sábado, 26 de setembro de 2026

Reflexão (LBC) - As energias alternativas , a subida dos mares, o aquecimento global, bla, bla, bla...

 A sério?



A sério!


A SÉRIO! MUITO!



The Spectator - Why does it cost £237 million to build a railway bridge?

 

(personal highlights)

Why does it cost £237 million to build a railway bridge?

Botley Road Bridge (Image: Network Rail)

What does £237 million buy you in Britain today? Not a lot, apparently. Botley Road, one of the main routes into Oxford city centre, reopened to traffic this week. It has been closed for over three years while Network Rail worked to replace a railway bridge. The aim was to add capacity on the tracks as well as a new platform, and a new entrance to the station at a cost of £161 million. The project is late, over-budget, and key chunks (the platform and entrance) are yet to be delivered.

It wasn’t always like this. Over 150 years ago, Isambard Kingdom Brunel designed the Clifton Suspension Bridge. It was built for just over £100 million in today’s money. It remains to this day one of Britain’s most impressive feats of civil engineering. It certainly looks better than the Botley Road replacement.

This isn’t just a case of things costing more these days. It is far more expensive to build infrastructure in Britain than in places like France or Germany. When Britain Remade and the Centre for British Progress analysed 345 infrastructure projects across 21 countries, we found a 65 per cent British construction cost premium compared to our European counterparts. And it’s worse for rail. Even excluding the mess that is HS2, British projects are 79 per cent more expensive. 

Clifton Suspension Bridge (Image: iStock)

So how did rebuilding an 18-metre-wide railway bridge over a two-lane road end up costing almost a quarter of a billion pounds? The problem wasn’t the bridge per se; rather, it was what was underneath. Oxfordshire Council wanted to lower the road so double-decker buses could make it under the bridge (they previously couldn’t). They also wanted to add a cycle lane on either side and more space for pedestrians. Since the road had to be lowered anyway, and it was going to be closed for some time regardless, bundling the projects seemed sensible. Or so it seemed. 

It turns out that the contractors had no clue what was underneath the road. They knew there was a Victorian Arch, but didn’t realise it was three times bigger than they thought. Nor did they realise removing the arch would have created new flood risks. They knew there were pipes and wires underneath, but didn’t bargain for the state they were in, or how close they were together. In one case, a sewage pipe and water mains were so close that the contractors had to scrap their original plan of just moving everything at once.

Part of the problem was that there was no single decision maker. It took almost nine months to get Thames Water and Network Rail to agree on a safe alternative solution. All of this would have been fine if Network Rail knew this before they closed the road. Unfortunately, they rushed ahead without completing the right surveys and investigations. They relied on ground-penetrating radar, when more intrusive investigations would have shown that many of their assumptions simply didn’t hold.

It is ironic that in order to get permission to build almost anything in Britain, the state requires countless assessments and surveys. Surveys, which in many cases, tell us what we already knew at great expense and delay. And yet, when the state attempts to build something as simple as a railway bridge, it neglects to do surveys that would have saved the taxpayer millions of pounds and avoided closing one of the city’s most important routes for over three years.

What’s infuriating is that this was all avoidable. In Edinburgh, when they built the tram they learned there were far more pipes and wires to divert than they predicted. The first phase of the project was late and went £450 million over budget, the second phase was delivered on time and to budget, 30 per cent less per mile. How did they do it? One big change was how they treated utilities. They did more extensive surveys in advance, appointed a specialist project manager, and built in contingencies for delays due to utility conflicts.

Network Rail should know better. When they were trying to electrify the Great Western Mainline, the project ended up 70 per cent over-budget, in part because they dramatically underestimated the challenge of electrifying Victorian rail bridges.

Why didn’t they learn from this? I think it ultimately comes down to incentives. Network Rail’s errors are ultimately paid for by the taxpayers, while Thames Water had no incentive to quickly find a solution to get the project (and Oxford traffic) moving.

When the National Audit Office looked into HS2, they found the main civil contracts focused on starting on time rather than cost control. Contractors faced essentially no penalty for starting work before designs had been tested or finalised. It would not surprise me if the same was true here. There’s another incentive to get spades into the ground as quickly as possible, even when it may backfire: projects under construction are much harder to cancel when the fiscal picture changes.

What’s clear is we need to fix this. We need to ensure there’s real accountability for avoidable cost overruns. The prize for fixing this is big. If Britain built as cheaply as its European peers, then without spending a penny more we would have been able to afford an extra £41.5 billion worth of infrastructure over this Parliament.

Cartoons - Hermann

 





Reflexão - As "reparações" (LBC)

 


A barragem de Cahora Bassa e mais meio milhar de obras - pronto, ok um milhar! -, sem muita importância. De volta, claro!




sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Cartoons - Hermann

 





Observador - A crise do Estado, entre Ceuta e a Segurança Social (Rui Ramos)

 


(sublinhados pessoais)

A crise do Estado, entre Ceuta e a Segurança Social

Há um caminho que leva da Segurança Social a Ceuta. A prometer o que não pode, o Estado acabou por não ser capaz de fazer o que deve.

Na Europa, o Estado não faz o que deve, mas promete o que não pode. Que o Estado não faz o que deve, vimo-lo este Verão na cidade espanhola de Ceuta, onde exército e polícia nada fizeram para impedir a invasão e ocupação por milhares de homens vindos de Marrocos. Que o Estado promete o que não pode, deduzimo-lo do estudo encomendado pelo governo português sobre a Segurança Social, e que pôs em dúvida a capacidade do Estado de honrar as pensões que se obrigou a pagar às actuais gerações de contribuintes. Que Ceuta e a Segurança Social, na Europa, são dois aspectos de uma mesma crise é a própria classe política que o sugere, ao dizer-nos que é a abolição das fronteiras que vai pagar as pensões.

Ao discutirem a responsabilidade do governo de Marrocos na invasão, os políticos espanhóis quase deram a entender esta coisa extraordinária: que a defesa das fronteiras de Espanha não é um dever do Estado espanhol, mas do vizinho Estado marroquino. Mas que caiba a Marrocos o papel de manter o estatuto de Espanha como Estado soberano, não nos deve, de facto, espantar. O mundo sabe que na Europa ocidental ninguém impede entradas ilegais nem força saídas, como o governo e o supremo tribunal em Espanha fizeram questão de confirmar. A Europa só não é uma Ceuta em ponto maior, como já quase foi em 2015, porque paga à Turquia e às milícias líbias para conter as migrações. A segurança das fronteiras europeias foi subcontratada a polícias de fora da Europa, tal como a sua defesa contra agressões militares foi há muito tempo descarregada nos EUA.

Os Estados europeus abdicaram da função mais básica de qualquer Estado soberano. Mas não cumprindo os mínimos, propõem-se chegar aos máximos. Porque são os mesmos Estados que prometem aos cidadãos uma vida sem cuidados, com educação, saúde e apoio na velhice, tudo por conta do Estado. Um inocente pensaria que mantêm economias suficientemente ágeis para financiar o assistencialismo. Mas não. Estes são também os mesmos Estados que amarram a iniciativa e sufocam a inovação com todas as taxas e regulações imagináveis. O resultado são défices que tentam atenuar à custa, entre outras coisas, da soberania: abrindo as fronteiras a supostos novos contribuintes da imigração, ou cortando e manipulando os orçamentos da defesa, que incluem as pensões dos militares reformados (20% do orçamento da defesa na Itália).

Há um caminho que leva da Segurança Social a Ceuta. A crise da soberania tem muitas origens. Os cheques sem cobertura de um assistencialismo que tudo tende a absorver no Estado são uma delas. Este estatismo desequilibrado e as suas ideologias adjacentes desarmaram e expuseram a Europa. A prometer o que não pode, o Estado acabou por não ser capaz de fazer o que deve.

Este é um caminho perigoso. É o caminho, desde logo, do descrédito das elites governantes. Mas é também o caminho da eventual deslegitimação do próprio Estado. O descrédito das elites governantes transparece já na mais radical transformação dos sistemas de partidos políticos desde a II Guerra Mundial. É o que alguns chamam “populismo” e, com um cinismo patético, atribuem aos algoritmos das redes sociais. Como se a demagogia e a mendacidade da classe política estabelecida nada tivessem a ver com isso. A deslegitimação do Estado ver-se-á talvez um dia na sua desagregação e substituição por tribalismos autoritários.

A actual elite política europeia não tem soluções. Culpa os outros (Marrocos, Trump) ou cala as conversas (quem fala de imigração é “racista”, etc). Tudo na Europa está a tomar um ar cada vez mais insólito. Mas estas fugas à realidade não costumam durar muito.

Desporto - Futebol (Portugal - País de Gales)

 


ou seja...




Observador - Portugal à espera (Nuno Lebreiro)

 


(sublinhados pessoais)

(Para mais tarde recordar)

Portugal à espera

Como vai sendo óbvio para cada vez mais pessoas, apenas uma pessoa teria a capacidade para, em o querendo, vencer a corrida à sucessão de Montenegro e apresentar um caminho ambicioso para Portugal

Passam quase seis anos desde que publiquei o meu primeiro artigo neste jornal. Então, a 31 de Janeiro de 2021, na ressaca das eleições presidenciais, lamentava o estado da direita em Portugal, a “triste direita a que temos direito, a tal que a esquerda adora e que não nos serve de nada”, culpando, em larga medida, a presidência de Rui Rio, no PSD, e o manifesto das “linhas vermelhas” assinado, entre outros, por Adolfo Mesquita Nunes e Carlos Guimarães Pinto, a dupla que então representava o fulgor e a esperança da modernidade liberal da segunda década do Século XXI. Acabando ambos de formar, em parceria apesar de militarem em partidos distintos, o think tank Mais Liberdade, por aqueles dias em que escrevia, Mesquita Nunes atirava-se de cabeça a Rodrigues dos Santos para intentar roubar a liderança do CDS, que não conseguiu, e Guimarães Pinto corporizava o farol ideológico da IL, papel onde, a seu tempo, acabou substituído pelo agora-candidato-a-tudo, Cotrim de Figueiredo. No entanto, nos finais de 20 e inícios de 21, muita gente ainda imaginava que o futuro da direita passaria por aqueles dois.

Não passou, e estou convencido que o meu artigo de então, com antecedência, explicou bem porquê. Nele, argumentava duas ou três ideias, aparentemente polémicas ao seu tempo, mas manifestamente lógicas, simples e pertinentes vistas agora à luz do tempo. Desde logo, apontava como o célebre manifesto das linhas vermelhas publicado menos de 2 meses antes — de seu nome “A clareza que defendemos”, um título curioso na medida em que era tudo menos claro e não se percebia bem o que defendia — decretava, do alto de um pedestal de virtude, que conversas com “fenómenos iliberais” eram inadmissíveis em nome da “defesa da ordem liberal”. Considerando esse dedo indicador no ar, moralista, pejado de soberba, armados em pseudo-guardiães dos bons costumes democráticos — no fundo apenas revelando uma incoerente recusa do pluralismo, a verdadeira base da dita ordem liberal que pretendiam defender —, por todas essas razões apodei, então, o grupo de “Conselheiros Acácios” e o seu manifesto de “Manifesto Acácio”.

Tudo no Manifesto Acácio era despropositado. A altivez, a sobranceria, a arrogância, é certo, mas também a estratégia que, ao excluir Ventura, o colocava na posição privilegiada de ser o único que poderia, com verdade empírica do seu lado, a partir daí, verdadeiramente, reclamar o papel de real “oposição” ao sistema, um “sistema” que o vendo como ameaça se tinha unido todo contra ele. Em boa verdade, só não viu isto quem foi ao engano do que significava o manifesto Acácio, ou então, estando demasiado cego pela sua própria imaginada importância, se recusou a escutar e prestar atenção àquilo que de mais importante existe em democracia — o eleitorado. Em 21, este confirmou as sondagens e, sem grande surpresa, foram já 12% dos portugueses eleitores que votaram em Ventura nas eleições presidenciais, um número maior do que comunistas, bloquistas e liberais juntos.

Nem aí, no entanto, os nossos Conselheiros Acácio do regime arrepiaram caminho. Pelo contrário, afirmaram progressivamente mais a sua posição ao ponto de, quase a chicote, a cavalo de uma comunicação social que, alinhada à esquerda, visando beneficiar o PS, queria garantir que a direita se dividia (Maquiavel explica), acabar a forçar Montenegro ao famoso “não é não”. Não foi, portanto, de borla, ou apenas por méritos próprios, que Ventura se alçou à posição de alternativa de governo que ocupa hoje. Não, esse papel foi-lhe oferecido de bandeja por aqueles que se imaginando actores principais abdicaram do debate, da discussão política e de rebater as ideias, propostas e posições — tal como anseios, vontades e percepções — que Ventura trazia com ele para o debate público e político. Optando pela posição do “não falamos com esse arrivista barulhento que não é digno de nós” — o que implicitamente significava dizer que também não eram dignos todos aqueles que concordavam com muito do que Ventura dizia — aquilo que os Conselheiros Acácios agarrados às linhas encarnadas verdadeiramente conseguiram foi chutar todo esse eleitorado, e mais algum, direitinho para as mãos de André Ventura.

E foi assim que aconteceu. A cada vez que alguém se farta, zanga, exaspera, com a inépcia e o estado de desgraça social, económica e política em que o país vive, lá está Ventura de braços abertos, prontinho para os receber todos — sejam eles social-democratas, liberais, conservadores, socialistas, comunistas, libertários, activistas, jovens e velhos, ricos e pobres, citadinos e rurais, tal como, claro está, liberais e “iliberais”. Parafraseando Herman José, fantástico Mike, perdão, fantástico Acácios.

Depois, tudo o resto encaixava quase como que por magia na receita para fazer de Ventura aquilo que é hoje. Desde logo, e principal factor, apontei como responsável do vazio político que Ventura vinha ocupar o PSD de Rio que, acantonado no centro, sem qualquer ideia para o país, vilipendiava “a direita”, dizia-se ainda mais de esquerda do que o PS, cantava loas à “verdadeira social-democracia” e exortava os malandros liberais e conservadores que persistiram em militar no PSD (como eu) a irem militar (e votar) para outras bandas — e a maior parte destes foram. Do CDS e da desgraça de Rodrigues dos Santos não vale sequer a pena falar, trataram de cavar literalmente a sua própria sepultura política, talvez o melhor resumo do estado da arte da direita de então foi dado pela IL, a casa do progressismo liberal português, onde, pela boca de Guimarães Pinto, se assumia publicamente — sem vergonha! — preferir um governo do PS a um eventual executivo de direita coligado com Ventura.

Sinceramente, estavam à espera do quê? Em que planeta vivia toda aquela gente? Que outro cenário, além de reforçar o Chega e entregar o poder de bandeja ao PS, é que se poderia esperar? E, de facto, assim foi. Em breve, o CDS sairia do Parlamento, Rio iria à vida dele deixando um PSD escavacado e o Governo nas mãos de uma maioria absoluta do PS, que só viria a largar o poder quando Costa, por conveniência pessoal, desistiu de o manter. No final, nos escombros das estratégias de todas essas luminárias, a seu tempo, comprovou-se a tese que as linhas vermelhas, fora das bolhas do Twitter e das conversas da “inteligência” democrática e liberal indígena, não convenciam absolutamente ninguém. Pelo contrário, foi profundamente desiludida com tudo, irritada com um unanimismo político do centro, bem como a subserviência deste a uma esquerda bafienta, démodé, que predomina nos órgãos de comunicação social, forçada a escolher entre as promessas de mudança de Ventura e o vazio político auto-congrulatório, pseudo-virtuoso, irritantemente moralista, do centro-direita acaciano, que uma crescente maioria, popular, anónima, reiteradamente, escolheu o primeiro: de 12% nas presidenciais de 2021, para 7% em  legislativas em 2022, 18% em 2024 e mais de 22% em 2025. Quelle surprise!

Por estes dias, passados os tais quase 6 anos, não mudou grande coisa, salvo a posição cada vez mais relevante que Ventura ocupa no tabuleiro político. O Governo, agora da AD, continua sem entusiasmar ninguém, nem sequer à direita, ocupando-se o primeiro-ministro a navegar à vista, com olho nas próximas eleições que se imaginam a curto-prazo. De caminho, tal qual Costa, Montenegro aposta em ser o “referencial de estabilidade” (apesar de se ter deitado ao chão para causar eleições em 25), numa governação sem grandes rupturas e sempre preocupada em apontar o dedo ao papão do qual se arroga a proteger os portugueses: primeiro, Ventura que vinha destruir a democracia, depois, Passos e a recauchutada “austeridade”, mais recentemente, Sócrates e a ainda mais anciã “bancarrota”. Aquilo que Montenegro não faz é afirmar-se pela positiva, pelo caminho que propõe para o país (não há nada além de prometer ser mais competente que os adversários), ou pelas grandes melhorias que se adivinham a curto prazo. No vazio, o país suspira e desespera, não sendo, portanto, de admirar as sondagens que dão a AD já em 3.º lugar.

Face a 2020-21, aquando do meu primeiro artigo, não mudou, portanto, grande coisa no que concerne o impasse político que então se sentia. Em 21, sabia-se, por exemplo, que o PS nunca reformaria o país, nunca reformaria o Estado, nunca reformaria a Segurança Social, tal como nunca afrontaria interesses instalados dos quais, pressurosamente, sempre foi um fiel intérprete. Hoje, que o PS lidera sondagens, continua a saber-se exactamente a mesma coisa. Em 21, sabia-se, também, que Rio e Marcelo apenas apanhavam as canas da festa socialista, não apresentando qualquer entrave à governação socialista. Rio, porque nada mais almejava além de pactos com o PS para reformas estruturais que nunca o PS quereria fazer; Marcelo porque sempre preferiu cavalgar a popularidade de Costa do que arriscar-se a ficar mal-visto pela população que abraçava e osculava compulsivamente. Hoje, sabem-se coisas parecidas. Montenegro, que poderia tentar fazer, não faz grande coisa e Seguro, o novel presidente, faz poses de estado — uma vantagem face a Marcelo — apregoando o valor máximo da estabilidade. Ora, a estabilidade, sabemos nós, é o impasse, pelo que já se percebeu o que a casa gasta.

Já a novidade, Ventura, não só não tem a menor hipótese de neste actual cenário chegar ao Governo — no limite, mesmo ganhando eleições, em nome da democracia, dos valores, da lengalenga do costume, quer o PS de Carneiro, quer o PSD de Montenegro, jamais permitirão que Ventura seja primeiro-ministro —, como, mais grave, é manifestamente incapaz de apresentar um vislumbre de um programa que, primeiro, não represente uma falência quase certa do país e, depois, tenha a coragem de dizer aos eleitores exactamente ao que vem. Não diz, ou pior ainda, uma vez que diz uma coisa hoje e o seu contrário mais tarde, suspeita-se que ele próprio não sabe, ficando o eleitor da direita entalado entre o diabo que já conhece, e despreza, e o diabo que não conhece, mas que tudo promete com a leveza de um vendedor e a credibilidade de um cartomante.

Com estes intervenientes, portanto, o impasse é garantido, pelo menos até que PS ou PSD mudem de liderança, ou, do outro lado, que Ventura, sozinho, consiga uma maioria absoluta, ou, pior, PS e PSD decidam, como em 83, ressuscitar o Bloco Central para, apesar de a prazo entregar o poder a Ventura, a curto prazo salvar os interesses e posições políticas dos dirigentes dos dois partidos. Nenhum destes cenários, no entanto, se adivinha a curto prazo. Do lado do PSD, Montenegro, sendo primeiro-ministro, jamais sairá da liderança antes que perca eleições, tal como não se imagina que aceite ser n.º2 tendo sido n.º1. Por outro lado, o PS lidera sondagens, pelo que ser n.º2 para quem ambiciona a curto prazo ser n.º1 também não lhe interessa. Aliás, seja Carneiro, seja Centeno (apre!), ou ainda Medina, aconteça o que acontecer, nenhum candidato a candidato do PS entusiasma qualquer ser vivo para além dos militantes do próprio PS — e mesmo aí nem todos. Já Ventura, apesar de ir subindo, olhando os resultados da segunda volta das eleições presidenciais de 26 onde, sem oposição à direita, contra um candidato do PS, conseguiu apenas 33%, continua muito longe de um cenário onde disputando o eleitorado à direita com a AD consiga chegar sequer perto dos 40%, quanto mais de uma maioria absoluta.

A tendência, portanto, será a de as coisas ficarem como estão, até que, isolados em primeiro e segundo, PS e Chega decidam ser tempo de destronar Montenegro. Aí, se forem bem-sucedidos, a direita, terá, como teve em 22, oportunidade de mudar de vida. Como vai sendo penosamente óbvio para cada vez mais pessoas, apenas uma pessoa teria a capacidade para, em o querendo, vencer a corrida à sucessão de Montenegro e apresentar um caminho ambicioso para Portugal que seja capaz de federar a maior parte da direita num projecto credível, palpável, sério para o país — falo de Passos Coelho, como é evidente.


quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Observador - A grande divisão (Jaime Nogueira Pinto)

 


(sublinhados pessoais - ...e a SIC no seu melhor!...)

A grande divisão

O tempo é de polarização e de vitórias ou derrotas tangenciais. E é neste tempo que vemos a Esquerda, mas também o Centro, tomados por uma obsessão que parece mobilizar todas as suas energias

Há imbecis e fanáticos (qualidades que normalmente coincidem e convergem) em todos os quadrantes políticos. Talvez mais nos extremos, admito, mas, nestes tempos de bipolarizações internas, tenho visto muita gente rigorosamente ao centro extremar-se de forma cega e acéfala.

De resto, o tempo é de polarização e de vitórias ou derrotas tangenciais. E é neste tempo que vemos a Esquerda, mas também o Centro, tomados por uma obsessão contra a “extrema-direita” que parece mobilizar todas as suas energias e nortear todas as suas estratégias e tácticas políticas.

É compreensível, porque parece ser agora a dita direita radical que domina a agenda, e o Centro e a Esquerda as forças reaccionárias que se juntam e mobilizam para sobreviver, sob o slogan “Nem mais um voto para a Extrema-Direita”. Tão compreensível como era, há 52 anos, o “Nem mais um soldado para as colónias” que levou a “vanguarda esclarecida” do MFA a aplicar, sem o saber, o famoso conselho de Orwell de que a melhor forma de acabar uma guerra era perdê-la – via rápida para a “descolonização exemplar”.

Quem agora dita a agenda

Mas, feliz ou infelizmente, os “bons velhos tempos” de júbilo antifascista são hoje uma memória distante. No mundo euroamericano, as notícias não têm sido boas para as esquerdas e para os centrões, tornados seus aliados e cúmplices para reagir à vontade de mudança dessa “outra metade” que parece estar a ganhar terreno. As Américas, do Chile à Colômbia, estão a seguir a vaga direitista. As excepções são as ditaduras comunistas sobreviventes (Cuba e Nicarágua) e dois grandes países do continente – o México e o Brasil. E no Brasil, um país também dividido ao meio que vai a eleições em Outubro, qualquer vitória, da Direita ou da Esquerda, será necessariamente por uma margem mínima (as imoralidades do todo-poderoso Moraes, um juiz do Supremo Tribunal denunciado como conselheiro remunerado de um escroque, e a mão estendida de Flávio Bolsonaro para receber, do mesmo escroque, financiamento para um filme sobre o pai, não serão bem a mesma coisa, mas têm vindo a ser arremessadas como equivalentes pela esquerda lulista, o poder incumbente).

Na Europa, o movimento é paralelo. Basta ver as expectativas de Marine Le Pen para as presidenciais francesas de 2027 ou os triunfos na Saxónia-Anhalt da Alternativa para a Alemanha – que, segundo as sondagens, já será também o primeiro partido alemão. Ou, ao contrário, mas sinal da mesma polarização, a possível vitória das esquerdas na Suécia por um deputado.

Pegando num hábito da velha direita, a Esquerda e o Centro não se têm poupado a explicações conspiratórias e maniqueístas para a perda de hegemonia, mas vão também, mais pragmaticamente, cedendo discretamente às causas da “direita populista”, moderando, para fins eleitorais, a retórica da apologia do globalismo, do franqueamento das fronteiras e da defesa das minorias e das causas fraturantes. É especialmente elucidativa a escolha dos candidatos democráticos e trabalhistas para enfrentar os “populistas” e ganhar “o povo”, nos Estados Unidos e no Reino Unido, privilegiando a esquerda económica em detrimento da esquerda cultural.

A verdade é que foram as elites liberais e hedonistas, os intelectuais de esquerda em delírio e os políticos instalados no “sistema”, e não sinistros grupos neofascistas e outros agentes do mal, que escavaram o fosso que a direita nacional e popular soube aproveitar, mobilizando os indignados, os “deploráveis” e os “deixados para trás” pela globalização exacerbada e por alienados “marxismos imaginários”. E eis que, estranhamente para muitos, os valores de orientação de sempre – da religião, da nação, da família, da ordem, da liberdade, da justiça – voltaram a contar.

O caso português

O caso português é também paradigmático. No fim de uma “longa noite” de direita, primeiro ditatorial (de 1926 a 1933) e depois autoritária (de 1933 a 1974), os militares, os kingmakers do poder político na modernidade nacional, protagonizaram o golpe do 25 de Abril de 1974. E, na nova ordem democrática, as causas da direita nacional-conservadora, patriota e religiosa, associadas ao autoritarismo do Estado Novo, foram votadas ao ostracismo. Porém, quando, finda a madrugada revolucionária, a situação estabilizou e o modelo democrático passou a funcionar regularmente, os dirigentes dos partidos à direita do PS (então a extrema-direita), talvez cedendo ao “espírito do tempo”, ou pressionados e assustados por um sistema intelectual e mediático que os acusaria de salazarismo, não quiseram assumir, em democracia, as causas e os valores da direita de sempre, além de algum liberalismo económico.

Mas a vaga europeia de reacção acabou por se impor. André Ventura percebeu, em 2018, qual era a equação, e lançou o Chega, um partido que iria crescer vertiginosamente, precisamente por ser contra um sistema manifestamente incompleto na oferta partidária, que, com a excepção do CDS da direcção de Manuel Monteiro, eurocrítico e popular, se ficara pelo centrismo rigoroso*.

O descontentamento nacional com o rotativismo e o compadrio ao centro-esquerda, PS-PSD, a noção clara de que, apesar da propaganda em contrário, Portugal é hoje um pequeno país na periferia europeia – um país atrasado, cada vez mais inseguro e com uma economia debilitada, de onde os jovens qualificados têm de emigrar, para onde imigram os desqualificados, muitas vezes pela mão de máfias, e onde os ricos estrangeiros compram segundas, terceiras ou quartas casas – alimentaram e vão continuar a alimentar a oposição de direita. Um país onde a ausência de reformas e situações como a continuidade do ministro da Administração Interna, manifestamente reprovada pelos eleitores, vão continuar a debilitar o governo.

A oposição à direita tem agora de se preparar para integrar na sua agenda, pela afirmativa, valores e princípios. Não porque o demérito do Centrão e das várias esquerdas, das moderadas às extremas, não vá continuar, mas porque, nestes tempos de revolução e renovação, nestes tempos pouco pensantes de grande divisão e pouco esclarecimento, a identidade de uma direita nacional e social, realista em geopolítica, sensível aos factores identitários, intransigente com a corrupção, atenta às suas congéneres euro-americanas, mas bem radicada na herança portuguesa, se impõe.

* Ao contrário do que apareceu na quarta-feira, 9 de Setembro, como legenda na SIC Notícias, durante a minha intervenção no programa “Importa-se de repetir?”, não sou do Chega. Não porque esse qualificativo seja insultuoso ou incómodo (penso que o aparecimento do Chega foi importante e útil para a Direita, como sempre deixei claro), mas porque, efectivamente, não sou do Chega, como nunca fui de partido algum.

Reflexão - O ano da mudança de Ricardo, perdão, Jorge Jesus

 Agora é que vão ser elas...





The Spectator - Why I love the English

 (personal highlights)

Why I love the English

Notes from a Swede

(iStock)

When I first moved to Britain to study at university as a gangly, nervous Swede who had lived in Asia most of my life, my mother gave me a primer to prepare. It was a book called Watching the English: The Hidden Rules of English Behaviourby Kate Fox. Its pages unveiled a strange world of ironic garden gnome ownership, Byzantine pub-based etiquette and a clinical-level national mania for weather commentary. With each page, the text made me fall even deeper in love with Blighty. 
 
Two decades on, I adore you chaps more than ever — and yes, I know such overt declarations of love make Brits deeply uncomfortable. You are, after all, a nation who shuns Mother’s Day cards that say ‘I treasure you’ in favour of ‘Cheers for being my mum and all that’. 
 
It’s that innate awkwardness that makes you special; an understanding that the currency of existence is unease, disappointment, mild approbation. Take your average Spaniard, and he’ll insist that each day should be lived in fiery passion — how tiresome. Your average Brit knows that life is lived in lukewarm temperatures. (While we’re on temperatures: can I just say, genuinely, you have the best drizzle in the world. It’s a mild spritz that causes no inconvenience whatsoever, and makes uninitiated foreigners finally understand why you treat the simplest of experiences — say, a nice cup of tea in the sitting room — like a religious experience.) 
 
As I travelled the land, I was charmed by the usual suspects — sights of all those rolling hills, the intense greenery of the Lake District, the perfect tweeness of Saffron Walden. Best of all was the discovery of how this compact nation could offer a treat for the ears too; a completely new accent surfacing every 30 miles. And as the years passed, I learned that even if you strip away the singsong of Scouse or Edinburghian purr, you can tell instantly when someone is from Blighty, by their turn of phrase alone. I was in an airport recently when I heard two passengers enjoying this laddish exchange: 
 
 ‘…so we had to leg it right out of there, didn’t we.’ 
‘You wot.’ 
‘Did a runner.’ 
‘Come off it.’ 
‘Scout’s honour.’ 
‘Gutting.’ 
‘Yeah, rough.’ 
[A curvaceous woman strolls past us down the terminal] 

[Both men speaking simultaneously] Phwoar. 
 
Lovely stuff. Someone come up with a podcast called British Men (Barely) Chatting, and I’ll sign up quicker than you can say ‘chuffed to bits.’ Hopefully they do a series on the charming ability of your language to sound absolutely filthy to outsider ears, no matter the subject. (Episode one: ‘He Thinks He Looks Well Hard With a Fag in His Mouth, But He’s Just a Tit’). 
 
See, even your insults are charming. Go on, call me a numpty, or a colossal plonker. These are words designed by the wisest of people, who understand life requires a level of insult that is strangely endearing. Why? Because lukewarm English anger is so fleeting that insults should be forgotten by all parties instantly. 
 
In degustatory matters, I quickly learned that the UK’s reputation of having bland, tasteless food is, to borrow a phrase no doubt muttered by the two airport lads I overheard, utter cobblers. I have eaten richer, more sublime feasts in random mid-range pubs than I ever have in French Michelin-starred restaurants. On a weekly basis, a Brit will post a shot of their dinner (a heaping bowl of beans on toast, perhaps), below which an American invariably comments ‘Yo my man: it’s 2026 you don’t have to eat like the Germans are still flying overhead.’ But such slings and arrows tragically misunderstand how ruddy good the staples of English life are. 

I remember the first time I ate Sunday Lunch cooked by a girlfriend’s mum. The dripping roast chicken, the steam of the Yorkshire puddings, the peas dusted with salt, the homemade gravy — all were lovely. Then I spooned an unidentified, pale mush onto the plate, and took a tentative bite. Cue angelic choirs, my eyes closed in bliss. ‘This is the best thing I’ve eaten all year. What the hell is it?’ I asked. ‘Bread sauce,’ was the answer. A sauce made from naught but bread? Surely a transformation in the same miraculous league as loaves and fishes. 
 
Moments like this cemented a love affair that had been growing, long distance, for decades. Growing up, I hoovered up so much of your classical cultural canon that the creators felt like friends I thought of on a first-name basis. Agatha (Christie), Ian (Fleming), Philip (Larkin). Also John, John and John (Messrs Cleese, Lennon and le Carré). Remove the UK cultural canon, and the world would be a pale, Poirot-less place indeed. 
 
And just to reassure you that this isn’t some unabashed hagiography, I realise Britain isn’t perfect. Some of the names of your smaller towns are frankly ludicrous (looking at you, Scunthorpe). You’ve engineered some tragic catastrophes and historic mistakes (The Charge of the Light Brigade, Gatwick Airport, James Corden). But hey: you’re a nation that celebrates how charmingly imperfect you are; a rare thing. No campaign of ‘Make America Great Again’ could flourish in Albion. It would be seen as far too up oneself. The closest you’d come is ‘Keep Blighty Fairly Good-ish.’ 
 
There’s too much more to be said, so we’ll have to end with a speed round. I love how British tanks have in-built teamaking facilities; an understanding that you’ll fight to the death for your country, but only if there’s a strong cup of builder’s brew within arm’s reach. I love how you set your bloodiest of murders in the most bucolic of spots; where is this ‘Midsomer’, and why do I still want to go on holiday there? I love how everyone, from aristocrats to Asbo-collectors, holds strong opinions about ‘the best’ type of biccie; actual headline in Hello magazine: ‘Exclusive – The Queen’s favourite biscuits revealed!’
 
In short: you guys are a bit of alright. Phwoar. 

domingo, 20 de setembro de 2026

Livro - La voiture élétrique et aures folies

Est-ce qu'il ya encore de doute?...
Oui, chez les esprits qui ont une « intelligence moyenne »...




 











 







Cartoons - Larson

 






The Spectator - The BBC has been up to its old tricks – again

 

(personal highlights)

The BBC has been up to its old tricks – again

(Getty images)

I do a fair number of interviews these days – television, radio, podcasts, panels, my own interview series – across several countries and formats, mostly on subjects I also write about here or elsewhere. Back when old-fashioned media was king, more of that work was traditional broadcast, and the BBC was the king of kings. They used to call on me semi-regularly, usually to talk about Israel or about Jews. Then, almost exactly on 7 October 2023, it stopped. The very topics they had liked me for became the biggest international story in a generation, and the phone went quiet. No explanation was offered and none is owed. It is entirely their prerogative.

So when a BBC producer does ring these days, I take the call with a certain curiosity, partly because it has become a rare event, and partly because of how the last few have gone. Our national broadcaster seems to possess an inbuilt tendency to do the dirty on me. I am far too reasonable to call it a conspiracy, so I assume it is groupthink, or ideological monoculture, or simply something in the water at Portland Place and Salford. Whatever it is, it is administered with a haughtiness rather unearned by an organisation of such steadily dwindling importance in the information business.

The latest instalment arrived at the weekend. I had never been on Radio 4’s Sunday before, so I was glad to hear the programme had been reading this magazine and was taken with my piece on Britain’s multi-faith prayer rooms. Perfect for the show, the producer said. We spoke at length about what the discussion might cover: the collapse of Christian observance, the confidence of Muslim prayer, the plasterboard architecture of the anonymous little room. He then asked for a second long conversation because he hadn’t recorded it for his notes, and I went through the whole thing again. This was perhaps five times the preparation any other outlet asks of a casual guest, in the service of a slot billed at five or six minutes long. It seemed excessive. But the subject matters, and I wanted the discussion to be good, so I obliged, and set my alarm for earlier than I might on a normal Sunday.

What neither of those long, thorough, note-taking conversations found room to mention was that the programme had already been to the Muslim Council of Britain for a statement about me. I discovered this live on air, at about half past seven on a Sunday morning, when the presenter read it out. My column, it turned out, was “a wild distortion” and bore “all the hallmarks of intellectual rage baiting”: “taking an unremarkable issue, dressing it up as yet another example of a Muslim takeover and letting outrage do the rest.” I was also told, twice, that I “want to relabel them” – taking a rhetorical observation I made about the honesty of the sign on the door and promoting it to some sort of campaign so that somebody could be found to denounce it. It rather missed the point of the whole conversation.

It’s not like the Muslim Council of Britain is some neutral registry of British Muslim opinion, either. No government of either party has formally engaged with it for the best part of two decades, since its then deputy secretary-general signed the Istanbul Declaration in 2009, which the government took to endorse attacks on Royal Navy ships that tried to stop weapons reaching Hamas.

As Andrew Gilligan set out in these pages in June, it opposed the government’s ban on al-Qaeda – before 9/11, but after al-Qaeda had already committed three mass-casualty attacks – on the grounds that armed struggle was a way for some people to “claim their rights”; it later opposed the ban on al-Muhajiroun, whose leader Anjem Choudary, since denounced by the MCB, is now serving life for directing a terrorist organisation; and its current secretary-general wrote in 2022 that British Muslims should raise their children primarily as Muslim rather than as British. It also boycotted Holocaust Memorial Day between 2001 and 2007. That is the tribunal before which the BBC chose to arraign my piece about prayer rooms, without thinking to mention it to me in either of those long conversations.

There is by now a small archive of this sort of thing. Even back in the Covid era, the BBC’s Dateline London had me on to discuss vaccines, but couldn’t help making the programme about those ghastly Israelis betraying the Oslo Accords by shirking their responsibility for vaccinating Palestinians. I corrected them: Palestinian healthcare is explicitly the responsibility of the Palestinian Authority, whose own health ministry was at that moment applying to the WHO. No apology or admission of error, though, until some random viewer complained and then the BBC was forced to concede the point in writing (not on air, of course, and not to anybody who had actually heard the false version).

Then there was the World at One, after I wrote here about Nick Timothy’s remarks on Muslim prayer in Trafalgar Square. I was booked opposite a guest who announced that “Jonathan is one of those exact same types of people who are there using propaganda, using words, etc. to justify their own selves”, and who then demanded to know “the last time a non-Muslim country bombed a Muslim country” before setting off through the Iraq war. At which point my microphone was closed and never reopened, denying me any hope of answering the slur. I tried to interrupt but realised nobody else could hear me, least of all the listener (if there was one).

The same manoeuvre was performed on BBC Radio Berkshire, which invited me on after two Jewish men were stabbed in Golders Green and seemed genuinely startled when I mentioned the record on Jews of the BBC itself, of the far left and of the Green party. Off went the mic; on came a slightly apologetic homily about how proud they were to host a range of views (even unmentionable ones like mine).

Years ago they played a bit of b-roll under an interview I did on the BBC news channel, of a Palestinian casualty being carried off from a targeted Israeli air strike on a terrorist leader’s car in Gaza. In the next shots, the same guy appeared miraculously healed as he walked around unaided, scratching his balls. The clip went viral as an example of ‘Pallywood’ footage supposedly unintentionally used by the mainstream to project a specific agenda.

Which brings me back to where I started. The point of the prayer-room column was that the room tells the truth even when the sign on the door does not: shove the furniture against the walls and you can still see who knelt where. Broadcasting is no different. The invitation is charming, the pre-interview exhaustive, the tone impeccably neutral – and then the running order, the b-roll footage, the mic faders, all tell you precisely what the programme thinks it is for. Hours of preparation, six minutes of airtime, one hostile statement about me solicited in advance from an organisation the British state will not speak to, and nobody thought to mention it or even drop it altogether.

I’m not asking for pity – it’s water off a duck’s back. These things happen in interviews. It’s just they always seem to happen on the BBC.