrorista disparou, ameaçou, escondeu-se atrás de civis, invocou o patrão iraniano e recebeu como prémio a protecção americana contra os  israelitas.

É possível que isto seja apenas uma leitura injusta. É possível que Trump tenha na manga um acordo de uma dureza tal que torne tudo compreensível. Um acordo que liquide a questão nuclear, desmonte os mísseis balísticos, seque os proxies, abra Ormuz, reduza o Irão a uma potência regional domesticada e deixe os aiatolas a assinar, com lágrimas nos olhos, uma rendição que nem o general Grant recusaria. Tudo é possível. Também é possível que o monstro do Loch Ness tenha carreira no direito marítimo. O problema é que, até prova em contrário, a hipótese fantástica continua a ser fantástica.

A outra possibilidade, mais prosaica, mais feia e, por isso mesmo, mais provável, é que Trump Allways Chicken Out e quer desesperadamente um acordo. Não necessariamente um bom acordo, mas um acordo. Um objecto político vendável em conferência de imprensa. Um troféu para exibir como “melhor do que o de Obama”, o que, convém reconhecer, não é uma fasquia propriamente alpina. O acordo de Obama era um queijo suíço de buracos, ingenuidades e calendários feitos para agradar aos optimistas profissionais. Mas um mau acordo não se corrige com outro mau acordo acompanhado de foguetes, hipérboles tremendas, bonés MAGA e insultos telefónicos.

É que se  esta segunda hipótese for verdadeira, as consequências são devastadoras.

Para o Irão, será uma vitória estratégica de enormes dimensões, apesar dos danos sofridos. Teerão aprenderá a  lição de que suportar destruição, atacar terceiros, manter objectivos máximos, nunca aceitar  exigências verdadeiramente irrevogáveis e arrastar negociações até que o outro lado prefira chamar paz à fadiga, compensa. Logo, será repetida. A Guarda Revolucionária precisa apenas de convencer Washington de que a continuação da batalha é mais incómoda do que a cedência. Foi assim que muitos impérios começaram a morrer, não por falta de legiões ou porta-aviões, mas por excesso de vontade de não os usar.

Para Israel, a lição é  brutal. O seu inimigo existencial continuará a existir como tal. Os seus mísseis continuarão a ser fabricados. Os seus proxies continuarão a ser alimentados. O Hezbollah continuará a ser reconstruído no Líbano, como o bolor regressa às paredes quando se pinta por cima da humidade. E Israel descobrirá, mais uma vez, que a dependência estratégica de terceiros tem um preço. Um país que nasceu porque os judeus perceberam, tarde e com sangue, que ninguém os salvaria, não pode transformar-se num protectorado sentimental dos EUA. Pode ter aliados. Deve ter aliados. Mas não pode entregar a sua sobrevivência ao calendário emocional de Washington.

Há qualquer coisa de obsceno em ver um aliado que lutou ao lado dos EUA,  que suportou ataques iranianos, que absorveu mísseis, drones e pressão diplomática, ser apunhalado pelas costas no momento em que se prepara para atingir o centro de comando do inimigo. Mais obsceno ainda se os relatos da chamada entre Trump e Netanyahu forem exactos no tom e na substância. Os grandes aliados não precisam de ser tratados com luvas brancas; a política internacional não é um chá de beneficência, mas há uma diferença entre pressão estratégica e humilhação pública, entre conselho duro e a sobranceria de quem confunde liderança com berro.

Para os EUA, o dano pode ser ainda mais profundo. A América não perde a sua posição no mundo apenas quando abandona Cabul em caos, quando deixa aliados pendurados, quando ameaça parceiros europeus, quando trata a Coreia do Sul como inquilina atrasada ou quando transforma Israel em subordinado descartável. Perde-a quando os outros concluem que a garantia americana é uma moeda que se desvaloriza exactamente nos momentos em que devia valer mais. A confiança internacional é feita de memória. E a memória raramente se deixa subornar por adjectivos.

O problema central não é Trump. Seria confortável reduzir isto ao temperamento de um homem, às suas vaidades, às suas cóleras e à sua necessidade de anunciar vitórias antes de as possuir. Mas o problema é maior. A América parece oscilar entre a tentação imperial e a de abandonar o mundo inteiro sem compreender as consequências. Entre o excesso imperial e a deserção, falta-lhe a velha gravitas, a capacidade de definir fins, escolher meios, sustentar aliados e fazer os adversários perceberem que certas linhas existem para não serem pisadas.

Para o Ocidente, a mensagem é gelada. Entramos em tempos de Hobbes com elites de salão. Os lobos estão a regressar: Irão, Rússia, China, proxies, milícias, piratas ideológicos, Estados falhados, Estados predadores, organizações terroristas com departamentos de comunicação e embaixadas oficiosas. E nós respondemos com cimeiras, fórmulas, pedidos de reuniões do Conselho de Segurança, prudências, “desescalada” e o medo de chamar inimigo ao inimigo. O apaziguamento é cobardia mas vem  sempre vestido de sabedoria. Explica que evitou o pior, que ganhou tempo, que salvou vidas, que preservou canais. Depois, mais tarde, quando o pior regressa maior, mais armado e mais insolente, os mesmos explicadores garantem que ninguém podia prever.

Podia. Pode-se quase sempre prever. Quando se recompensa a chantagem, há mais chantagem. Quando se salva um proxy, há mais proxies. Quando se apunhala um aliado no momento em que ele ameaça vencer, há menos aliados confiantes e mais inimigos atentos. Quando a maior potência do mundo se deixa chantagear por uma teocracia que comunica por mísseis e milícias, está a pagar a primeira prestação da próxima guerra.

Eu preferia acreditar que Trump sabe exactamente o que faz. Preferia acreditar que existe um plano secreto, uma armadilha brilhante, uma arquitectura estratégica tão subtil que os seus críticos parecem apenas impacientes. Preferia acreditar que, no fim, aparecerá um acordo magnífico, leonino, verificável, definitivo, capaz de desmontar o nuclear, os mísseis, o Hezbollah, os Houthis, Ormuz e a arrogância iraniana de uma assentada.

Preferia. Mas o cepticismo é a higiene mínima de quem observa a política internacional sem incenso na mão.

O que se viu, até agora, foi que o Irão ameaçou, o Hezbollah ganhou tempo, Israel foi rasteirado e Washington cedeu. Talvez seja génio. Talvez seja cálculo. Em qualquer dos casos, a pergunta que fica não é agradável, mas é inevitável: se os EUA já não protegem os aliados quando os aliados enfrentam os inimigos dos EUA, então quem, exactamente, ainda deve apostar a própria sobrevivência na palavra americana?

A resposta a essa pergunta interessa a todos os que vivem do lado errado dos lobos e ainda acreditam que uma civilização se conserva com promessas.

Não se conserva. Conserva-se com força, vontade, lealdade e memória. Quando faltam as três, a história costuma voltar. E raramente volta para pedir licença.


The Spectator - The Golders Green atrocity is the final straw

 

(personal underlines)

The Golders Green atrocity is the final straw

The aftermath of the attack in the Golders Green area of north London (Getty images)

It is undeniable now: war has been declared on British Jews. A fascistic crusade is being waged against our Jewish compatriots. The anti-Semitic atrocity in Golders Green today is further brutish proof of this unsettling fact. We’ve had firebombings at synagogues, the murder of Jews in Manchester on Yom Kippur, and now this frenzied knifing of Jews in London. There can be no more equivocating – this is a moral emergency.

The scenes from Golders Green are truly grim. Video clips show the suspect wielding his knife with demented fury at two visibly Jewish men. One is reportedly in his 70s, the other in his 30s – both sustained serious injuries, but are reportedly in a stable condition. Their crime? They were out, proud Jews on the streets of London in 2026.

If this doesn’t force a moral reckoning with the state of our nation, nothing will. The pessimist in me is not holding his breath. After all, mere hours after the slaying of two Jews at the Heaton Park Synagogue in Manchester in October, bourgeois mobs were on the streets hollering ‘Globalise the intifada’. Two dead Jews weren’t enough for them, it seems – they wanted more, they wanted the destruction of the Jewish state itself.

Or consider the snivelling silence of progressives as two London synagogues and a Jewish charity were subjected to attempted firebombings over the past fortnight. Self-styled ‘anti-fascists’ were shamefully schtum in the face of those 1930s-style abominations against London’s Jews. Not one ‘progressive’ foot hit the streets of our capital in protest against these fiery assaults on the city’s Jews.

And it was only last month that four Hatzola ambulances were set alight, also in Golders Green. It was Hatzola staff that rushed to the scene of today’s barbarous knifing. Just think about this: bloodied Jews being tended to by volunteer staff who saw their own ambulances incinerated by arsonists just five weeks ago. Is this London? A city where Jews are attacked and the life-saving services that might save them are put to the torch? It is obscene. No Brit of fair conscience can tolerate this.

The most sickening thing about today’s knife pogrom is that it was entirely predictable. Jews knew this was coming. Every Jewish friend of mine has told me they foresee violence against their community. They knew something like Heaton Park was going to happen. They knew their synagogues were at risk of attack. And today’s events, too, will shake them but not shock them. Here’s the question, then: why did we not listen?

The Jewish community has been dismissed time and again by the self-styled progressives of civil society. Jews begged those armies of bourgeois Israelophobes to stop chanting ‘Globalise the intifada’, rightly pointing out that it was a cry for violence against Jews, but they were ignored. They warned that the demonisation of Zionists as genocidal scum would hang a target sign around the necks of Britain’s Jews, most of whom identify as Zionists. Yet they were told to shut up, stop being shrill, stop ‘weaponising anti-Semitism’ to silence ‘criticism of Israel’.

That has been the left’s ruthless response to worried Jews – not sympathy, far less solidarity, but cynicism and berating. They accused Jews of hyping up the anti-Semitism crisis in order to protect their precious Jewish state from criticism. Translation: you are exaggerating the threat you face in the service of your dual loyalty to a faraway demonic entity. This callous dismissal of Jewish fear has been one of the most unseemly, immoral sights of our time.

Worse, it has emboldened the enemies of the Jews. The more that ‘respectable society’ writes off Jews as hyperbolic self-pitiers, as sly silencers of ‘criticism of Israel’, the more it incites their fanatical haters. You’re right, these ‘progressives’ essentially say to violent anti-Semites: Jews are an untrustworthy people whose chief aim is to muzzle your righteous criticism of Israel. This demonisation of Jews by polite society, however unwitting, has been unconscionable. It has endangered our Jewish friends.

Enough is enough. Jews should not have to fight any more for the right to to be free and equal Britons. That is now a task for us non-Jews. It now falls to us to call out the fashionable love for ‘intifada’, the frothing demonisation of the Jewish state, the heartless dismissal of Jewish concerns, and the disgusting silence that followed all those racist atrocities against British Jews and their institutions. Jews in Britain have proven they are good citizens – it now falls to Gentiles in Britain to prove we want them to stay. Who’s in?

Desporto - Sumo (torneio de Maio 2026)

 Wakatakakage won, although there were a lot of withdrawals



Último combate de Tamawashi?















The Spectator - What David Attenborough gets wrong about cats


 

(personal underlines)

What David Attenborough gets wrong about cats

Credit: iStock

Here we go again. Last February I wrote about the latest wave of ‘catphobia’ – my new word, do use it – prompted by a report (more accurately, an anti-cat rant) published by the Scottish Animal Welfare Commission. The report suggested the ‘compulsory containment of cats in vulnerable areas’ and the banning of cats altogether in some new housing developments. A wave of cat hate followed.

For anyone who hasn’t been brainwashed by the anti-cat mafia that dominates the media and public life, I bring bad news. The majority of this anti-cat screed was easy to swat away as the nonsense it was. As for the Scottish Animal Welfare Commission…well, who cares?

But, my fellow cat lovers, we now have a very different and altogether higher-calibre adversary to contend with. I can barely bring myself to report that tonight on BBC1 the latest piece of anti-cat propaganda is to be delivered by…Sir David Attenborough. And it’s not just any old new series of his; it’s one celebrating his 100th birthday. It’s as if the anti-cat mafia has decided it’s time to explode its nuclear weapon. How are we supposed to take on Sir David Attenborough celebrating his centenary?

In the documentary Secret Garden, he argues that the 9.5 million pet cats in Britain kill 55 million birds every year. He suggests – assuming that this is, by definition, a bad thing – that cats wear a bell on their collars as this ‘reduces pet cats’ hunting success by a third’. As it happens, I don’t think it’s an outrageous suggestion; my cat, Louie, wears a bell on his collar, mainly so I can hear where he is. 

But that’s not all. In a recent interview, the series’s producer, Bill Markham, lets rip at cats on the bizarre ground that they are too well looked after. Having so many pet cats is, he says, ‘unfair on the prey’, because ‘they’re being fed every day. There’s no limit on their population. So the normal relationship between predators and prey falls apart.’

I’m struggling to understand the logic. Like most cats, Louie does occasionally bring back a dead bird for me. But it’s very occasional – perhaps once or twice a year. That’s because he doesn’t need to kill to eat. He’s just doing what cats do once in every while for fun. But if I didn’t feed him every day, he would do what cats do because he had to – and kill many more birds. If you’re trying to reduce the number of dead birds, how is making cats more reliant on killing them a good idea?

Markham also says people should keep cats indoors during the avian breeding season in April and May. It’s not too outrageous a suggestion, although if you’ve ever had to contend with a stir-crazy cat for whatever reason – recuperating after an operation, for example – then you’ll know it’s not that straightforward.

My real issue with the series isn’t the specific suggestions put forward. It’s the tone and the approach that we see all the time – that cats are somehow a problem that has to be dealt with. Usually they’re contrasted with dogs – ‘man’s best friend’ in that idiotic phrase, as if they’re loyal and bright while cats are self-centred. 

Anyone who owns a cat (or rather is owned by a cat) will know what rubbish that is. I’ve no interest in being slobbered over by a dog that runs affectionately at anyone. But when I’ve earned a cat’s trust and affection, as with Louie, that’s something I’ll take with me to my grave.

I hesitate to take issue with Sir David Attenborough, but it’s depressing how yet again cats are being portrayed as a problem. Wouldn’t it be wonderful if we just celebrated the joy, the comfort and the calm that cats can bring?

sábado, 6 de junho de 2026

Livros novos - La Tyrannie sportive (Jean - Marie Brohm)

 Ao fim de dois meses de espera, e mesmo assim teve de vir da Irlanda...??





Cartoon - Jim Unger (Herman)

 







Almoço (Turma IST)

Em 05.06.2026 na antiga Casa Marítima com Fernando Freitas, Jacinto, Zé Monteiro, João Cruz, Zé Morgado e Jorge Matos






The Spectator - The British road trip is over

 (personal underlines)

The British road trip is over

The impractical lie of the open road

(Picture: Getty)

You set off on a spring morning, windows down, full of hope. Sunglasses, flasks of tea and a picnic rug are packed. You are ready to experience the freedom of the road, leave your worries in the rear-view mirror, put pedal to the metal (and every other optimistic road trip cliché).

Follow the brown signs to the Pembrokeshire Coast 200, South West 660, Wales Way, Antrim Coast Road or any of the other curated, promoted and hash-tagged routes now crisscrossing the UK. Whether it’s following the signs for the North Coast 500’s Highland circuit, starting in Inverness, or the Atlantic Highway through North Cornwall, thousands of us will head off this year in search of a mythical experience – the one we saw in the drone video of a couple in an open-top car winding between hedgerows.

You plan to potter across pretty Cambridgeshire, for example, marvelling at a panorama of floral verges, flint cottages and pretty churches. But it won’t be long until you arrive at Reality City, UK. That place where a crater suddenly swallows your front offside wheel. You might even plunge into the recent Cambridgeshire pothole filled with naan bread by an enterprising restaurateur — a culinary protest against council neglect (with a good bit of PR thrown in). Or if you’re really lucky, perhaps another Cambridgeshire crater, the one recently decorated with fake legs sticking out from the tarmac, serving as a surreal warning. Yes, really. 

Forget spotting charming buildings and wildflowers, driving is now about zigzagging on roads where any puddle could be hiding a suspension-destroying sink hole, waiting at temporary traffic lights by a tiny pile of earth where no-one seems to be working, or negotiating our draconian speed limits.

The only officially approved acceleration for motorists is now the rapid proliferation of 20mph limits, which only increase noise, fuel use and vehicle wear and tear, with little noticeable benefit. If your road trip takes you through a town you’ll be pleased to discover that a third of the UK’s urban roads now have this infuriating third-gear, 20mph limit that didn’t exist 20 years ago.

So, you find yourself standing next to your bent wheel in sunny Cambridgeshire, holiday punctured, naan bread smeared on your tyres, mannequin limbs poking from pitted tarmac, and you realise: this is the precise opposite of the road trip you imagined. 

Britain now has more than 42,000 speed humps, 8,000 speed cameras (more per mile than any European country) and more than a million potholesA third of UK drivers have reported vehicle damage from potholes, more than a fifth have reported speed bump damage and record numbers (around three million a year) are being caught ‘speeding’, including half a million who were driving under 30mphBritish driving is now about bus lanes, bike lanes, road-narrowing schemes and bollards.

In fact, we currently boast ten million traffic cones. We also now negotiate thousands of temporary traffic lights across the UK at any one time, increasingly deemed necessary for the most minor repairs. And there’s another recent road-speed record to celebrate: 500,000 miles of roadworks undertaken a year across the UK.

Add emission and congestion zones, low-traffic neighbourhood schemes and a stalled road-building programme and Britain has more cars than ever on roads that are worse than ever on every possible metric.

Yet the road trip continues to be promoted with missionary zeal. We have quietly filled our island with curated drives. County loops, heritage highways and coastal cruises are sold as open-road discovery. They are cheap to create and photogenic to market. It’s tourism without infrastructure. You can traverse the country entirely by branded loop, drifting from one logo to the next.

I say this with some professional guilt. I spent years devising, driving and promoting road trips. One assignment involved breaking the world record for visiting the most countries by car in a single day – 12, if you’re interested – and I researched, created, wrote and mapped the route for the South West 660. I have driven LeJog (twice), the new SWC 300 in Galloway and the beautiful Mourne Coastal Route. I’ve written books and articles celebrating the open road. 

Both travel insurance company ABTA and Booking.com report a global surge in self-drive holidays, part of a post-pandemic lust for independence and space. Iceland ring-road and Australian outback routes star in many 2026 brochures. This summer’s 100th anniversary of America’s Route 66 promises roadside celebrations and floods of tourists. While the US markets classic open highways, Britain adds more humps and 20mph zones. It’s the endless highway versus the endless roadworks.

Other countries still frame driving as a normal mode of mobility rather than a behaviour to be discouraged. Here humps, chicanes and pinch-points physically throttle roads once driven fluidly. The scenic drive has become a sequence of forced braking, its rhythm broken by design.

While tourism bodies promise open-road discovery, transport policy multiplies constraints and tolerates decay. The road trip survives vividly in the imagination — but it is an increasingly disappointing reality.