terça-feira, 6 de outubro de 2026

Cartoon - Larson

Há cartoons e cartoons...





 

Reflexão - O Túnel "Algés - Trafaria"... (LBC)

PARA MAIS TARDE RECORDAR...


1 - Um pequeno exercício no ChatGPT: calcular os pontos de saída do "túnel rodoviário Algés - Trafaria" com um critério optimista do fixe a 100m (...). 

2 - O critério mais optimista (inclinação de 5%) no que ao comprimento diz respeito, é de 7000m, ou seja, não é entre Algés e Trafaria mas mais entre Carnaxide e Funchalinho. Parece-me...

3 - O critério mais pessimista (3%) é de 9,7Km de comprimento, ou seja, aproximadamente entre Linda-a-Velha e Sobreda.

4 - Então, a designação correcta não deverá ser Algés - Trafaria! De que estarão "eles" a falar? E porquê?...

5 - a não ser que o túnel não seja túnel, antes um tubo "suspenso" no meio do rio...:), modernices!

Enfim, "cãojecturas" pessoais (...) para um futuro longínquo...






Fazer um perfil completo de um túnel de 3 km sob o rio, a 100 m de profundidade, incluindo a distância das rampas, ponto mais baixo e comprimento total, usando uma inclinação máxima de 3%, 4% ou 5%.

Sim. Vou assumir que:

  • 3,0 km = extensão horizontal do trecho sob o rio, no nível mais baixo;
  • 100 m = desnível vertical entre a cota dos portais e a cota do ponto mais baixo do túnel;
  • há duas rampas simétricas, uma de cada lado do rio;
  • a inclinação indicada é a máxima longitudinal;
  • para este cálculo preliminar, desconsidero curvas verticais de concordância.

A relação é:

Lrampa=100i

onde i é a inclinação em valor decimal.

Comparação dos três cenários

Inclinação máximaDescida de cada ladoTrecho sob o rioSubidaComprimento total
3%3.333 m3.000 m3.333 m9.667 m (9,67 km)
4%2.500 m3.000 m2.500 m8.000 m (8,00 km)
5%2.000 m3.000 m2.000 m7.000 m (7,00 km)

m=1003333.33

Perfil longitudinal

Opção A — 3%

Perfil simplificado:

Cota 0 m ──┐                                      ┌── Cota 0 m
           │\                                    /│
           │ \                                  / │
           │  \                                /  │
           │   \______________________________/   │
           │          3.000 m sob o rio           │
           │                                      │
Cota -100m └────────── ponto mais baixo ──────────┘
              3.333 m          3.333 m
  • Portal esquerdo: 0 m
  • Início da zona de fundo: 3.333 m
  • Ponto mais baixo: 6.333 m
  • Fim da zona de fundo: 9.333 m
  • Portal direito: 12.667 m?

Correção importante: o comprimento total calculado acima é 9.667 m, portanto a representação deve ser interpretada como:

  • rampa: 3.333 m
  • fundo: 3.000 m
  • rampa: 3.333 m
  • total = 9.666 m

A estação do ponto mais baixo é, portanto, 3.333 m, e ele permanece na zona baixa durante os 3 km, até à estação 6.333 m.

Opção B — 4%

Cota 0 m ──┐                                ┌── Cota 0 m
           │\                              /│
           │ \                            / │
           │  \__________________________/  │
           │       3.000 m sob o rio        │
Cota -100m └──────── ponto mais baixo ───────┘
             2.500 m       2.500 m
  • Rampa de entrada: 2.500 m
  • Trecho a -100 m: 3.000 m
  • Rampa de saída: 2.500 m
  • Comprimento total: 8.000 m
  • Início do trecho mais baixo: km 2+500
  • Fim do trecho mais baixo: km 5+500

Opção C — 5%

Cota 0 m ──┐                          ┌── Cota 0 m
           │\                        /│
           │ \______________________/ │
           │      3.000 m            │
Cota -100m └──── ponto mais baixo ────┘
              2.000 m    2.000 m
  • Rampa de entrada: 2.000 m
  • Trecho a -100 m: 3.000 m
  • Rampa de saída: 2.000 m
  • Comprimento total: 7.000 m
  • Início do trecho mais baixo: km 2+000
  • Fim do trecho mais baixo: km 5+000

Resumo do perfil

3%4%5%
Profundidade máxima100 m100 m100 m
Rampa de entrada3,333 km2,500 km2,000 km
Trecho sob o rio3,000 km3,000 km3,000 km
Rampa de saída3,333 km2,500 km2,000 km
Comprimento total9,667 km8,000 km7,000 km
Estação início fundokm 3,333km 2,500km 2,000
Estação fim fundokm 6,333km 5,500km 5,000

Em termos geométricos, 5% é a solução mais curta, mas exige uma inclinação significativamente maior. Para um túnel rodoviário, a escolha entre 3%, 4% e 5% não deve ser feita apenas pelo comprimento: entram também segurança, drenagem, ventilação, veículos pesados, evacuação e critérios normativos.

Se quiser, posso fazer a seguir um perfil longitudinal completo em escala, com cotas a cada 500 m, quilometragem, rampas, ponto mais baixo e comprimento total, para as três alternativas.

Observador - A grande surpresa no lar socialista: faltam casas (Tiago Dores)

 


(sublinhados pessoais)

A grande surpresa no lar socialista: faltam casas

Quem podia prever que penalizar o investimento com burocracia e impostos, ao mesmo tempo que se escancarava a porta a mais de um milhão de imigrantes em meia dúzia de anos, criaria escassez de casas?

Há coisas surpreendentes. Por acaso, de momento e por azar, só me ocorre a coisa menos surpreendente do mundo, logo a seguir a “em que direcção segue uma maçã quando se desprende da árvore: para a estratosfera ou para o chão?”. A segunda coisa menos surpreendente do mundo foi o último discurso de António Guterres enquanto secretário-geral da ONU: anti-Israel e aldrabão, como manda a tradição. O que, sejamos justos, acabou por ser óptimo. Num mundo em permanente convulsão, é reconfortante saber que há coisas que nunca mudam.

É mais ou menos como as ilhas Tuvalu. Há uns anos, Guterres apareceu por lá de calças arregaçadas, com ar de quem chega a casa após a pescaria e descobre que a amêijoa está toda podre, a garantir o desaparecimento do arquipélago anteontem. Passados estes anos todos, Tuvalu parece querer fazer pirraça ao “melhor de todos nós” (nas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, o melhor reencaminhador de cunhas de todos nós): as ilhas mantêm-se bem acima da linha de água, enquanto a ONU de Guterres se afundou em corrupção, qual Manchester City das organizações internacionais. E a concorrência é forte.

Agora, o próprio Guterres devia ter percebido que vaticinar subidas de marés era péssima ideia. Afinal, ele é um dos mais reputados especialistas em parar subidas. Ou não tivesse sido o grande timoneiro do governo que, sucedendo a uma série de anos de convergência da economia portuguesa, se tornou o grande precursor da estagnação de que Portugal ainda hoje padece.

Quem também padece, mas de paixões súbitas à la Guterres, é o mais recente de uma linhagem de brilhantíssimos líderes do PS, José Luís Carneiro. Desculpem o aparte, mas como não recordar a sequência Guterres–Ferro Rodrigues–Sócrates–Seguro–Costa–Pedro Nuno Santos–José Luís Carneiro? Isto é um verdadeiro royal flush. Mas mais no sentido em que dá uma vontade real de puxar o autoclismo.

Dizia eu que, há dias, o Glorifica-Maduros e Venera-Sánchez revelou ter uma “paixão pela habitação”. Pareceu-me estranho: pensava que, em termos de líderes do PS, a “paixão pela habitação” era o pelouro de José Sócrates, a julgar pelo empenho que o “engenheiro” demonstrava nas escutas quanto às escolhas do soalho, ou lá o que era, da casa (que não é sua!) em Paris.

Uma coisa é certa: Carneiro não partilha da “paixão pela educação” dos anos 90 de Guterres. Talvez também porque, passados estes anos, se tenha tornado óbvio que a paixão era muito especificamente pelas escolas financiadas pela UNRWA, onde os meninos de Gaza, ainda antes de se aguentarem sentados, já têm seis horas por dia da cadeira “Odiar Judeus I”.

Bom, de volta a Carneiro e aos governos socialistas de Costa. Afinal, quem podia prever que penalizar o investimento com burocracias e impostos, ao mesmo tempo que se escancarava a porta a mais de um milhão de imigrantes em meia dúzia de anos, criaria escassez de casas? Dirão vocês: “Qualquer pessoa que tivesse tirado cinco minutos para estudar Economia.” Sim, mas calma. Que economia? A da Escola Austríaca, por exemplo, ou a do programa de doutoramento do ISCTE dirigido por Mariana Mortágua? Ah, pois é.

Cheira-me que José Luís Carneiro tem uma queda quase tão grande pela segunda opção quanto a sua “paixão pela imigração” que inspirou a extinção do SEF. Uma coisa é certa: ter de contar com Carneiro à frente da economia portuguesa seria mais ou menos como contar carneiros — a única diferença é que a economia pareceria estar a dormir quando, na verdade, já teria falecido. É mais certo do que a maçã, ao soltar-se da árvore, cair no chão.


Desporto - Sumo (Torneio de Setembro)

 

Mais um para Onosato


o último de Mitakeumi?

o último de Tamawashi?
Faltou
Faltaram

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Livros - Bidding

 


Reflexão - Tempos difíceis...(LBC)

 Estranho! Muito estranho!...




The Spectator - The Church of England is destroying itself

 

(personal highlights)

The Church of England is destroying itself

Hafiz Tahir Ashrafi, his wife and Dame Sarah Mullally, Archbishop of Canterbury (Image: Lambeth Palace)

Many of Britain’s institutions are being destroyed from within by leaders who do not seem to understand what they are for. But even by those standards, the Church of England is a special case, as shown by its decision to spend the 25th anniversary of 9/11 giving a supporter of Osama bin Laden a prize for ‘reconciliation and interfaith cooperation.’

The tragedy of the Church of England – and it is a tragedy – is that we have seldom been in greater need of spiritual and moral leadership. As Matthew Arnold’s famous Dover Beach, lamenting the Sea of Faith’s ‘melancholy, long, withdrawing roar,’ puts it: ‘We are here as on a darkling plain/ Swept with confused alarms of struggle and fight/ Where ignorant armies clash by night.’ If that was so in Arnold’s 1850s, how much more true it is now.

Yet the award of the Hubert Walter prize to the Pakistani cleric Hafiz Tahir Ashrafi is the latest evidence that the Church is not capable of providing that leadership, because it does not know what it is for. Ashrafi, as a three-minute Google search would have found, gave bin Laden the honorific title of Saifullah, or Sword of God, in 2007, in response to the knighting of Salman Rushdie. As the renowned champion of reconciliation and peace explained: ‘If a blasphemer can be given the title ‘Sir’ by the West… then a mujahid who has been fighting for Islam against the Russians, Americans and British must be given the lofty title of Islam, Saifullah.’

More recently, he exulted in the 7 October massacre, saying that ‘Allah crushed the pride of Israel through the Palestinian freedom fighters;’ shared a conspiracy theory that the US and Israeli missile strikes on Iran were a plot to control his own country (‘Under the cover of Iran, the target of the Jews and Christians is nuclear-armed Pakistan’) and chaired a meeting which condemned the Charlie Hebdo cartoons as an act of terrorism, two weeks after an actual act of terrorism in which 12 of the magazine’s staff and others were murdered.

The Ashrafi affront comes in the same week we learned that St Paul’s Cathedral had signed a four-year deal with the Fabric nightclub to hold ‘contemporary music events’ in the main body of the cathedral, described by the mayor of London, Sadiq Khan, ‘pairing world-class music with one of our most special landmarks.’ But St Paul’s is more than ‘special landmark,’ Sadiq. It is, or was, a sacred place.

Six years ago, this country faced the Covid pandemic, which shut tens of millions in their homes, threw millions out of work, upended all the normal routines of life – and killed 200,000 people. I cannot remember hearing a single word of spiritual encouragement or comfort from the official spiritual leader of the English people, the then Archbishop of Canterbury, Justin Welby.

A search turns up some low-key statements, but the Church was almost invisible during the greatest crisis in Britain’s recent history; Welby was always happier talking about asylum seekers or Tory cuts. Churches were closed, even for solo prayer. Sarah Mulally, Welby’s successor who gave and then subsequently retracted the prize from Ashrafi, has been described as playing ‘a key role leading the Church of England’s response to the Covid pandemic,’ a response which even Welby later admitted was excessive.

It’s unfair to say that Mulally and the leaders of the modern Church don’t believe in anything. They just don’t seem to believe in moral and spiritual leadership, and they don’t believe in the same things as most of their flock. They do believe deeply in ‘inclusion,’ which means opening up their cathedrals to nightclubs or subjecting Pakistani clerics to a lower level of scrutiny and investigation than they would apply to, say, a British politician under consideration for the same award. But a part of moral and spiritual leadership is exclusion – or at least toughness, making it clear when something falls below standard, as I think supporting mass murder might. Moral clarity was also, perhaps, a little lacking in addressing the Church’s abuse scandals.

The fruits of this are seen in the catastrophic trajectory of church attendance – down a third since 2010 alone, with little more than half a million people now attending a C of E service on a Sunday. Another part of what the Church should be about is promoting the institutions which cement society, such as marriage. That’s even quite ‘inclusive,’ albeit in a different way from LGBT interfaith friendship circles. Lots of people who don’t do organised religion still want to get married. But since 2010 marriages in Anglican churches have crashed even more than attendances – by around two-thirds, in fact.

Both the big Christian churches are under pressure. Mass attendance in the Catholic Church, an institution less affected by soft-headedness and woolly-mindedness, is also well down, though not by quite as much as the C of E’s. But if Anglicanism carries on like this, in about thirty years’ time it will literally have disappeared. Maybe some will see that as a good thing. I think it would be a shame.

Teatro - O que nós queremos é Revista

 No âmbito da Plateias D'Arte, em 30.09.2026, no Teatro Azul, "O que nós queremos é revista".

Foto com João Camões e Cátia Garcia.





Observador - Pântanos, genocídios e 74 chibatadas (Rodrigues do Carmo)

 


(sublinhados pessoais)

(LBC - entre o muito bom e o brilhante)

Pântanos, genocídios e 74 chibatadas

Há três anos que assistimos à interpretação tortuosa de supostos especialistas em Direito Internacional Humanitário, provavelmente formados nos intervalos vínicos da Queima das Fitas

Daqui a poucos dias passam três anos sobre o 7 de Outubro.

Em Gaza há ruínas, e uma população que, naquele dia, rejubilou e participou na invasão de Israel e hoje enfrenta as dramáticas consequências.

E por cá há uma verborreia de dislates acerca disso, de um tal grau de indigência que nenhuma pessoa normal consegue ler e ouvir em silêncio.

A primeira tragédia é humana, a segunda é intelectual e moral.

Há três anos que assistimos à interpretação tortuosa de supostos especialistas em Direito Internacional Humanitário, provavelmente formados nos intervalos vínicos da Queima das Fitas, e de peritos que acham que combate urbano é uma acesa discussão com o empregado a propósito da temperatura do cappuccino.

Todos falam de proporcionalidade, todos identificam um crime de guerra pelo cheiro e todos, naturalmente, sabem instantaneamente distinguir um genocídio de uma guerra, sobretudo quando há judeus envolvidos.

Em tempos mais dados à parcimónia e ao senso comum, estes conceitos eram jurídicos e filosóficos. Hoje são palpites, interjeições e insultos.

Mariana Mortágua, nos auges da febre das flotilhas, acusou o Governo português de transformar Portugal em “cúmplice directo” do genocídio, Alexandra Leitão votou resoluções pelo “fim do genocídio” e, de um modo geral, a fauna palestinianista debita a palavra com a autoritas de quem chama gatuno ao arbitro, ou “fassista” ao vizinho.

Azeredo Lopes, especialista em paióis e em DI, vem debitando publicamente a acusação, primeiro como insinuação manhosa e ultimamente como imputação desbragada.  Toda esta gente sabe muito bem que não há genocídio nenhum, mas algo tenebroso e antigo leva-os, neste assunto, a desleixar as mais elementares regras de prudência jurídica e a descartar por completo a honestidade intelectual.

Todos eles deviam saber que a  Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio exige, além de certos actos, uma intenção. Esta palavra é crucial. Não é “morreram muitos” ou “ as fotografias são horríveis”, ou “vi uma criança nos escombros”.

É “intenção”!

Sim, pode-se acusar Israel dessa intenção, da mesma maneira que é possível acusar o Papa de tencionar assaltar ourivesarias em Fátima. O que não é sério é apresentar palpites como factos, instalados entre a astrologia e as profecias do Bruxo de Fafe.

António Guterres, “O Pantanoso”, é mais melífluo.

Uns dias depois da carnificina, declarou que os ataques do Hamas “não aconteceram num vácuo”, forma viscosa de insinuar que alguma coisa os judeus devem ter feito para aquilo lhes acontecer.

Desde então, a escorregadia criatura apurou a linguagem canalha sobre Israel. Falou em punição colectiva e, há poucos dias, no crepúsculo de uma carreira lodosa, descreveu o exercício da legítima defesa israelita como uma ofensiva contra os palestinianos, com uma escala de morte e destruição sem paralelo durante o seu mandato. No mesmo dia em que proferia esta mentira desbragada, confraternizava, sorridente com o representante de um regime que, ainda no ano passado, matou dezenas de milhares de cidadãos iranianos em 3 ou 4 dias sangrentos.

Quando lhe perguntaram directamente se aquilo era genocídio, Guterres respondeu, gelatinoso, que não lhe competia determinar juridicamente a existência de genocídio.

Por que motivo esta contorção jurídica convive com uma retórica que deixa a acusação montada, mobilada e com a luz acesa, faltando apenas pendurar a placa “genocídio” na porta, é algo que Guterres tem de explicar a si mesmo, quando se olha ao espelho.

Paulo Rangel, o nosso MNE, navega numa maionese mais light.

Há um ano, o Governo português reconheceu o Estado da Palestina, premiando de facto o morticínio desencadeado pelo  “Eixo da Resistência”. A hipocrisia é que tal Estado não existe, e algumas das condições anunciadas para o reconhecimento (desarmamento efectivo do Hamas, a libertação de todos os reféns, eleições, o controlo de Gaza por uma autoridade palestiniana distinta do Hamas, etc.) eram apenas promessas e a maioria continua a ser.

Há dias apresentava-se sorridente, em amena cavaqueira com o MNE iraniano, no dia em que uma cantora iraniana foi condenada a 74 chibatadas por andar sem um pano na cabeça, e não podendo deixar de saber que, se fosse iraniano, estaria há muito pendurado num guindaste.

Mas por que razão a acusação de genocídio, que já andava a burilar na Conferência de Durban há 25 anos, encontra uma receptividade tão entusiasta quando o acusado é o judeu? Porque não a Rússia, a China, o Irão, a Turquia, o Hamas, o Sudão, e inúmeros outros corações das trevas do planeta?

Israel, como todos os países democráticos, tem governos que acertam e erram,  ministros bons e maus, políticos responsáveis e irresponsáveis, e militares capazes do melhor e do pior. Os israelitas não são uma espécie moral diferente do resto da humanidade. Mas então, o que justifica a sua omnipresença nos radares do ódio, nas comissões da ONU e em certas ONG? Por que razão é julgado segundo regras especiais?

A resposta é cristalina: Antissemitismo!

É disso que se trata, porque é manifestamente antissemita a aplicação a Israel de critérios que não são exigidos a outros países, a negação do direito de autodeterminação dos judeus, a negação do direito de legítima defesa, e a responsabilização colectiva dos judeus pelos actos de um estado.

Há dias a equipa de futebol da Irlanda, fez uma coreografia ignóbil num jogo da Liga das Nações com Israel, recusando-se mesmo a cumprimentar os jogadores israelitas. No mês passado, a sua selecção de cricket jogou 5 vezes com o Afeganistão e, apesar de o regime talibã ser terrorista, e tratar as mulheres como animais, proibidas até de praticar desporto, não houve qualquer coreografia do género.


Isto é antissemitismo da velha cepa.

O truque moderno é que o judeu deixou, em certos ambientes “educados”, de poder ser odiado explicitamente, porque fica mal. Já os “sionistas” podem ser odiados à vontade, e qualquer pretexto serve para libertar o velho ódio.

A variante lexical é engenhosa. Troca-se o rótulo, conserva-se o conteúdo e ainda se acrescenta a extraordinária vantagem de o antissemita poder explicar que combate pelo “bem” pela “justiça” e pela “causa”, enquanto liberta o mesmo fel de sempre.

Voltando ao aniversário que se aproxima, o Hamas invadiu Israel a 7 de Outubro de 2023. Cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 levadas como reféns.  Não havia “ocupação” nenhuma, há 20 anos que não havia judeus em Gaza.

Israel respondeu legitimamente (legítima defesa, segundo o Artº 51º da Carta das Nações Unidas) mas, de súbito, brotou a exótica teoria segundo a qual a proporcionalidade é uma espécie de contabilidade funerária: morreram 1.200 israelitas pelo que, atingido esse número de palestinianos, o árbitro apita e termina o jogo.

Por sorte o Direito Internacional não foi escrito pelo Dr. Azeredo Lopes.

Proporcionalidade significa que um ataque concreto não é legítimo quando se prevê que cause perdas civis excessivas relativamente à vantagem militar concreta e directa antecipada. Quem ataca avalia o alvo, a vantagem militar, o dano previsível e as precauções possíveis. Não se trata de contar cadáveres de ambos os lados no fim da guerra, caso contrário descobriríamos retrospectivamente que numerosas guerras justas foram “desproporcionais” porque o lado derrotado sofreu mais mortos, o que seria uma contribuição revolucionária para a estratégia militar.

É verdade que a legítima defesa não permite tudo. Os civis não podem ser deliberadamente atacados, os ataques indiscriminados são proibidos, as precauções são obrigatórias e o facto de o Hamas violar alegremente todas estas as regras, não dá às IDF licença para fazerem o mesmo.

Tudo isto é elementar, mas também é elementar que Gaza é uma guerra urbana travada num território densamente povoado, contra uma organização terrorista que combate deliberadamente por detrás da população, com o objectivo de se proteger das respostas israelitas, pelo tabu do dano a civis.

Isto não torna legais todos os ataques israelitas, mas muito menos transforma em crime de guerra cada edifício civil atingido. Um hospital é um alvo militar legítimo se estiver a ser utilizado, fora da sua função médica, para actos de guerra, e a sua neutralização oferecer uma vantagem militar concreta e directa.

Depois há factos curiosos para quem pretende fingir que a guerra é um “genocídio”.

Em Setembro de 2024, em plena guerra, 558.963 crianças de Gaza foram vacinadas contra a poliomielite, com pausas humanitárias diárias de nove horas, concedidas por Israel.

Numa discussão em que a intenção de genocídio é o elemento fundamental, talvez não seja despropositado incluir na análise o facto de a força acusada dessa intenção suspender operações para permitir que mais de meio milhão de crianças do grupo supostamente a genocidar, sejam vacinadas.

Também a questão da comida, da água e da electricidade é pouco adequada a slogans. Israel deixou entrar, pelas suas fronteiras, milhões de toneladas de comida, e forneceu água e electricidade. Faz-se isso a um grupo que se quer eliminar? Algo semelhante ocorreu nos genocídios que a História documenta?

A Espanha é, a par da Irlanda, um dos países europeus onde o antissemitismo mais medra. Que faria Madrid se, num destes dias, homens armados entrassem em Ceuta e Melilla, assassinassem centenas de pessoas, sequestrassem famílias inteiras e anunciassem que repetiriam a operação? Guterres viria dizer que as coisas não aconteceram num vácuo? Durante quanto tempo teria a Espanha o direito de legítima defesa? Quantos soldados Espanha aceitaria perder para diminuir o risco imposto aos civis marroquinos? Onde colocaria o Governo espanhol a fronteira entre precaução razoável e suicídio táctico?

Não sei, mas admiro quem sabe, sobretudo porque costuma descobrir a resposta a três mil quilómetros do inimigo, sentado numa esplanada, com a chávena numa mão, o keffieh ao pescoço e uma melancia a pingar sobre o Direito Internacional.

Os militares, israelitas ou de qualquer outro país, não são santos. São pessoas.

Alguns heroicos, outros medíocres. Alguns cumprirão escrupulosamente as regras, outros poderão violá-las. Os segundos devem ser investigados e, existindo provas, punidos.

É assim que funciona uma democracia.

Mas há uma diferença gigantesca entre investigar um soldado, uma unidade ou uma decisão e transformar milhões de israelitas numa personagem colectiva chamada “o genocida”.

A desculpa das críticas “às políticas” de Israel, fede a coisa antiga e rançosa.

Durante séculos, cada judeu era um recipiente de culpa colectiva. Após milhões de judeus exterminados, a Europa declarou que esse hábito era inaceitável.

Depois apareceu Israel e alguns descobriram logo o truque para ressuscitar o velho ódio sem pronunciar a palavra “judeu”. Basta chamar-lhe “sionista”, “colono”, “genocida” e, naturalmente, jurar que não há absolutamente nada contra judeus. A máscara é tão fina que se desfaz à primeira exsudação de ódio.

Israel pode ser criticado, nem mais, nem menos do que qualquer outro dos quase duzentos países do mundo. Nenhum deles está acima do escrutínio, mas também não deve estar abaixo das garantias intelectuais que se concedem aos restantes países.

O Hamas deve ser aniquilado pela intenção declarada de genocídio, pelo massacre de 7 de Outubro, pela tomada de reféns, pelos ataques deliberados a civis e pela forma terrorista como combate.

Israel deve ser julgado pelas suas próprias acções, mas os judeus não devem voltar a ser julgados colectivamente apenas porque alguns antissemitas descobriram palavras novas para vocalizar um ódio velho.

A Europa já experimentou isso e, na última vez, também havia criaturas a explicar que era por uma boa causa.

A coisa não acabou bem!


Almoço - IST (1)

Almoço na Antiga Casa Marítima em 01.10.2026 com a turma do I.S.T. Fernando Costa Pereira, António Monteiro, eu, Luis Mata,  Jacinto, Jorge Matos, Zé Morgado, Pedro Fonseca, João Cruz, Fernando Freitas e Tó Mário



sábado, 3 de outubro de 2026

Cartoon - Jim Unger (Cartoon)

 










Cartoon - Jim Unger Hermann

 








The Spectator - Britain is suffering from a tattoo epidemic

 

(personal highlights) - brilliant! Simply brilliant! Or... about human stupidity

Britain is suffering from a tattoo epidemic

They are only making an ugly country uglier

Tattoo (Getty)

But these are the beautiful people. Much of modern Britain is not beautiful. Nor is it, shall we say, underfed. Yet instead of making the best of a bad situation – going on a diet, dressing well, generally making an effort – huge numbers of people actually double down on their unattractiveness by plastering their bodies with tattoos. Do they think it’ll stop us noticing? Do they think we’ll be so impressed by the image of the wolf howling plaintively at the mountains that we’ll fail to register the other several square feet of exposed skin around it? Even if that was going to work (it wasn’t), they’d still need to be careful. Keep at it with the doughnuts and that wolf is soon going to look like it’s had a facelift. Or things could go the other way, and the animal will disappear completely, lost down ever-deepening folds of tissue.

Then again, perhaps these people actually want to draw attention to their lack of aesthetic quality. In the old days if you didn’t give a monkey’s about your appearance you just went shopping in your string vest and left it at that. These days you wear something equally revealing and have a collection of tattoos for people to stare at. ‘Yes,’ goes the reasoning, ‘my body takes several seconds to stop moving after I have, and I could occupy three postcodes simultaneously – but there’s still a small chance I’ve stayed off your radar. So just in case, here are a collection of random images to grab your attention. Behold the names and dates of birth of my children/grandchildren/pet cats. Gaze with awe on this astronomically-suspect rendering of the constellation linked to my star sign. Feast your reluctant yet strangely captive eyes on this portrait of Taylor Swift. Yes, of course it’s Taylor Swift. What do you mean, Rod Stewart?’

This ‘look at me’ aspect of tattoos fits with the general tenor of the age. Everything is performative now, everything is on show, everything is about Me. Even when it isn’t. One of the most distasteful tattoos of all is to be found on David Blaine’s left forearm. It reads ‘174517’. Blaine had it done in ‘tribute’ to his hero, the author Primo Levi, who also had the number on his arm. But Levi’s tattoo wasn’t voluntary – it was his Auschwitz prisoner number, done by his captors.

Oh well. At least winter’s on the way, so some of these abominations are going to get covered up. Will the long-term trend continue? It looks pretty inked-in. I blame Samantha Cameron. She started it all with that dolphin on her right ankle. But I didn’t have any strong feelings about her one way or the other: the tattoo that really disappointed me was David Dimbleby’s. He was the fiercely intelligent yet twinkly-eyed purveyor of high-quality political broadcasting. Then he went and got a scorpion on his back. What’s the world coming to? At least it wasn’t a ‘tramp stamp’, the term reserved for tattoos across the lower back. When women have their name there the joke is that it’s so you can remember what to call her when … oh, you know.


You see, even the jokes about tattoos are vulgar. It’s fitting that the slang term is ‘tat’.

The Spectator - We risk another 9/11 by ignoring Afghanistan

 

(personal highlights)

We risk another 9/11 by ignoring Afghanistan

A Taliban security personnel stands guard in Kabul (Getty images)

Twenty-five years after 9/11, and five years after the Taliban returned to power in Afghanistan, armed resistance against their rule is growing. The new militias are finding support in a population weary of Taliban rule. The latest group to join the fight, the Afghanistan United Front (AUF), have had their campaign blessed in a fatwa by a large group of Afghan Islamic clerics and scholars, who question the religious legitimacy of the Taliban. ‘It is our duty,’ they write, ‘to destroy the lying and deceptive narrative of the Taliban to save our religion and our people from this extremist and heretical group.’

Since the AUF began their military campaign in August they have carried out more than one attack a day, significantly increasing the momentum of military action across the country, with their most audacious attacks on targets in the Taliban heartland of Kandahar and Helmand in the south. They aim to destabilise the Taliban, showing that nowhere is safe. They are led by a former Afghan army general Sami Sadat, as is another group, the Afghanistan Freedom Front (AFF), led by Yasin Zia, which has held parts of a district in the north-eastern province Badakhshan against determined Taliban attacks for some weeks now. Both Sadat and Zia have networks of former soldiers to draw on, ready recruits for a fightback as they have been hunted down by the Taliban for five years. The third main group, the National Resistance Front, has been in the field longest, and is led by Ahmad Massoud, son of the legendary guerrilla commander Ahmed Shah Massoud, who was killed by terrorists two days before 9/11.

Other militias with local support are also now fighting, making Afghanistan a complex battleground of small campaigns. All of these groups share the common objective of defeating the Taliban and building a country governed with the consent of its people, with equality for women and minorities, and no space for terrorists. Noble aims, and it could be that one of these militias becomes so dominant that other commanders join them. But there is also the possibility that the country could descend into a series of fights by rival militias as it has in the past – as new generation generals are joined in the field by old warlords, eager to take their share of the spoils.

What could help to contribute to a different way forward is some agreement among non-Taliban Afghan leaders, both inside and outside the country. But initiatives to deliver this have had no backing from western countries, obsessed instead with turning back Afghan refugees, ignoring the hell-hole they left behind. The Taliban leadership have no interest in governance, and while millions starve, amid what the World Food Programme call ‘the largest surge in malnutrition ever recorded,’ the mullahs in Kandahar instead spend their time thinking up new ways to prevent women from living normal lives. Not content with blocking access to education and work, they have blocked the training of new midwives. Afghanistan is once again the most dangerous place in the world to have a baby, as it was during the last Taliban administration in the 1990s. Where are the massive marches in the west against the continued oppression of Afghan women?

But the world has turned its back on Afghanistan, and Afghan political parties and civil society groups have had to create their own spaces to try to build consensus, amid constant problems of securing funding and visas for travel. The longest-running, the Vienna Process, has not met since February last year. Annual meetings in Cambridge, (the latest was last weekend) have made some progress in at least rehearsing differences in a safe space, synthesising different ‘roadmaps’ to get agreement on a common way forward. But without international sponsorship to create political space for the opposition, it is hard to see how these initiatives can build the wide legitimacy needed to present a united opposition to the Taliban.

Meanwhile, twenty-five years after 9/11, Afghanistan is once again not only a prison for women, but a haven for international terrorists, where madrasas turn out a generation of suicide bombers. Al Qaeda’s global headquarters is in Kandahar, and eye-witnesses have described seeing former Nato bases close to Kabul now full of foreign fighters.

I started reporting from Afghanistan in the 1990s, when it was known as ‘the forgotten war.’ It took 9/11 to show the folly of that path. Western countries risk making the same mistake again if they continue to ignore the flashing red warning lights coming from the country. It is time for a different policy: make space for the opposition, including armed resistance.