quarta-feira, 3 de junho de 2026

Observador - A grande substituição (João Pedro Marques)

 


(sublinhados pessoais)

A grande substituição

Esta é a substituição da verdade histórica por uma narrativa pseudo-histórica que legitima as aspirações e metas políticas dos povos de outros continentes, em particular os de África.

Sim, eu sei que a expressão “grande substituição” se aplica usualmente à ideia de ultrapassagem demográfica das populações brancas, as tradicionais ocupantes da Europa, por vagas de pessoas vindas de outros continentes, gente que por via da imigração descontrolada e da subsequente alta taxa de reprodução biológica, poderá, segundo a antevisão, vir a sobrepor-se às populações que cá estão e a dominá-las. Mas eu aqui uso a expressão com outro significado, o da substituição da verdade histórica por uma narrativa pseudo-histórica que legitima as aspirações e metas políticas dos povos de outros continentes, em particular os de África.

Quando, no passado dia 25 de Março, a Assembleia Geral da ONU aprovou a aberrante proposta do Gana que caracterizou o tráfico transatlântico de escravos e a escravidão de africanos nas cidades, minas e plantações nas Américas como “o mais grave crime contra a humanidade”, e exigiu aos países ocidentais que nele se envolveram o pagamento de reparações, muita gente na Europa veio dar conta da sua oposição a essa aprovação e tentou demonstrar o mal fundado, tanto histórica como jurídica e logicamente falando, da referida proposta. Também em Portugal isso se verificou. Miguel Morgado, por exemplo, apontou com grande clareza a hipocrisia de tudo aquilo e criticou duramente a cobardia, ignorância e desorientação de uma Europa — Portugal incluído — que se absteve perante tão aberrante proposta. Eu também o fiz, primeiro preventivamente, antes da votação da proposta, e depois após a sua aprovação. Poderia ter escrito um terceiro artigo para apontar o dedo à desfaçatez da Rússia e dos países árabes, grandes traficantes e/ou utilizadores de trabalho escravo, que agora votaram a favor da exclusiva penalização da Europa, ou para apontá-lo com ainda maior veemência à hipocrisia do Gana, o patrocinador ou porta-voz desta aberração, e de outros países africanos que foram grandes actores do tráfico transatlântico de escravos, com o qual lucraram, e que agora vieram exigir ser ressarcidos, como se tivessem um passado angélico e impoluto nessa matéria. Mais. Poderia apontá-lo igualmente à falsidade ou duplicidade do governo de Angola, que após ter prometido, pela voz do seu Presidente da República, que nunca exigiria a Portugal o pagamento de reparações, apareceu agora, como membro da União Africana, a exigi-las. E não me esqueceria certamente de apontar também o meu dedo aos embaixadores europeus na ONU que em vez de se sentirem orgulhosos por representarem países que se tinham empenhado em pôr fim ao tráfico transatlântico de escravos, surgiam agora cabisbaixos, compungidos e encolhidos. De facto, como é possível que os países europeus — nomeadamente o Reino Unido —, não obstante reconhecerem e reafirmarem a impossibilidade e o erro de estabelecer uma hierarquia entre atrocidades históricas, e sublinharem que não há qualquer dever de reparação por acções de agentes históricos que não eram ilegais na época em que aconteceram, ainda assim se tenham abstido em vez de votarem frontalmente contra?

Porém, tudo isso seria inútil, um trabalho baldado, porque nada nesta tendência culpabilizadora e reparacionista é permeável à luz dos factos e dos argumentos. O que está aqui em jogo não é a lógica nem a verdade, mas sim a vontade política de mais uma vez relançar a esperança e ajudar os países de África a vencer os seus problemas internos como a pobreza, a saúde pública, a corrupção das elites, o atraso no desenvolvimento, etc. Houve, no final do século XVIII e primeira metade do século XIX, a convicção de que, terminado o tráfico transatlântico de escravos, a África se desenvolveria rapidamente e os europeus, com destaque para os britânicos, empenharam-se fortemente nisso, mas o desenvolvimento não arrancou como imaginado. Houve, depois, um reavivar dessa esperança com o fim do colonialismo e o movimento das independências, mas muitos dos novos países ficaram na mão de elites parasitárias e corruptas. Há agora, patrocinado pela ONU, um terceiro renascer da esperança e o desejo de canalizar, por intermédio das ditas reparações, mais fundos para os países africanos e caribenhos.

O problema é que a África e as Caraíbas não querem aparecer como entidades ajudadas, mas sim compensadas ou ressarcidas. Não querem actos de auxílio, de boa vontade ou beneficência, mas sim de reparação ou indemnização. Querem algo a que teriam supostamente direito, e para isso, para o justificar, precisam de forjar uma história em que surjam como indiscutíveis vítimas de um indiscutível algoz: a Europa colonial. Os dirigentes e ideólogos dos países africanos e caribenhos criaram esse bode expiatório para arcar com os males e culpas de todos os outros, e o que mais indigna é que ele caminhe voluntariamente para a imolação. Pior. Esse bode expiatório — a França, o Reino Unido, Portugal, etc. — produz ele mesmo, ou apoia paternalmente, os historiadores que operam uma sistemática cirurgia plástica dessa realidade a que chamamos passado, e forjam a narrativa que o vai condenar. Essas pessoas estão a falsificar a História, a substituir uma narrativa equilibrada — em História o equilíbrio é absolutamente fundamental —, alicerçada em documentos, por outra estribada em fantasias, mitos, omissões e apagamentos, e estão a fazê-lo com a anuência ou complacência dos poderes políticos ocidentais, que depois se encarregam de transpor essa narrativa falsificada, martelada, mutilada, para o ensino básico e secundário.

O processo de falsificação é relativamente simples. Há desde logo uma falsificação involuntária que radica na ignorância e nas confusões de alguns dos historiadores, assunto a que voltarei num próximo artigo. O processo passa também, mais frequente e astuciosamente, pelo apagamento propositado. Enquanto a historiografia séria e imparcial procura alargar o leque e a visão das coisas, para estudar e compreender a escravatura como fenómeno de quase todas as épocas e de quase todas as regiões terrestres — vejam-se, por exemplo, os vários volumes de The Cambridge World History of Slavery —, os historiadores revisionistas e reparacionistas restringem a escravatura ao tráfico transatlântico de escravos e às colónias criadas pelos europeus nas Américas no período que vai de meados do século XV a finais do século XIX. Apagam ou ignoram tudo o resto, mesmo o que diz respeito a África, como sejam a escravatura intra-africana e o comércio negreiro levado a cabo por árabes e outros muçulmanos, que, como é bem sabido, remonta ao século VII e que terá sido responsável pela captura, venda e transporte de 5,6 milhões de pessoas negras ainda antes de os navegadores portugueses terem chegado ao Golfo da Guiné.

Outro método de falsificação é o da imaginação criativa com vista a diminuir a dimensão humanitária e moral positiva do Ocidente. Vou dar um exemplo. Sabemos que a escravatura — toda ela, não apenas a que fluía através do Atlântico — terminou em consequência do grande movimento abolicionista surgido no último terço do século XVIII e que foi liderado pelos povos ocidentais, nomeadamente pelos britânicos. A importância desse movimento e dos seus principais impulsionadores (Wilberforce, Clarkson, etc.) não oferece contestação, nem mesmo por parte daqueles antigos historiadores de origem africana — como Eric Williams, por exemplo — que queriam minorar o peso da ideologia para fazer sobressair o do interesse económico. Mas os actuais historiadores revisionistas que defendem a ideia de reparação contam-nos outra história. Um deles, José Lingna Nafafé, sobre o qual já escrevi e voltarei certamente a escrever, quer fazer-nos crer que houve um movimento abolicionista africano (sic) anterior ao dos séculos XVIII-XIX. Nessa visão revisionista da História o abolicionismo teria, portanto, nascido em África. Outros, mais numerosos, tentaram e tentam vender a ideia de que a escravatura acabou não por iniciativa e esforço dos abolicionistas ocidentais, mas por acção dos próprios escravos que se revoltaram e lhe teriam posto fim. Ainda há dias pudemos ler, no Público, uma historiadora brasileira a difundir essa tese.

Trata-se de uma tese com pouco ou nenhum fundamento, que combato há 20 anos, tanto aqui como no estrangeiro. Mas estou a remar contra a maré porque muitas pessoas não querem ouvir nem pensar. Sim, é verdade que os melhores historiadores (David B. Davis, Seymour Drescher, etc.) concordam comigo, mas são pessoas nascidas nas décadas de 1920-40, alguns deles já cá não estão, outros estão retirados, e infelizmente há agora um batalhão de novos historiadores ao serviço desse revisionismo e apostados em alcançar e promover a meta das reparações. São eles, e os poderes académicos e políticos que lhes dão cobertura e acolhimento, que têm vindo a forjar uma História falsa, porque descaradamente amputada ou desequilibrada, e a fabricar a grande substituição da narrativa — e de um suposto saber — na qual as futuras gerações irão acreditar, e as desejadas e já tacitamente aceites reparações monetárias e outras se irão estribar.


terça-feira, 2 de junho de 2026

Livros - Le nouvel ordre post - occidental (Alexandre Del Valle)

What a book! 















Observador - As Forças Armadas continuam à espera de que a Política preste Serviço! (Fernando Figueiredo)

 

(sublinhados pessoais)

As Forças Armadas continuam à espera de que a Política preste Serviço!

No fim, todas as tecnologias militares convergem para uma verdade antiga: nenhum sistema combate sozinho.

Durante décadas, a Europa habituou-se à confortável ideia de que a guerra era um problema distante, resolvido pela NATO, pela dissuasão americana e por uma espécie de “paz automática” garantida pela globalização.

O resultado dessa ilusão estratégica está hoje à vista: exércitos tecnologicamente sofisticados, mas com crescentes dificuldades em recrutar, reter e regenerar efectivos. A guerra na Ucrânia destruiu definitivamente essa fantasia do “fim da História” e obriga os países europeus a confrontarem-se com uma pergunta incómoda: se necessário, quem combate, quem mobiliza e quem sustenta uma guerra prolongada?

É verdade que os carros de combate se compram, as munições se fabricam, mas o capital humano militar demora anos a construir.

A guerra na Ucrânia já dura há quatro anos, mas só agora parte dos nossos deputados parece ter despertado para o estado real das nossas Forças Armadas (FFAA). E despertaram não por iniciativa própria ou visão estratégica, mas porque a tutela da Defesa expôs publicamente os efeitos das medidas tomadas pelo Governo AD que, não curando a doença estrutural, pelo menos conseguiram estancar a hemorragia.

Perante isso, assistimos a mais um episódio de ejaculação legislativa destinada sobretudo ao aplauso das respetivas bancadas parlamentares.

Muito ruido, pouca substância.

O problema é que conhecem mal a realidade que agora fingem descobrir e, pior ainda, não se deram ao trabalho de estudar o problema na profundidade necessária para perceber que não existe uma solução única para os três Ramos. A Marinha enfrenta desafios de recrutamento e retenção muito diferentes dos da Força Aérea. A Força Aérea compete com mercados altamente qualificados e tecnicamente agressivos. O Exército, pela sua dimensão e natureza operacional, sofre necessidades humanas incomparavelmente maiores. Misturar tudo no mesmo pacote de propostas é demonstrar desconhecimento absoluto da especificidade de cada Ramo. E, que tipo de FFAA vamos precisar em 2030? Já pensaram nisso?

Mais grave ainda: produziram essa legislação sem ouvir devidamente quem conhece a realidade operacional, os Chefes dos Ramos.

Numa instituição assente em cadeia de comando, experiência e conhecimento técnico, ignorar quem lidera diariamente as Forças Armadas é não apenas arrogante, mas profundamente irresponsável.

Tinham prestado melhor serviço ao país se tivessem optado pelo silêncio e pelo estudo sério do problema. Porque aquilo a que assistimos foi, em linguagem militar simples e direta, uma monumental bostada.

E convém recordar algo essencial: o drama dos efectivos não é exclusivo de Portugal.

Estende-se por toda a Europa. Espanha, Alemanha, Itália, Grécia ou França enfrentam dificuldades crescentes de recrutamento, retenção e ligação entre sociedade e defesa.

A diferença é que alguns países já perceberam que isto não se resolve com anúncios, slogans ou voluntarismo legislativo. Resolve-se com estratégia, cultura de defesa, valorização da condição militar e políticas diferenciadas para cada realidade operacional.

Vejamos alguns exemplos:

Na vizinha Espanha, as Forças Armadas espanholas mantêm cerca de 120 mil militares activos, mas enfrentam problemas crescentes de envelhecimento, dificuldade de retenção, salários pouco competitivos e forte dependência de contratos temporários. Madrid aboliu o serviço militar obrigatório em 2001, apostando totalmente num modelo profissional. O problema é estrutural: o sistema produz forças relativamente qualificadas, mas sem grande profundidade mobilizável. Ou seja: há capacidade para operações expedicionárias limitadas, mas não necessariamente para sustentação prolongada de conflito de alta intensidade.

A França continua a ser provavelmente o único país da Europa Ocidental com verdadeira cultura estratégica autónoma. Com cerca de 200 mil militares activos, força nuclear própria e tradição expedicionária permanente, Paris preservou a cadeia industrial militar e a capacidade de mobilização relativamente séria, mas também enfrenta dificuldades de desgaste operacional, recrutamento, competição do sector privado e erosão demográfica. Curiosamente, Macron reintroduziu o “Service National Universel”, embora em formato cívico e não militar clássico.

A mensagem política é clara: a França percebeu que a ligação entre sociedade e defesa estava perigosamente enfraquecida.

A Itália possui números aparentemente robustos, cerca de 170 mil efetivos, mas enfrenta forte envelhecimento, estruturas pesadas, baixa disponibilidade operacional e dificuldades de modernização.

O modelo italiano continua fortemente profissionalizado, mas muito dependente de carreiras longas e estruturas administrativas extensas.

Na prática, Roma possui dimensão institucional militar superior à sua capacidade real de projecção sustentada.

A Grécia é um caso muito diferente. Ao contrário de grande parte da Europa, Atenas nunca acreditou verdadeiramente no “fim das ameaças” até porque as tinha à porta.

A tensão permanente com a Turquia obrigou o país a preservar o serviço militar obrigatório, uma cultura de mobilização, uma reserva relativamente ampla e uma forte consciência estratégica nacional.

O efectivo activo ronda 140 mil militares, mas o mais relevante é a capacidade de mobilização reservista.

Num continente que desaprendeu a pensar guerra convencional, a Grécia continua a estruturar-se como país potencialmente mobilizável.

Talvez nenhum país simbolize melhor a crise militar europeia do que a Alemanha

A Bundeswehr com mais de 190 mil militares sofre há anos de subfinanciamento histórico, burocracia extrema, dificuldades graves de recrutamento, baixa prontidão operacional e problemas de equipamento.

Berlim aboliu o serviço militar obrigatório em 2011, precisamente no auge da ilusão pós-Guerra Fria. Hoje tenta desesperadamente reconstruir capacidade humana e industrial, mas existe um problema profundo: a cultura estratégica alemã pós-1945 tornou extremamente difícil a relação da sociedade com o poder militar.

A Alemanha percebe agora algo desconfortável: dinheiro sozinho não produz forças armadas funcionais.

No entretanto, a Europa acordou finalmente para os drones,

A, caças de sexta geração, sistemas autónomos e toda a parafernália tecnológica que alimenta conferências, powerpoints e brochuras institucionais. E tudo isso é importante, sem dúvida, mas o problema é que a Ucrânia demonstrou algo brutalmente simples: a guerra continua a consumir soldados a uma velocidade industrial.

E isso expôs a maior fragilidade europeia: a ausência de profundidade humana militar.

Os conflitos modernos exigem simultaneamente tecnologia, indústria, logística e… massa humana. A robótica ajuda. A IA ajuda. Os drones ajudam, mas continua a não existir algoritmo que ocupe terreno, segure uma linha ou substitua completamente vontade humana sob fogo.

A verdadeira questão, aquela cuja resposta se esperava dos deputados era outra:

como criar uma sociedade capaz de gerar resiliência militar nacional num contexto europeu de crescente instabilidade?

O debate dos deputados rapidamente degenerou em mais um exercício de vacuidade. E eis que surge um deputado do PS, num artigo de opinião no Expresso, iluminado pela habitual certeza sobre tudo o que mexe nas FFAA, a escrever uma mão cheia de nada embrulhada em linguagem de politiques

O mesmo PS que mais desinvestiu nas FFAA nas últimas décadas descobre agora, com espanto quase antropológico, que existem problemas de planeamento, retenção, previsibilidade, carreiras e capacidade operacional.

É sempre comovente ver incendiários regressarem ao local do fogo na qualidade de especialistas em combate a incêndios.

O “especialista da defesa” faz aquilo que a burocracia faz melhor: transformar obviedades em estratégia e diagnósticos em acção política. Fala de “celeridade”, mas a solução apresentada resume-se ao clássico receituário administrativo de mais estruturas, mais mecanismos, mais coordenação, mais plataformas, mais grupos de trabalho e mais camadas burocráticas.

Não existe uma ideia concreta e pragmática sobre efectivos, serviço militar, indústria de defesa, rearmamento, soberania estratégica, cultura de defesa ou mobilização nacional.

Nada.

Apenas linguagem de gestão cuidadosamente desenhada para agradar aos lambe-cus da militância partidária e produzir a ilusão de pensamento estratégico. E não satisfeito com a verborreia tecnocrática, ainda encontra tempo para criticar quem está, bem ou mal, a tentar resolver a herança desastrosa que deixaram para trás.

A certa altura quase se espera a criação de um grupo de trabalho para estudar a constituição de uma comissão de acompanhamento do observatório da previsibilidade operacional sustentável. E nada melhor para resolver os problemas estruturais das FFAA do que acrescentar mais três deputados ao já muito povoado Conselho Superior de Defesa Nacional, espaço onde, convenhamos, escasseiam sobretudo cadeiras. Oxalá a escolha parlamentar esteja à altura do momento histórico.

Seria particularmente enriquecedor ter:

um deputado do PCP a explicar, em plena discussão sobre ameaças russas, que a verdadeira solução estratégica continua a passar pela saída da NATO;

um representante do BE ou do Livre a propor transformar a Base das Lajes num hub eco feminista de observação climática e meditação transatlântica;

e a deputada “única” do PAN profundamente preocupada com o impacto emocional dos saltos operacionais nos cães dos paraquedistas.
Seria absolutamente extraordinário.

A este ritmo, qualquer dia o Conselho Superior de Defesa terá mais conselheiros do que militares disponíveis para mobilização, mas pelo menos ficará muito diverso, inclusivo e climaticamente resiliente.

Quem deixou as FFAA chegar ao estado actual devia apresentar-se primeiro com um pedido de desculpas antes de tentar posar como arquitecto da solução. O colapso dos efectivos, a degradação das carreiras, o envelhecimento das forças, a perda de atractividade e a erosão operacional não aconteceram por geração espontânea. Foram decisões políticas, tal como estas que agora propõem e que querem resolver com semântica, powerpoints e mais entropia no sistema. Infelizmente, a guerra real continua pouco impressionada com artigos de opinião.

Querem realmente ajudar?

Então sejam pragmáticos e aprovem rapidamente a melhoria das condições salariais nas FFAA.

Querem soldados?

Querem discutir seriamente um novo modelo de prestação do serviço militar?

É uma contradição quase caricatural no actual debate sobre defesa. Anuncia-se fundos e milhares de milhões para rearmamento, drones, caças, fragatas, etc mas evitam frequentemente discutir a questão mais básica de todas, quanto ganha afinal um soldado português?

E um europeu?

A realidade é desconfortável, e em muitos países da Europa, um militar no início de carreira ganha pouco mais, ou até menos, do que funções civis de baixa qualificação.

Um soldado espanhol em início de carreira recebe, em média cerca de 1.400€ líquidos mensais, a França paga melhor, na ordem dos 1919€ mas o ritmo operacional francês é muito mais intenso, na Itália, um militar em início de carreira ronda 1.300€ mas o sector privado começa a competir agressivamente por jovens tecnicamente qualificados, a Alemanha aumentou bastante os salários militares na última década, e hoje, um soldado alemão pode começar acima de 2.500€ líquidos e mesmo assim, a Bundeswehr continua com dificuldades de recrutamento. A Grécia paga relativamente pouco, 1039€, mas a sociedade grega mantém uma cultura de defesa nacional.

Portugal com os 961€ de entrada é talvez o caso mais crítico da Europa Ocidental e continua numa situação particularmente delicada. Mesmo com recentes atualizações, muitos soldados portugueses continuam a ganhar significativamente menos do que profissões industriais, a enfrentar progressão limitada e a suportar custos elevados de deslocação e alojamento. Claro que os suplementos salariais melhoram o panorama e não estamos tão mal como já estivemos no passado.

E o problema é só soldados? E a tabela salarial está ajustada para o que serão as FFAA do futuro? Um Pandur hoje precisa de um sargento, mas e um Boxer não precisará de mais? Um F35 precisa de quantos oficiais pilotos? E o novo navio multifunções não precisa de mais quadros do que praças? Os concursos para oficiais e sargentos contratados têm ficado com vagas com preencher porquê?

Durante décadas, a carreira militar foi apresentada como residual, temporária, pouco atrativa e até politicamente desconfortável.

Ao mesmo tempo, o sector privado aumentou salários e a tecnologia abriu oportunidades.

Hoje, os exércitos competem no mesmo mercado de trabalho e muitas vezes perdem. A Europa quer rearmar-se, mas começa lentamente a descobrir algo desconfortável, não existe defesa europeia sem pessoas dispostas a vestir a farda. E essas pessoas vivem no mesmo mercado imobiliário, no mesmo custo de vida, na mesma pressão económica e nas mesmas expectativas sociais que qualquer outro cidadão.

No fim, nenhuma estratégia de defesa resiste se um país estiver disposto a gastar milhões em drones… mas não em quem os opera.

Portanto, senhores deputados, talvez fosse prudente começarem pelo princípio: estudar seriamente como corrigir e ajustar a tabela salarial dos militares das Forças Armadas.

E isso significa que a discussão já não passa apenas pelo Ministério da Defesa. Passa e muito pelas Finanças.

Ou, se não têm pernas para resolver tudo, no mínimo resolvam o problema da legislação dos efectivos que continua por actualizar.

De que adianta o ministro da Defesa vir anunciar metas e ambições que ainda faltam 7.500 militares para atingir o efectivo legal de 32 mil, mas depois o próprio Estado cria bloqueios absurdos?

O Exército, por exemplo, tem cerca de 1.000 candidatos e, por falta de despacho legislativo nem as 150 vagas são preenchidas?

Pior: cerca de 400 candidatos reuniam condições para ser admitidos e não podem ser integrados porque a legislação parada numa gaveta não prevê essa excepcionalidade. E carreiras paradas ajudam? Se não há dinheiro sejam verdadeiros e não enganem os jovens, os militares e nem o País!

Há jovens que apostaram em seguir uma carreira militar e viram a expectativa gorada.

Naturalmente, isso cria um efeito negativo junto de outros potenciais candidatos. E a falta de planeamento agrava tudo: muitos estão empregados, precisam de respeitar a legislação laboral e dar aviso prévio de um mês antes de se despedirem, mas não sabem sequer se vão ser incorporados.

Não aprovam a revisão laboral, nem removem os bloqueios já identificados e depois admiram-se com as dificuldades de recrutamento. Percebem agora porque Nuno Melo saudou a inversão da queda como “notável”, mas pediu cautela “sem euforias”?

Porque há deputados na Assembleia da República e um ministro das Finanças que parecem viver num mundo completamente diferente da realidade das FFAA.

E um primeiro-ministro responsável por dar o murro na mesa ,,, tarda!

Acordem para a vida!

O mundo mudou, mas no fim, o país que preservar a ligação entre sociedade e defesa entram nesta nova era estratégica em posição muito mais sólida do que aqueles que acreditaram que a guerra tinha desaparecido da História.

Porque no fim, todas as tecnologias militares convergem para uma verdade antiga:
nenhum sistema combate sozinho.


Observador - O fim do mundo em calções de banho (Alberto Gonçalves)


 

(sublinhados pessoais)

O fim do mundo em calções de banho

Não são os “negacionistas” das alterações climáticas que colocam a Terra em risco: os alarmistas são um risco imensamente maior.

Há dias, li algures que a onda de calor matara sete pessoas em França, cinco delas por afogamento. Atribuí o absurdo a descuido do redactor da notícia e segui em frente. Sucede que em frente a notícia e o absurdo repetiam-se em todos os sites informativos: sete mortos em França por causa do calor, dos quais cinco afogados. De site em site, acabei por distracção no tenebroso “The Guardian”, que ao menos citava directamente o autor da frase, um porta-voz do governo francês em declarações à estação televisiva TF1. Lembrei-me da época da Covid, quando as preposições “de” e “com” se tornaram intermutáveis. Para efeitos de divulgação pública, era indiferente se uma pessoa morria “de”, por causa da Covid, ou “com”, porque casualmente tinha Covid no momento em que fora apunhalada pelo cunhado. O que importava era esticar os números para estimular o respectivo impacto junto das audiências. E para melhor “legitimar” a gravidade da maleita.

No caso dos afogados no calor, a maleita são as alterações climáticas, que logo inúmeros especialistas incluíram na certidão de óbito dos tais cinco franceses que, se removermos a histeria, aparentemente não sabiam nadar. Dado o precedente, em época de chuva será fácil culpar as alterações climáticas pelo atropelamento do sujeito que fugia dos pingos – e não o condutor distraído a trocar mensagens no telemóvel. Fácil e até recomendável, já que o único objectivo de todo o exercício é o de alimentar o pânico face ao carácter potencialmente destrutivo do clima, às mudanças registadas no clima, e à influência do homem no clima. Não é por acaso que as entidades públicas lançam avisos apocalípticos ante a proximidade de uma reles trovoada, ou que os gráficos das previsões meteorológicas passaram a ser de um vermelho satânico sempre que anunciam temperaturas acima de uns agradáveis 29 graus, numa evocação dos anúncios de medicamentos contra a azia que mostram o esófago em chamas. Também não é por acaso que o medonho planeamento urbano da maioria das nossas cidades é habitualmente esquecido na hora de identificar a responsabilidade pelas cheias. E de certeza não é por acaso que, nos intervalos dos serviços prestados ao Hamas, o secretário-geral da ONU se entretém a inventar termos apatetados (“ebulição global”, “inferno climático”, “bomba-relógio”, “carnificina”, etc.) para definir uma situação que se pretende séria. A finalidade é vender um produto.

Isto não significa que o produto seja fraudulento. À semelhança da Rennie, que julgo ser bastante eficaz, não é preciso questionar o peso da actividade humana nas alterações climáticas para questionar os métodos usados na respectiva divulgação. Pelo contrário: recorrer a truques de feira para exacerbar um fenómeno é que sem dúvida afecta a credibilidade do mesmo. Se o famoso “consenso científico” já demonstrou o essencial sobre as alterações climáticas, os seus fundamentos e as suas consequências, não me parece que mentir e distorcer as evidências ajude a que estas sejam mais evidentes. Insinuar, como fez o sr. Al Gore, a subida iminente de seis metros do nível médio do mar – e a submersão de Manhattan – apenas provoca o desprezo geral pelo facto de que os oceanos têm subido cerca de 3 mm por ano. E Manhattan, ou o que escapar ao sr. Mamdani, vai manter-se acima da superfície por uns milénios. Não são os “negacionistas” das alterações climáticas que colocam a Terra em risco: os alarmistas são um risco imensamente maior.

Os alarmistas, aliás, deviam fazer duas coisas. A primeira é parar de torturar a realidade de maneira a encaixá-la nas suas pretensões: por definição e feitio, a realidade não cede a torturas. A segunda coisa é dirigir o alarmismo para a China. O Ocidente pérfido e capitalista cada vez contribui menos para as emissões de CO2. Sozinha, a progressista China, com 6% da área terrestre e 17% da população, representa actualmente um terço da poluição carbónica. E os valores tendem a subir. Se fosse sincero o frenesim com o clima, os frenéticos passariam a vida a denunciar os abusos chineses, a exigir bloqueios à produção chinesa, a publicitar as calamidades que decorrem do consumo de tralhas chinesas. E não passam. Além disso, a sede da Climáximo seria deslocada para Pequim, e naquelas paragens os “activistas” cometeriam crimes com à-vontade, o à-vontade de quem se vê enfiado num calabouço após a transgressão inaugural.

A mim, que não nego as alterações climáticas nem perco o sono com as suas sequelas, tanto faz. A verdade é que o assunto importa-me muito menos que o circo montado em seu redor, um espectáculo de burlesco digno de atenção antropológica. No fundo, como me aborrece o frio, gostaria que as temperaturas subissem a ponto de poder desfrutar de noites caribenhas no meu jardim, com mojitos e tudo. Infelizmente, não terei tamanha sorte. Se por milagre eu chegar a octogenário, na perspectiva catastrófica as temperaturas terão subido meio grauzinho, ainda longe do Caribe. Quanto ao planeta, é garantido que um dia acaba. E, com ou sem alterações climáticas, acabará num tempo tão distante do meu que, salvo talvez umas paisagens bonitas, entretanto não restará sombra da memória de ninguém nem de nada que hoje me seja familiar. O nosso mundo está sempre a prazo, curto prazo. Por isso, sigam o conselho britânico da II Guerra, relaxem e aproveitem o sol de Maio. Mas antes aprendam a nadar.


domingo, 31 de maio de 2026

Musica - Death Don't Have No Mercy (Remastered - February 1988)


 






https://www.youtube.com/watch?v=0LHRTgngzfo&list=RD0LHRTgngzfo&start_radio=1

The Spectator - Politics has robbed Eurovision of its silliness

 

(personal underlines)

Politics has robbed Eurovision of its silliness

Harmless, autotuned fun has turned into something sinister

Yuval Raphael performing for Israel last year. (Picture: Fabrice Coffin / AFP)

Here we go again. Every year, with the inevitability of death, taxes and political regicide, the BBC’s Eurovision coverage reminds viewers that most pop music produced in European countries is of a terrible standard, and that our country’s banal offering is never going to inspire any patriotic fervour. This year, British hopes are pinned on an electropop act called Look Mum No Computer, with a truly terrible sub-Depeche Mode song called ‘Eins Zwei Drei’ that contains the lyrics ‘Counting in English doesn’t cut the mustard / So sick of munching roly-poly with custard.’ Don’t call me Cassandra, but I suspect that Look Mum No Computer (real name: Sam Battle) will be receiving rather fewer than drei punkte from many of the international judges.  

However, Eurovision is what it is. Since it began in 1956, it has produced the odd brilliant song (most notably ‘Waterloo’ and Sandie Shaw’s ‘Puppet On A String’), along with a huge amount of dross, much of which is forgotten immediately after it is performed. And every year, there are the usual political and nationalistic shenanigans, more pronounced than ever this time round, as several countries including Ireland, Spain and the Netherlands are refusing to participate in the contest in protest at Israel’s inclusion in the event. Similar uproar arose last year and ultimately resulted in the Israeli singer Yuval Raphael – a survivor of the October 7 attacks – having protesters attempt to storm the stage as she performed her song ‘Brand New Day’.  

In the event, Raphael came second and won the public vote. Some have suggested that the reason why she didn’t win was because of anti-Israeli bloc voting by juries; others surmised that the reason why she came top in the public poll was because of Israeli government social media pressure for their citizens and sympathisers to vote for her. In either case, it was clear proof that, for all Graham Norton’s arch eye-rolling and sarcastic one-liners when he presents the BBC’s coverage, the event is far from a bit of harmless fun, and that there is a real sense of aggression lurking beneath the kitsch and autotuned pop songs.  

This aggression is increasingly channelled by many of the most fervent viewers of Eurovision, who spend every year preparing for their very own slice of organised fun. If you can be bothered to check social media, you will see a certain kind of person assembling with like-minded friends in large groups to watch Eurovision, dressed up in costumes and armed with brightly coloured drinks and snacks, and determined to laugh along as to how CRAZY! and ZANY! and MAD! it all is. That many of these people are the kind of characters who will use hashtags like #PrayForGaza and think that Zack Polanski is the answer to all our prayers will give you a fairly good idea of their politics. It is a fair bet that some of the most fervent will themselves be ostentatiously boycotting this year’s event – or, perhaps, taking a leaf from the Irish national broadcaster RTÉ’s book and instead watching the famous Father Ted Eurovision episode, ‘A Song For Europe’.  

That episode, incidentally, featured two Neil Hannon-penned songs, ‘The Miracle Is Mine’ and, of course, ‘My Lovely Horse’, which are infinitely better than virtually anything that you will hear this year. They are supposed to be funny, and they are, but they’re also superbly crafted songs: unsurprising, really, given that Hannon is one of the greatest living songwriters, who also, casually, produced another Eurovision send-up, ‘Trafalgar’, that skilfully parodied all of the silliness and excess of the novelty pop on display. (‘Oh-oh-oh Trafalgar, I’m looking through the wrong eye at ya’, etc.)  

In a sense, Eurovision is far beyond parody. So ridiculous and so absurd are many of the acts who come forth to do their patriotic duty, only to hear the predictable clang of ‘nul points’, that they bring shame on their families and their names. But it is the spectacle of the braying Eurovision fanatics, who live for this Saturday night absurdity, that transforms the whole affair from being simply an inconsequential piece of silliness into something more unsettling.  

At best, you want to say to these people that they should find a more worthwhile means of channelling their desire to have a good time. But as their increasingly anti-Semitic and anti-Israeli chants drown out the plasticised choruses, it is not hard to feel that Eurovision’s most committed supporters are no longer the kind of people who you would want to sing from the same songbook as, even if the lyrics are as banal as our entry’s: ‘I’ve always been a fan of aviation / I’m jumpin’ on a plane to another nation.’ Not to Israel, probably.   

The Spectator - Spare me the adolescent mush of Dear England

 

(personal underlines.

LBC - there in UK,...as here...)

Spare me the adolescent mush of Dear England

Joseph Fiennes as Gareth Southgate in Dear England (Image: BBC)

The football season lurches into its final week, with Arsenal, the newly-crowned champions of England, trying to win their first Champions League trophy. But there will be no summer-long reprieve from the round ball game. A World Cup begins next month in North America, and dozy folk who fail to pay attention may hear a knock on the door at midnight. Only 48 teams this time. What fun.

If there’s a World Cup you can bet your last farthing there will be a ‘conversation’ about ‘national identity’. The BBC have already cleared their throats, with a four-hour adaptation of James Graham’s stage play, Dear England. That’s three hours too many.

Meanwhile David Baddiel, the comedian-philosopher, has launched a six-parter on Radio 4 called Sixty Years of Hurt – 60 years, that is, since England won their only World Cup. Baddiel co-wrote a song for the 1996 European Championship which measured ‘30 years of hurt’, so only one word requires revision.

Fingers on the buzzers, therefore, to spot the jargon and self-congratulatory twaddle favoured by the faux-patriots of television. In the realm of replica shirts and twirling scarves the game is always ‘beautiful’, and ‘Ingerland’ always ‘we’.

The zealotry occasionally bolsters spirits. In 2010, when Germany caned England’s ‘golden generation’ 4-1 in Bloemfontein, the BBC commentator Guy Mowbray sounded close to tears. ‘How many Germans’, he wailed, bottom lip a-quiver, ‘would get in the England team?’ The answer, flung back from thousands of living rooms, was brutal. ‘All 11, matey’.

Graham’s bloated drama, quarried from his 2023 play at the National Theatre, is unconvincing. The writer, as ever, tries to cram a quart of sentimentality into a pint pot in his search for ‘significance’, with predictable consequences. Viewers learn a lot about him, and nothing worth knowing about England.

In a drama about identity, personal and national, it might be a good idea to get the small details right, but Graham’s grasp of football is loose. In another TV drama, Sherwood, one of his characters refers to ‘Notts’ Forest. Oh dear. In Nottingham, the city closest to Graham’s hometown, that error is unpardonable.

He presents Gareth Southgate, England’s manager, as a secular saint, and the players as urban warriors with hearts of gold. The real Southgate is indeed impressive, and some of his players did come from rough streets, but the dialogue, with its ‘caring and sharing’, is adolescent mush.

Graham’s heart may be in the right place, even if his pen is not. Clever-clogs Baddiel, who gets a nosebleed every time he steps north of Dollis Hill, has never yet met a cliché that did him harm. So our national anthem is ‘a hymn to power’, our country ‘fractured and disparate’, and our suspicion of non-conformists as English as Dandelion and Burdock.

Even Association Football, drawn up in 1863, represents ‘another form of imperialism’. A fairly benign form, he must admit, because the world has not withheld its gratitude.

Roping in a few tame ‘historians’, he rolled out that old favourite, ‘class barriers’. One of those historians pronounced Bobby Moore, the victorious captain in 1966, guilty of ‘deference’ for wiping his hands before he accepted the trophy from the Queen. To most people it was good manners.

To borrow a phrase from Karl Kraus, Baddiel has nothing to say and is determined to say it. He knows little of England, and even less of football. Anybody who believes that Rodney Marsh, a Seventies boulevardier, should have been the first name on the team-sheet has an imperfect understanding of what constitutes a team. Mavericks don’t win tournaments.

Despite that glorious July day in 1966 England has always been a middle-ranking football nation. The game this country helped to create has been defined in its highest moments in continental Europe and South America.

If we’re being truthful England has produced two outstanding teams (1966 and 1970), and six great players: Tom Finney, Stanley Matthews, Gordon Banks, Bobby Charlton, Jimmy Greaves and Moore. There can be no comparison with Germany, Italy, Argentina and Brazil.

But the chest-beating is about to begin, and don’t be surprised if our Prime Minister pulls on a beautifully laundered replica shirt to send the valiant lads into battle. There will be talk of ‘pride’ and ‘passion’. There always is, in other lands, and other sports. Football is one game among many.

England has given so much of value to the world, and sport is part of that bequest. The great team games, and most of the individual ones, are English in origin. But football should never speak for England, no matter how fiercely metropolitan comedians press the case.

Observador - O fantástico acordo nuclear de Obama (Rodrigues do Carmo)


 

(sublinhados pessoais)

O fantástico acordo nuclear de Obama

Se, como profetizam os especialistas dos lagares de azeite com a habitual acidez anti-americana, Trump se prepara agora para assinar um JCPOA com bigode postiço, o erro seria monumental.

Andam pelas televisões numerosos especialistas de lagares de azeite a explicar-nos, com a solenidade do disparate, que o JCPOA (Acordo Obama)  era uma obra-prima diplomática, que Obama foi um visionário e que Trump só o denunciou por despeito.

A profecia seguinte, embrulhada no mesmo papel de fantasia desejante, é que Trump será obrigado a assinar um acordo pior.

No fundo, é como se o problema tivesse sido a vaidade de Trump, e não a natureza profundamente defeituosa de um acordo que dava ao Irão dinheiro, legitimidade, tempo e um caminho calendarizado para regressar ao objectivo de eliminar a “entidade sionista”.

Ora isto é mero catecismo e dos maus. É dizer que qualquer acordo é melhor do que nenhum, desde que seja assinado por pessoas suficientemente elegantes, sorridentes e engravatadas.

A verdade é que o Acordo Obama não desmontou a ameaça. Limitou-se a etiquetá-la, adiá-la e, de caminho, financiou o regime. Voaram, literalmente, aviões dos EUA para Teerão, carregados de notas de dólar.

Há acordos maus porque não funcionam. E há acordos  perigosos, que são maus precisamente porque funcionam durante algum tempo. O Acordo Obama, assinado em 2015, é o exemplo perfeito. Funcionava suficientemente bem para apaziguar ansiedades,  animar comentadores engajados e permitir a Obama vender ao mundo uma vitória diplomática que justificasse à posteriori o esperançoso Nobel da Paz.  O único problema é que era apenas uma bomba com retardador e não resolvia o problema nuclear iraniano.

Convém começar pelo óbvio: o acordo limitou temporariamente o programa nuclear iraniano. Reduziu o stock de urânio enriquecido, travou o enriquecimento acima de 3,67%, limitou o Irão a cerca de 300 kg de urânio enriquecido e restringiu durante dez anos a operação de centrifugadoras em Natanz. A instalação subterrânea de Fordow, construída sub-repticiamente, não podia enriquecer urânio durante 15 anos. Tudo isto estava lá escrito, tudo isto era largamente duvidoso,  e tudo isto  comprava tempo.

Mas comprar tempo não é o mesmo que resolver uma ameaça. Na melhor das hipóteses é prudência, na pior é táctica de avestruz.

Os defensores do Acordo diziam que a peça aumentava o tempo necessário para produzir material físsil suficiente para uma arma e Obama vendeu-o exactamente  nesses termos. Só que aumentar o tempo necessário para chegar à bomba, não eliminava a capacidade, não desmontava a infraestrutura, não punha fim à ambição, não resolvia o problema. Empurrava-o para a frente com  a barriga, como um mau pai que deixa as dívidas para os filhos pagarem.

Em troca de quê? De legitimidade internacional, alívio financeiro e reconhecimento de que o Irão, depois de anos de clandestinidade, mentiras e instalações subterrâneas, tinha afinal direito a manter uma indústria de enriquecimento. Um excelente prémio para um infractor reincidente.

Aceitar o enriquecimento iraniano era pois  primeiro pecado do Acordo Obama. Durante anos, a posição ocidental era que  um regime que escondeu Natanz, construiu Fordow debaixo de uma montanha, enganou a AIEA e patrocinou milícias e terrorismo por todo o lado, não precisava de enriquecer urânio em casa para “fins pacíficos”. Para isso podia comprar combustível nuclear no mercado internacional, como fazem países muito menos suspeitos e muito mais civilizados. Mas Obama abandonou essa linha sensata e prudente, na  ânsia de declarar sucesso.

O segundo pecado eram as cláusulas de caducidade. Algumas restrições expiravam ao fim de 10 anos, outras ao fim de 15, 20 ou 25. Isto significava que o Irão, cumprindo o acordo, podia esperar. Esperar é uma  especialidade revolucionária moderna. Ao regime iraniano bastava sobreviver a várias administrações americanas, a várias eleições europeias e à capacidade inesgotável do Ocidente para confundir tinta num papel com realidade estratégica. No ano 15, o problema regressaria, com  certificado legal de baptismo.

O terceiro pecado era Fordow. Uma impressionante e dispendiosa instalação nuclear subterrânea e fortificada, construída secretamente,  é mais uma declaração geológica de má-fé do que  um atestado de boas intenções. O Acordo Obama assobiou para o ar perante  Fordow, sugeriu apenas que fosse convertida e que não enriquecesse urânio durante 15 anos. É como encontrar uma oficina clandestina de bombas e  permitir que continue aberta, desde que por enquanto fabrique apenas carvão para grelhadores.

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O quarto pecado foi deixar os mísseis balísticos fora do acordo. A Resolução 2231 da ONU “apelava” ao Irão para não desenvolver actividades relacionadas com mísseis balísticos concebidos para poder transportar armas nucleares. Não proibia, não criava uma arquitectura de sanção automática, não tratava o vector como parte essencial da ameaça.

O Irão andava e anda a ameaçar continuamente a “entidade sionista” de erradicação. Ora uma arma nuclear não é apenas urânio enriquecido. É também ogiva, sistema de detonação, cadeia de comando e vector de entrega. Separar a bomba do míssil é como dizer: “calma, eles só estão a construir a espingarda, a bala não interessa”

O quinto pecado foi ignorar Hezbollah, Hamas, Houthis, milícias xiitas iraquianas, Síria, Guarda Revolucionária, terrorismo, subversão regional. Ora o  problema iraniano nunca foi apenas nuclear. O nuclear era a apólice de seguro de um projecto imperial revolucionário e o derradeiro meio para destruir o inimigo cósmico. Ainda há dias ( 25 de Maio),  na mensagem para o Hajj, Khamenei (ou seja a Guarda Revolucionária)  disse que o “regime sionista”, o “tumor canceroso de Israel” não existirá dentro de 15 anos.

Aliviar sanções a este fantástico projecto e fingir que o resto é apenas business as usual, é confundir ingenuidade com estupidez.

O sexto pecado foi o passado militar nuclear iraniano. Em 2015, a AIEA concluiu que o Irão desenvolvera actividades relevantes para um explosivo nuclear antes de 2003, com algumas actividades depois disso, embora dissesse não ter indicações suficientes de actividades relevantes depois de 2009. Esta formulação generosa permitiu fechar politicamente o dossiê das possíveis dimensões militares, ou seja, pôs-se uma tampa em cima da panela e fez-se de conta que não havia nada lá dentro.

Depois veio o arquivo nuclear iraniano revelado por Israel em 2018. 55 mil páginas e ficheiros, desviados do Irão pela Mossad, a prova insofismável de que o Irão mentiu descaradamente sobre o seu programa militar nuclear. Ou seja o projecto Ahmad era mais avançado e organizado do que se sabia, e visava expressamente  obter armas nucleares e vectores para as lançar para os alvos. Ficou pois provado que o Acordo Obama fora assinado com um regime que mentira sobre a própria natureza do problema que o Acordo pretendia resolver. A diplomacia baseada na confiança pode ser aceitável com a Noruega, mas com a República Islâmica é humor negro.

Há ainda o sétimo pecado: as inspecções. A AIEA tinha, no papel  um regime de verificação robusto.  Mas a questão é mais fina. O Acordo não dava acesso imediato, irrestrito e automático a qualquer local militar suspeito. Havia procedimentos, prazos, mediações, acesso gerido, avisos com quase 30 dias de antecedência Quando lá chegava a AIEA podia contar zeros sacos de farinha, mas era incapaz de saber se, na sala ao lado, se tinha escrito a receita do bolo. E, para não escavacar o Acordo, a AIEA ia suavizando os relatórios, a pedido dos ouvidos sensíveis que não queriam ouvir más notícias.

Trump fez bem em denunciar o acordo? Fez.

Não porque o JCPOA fosse totalmente inútil, mas  porque aceitava como solução aquilo que era apenas uma pausa; aceitava como moderação aquilo que era táctica; aceitava como verificação aquilo que não resolvia a intenção; normalizava uma anomalia intolerável.

A Casa Branca alegou que o Acordo Obama  apenas adiava a capacidade iraniana, preservava investigação e desenvolvimento nuclear e não protegia adequadamente os interesses de segurança dos EUA. E era tudo verdade!

Pode discutir-se a execução posterior, a falta de uma estratégia diplomática alternativa robusta, o choque com os europeus e os efeitos da retirada unilateral. Tudo isso merece debate, mas a crítica central estava certa: o acordo dava ao Irão um caminho legal e internacionalmente tolerado para se tornar um Estado nuclear com expressas intenções genocidas.

Os resultados prováveis do Acordo Obama, se tivesse sobrevivido intacto, seriam:

Primeiro, o regime iraniano ganharia tempo e dinheiro. Segundo, preservaria conhecimento, pessoal, instalações e orgulho tecnológico. Terceiro, continuaria a desenvolver mísseis e a reforçar os proxies. Quarto, esperaria pela caducidade das restrições mais pesadas. Quinto, regressaria rapidamente ao nuclear já não como pária apanhado em mentira, mas como signatário de um acordo internacional que simplesmente chegara ao seu termo.

Nessa altura, os mesmos que em 2015 disseram  que não havia alternativa,  diriam outra vez que não há alternativa. A grande vantagem dos maus acordos é que criam as condições para que o próximo mau acordo pareça inevitável.

O Acordo Obama foi vendido como uma ponte para a paz, mas era um mero pontão para a próxima chantagem. Comprou tempo ao vendedor errado e pagou-o caro.

Trump percebeu que quando um regime revolucionário aceita adiar uma ambição estratégica, significa apenas que olhou para o relógio e concluiu que podia encanar a perna à rã.

O Ocidente, como sempre, confundiu a perfídia iraniana com moderação. Continua a fazê-lo. É  um erro e, em política internacional, os erros não costumam explodir no dia em que são cometidos, mas quando os seus autores já estão a escrever memórias, a dar palestras e a explicar, com superioridade moral, que a culpa foi da realidade.

Se, como profetizam os especialistas dos lagares de azeite com a habitual acidez anti-americana, Trump se prepara agora para assinar um JCPOA com bigode postiço, trunfa laranja e mais fanfarra, o erro será monumental. Não porque o Acordo Obama fosse fantástico, mas porque será difícil explicar ao mundo que se rasgou um mau acordo para, anos depois, regressar com uma cópia pior, apenas carimbada com outro logótipo e vendida como triunfo pessoal. Se isso se concretizar, eu serei o primeiro a grelhá-lo, porque será uma rendição com maquilhagem e uma capitulação em letras grandes. O Irão não precisa de mais tempo. Já teve décadas. Nós é que parecemos precisar sempre de mais uma oportunidade para não aprender nada.

Observador - O veredito do fantasma (Rui Sampaio)

 

(sublinhados pessoais)

O veredito do fantasma

Passos Coelho não é um candidato em espera. É um espelho. E a imagem que a classe política e o país lá veem é insuportável de encarar.

O silêncio de Pedro Passos Coelho nunca foi uma ausência, foi sempre uma incubação. Na política portuguesa, onde a sobrevivência mediática exige uma tagarelice diária e uma opinião sobre tudo, a recusa em participar no ruído transformou o antigo primeiro-ministro num fenómeno psicológico invulgar. Sempre que ele decide falar, o sistema não se limita a ouvi-lo. O sistema sofre um espasmo. As suas intervenções recentes confirmam esta regra, operando menos como declarações políticas e mais como testes de esforço à maturidade institucional do país.

Para compreendermos a coreografia de pânico que se instala, na esquerda que o diaboliza e na direita que se encolhe, é preciso ignorar a espuma dos comentadores e atentar na mecânica do poder. O atual ecossistema político, ancorado num centro que gere equilíbrios de curto prazo, especializou-se na administração de paliativos. Discute-se a décima da taxa, o bónus mensal, o cheque setorial. É uma política de anestesia. Quando Passos Coelho surge, traz consigo algo que o atual debate excluiu por conveniência: a gravidade.

O que ele afirmou recentemente não é uma provocação reacionária, como a oposição logo tentou enquadrar, mas uma constatação factual que a governação contemporânea tenta desesperadamente ocultar. Portugal atingiu um paradoxo histórico: consolidou uma estabilidade contabilística superficial enquanto presencia o colapso estrutural das funções soberanas. Temos impostos de padrão nórdico a financiar serviços públicos de matriz balcânica.

Neste contexto, o discurso de Passos Coelho rasga a ilusão de ótica do “contas certas”. Ele expõe que um Estado não é forte apenas porque não entra em bancarrota técnica, é falhado se, cobrando o máximo histórico em receita fiscal, se revela incapaz de garantir saúde, justiça ou segurança sem empurrar o cidadão para o setor privado. A ferida que o antigo líder do PSD toca não é a da austeridade passada, mas a da mediocridade presente.

A reação partidária às suas palavras é, por isso, um compêndio de psicanálise. Para o Partido Socialista, Passos Coelho é o espantalho utilitário. A esquerda portuguesa há muito que deixou de ter um projeto transformador para o futuro, substituindo-o pela evocação perpétua do “tempo da Troika”. Ao agitar o fantasma de Passos, a esquerda tenta mobilizar o eleitorado pelo medo, camuflando a sua própria incapacidade de reformar o país ao longo da última década.

Mas é na direita que o sintoma se revela mais severo. O atual PSD sofre de um trauma freudiano em relação ao seu antigo líder. A liderança atual procura uma quadratura do círculo impossível: quer os votos da moderação, mas teme a fuga do eleitorado para as margens radicais, quer ser vista como reformista, mas foge de qualquer rutura que incomode corporações ou lóbis instalados. Quando Passos fala, com a clareza cortante de quem já não tem eleições para ganhar, expõe a timidez tática dos seus sucessores. Ele lembra a uma direita complexada que a moderação não significa a aceitação pacífica dos dogmas do adversário.

Não há, no discurso de Passos Coelho, o apelo de um populista que promete soluções fáceis para problemas complexos, o oxigénio que alimenta o radicalismo atual. Pelo contrário, há a secura de quem avisa que a fuga à realidade tem sempre um preço diferido. É exatamente por isso que as suas palavras geram tanta rejeição no espaço público. O eleitorado português, habituado a ser tratado como um menor de idade pelo Estado-providência, detesta ser confrontado com a exigência da responsabilidade.

A tragédia do debate público português não é Pedro Passos Coelho continuar a ensombrar a política nacional, é o facto de, dez anos após a sua saída do poder, o país não ter produzido um único líder político, à esquerda ou à direita, com a mesma densidade conceptual e a mesma imunidade ao ciclo noticioso de 24 horas.

Aqueles que analisam as suas declarações à procura de sinais táticos para uma candidatura presidencial ou uma conspiração interna no PSD não estão apenas errados, estão a medir um problema tectónico com uma régua de plástico. Passos Coelho não é um candidato em espera. É um espelho. E a imagem que a classe política e o país lá veem refletida, a de um país viciado no declínio suave, assustado com o seu próprio futuro, é insuportável de encarar.


The Spectator - The hidden truth about our failing universities

 

(personal underlines)

The hidden truth about our failing universities

Is it worth going to university? Since 1999, when Tony Blair declared higher education the answer to all society’s problems, it has been a question Britain prefers not to ask. Every September, hundreds of thousands of school leavers pack their bags, wait for their maintenance loan to arrive and head off to their chosen city to drink, go clubbing and occasionally hand in an essay.

Does this well-trodden path leave young people better off? It’s almost impossible to find out, not because the information isn’t available but because the government won’t let us see it. The Department for Education knows very well what graduates can expect when they start looking for work. The Longitudinal Education Outcomes (LEO) database, produced by the DfE, contains extensive data on labour market outcomes for students leaving university. It is described as ‘a unique source of information, with the potential to provide transformative insight and evidence on the long-term employment outcomes and educational pathways of around 39 million individuals’.

So you might think it would be quite helpful if the rest of us could see it. But access to LEO data is only granted to ‘approved third party researchers’. If you want to know what’s happening in our universities, you must be a ‘full credited UK statistics authority’ able to prove ‘clear public benefit’ for your work. So no chance for students hoping to avoid wasting 50 grand.

Lawrence Newport, whose campaign group Looking For Growth is calling for the release of LEO data, thinks that ‘the government is hiding behind easily resolved concerns about anonymity’ and allowing universities to sell a bad product. As a former academic at Royal Holloway, University of London, he adds that he has been ‘directly told by people in admissions at universities that entry requirements are a marketing scam’ used to foster an air of credibility for courses with no corresponding academic rigour. Sadly, as with data about education outcomes, there is almost no information on the A-level grades attained by successful university applicants.

Newport also fears that many universities hide behind the fact league tables count further study alongside employment, allowing them to funnel students through endless education (and debt) to avoid facing the real-world irrelevance of what they’ve learned.

Despite the government’s obstinance, there are ways of identifying universities and courses that are failing students. While it’s hard to get detailed data, some third-party sites such as Discover University, which uses LEO data, paint a grim picture.

Unsurprisingly, creative students have the worst post-university outcomes. The average graduate with a BA in professional acting at Drama Studio London isn’t even breaking minimum wage, with earnings of £18,500 three years on; only 30 per cent are using skills they learnt during their studies. Meanwhile, those who study film production at Southampton Solent University bring in just £24,000 on average 15 months after graduating.

Some universities seem to be actively harming students’ chances of success. An Institute for Fiscal Studies (IFS) and DfE report found that women graduating from the University of Bolton, now renamed the University of Greater Manchester, earn around 10 per cent less by the age of 29 than women who didn’t attend university at all. Further analysis from the IFS suggests that one in five students who go to university will earn less than their counterparts who didn’t.

Attending a Russell Group University provides no insurance against poor outcomes, either. Three years after completing a sociology degree at the University of Glasgow, the average graduate is earning just £23,000. Even the Oxbridge name won’t save you. Fine arts graduates from Oxford earn £26,000 15 months after leaving, while only 30 per cent of Anglo-Saxon, Norse and Celtic graduates from Cambridge are working 15 months after graduation.

These students are not paying a penny of their loan back each year because their income is below the threshold. In fact, only 32 per cent of the recent cohort who took out a loan will ever pay off the whole thing. The system was designed with the assumption that university would bring with it a ‘graduate premium’. In many cases, until a graduate earns £66,000 a year, the interest on their debt will outstrip payments made. Cumulatively, students owe a quarter of a trillion pounds to the Student Loan Company.

When a graduate’s media studies career leaves them pulling pints in the local pub, the debt they never pay off falls on the government’s books. It won’t be universities held financially liable, it will be the taxpayer.