segunda-feira, 8 de junho de 2026

The Spectator - Why Greta is so angry about Swedish immigration

 

(personal underlines)

Why Greta is so angry about Swedish immigration

(Photo: Getty)

Greta Thunberg is 23 years old. Six years have passed since her emotional address to the UN Climate Action Summit about the end of the world. She has since shifted her attention from climate activism to one fashionable left-wing cause after another, but her tone is as shrill as ever. The other day, she denounced Sweden’s migration policy as inhumane. Her conclusions, as usual, wrong. But she is at least right about one thing: Sweden has adopted an entirely new migration policy.

For years, Sweden took more asylum seekers per capita than any other country in Europe. Now asylum numbers have fallen to their lowest level since 1985, even as pressure across the rest of the continent remains immense.

Last year, only 6,700 people applied for asylum in Sweden – a drop over 95 per cent compared to 2015. This is no coincidence. Since taking office in 2022, the conservative government has pursued an active policy to bring this about.

We are living through a new age of migration. The world is more populous than ever, and more people now have the means to move across continents. In 1900, Europe had roughly 300 million inhabitants and Africa around 140 million. Today the EU has about 450 million people, while Africa has well over 1.5 billion. Surveys show that almost half of Africans aged 18 to 24 want to emigrate. In the Middle East, it is more than half. The most common motive is simple enough: a better life.

Few people move to Sweden for the weather. It is not the richest country in the world and the tax burden is high. Swedes are generally introverted and the culture is not easily accessible. The landscape may be beautiful, but it is hardly the deep forests and mushroom-picking that have attracted Africans and Arabs in their hundreds of thousands. Instead they are fleeing joblessness, bad governance and – simply – the prospect of a materially better life.

Had I been in my twenties and living in Senegal or Syria, I would probably have wanted to move to Europe too. For a young man, money is enough of a motivation. Once inside a European country, it is relatively easy for someone without much of a conscience to claim that he comes from a country that qualifies for refugee status. It is not much harder than it would be for me, as a Swede, to convince an Englishman that I am Norwegian.

That asylum seekers may lie when it suits them should surprise nobody. It is no more surprising than the welfare fraud and tax evasion seen in the wider population, in both Sweden and Britain. The more generous the system and the weaker the controls, the more abuse there will be.

In Sweden, the system has until now often penalised the honest and rewarded the dishonest. Even after a claim had been rejected, many have remained by appealing, exploiting delays and otherwise spinning the process out. In effect, ‘no, please leave’ was a rule only for the compliant.

Today, 20 per cent of Sweden’s population is foreign-born. Immigration from North Africa and the Middle East has had catastrophic consequences: serious organised crime, gang violence, widespread sexual offending, Islamism and terror threats, honour-based oppression and unemployment.

The current conservative government was elected on a promise to stop immigration — and it has succeeded to a remarkable degree. The Swedish government has established special return centres, where rejected asylum seekers are to live until they leave Sweden, in most cases no later than four weeks after the expulsion decision takes effect. Any new asylum or work permit application can no longer be made from within Sweden, but must instead be made from the country of origin.

Those who do not leave voluntarily are more often deported. Those who go into hiding are more often found by the police, who have been instructed to prioritise checks and the enforcement of deportation orders.

Tougher citizenship requirements, stricter benefit conditions, and other tougher rules mean that fortune-seekers now choose not to move to Sweden. At the same time, Sweden has made it easier for high-skilled migration that actually benefits the country.

Unfortunately, falsehoods are now being spread about what the new Swedish policy actually entails, and in this Greta seems to be doing her utmost to blacken the reputation of her own country. No one is deported where grounds for protection exist. Those entitled to asylum are granted it. The process is legally sound, with the right to have one’s case heard by the courts. Fortunately, Greta no longer seems to have the influence she once did as a child-prophet.

Sweden has nevertheless shown that migration can be brought down. For a British government with the same ambition, this should be possible as well. After all, it may have been a sunny bank holiday weekend, but people are not generally crossing the Channel for the British weather either.

Música - Saving Dookoosliid (Jay Begaye)

 



https://www.youtube.com/watch?v=TcIcGWx7NQQ&list=RDTcIcGWx7NQQ&start_radio=1

Observador - O iminente momento da extinção? (Miguel Morgado)




 (sublinhados pessoais)

Isto é que é ver para a frente! - LBC


O iminente momento da extinção?

O que temos diante de nós com a IA mostra todos os dias, não o nosso aperfeiçoamento, ou fortalecimento, mas a nossa obsolescência. Para ser mais rigoroso, mostra a nossa superfluidade.

Nos últimos meses têm-se multiplicado as reflexões sérias sobre a natureza e consequências da revolução da Inteligência Artificial. Na semana passada comentei no Observador as meditações do Papa Leão XIV sobre o tema. Não aborda todos os aspectos de forma satisfatória, mas não deixou de ser importante. O Papa imitou os outros. Em todo o mundo tanto as expectativas, como as preocupações, crescem a cada dia. A enxurrada justifica-se por inteiro. Mais, o tema adquiriu uma inequívoca urgência.

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Deixando de parte as importantes questões da concentração do poder das grandes empresas que dominam estas tecnologias, ou os usos sinistros e cruéis das novas possibilidades, temas que abordei na SIC Notícias, há um outro aspecto desta revolução que começa a enraizar-se precisamente pela sua urgência. É, de resto, um problema recorrente nas grandes revoluções tecnológicas e “industriais”. À medida que os modelos LLM vão, por um lado, melhorando, e, por outro, generalizando-se na sua utilização, vamos descobrindo as profissões e competências humanas em risco de substituição. Profissões até há muito pouco tempo consideradas insubstituíveis, como a de tradutor ou aquela que se dedicava ao coding, vão-se obliterando na linha de tiro da Inteligência Artificial. Uma após outra vão engrossando um desfile de relíquias do passado até ao infinito.

A tentação é pôr os óculos de historiador e dar a resposta que, noutras ocasiões, seria certeira e passaria por sofisticada.  Seria a resposta que reafirma todos os precedentes históricos para dizer que uma revolução tecnológica não cria desemprego – apenas reconfigura, por vezes de modo radical, imprevisível e irreconhecível, o mercado de trabalho e o elenco de funções. Foi assim no passado, será assim no presente.

O defeito clássico da sabedoria do historiador é profetizar eternas recorrências e repetições sem dar espaço para o que não tem precedentes, para o absolutamente inédito. Com efeito, no caso da revolução tecnológica que estamos a viver existe muita coisa que é nova. A começar pelo essencial: as revoluções tecnológicas do passado, incluindo as mais recentes, seguiram o alinhamento de estender, ou aumentar, as capacidades humanas. Tornavam as máquinas ferramentas dos humanos, fazendo deles, e ao seu comando, seres mais fortes, mais longevos, mais rápidos, mais memoriados. Sucede que o que temos diante de nós mostra todos os dias, não o nosso aperfeiçoamento, ou fortalecimento, mas a nossa obsolescência. Para ser mais rigoroso, mostra a nossa superfluidade.

Não há talento, competência, função profissional ou ociosa, que não esteja ameaçada pelo superior desempenho da máquina. Como devemos associar a revolução da inteligência artificial com a revolução na robótica, porque ambas estão associadas e sobretudo porque o potencial de alinhamento entre ambas é astronómico, mesmo as funções e desempenhos de carácter físico-atlético começarão a revelar a sua obsolescência. As grandes instituições sociais que edificámos para glória do mundo estão também em risco de cair na insignificância, como as universidades, os tribunais ou a escolha pública-política. Assim como estão as posições de mais elevado prestígio social, como a do advogado ou a do professor universitário, que têm os dias contados.

Daí que a discussão sobre se vai haver mais desemprego ou menos desemprego, acaba por ser surpreendentemente fútil. Se antes se propunha um rendimento de existência relativamente elevado para todos, obtido a partir dos novos ganhos de produtividade, e distribuído para compensar o desaparecimento de empregos, agora temos de finalmente confrontar a ameaça da total superfluidade. Ao contrário do que sugerem os suspiros estéreis da esquerda, não há rendimentos básicos universais que nos devolvam a substancial insubstituibilidade do ser humano, se esta for irremediavelmente perdida.

As razões desta escalada são muitas, desde a compreensão de que tanto no sentido da existência e na formação da identidade pessoal resulta do trabalho que fazemos, até à subversão dos usos do nosso prestes a ser adquirido lazer. Mas se, na consciência que temos de nós próprios, a máquina e o seu glorioso desenvolvimento nos devolverem uma incomensurável e profunda impressão de superfluidade, então o mundo humano morrerá. Não há outra maneira de dizê-lo.

Seria irónico que o momento histórico em que a Humanidade alcança o que durante séculos e milénios sonhou – não ter de trabalhar para viver e ter o seu corpo resistente contra a grande maioria dos males que o destruíam – coincidisse com uma espécie de gigantesca eutanásia. O momento de inauditas conquistas coincidiria com a derradeira extinção. Quanto mais depressa começarmos a confrontar este grande ponto de interrogação, melhor. Esta urgência não vai esperar, e, ao contrário do SNS, não há planos de emergência que sirvam de remendos.


domingo, 7 de junho de 2026

Observador - Os EUA do lado do Hezbollah? (Rodrigues do Carmo)

 


(sublinhados pessoais)

Os EUA do lado do Hezbollah?

Se os EUA já não protegem os aliados quando os aliados enfrentam os inimigos dos EUA, então quem, exactamente, ainda deve apostar a própria sobrevivência na palavra americana?

Na passada segunda-feira, o Irão esticou a corda. Não  com a delicadeza habitual dos aiatolas, feita de ameaças, chantagens e promessas de apocalipse. Esticou-a de modo ostensivo, suspendendo os contactos indirectos com os EUA, ameaçando alargar a guerra, acenando com estreitos, frentes, mísseis e desgraças variadas, e dizendo que qualquer ataque israelita aos subúrbios de Beirute onde o Hezbollah acoita a direcção política, a musculatura militar e os zeladores iranianos da empresa, seria tratado como violação da trégua em todos os teatros. Em português corrente, se Israel tocar no nosso braço libanês, nós fazemos birra mundial e expelimos mísseis.

Foi um momento definidor porque obrigou os EUA a fazer escolhas e mostrar em que pé estão as coisas.

A situação era clara: ou os EUA aceitavam a chantagem iraniana e pressionavam Israel a suspender a ofensiva contra o Hezbollah, ou ignoravam a ameaça e colocavam Teerão perante a alternativa de recolher as garras ou avançar para a guerra que dizia querer.

A jogada iraniana é, em si, reveladora. Teerão não arriscaria tanto por um ornamento. Se a Guarda Revolucionária decidiu que valia a pena travar as negociações, e ameaçar americanos e israelitas, para  salvar o Hezbollah de uma pancada israelita em Beirute, é porque o grupo terrorista não é um acessório da sua política externa. É uma das suas artérias. É o punhal colocado no pescoço de Israel, a base avançada no Mediterrâneo, um seguro de vida estratégico do regime e a prova material de que o Líbano deixou há muito de ser um Estado soberano para se transformar numa sala arrendada pela “teocracia” militar iraniana.

Perante isto, os EUA cederam.

Segundo os relatos disponíveis, Trump falou com Netanyahu, anunciou contactos indirectos com o Hezbollah por intermediários, e obrigou Israel a suspender uma operação prevista contra Beirute. Traduzido da língua diplomática para a língua dos adultos, a organização terrorista disparou, ameaçou, escondeu-se atrás de civis, invocou o patrão iraniano e recebeu como prémio a protecção americana contra os  israelitas.

É possível que isto seja apenas uma leitura injusta. É possível que Trump tenha na manga um acordo de uma dureza tal que torne tudo compreensível. Um acordo que liquide a questão nuclear, desmonte os mísseis balísticos, seque os proxies, abra Ormuz, reduza o Irão a uma potência regional domesticada e deixe os aiatolas a assinar, com lágrimas nos olhos, uma rendição que nem o general Grant recusaria. Tudo é possível. Também é possível que o monstro do Loch Ness tenha carreira no direito marítimo. O problema é que, até prova em contrário, a hipótese fantástica continua a ser fantástica.

A outra possibilidade, mais prosaica, mais feia e, por isso mesmo, mais provável, é que Trump Allways Chicken Out e quer desesperadamente um acordo. Não necessariamente um bom acordo, mas um acordo. Um objecto político vendável em conferência de imprensa. Um troféu para exibir como “melhor do que o de Obama”, o que, convém reconhecer, não é uma fasquia propriamente alpina. O acordo de Obama era um queijo suíço de buracos, ingenuidades e calendários feitos para agradar aos optimistas profissionais. Mas um mau acordo não se corrige com outro mau acordo acompanhado de foguetes, hipérboles tremendas, bonés MAGA e insultos telefónicos.

É que se  esta segunda hipótese for verdadeira, as consequências são devastadoras.

Para o Irão, será uma vitória estratégica de enormes dimensões, apesar dos danos sofridos. Teerão aprenderá a  lição de que suportar destruição, atacar terceiros, manter objectivos máximos, nunca aceitar  exigências verdadeiramente irrevogáveis e arrastar negociações até que o outro lado prefira chamar paz à fadiga, compensa. Logo, será repetida. A Guarda Revolucionária precisa apenas de convencer Washington de que a continuação da batalha é mais incómoda do que a cedência. Foi assim que muitos impérios começaram a morrer, não por falta de legiões ou porta-aviões, mas por excesso de vontade de não os usar.

Para Israel, a lição é  brutal. O seu inimigo existencial continuará a existir como tal. Os seus mísseis continuarão a ser fabricados. Os seus proxies continuarão a ser alimentados. O Hezbollah continuará a ser reconstruído no Líbano, como o bolor regressa às paredes quando se pinta por cima da humidade. E Israel descobrirá, mais uma vez, que a dependência estratégica de terceiros tem um preço. Um país que nasceu porque os judeus perceberam, tarde e com sangue, que ninguém os salvaria, não pode transformar-se num protectorado sentimental dos EUA. Pode ter aliados. Deve ter aliados. Mas não pode entregar a sua sobrevivência ao calendário emocional de Washington.

Há qualquer coisa de obsceno em ver um aliado que lutou ao lado dos EUA,  que suportou ataques iranianos, que absorveu mísseis, drones e pressão diplomática, ser apunhalado pelas costas no momento em que se prepara para atingir o centro de comando do inimigo. Mais obsceno ainda se os relatos da chamada entre Trump e Netanyahu forem exactos no tom e na substância. Os grandes aliados não precisam de ser tratados com luvas brancas; a política internacional não é um chá de beneficência, mas há uma diferença entre pressão estratégica e humilhação pública, entre conselho duro e a sobranceria de quem confunde liderança com berro.

Para os EUA, o dano pode ser ainda mais profundo. A América não perde a sua posição no mundo apenas quando abandona Cabul em caos, quando deixa aliados pendurados, quando ameaça parceiros europeus, quando trata a Coreia do Sul como inquilina atrasada ou quando transforma Israel em subordinado descartável. Perde-a quando os outros concluem que a garantia americana é uma moeda que se desvaloriza exactamente nos momentos em que devia valer mais. A confiança internacional é feita de memória. E a memória raramente se deixa subornar por adjectivos.

O problema central não é Trump. Seria confortável reduzir isto ao temperamento de um homem, às suas vaidades, às suas cóleras e à sua necessidade de anunciar vitórias antes de as possuir. Mas o problema é maior. A América parece oscilar entre a tentação imperial e a de abandonar o mundo inteiro sem compreender as consequências. Entre o excesso imperial e a deserção, falta-lhe a velha gravitas, a capacidade de definir fins, escolher meios, sustentar aliados e fazer os adversários perceberem que certas linhas existem para não serem pisadas.

Para o Ocidente, a mensagem é gelada. Entramos em tempos de Hobbes com elites de salão. Os lobos estão a regressar: Irão, Rússia, China, proxies, milícias, piratas ideológicos, Estados falhados, Estados predadores, organizações terroristas com departamentos de comunicação e embaixadas oficiosas. E nós respondemos com cimeiras, fórmulas, pedidos de reuniões do Conselho de Segurança, prudências, “desescalada” e o medo de chamar inimigo ao inimigo. O apaziguamento é cobardia mas vem  sempre vestido de sabedoria. Explica que evitou o pior, que ganhou tempo, que salvou vidas, que preservou canais. Depois, mais tarde, quando o pior regressa maior, mais armado e mais insolente, os mesmos explicadores garantem que ninguém podia prever.

Podia. Pode-se quase sempre prever. Quando se recompensa a chantagem, há mais chantagem. Quando se salva um proxy, há mais proxies. Quando se apunhala um aliado no momento em que ele ameaça vencer, há menos aliados confiantes e mais inimigos atentos. Quando a maior potência do mundo se deixa chantagear por uma teocracia que comunica por mísseis e milícias, está a pagar a primeira prestação da próxima guerra.

Eu preferia acreditar que Trump sabe exactamente o que faz. Preferia acreditar que existe um plano secreto, uma armadilha brilhante, uma arquitectura estratégica tão subtil que os seus críticos parecem apenas impacientes. Preferia acreditar que, no fim, aparecerá um acordo magnífico, leonino, verificável, definitivo, capaz de desmontar o nuclear, os mísseis, o Hezbollah, os Houthis, Ormuz e a arrogância iraniana de uma assentada.

Preferia. Mas o cepticismo é a higiene mínima de quem observa a política internacional sem incenso na mão.

O que se viu, até agora, foi que o Irão ameaçou, o Hezbollah ganhou tempo, Israel foi rasteirado e Washington cedeu. Talvez seja génio. Talvez seja cálculo. Em qualquer dos casos, a pergunta que fica não é agradável, mas é inevitável: se os EUA já não protegem os aliados quando os aliados enfrentam os inimigos dos EUA, então quem, exactamente, ainda deve apostar a própria sobrevivência na palavra americana?

A resposta a essa pergunta interessa a todos os que vivem do lado errado dos lobos e ainda acreditam que uma civilização se conserva com promessas.

Não se conserva. Conserva-se com força, vontade, lealdade e memória. Quando faltam as três, a história costuma voltar. E raramente volta para pedir licença.


The Spectator - The Golders Green atrocity is the final straw

 

(personal underlines)

The Golders Green atrocity is the final straw

The aftermath of the attack in the Golders Green area of north London (Getty images)

It is undeniable now: war has been declared on British Jews. A fascistic crusade is being waged against our Jewish compatriots. The anti-Semitic atrocity in Golders Green today is further brutish proof of this unsettling fact. We’ve had firebombings at synagogues, the murder of Jews in Manchester on Yom Kippur, and now this frenzied knifing of Jews in London. There can be no more equivocating – this is a moral emergency.

The scenes from Golders Green are truly grim. Video clips show the suspect wielding his knife with demented fury at two visibly Jewish men. One is reportedly in his 70s, the other in his 30s – both sustained serious injuries, but are reportedly in a stable condition. Their crime? They were out, proud Jews on the streets of London in 2026.

If this doesn’t force a moral reckoning with the state of our nation, nothing will. The pessimist in me is not holding his breath. After all, mere hours after the slaying of two Jews at the Heaton Park Synagogue in Manchester in October, bourgeois mobs were on the streets hollering ‘Globalise the intifada’. Two dead Jews weren’t enough for them, it seems – they wanted more, they wanted the destruction of the Jewish state itself.

Or consider the snivelling silence of progressives as two London synagogues and a Jewish charity were subjected to attempted firebombings over the past fortnight. Self-styled ‘anti-fascists’ were shamefully schtum in the face of those 1930s-style abominations against London’s Jews. Not one ‘progressive’ foot hit the streets of our capital in protest against these fiery assaults on the city’s Jews.

And it was only last month that four Hatzola ambulances were set alight, also in Golders Green. It was Hatzola staff that rushed to the scene of today’s barbarous knifing. Just think about this: bloodied Jews being tended to by volunteer staff who saw their own ambulances incinerated by arsonists just five weeks ago. Is this London? A city where Jews are attacked and the life-saving services that might save them are put to the torch? It is obscene. No Brit of fair conscience can tolerate this.

The most sickening thing about today’s knife pogrom is that it was entirely predictable. Jews knew this was coming. Every Jewish friend of mine has told me they foresee violence against their community. They knew something like Heaton Park was going to happen. They knew their synagogues were at risk of attack. And today’s events, too, will shake them but not shock them. Here’s the question, then: why did we not listen?

The Jewish community has been dismissed time and again by the self-styled progressives of civil society. Jews begged those armies of bourgeois Israelophobes to stop chanting ‘Globalise the intifada’, rightly pointing out that it was a cry for violence against Jews, but they were ignored. They warned that the demonisation of Zionists as genocidal scum would hang a target sign around the necks of Britain’s Jews, most of whom identify as Zionists. Yet they were told to shut up, stop being shrill, stop ‘weaponising anti-Semitism’ to silence ‘criticism of Israel’.

That has been the left’s ruthless response to worried Jews – not sympathy, far less solidarity, but cynicism and berating. They accused Jews of hyping up the anti-Semitism crisis in order to protect their precious Jewish state from criticism. Translation: you are exaggerating the threat you face in the service of your dual loyalty to a faraway demonic entity. This callous dismissal of Jewish fear has been one of the most unseemly, immoral sights of our time.

Worse, it has emboldened the enemies of the Jews. The more that ‘respectable society’ writes off Jews as hyperbolic self-pitiers, as sly silencers of ‘criticism of Israel’, the more it incites their fanatical haters. You’re right, these ‘progressives’ essentially say to violent anti-Semites: Jews are an untrustworthy people whose chief aim is to muzzle your righteous criticism of Israel. This demonisation of Jews by polite society, however unwitting, has been unconscionable. It has endangered our Jewish friends.

Enough is enough. Jews should not have to fight any more for the right to to be free and equal Britons. That is now a task for us non-Jews. It now falls to us to call out the fashionable love for ‘intifada’, the frothing demonisation of the Jewish state, the heartless dismissal of Jewish concerns, and the disgusting silence that followed all those racist atrocities against British Jews and their institutions. Jews in Britain have proven they are good citizens – it now falls to Gentiles in Britain to prove we want them to stay. Who’s in?

Desporto - Sumo (torneio de Maio 2026)

 Wakatakakage won, although there were a lot of withdrawals

















The Spectator - What David Attenborough gets wrong about cats


 

(personal underlines)

What David Attenborough gets wrong about cats

Credit: iStock

Here we go again. Last February I wrote about the latest wave of ‘catphobia’ – my new word, do use it – prompted by a report (more accurately, an anti-cat rant) published by the Scottish Animal Welfare Commission. The report suggested the ‘compulsory containment of cats in vulnerable areas’ and the banning of cats altogether in some new housing developments. A wave of cat hate followed.

For anyone who hasn’t been brainwashed by the anti-cat mafia that dominates the media and public life, I bring bad news. The majority of this anti-cat screed was easy to swat away as the nonsense it was. As for the Scottish Animal Welfare Commission…well, who cares?

But, my fellow cat lovers, we now have a very different and altogether higher-calibre adversary to contend with. I can barely bring myself to report that tonight on BBC1 the latest piece of anti-cat propaganda is to be delivered by…Sir David Attenborough. And it’s not just any old new series of his; it’s one celebrating his 100th birthday. It’s as if the anti-cat mafia has decided it’s time to explode its nuclear weapon. How are we supposed to take on Sir David Attenborough celebrating his centenary?

In the documentary Secret Garden, he argues that the 9.5 million pet cats in Britain kill 55 million birds every year. He suggests – assuming that this is, by definition, a bad thing – that cats wear a bell on their collars as this ‘reduces pet cats’ hunting success by a third’. As it happens, I don’t think it’s an outrageous suggestion; my cat, Louie, wears a bell on his collar, mainly so I can hear where he is. 

But that’s not all. In a recent interview, the series’s producer, Bill Markham, lets rip at cats on the bizarre ground that they are too well looked after. Having so many pet cats is, he says, ‘unfair on the prey’, because ‘they’re being fed every day. There’s no limit on their population. So the normal relationship between predators and prey falls apart.’

I’m struggling to understand the logic. Like most cats, Louie does occasionally bring back a dead bird for me. But it’s very occasional – perhaps once or twice a year. That’s because he doesn’t need to kill to eat. He’s just doing what cats do once in every while for fun. But if I didn’t feed him every day, he would do what cats do because he had to – and kill many more birds. If you’re trying to reduce the number of dead birds, how is making cats more reliant on killing them a good idea?

Markham also says people should keep cats indoors during the avian breeding season in April and May. It’s not too outrageous a suggestion, although if you’ve ever had to contend with a stir-crazy cat for whatever reason – recuperating after an operation, for example – then you’ll know it’s not that straightforward.

My real issue with the series isn’t the specific suggestions put forward. It’s the tone and the approach that we see all the time – that cats are somehow a problem that has to be dealt with. Usually they’re contrasted with dogs – ‘man’s best friend’ in that idiotic phrase, as if they’re loyal and bright while cats are self-centred. 

Anyone who owns a cat (or rather is owned by a cat) will know what rubbish that is. I’ve no interest in being slobbered over by a dog that runs affectionately at anyone. But when I’ve earned a cat’s trust and affection, as with Louie, that’s something I’ll take with me to my grave.

I hesitate to take issue with Sir David Attenborough, but it’s depressing how yet again cats are being portrayed as a problem. Wouldn’t it be wonderful if we just celebrated the joy, the comfort and the calm that cats can bring?

sábado, 6 de junho de 2026

Livros novos - La Tyrannie sportive (Jean - Marie Brohm)

 Ao fim de dois meses de espera, e mesmo assim teve de vir da Irlanda...??





Cartoon - Jim Unger (Herman)

 







Almoço (Turma IST)

Em 05.06.2026 na antiga Casa Marítima com Fernando Freitas, Jacinto, Zé Monteiro, João Cruz, Zé Morgado e Jorge Matos






The Spectator - The British road trip is over

 (personal underlines)

The British road trip is over

The impractical lie of the open road

(Picture: Getty)

You set off on a spring morning, windows down, full of hope. Sunglasses, flasks of tea and a picnic rug are packed. You are ready to experience the freedom of the road, leave your worries in the rear-view mirror, put pedal to the metal (and every other optimistic road trip cliché).

Follow the brown signs to the Pembrokeshire Coast 200, South West 660, Wales Way, Antrim Coast Road or any of the other curated, promoted and hash-tagged routes now crisscrossing the UK. Whether it’s following the signs for the North Coast 500’s Highland circuit, starting in Inverness, or the Atlantic Highway through North Cornwall, thousands of us will head off this year in search of a mythical experience – the one we saw in the drone video of a couple in an open-top car winding between hedgerows.

You plan to potter across pretty Cambridgeshire, for example, marvelling at a panorama of floral verges, flint cottages and pretty churches. But it won’t be long until you arrive at Reality City, UK. That place where a crater suddenly swallows your front offside wheel. You might even plunge into the recent Cambridgeshire pothole filled with naan bread by an enterprising restaurateur — a culinary protest against council neglect (with a good bit of PR thrown in). Or if you’re really lucky, perhaps another Cambridgeshire crater, the one recently decorated with fake legs sticking out from the tarmac, serving as a surreal warning. Yes, really. 

Forget spotting charming buildings and wildflowers, driving is now about zigzagging on roads where any puddle could be hiding a suspension-destroying sink hole, waiting at temporary traffic lights by a tiny pile of earth where no-one seems to be working, or negotiating our draconian speed limits.

The only officially approved acceleration for motorists is now the rapid proliferation of 20mph limits, which only increase noise, fuel use and vehicle wear and tear, with little noticeable benefit. If your road trip takes you through a town you’ll be pleased to discover that a third of the UK’s urban roads now have this infuriating third-gear, 20mph limit that didn’t exist 20 years ago.

So, you find yourself standing next to your bent wheel in sunny Cambridgeshire, holiday punctured, naan bread smeared on your tyres, mannequin limbs poking from pitted tarmac, and you realise: this is the precise opposite of the road trip you imagined. 

Britain now has more than 42,000 speed humps, 8,000 speed cameras (more per mile than any European country) and more than a million potholesA third of UK drivers have reported vehicle damage from potholes, more than a fifth have reported speed bump damage and record numbers (around three million a year) are being caught ‘speeding’, including half a million who were driving under 30mphBritish driving is now about bus lanes, bike lanes, road-narrowing schemes and bollards.

In fact, we currently boast ten million traffic cones. We also now negotiate thousands of temporary traffic lights across the UK at any one time, increasingly deemed necessary for the most minor repairs. And there’s another recent road-speed record to celebrate: 500,000 miles of roadworks undertaken a year across the UK.

Add emission and congestion zones, low-traffic neighbourhood schemes and a stalled road-building programme and Britain has more cars than ever on roads that are worse than ever on every possible metric.

Yet the road trip continues to be promoted with missionary zeal. We have quietly filled our island with curated drives. County loops, heritage highways and coastal cruises are sold as open-road discovery. They are cheap to create and photogenic to market. It’s tourism without infrastructure. You can traverse the country entirely by branded loop, drifting from one logo to the next.

I say this with some professional guilt. I spent years devising, driving and promoting road trips. One assignment involved breaking the world record for visiting the most countries by car in a single day – 12, if you’re interested – and I researched, created, wrote and mapped the route for the South West 660. I have driven LeJog (twice), the new SWC 300 in Galloway and the beautiful Mourne Coastal Route. I’ve written books and articles celebrating the open road. 

Both travel insurance company ABTA and Booking.com report a global surge in self-drive holidays, part of a post-pandemic lust for independence and space. Iceland ring-road and Australian outback routes star in many 2026 brochures. This summer’s 100th anniversary of America’s Route 66 promises roadside celebrations and floods of tourists. While the US markets classic open highways, Britain adds more humps and 20mph zones. It’s the endless highway versus the endless roadworks.

Other countries still frame driving as a normal mode of mobility rather than a behaviour to be discouraged. Here humps, chicanes and pinch-points physically throttle roads once driven fluidly. The scenic drive has become a sequence of forced braking, its rhythm broken by design.

While tourism bodies promise open-road discovery, transport policy multiplies constraints and tolerates decay. The road trip survives vividly in the imagination — but it is an increasingly disappointing reality. 

Observador - Lucrar em vez de delirar contra os EUA (Pedro Caetano)

 



(sublinhados pessoais, intransmissíveis e deliciosos!)

Lucrar em vez de delirar contra os EUA

Trump pode ter sido o disruptor desagradável, mas necessário para travar a deriva despesista esquerdista europeia, mas Rubio pode vir a ser o arquiteto do Ocidente revigorado.

De Boston, onde residimos, observamos com uma mistura de perplexidade e satisfação financeira o abismo que separa a retórica dos comentadores portugueses da realidade imparável da economia americana. Para o investidor atento, o prognóstico é simples: cada vez que em Lisboa ou Bruxelas se profetiza o “fim da América” é mais uma oportunidade para reforçar a carteira bolsista americana!  Para quem como nós investe na realidade e verdade, a ficção e falsidade dos comentadores aí contra os EUA são uma dadiva que agradecemos.  Não só nos rimos dos delírios contra os EUA em praticamente todas as TVs e jornais lusos, como ainda por cima lucramos com tal ignorância coletivaChegamos a ver painéis em Portugal de 4 comentadores a ascenderem, num turbilhão conjunto, para um espaço louco hiperbólico, cada vez mais distante da realidade, como afirmarem que Gengis Khan anda à solta aqui nos EUA Não há um único entre eles que realmente viva nos EUA reais para os chamar à terra e sanidade. O contraditório é proibido.  Assim, para quem investe, tais comentadores são analistas ou corretores bolsistas gratuitos e uteis… se fizermos exatamente o contrário do que nos dizem.

Cada vez que na europa se profetiza o apocalipse americano, a NASDAQ (bolsa tecnológica americana) entra em promoção com saldos curtos (de poucos dias a um mês) de cerca de 10% de queda geral. Isto para logo depois subir a pique dada a realidade americana de liderança astronómica na inovação tecnológica.  Sumarizamos infra o padrão de quedas temporárias recentes ligadas ao pessimismo e maledicência europeia contra a América. Estas serviram de excelente ponto de entrada ideal para comprar ainda mais ações americanas.

O delírio europeu antiamericano versus a realidade bolsista americana:

Outubro de 2024: “Se os Republicanos forem eleitos será o fim da economia.” Só no dia a seguir às eleições presidências a NASDAQ subiu 3%. Desde aí cresceu 44%.

Janeiro de 2025: “O DeepSeek chinês é o fim da IA americana.”  Durante um dia ou dois as ações de companhias tecnologias líderes como a Nvidia estiveram em saldos de quase 20%. Desde aí a NASDAQ valorizou-se 37%.
Março de 2025: “As tarifas vão destruir Wall Street e a economia mundial.” Foi um mês de saldo para as ações, mas desde aí a NASDAQ aumentou 30%.

Outubro 2025: “A bolha da IA americana vai rebentar porque eles gastam muito em centros de dados” Desde aí até agora a NASDAQ ganhou 18%.

Março de 2026: “Os EUA estão a ser humilhados pelo Irão.” Só em abril essa “humilhação” rendeu 8% para quem comprou ações nos saldos de março.

Em cada um destes momentos de pânico televisivo europeu hiperbolizado em Portugal, comprámos ações americanas. Esperemos que 2027 traga um terceiro março consecutivo de saldos na bolsa a seguir a disparates europeus sobre os EUA.   Enquanto alegados intelectuais europeus discutiam a “decadência americana”, aqui acumulávamos bons retornos em simples índices NASDAQ e ganhos enormes até 1.000% (os famosos ten-baggers) nas ações das empresas que constroem o futuro tecnológico americano ligado à Inteligência Artificial: desde a ARM que faz chips com baixo consumo de energia, ou a Broadcom que faz a ligação entre chips, passando pela Lumentum ou Coherent que fazem a condução dos dados em fibra ótica, até à Vertiv e Confort systems que fazem ar condicionado refrigerado para os centros de dados de IA.

É que ao contrário dos ignorantes delirantes aí, nós aqui testemunhamos uma imparável inovação tecnológica e pujança empreendedora desde a acima referida inteligência artificial à maravilhosa biotecnologia que luta contra doenças neurodegenerativas, entre tantas outras áreas. Enquanto em Portugal se enchem as páginas dos jornais com insultos contra os EUA aqui em Boston vimos a Summit Therapeutics ou a Akero, por exemplo, a criarem mais riqueza num semestre de iniciativa privada americana do que décadas de subsídios europeus em Portugal. Aqui o mercado premeia novos tratamentos para o cancro do pulmão, não a submissão de mais um formulário fiscal para mais uma taxa ou subsídio. Vivemos aqui numa sociedade ocidental capitalista e de livre mercado geradora de excelentes companhias que promovem o bem público e respetivos empregos individuais bem pagos.  Segundo dados recentes do FMI, o americano medio ganha o dobro anual do europeu medio e quase o triplo do português medio; cerca de 80 mil euros, 40 mil euros e 30 mil euros, respetivamente.

Além disso há uma prosperidade geral através das contas de poupança e reforma ligadas à espantosa bolsa americana. Tudo isto aumenta ainda mais a divergência de riqueza entre americanos e europeus. Não admira que sejam os americanos, quando se reformam, muitas vezes bastante mais cedo que os portugueses (vide o movimento FIRE), a comprarem as melhores casas em Portugal. A justiça social mora cada vez mais nos EUA e cada vez menos na Europa cheia só de conversa social, mas com a pobreza cada vez mais alastrada e salários nivelados por baixo.

O segredo da maior prosperidade social americana é simples: a inovação tecnológica não quer saber da regulação asfixiante de uma Europa socialista e híper-taxadora. No mercado livre, o mérito e o esforço ditam as regras. Na bolsa americana a pujança continua imparável, esta semana foi a oferta publica de ações da Cerebras que fabrica o maior chip do mundo e em breve virão também os IPOs titânicos das ainda privadas OpenAI do ChatGPT, Anthropic do Claude e SpaceX.

A américa tem um futuro fantástico pela frente que a europa também pode ter se parar para refletir e aprender em vez de só, com uma arrogância ignorante e inexplicável, criticar. Seria, portanto, útil que em vez de só criticarem os EUA, os nossos comentadores parassem para refletirem no quão iludidos estão ou no quanto nos querem iludir e empobrecer ainda mais.

A degeneração económica da Europa socialista em relação à américa capitalista é assustadora. Os americanos podem não ter um líder ideal, mas livraram-se do “Costismo-Sanchismo” globalista socialista miserabilista wokista europeu encarnado por Kamala Harris nos EUA. Viram os resultados cada vez mais desastrosos de tais políticas desde Portugal e Espanha à Venezuela e Cuba, passando pela degeneração aterradora de cidades inglesas ou americanas outrora fantásticas como Manchester, Birmingham, LA, San Francisco, Seattle, Portland, Chicago, ou Minneapolis que caíram na mão de tais camaradas esquerdistas. Esperemos que o mesmo não aconteça a Londres e Nova Iorque que também já entraram em processo de degeneração socialista extremada à esquerda.

Felizmente para o mundo e para os investidores, na America o futuro líder é fantástico. Chama-se Marco Rubio, talvez venha a ser o líder perfeito.  Rubio é de centro-direita pois os pais, fugidos de cuba para os EUA onde ele nasceu, explicaram-lhe a miséria resultante dos contos de fadas comunistas esquerdistas.  Se Trump é um martelo pneumático, Rubio é uma luva de veludo. Rubio diz as mesmas verdades necessárias de os europeus ouvirem, mas com a sofisticação de quem compreende a geopolítica e diplomacia. A mensagem de Rubio para a Europa é simples e de “amor duro”:

Invistam na vossa própria defesa em vez de passarem a fatura aos contribuintes dos EUA.

Adotem uma política energética que sirva a economia e as pessoas e não só a ideologia.

Desçam os impostos e a regulação para permitir que a inovação tecnológica floresça.

Protejam as fronteiras para preservar a cultura ocidental e a sustentabilidade do Estado Social.

Rubio, com background hispânico, tem o potencial único de unir o eixo EUA-Europa-América do Sul sob uma liderança forte e orgulhosa da nossa tradição comum judaico-cristã e iluminista. Se Rubio conseguir reensinar a Europa a ser ambiciosa, mercantilista e livre de complexos woke, o Ocidente poderá voltar a caminhar unido, voltando a ser um excelente exemplo de liderança para o mundo.

Um dia podemos ouvir Rubio discursar na Alemanha contra os socialistas globalistas, como Reagan discursou contra os socialistas comunistas, a dizer a Friedrich Merz ou a Ursula von der Leyen (com o poucochinho Costa que escancarou as fronteiras e economia portuguesas a ter de ouvir):   “Deitem abaixo o muro que ergueram entre a Europa e os EUA. Acabem com o Abismo tecnológico e de poder de compra entre a Europa e os EUA. Parem com o suicídio económico e cultural.Trump pode ter sido o disruptor desagradável, mas necessário para travar a deriva despesista esquerdista europeia, mas Rubio pode vir a ser o arquiteto do Ocidente revigorado. Até lá, continuaremos a aproveitar os “saldos” em ações que as picardias e profecias europeias de desastre americanos nos proporcionam. Enquanto a Europa delira, nós lucramos. Ou seja, continuaremos a fazer o que os factos nos indicam: ignorar o ruído europeu e português e reforçar as posições bolsistas no país do mundo ocidental que ainda sabe o que é prosperar: EUA.


YOUTUBE - Deus, vaidade e morte: conversa de Karnal com uma IA (Leandro Karnal)

 A caminho do muro... (LBC)



Deus, vaidade e morte: conversa de Karnal com uma IA


quarta-feira, 3 de junho de 2026

Observador - A grande substituição (João Pedro Marques)

 


(sublinhados pessoais)

A grande substituição

Esta é a substituição da verdade histórica por uma narrativa pseudo-histórica que legitima as aspirações e metas políticas dos povos de outros continentes, em particular os de África.

Sim, eu sei que a expressão “grande substituição” se aplica usualmente à ideia de ultrapassagem demográfica das populações brancas, as tradicionais ocupantes da Europa, por vagas de pessoas vindas de outros continentes, gente que por via da imigração descontrolada e da subsequente alta taxa de reprodução biológica, poderá, segundo a antevisão, vir a sobrepor-se às populações que cá estão e a dominá-las. Mas eu aqui uso a expressão com outro significado, o da substituição da verdade histórica por uma narrativa pseudo-histórica que legitima as aspirações e metas políticas dos povos de outros continentes, em particular os de África.

Quando, no passado dia 25 de Março, a Assembleia Geral da ONU aprovou a aberrante proposta do Gana que caracterizou o tráfico transatlântico de escravos e a escravidão de africanos nas cidades, minas e plantações nas Américas como “o mais grave crime contra a humanidade”, e exigiu aos países ocidentais que nele se envolveram o pagamento de reparações, muita gente na Europa veio dar conta da sua oposição a essa aprovação e tentou demonstrar o mal fundado, tanto histórica como jurídica e logicamente falando, da referida proposta. Também em Portugal isso se verificou. Miguel Morgado, por exemplo, apontou com grande clareza a hipocrisia de tudo aquilo e criticou duramente a cobardia, ignorância e desorientação de uma Europa — Portugal incluído — que se absteve perante tão aberrante proposta. Eu também o fiz, primeiro preventivamente, antes da votação da proposta, e depois após a sua aprovação. Poderia ter escrito um terceiro artigo para apontar o dedo à desfaçatez da Rússia e dos países árabes, grandes traficantes e/ou utilizadores de trabalho escravo, que agora votaram a favor da exclusiva penalização da Europa, ou para apontá-lo com ainda maior veemência à hipocrisia do Gana, o patrocinador ou porta-voz desta aberração, e de outros países africanos que foram grandes actores do tráfico transatlântico de escravos, com o qual lucraram, e que agora vieram exigir ser ressarcidos, como se tivessem um passado angélico e impoluto nessa matéria. Mais. Poderia apontá-lo igualmente à falsidade ou duplicidade do governo de Angola, que após ter prometido, pela voz do seu Presidente da República, que nunca exigiria a Portugal o pagamento de reparações, apareceu agora, como membro da União Africana, a exigi-las. E não me esqueceria certamente de apontar também o meu dedo aos embaixadores europeus na ONU que em vez de se sentirem orgulhosos por representarem países que se tinham empenhado em pôr fim ao tráfico transatlântico de escravos, surgiam agora cabisbaixos, compungidos e encolhidos. De facto, como é possível que os países europeus — nomeadamente o Reino Unido —, não obstante reconhecerem e reafirmarem a impossibilidade e o erro de estabelecer uma hierarquia entre atrocidades históricas, e sublinharem que não há qualquer dever de reparação por acções de agentes históricos que não eram ilegais na época em que aconteceram, ainda assim se tenham abstido em vez de votarem frontalmente contra?

Porém, tudo isso seria inútil, um trabalho baldado, porque nada nesta tendência culpabilizadora e reparacionista é permeável à luz dos factos e dos argumentos. O que está aqui em jogo não é a lógica nem a verdade, mas sim a vontade política de mais uma vez relançar a esperança e ajudar os países de África a vencer os seus problemas internos como a pobreza, a saúde pública, a corrupção das elites, o atraso no desenvolvimento, etc. Houve, no final do século XVIII e primeira metade do século XIX, a convicção de que, terminado o tráfico transatlântico de escravos, a África se desenvolveria rapidamente e os europeus, com destaque para os britânicos, empenharam-se fortemente nisso, mas o desenvolvimento não arrancou como imaginado. Houve, depois, um reavivar dessa esperança com o fim do colonialismo e o movimento das independências, mas muitos dos novos países ficaram na mão de elites parasitárias e corruptas. Há agora, patrocinado pela ONU, um terceiro renascer da esperança e o desejo de canalizar, por intermédio das ditas reparações, mais fundos para os países africanos e caribenhos.

O problema é que a África e as Caraíbas não querem aparecer como entidades ajudadas, mas sim compensadas ou ressarcidas. Não querem actos de auxílio, de boa vontade ou beneficência, mas sim de reparação ou indemnização. Querem algo a que teriam supostamente direito, e para isso, para o justificar, precisam de forjar uma história em que surjam como indiscutíveis vítimas de um indiscutível algoz: a Europa colonial. Os dirigentes e ideólogos dos países africanos e caribenhos criaram esse bode expiatório para arcar com os males e culpas de todos os outros, e o que mais indigna é que ele caminhe voluntariamente para a imolação. Pior. Esse bode expiatório — a França, o Reino Unido, Portugal, etc. — produz ele mesmo, ou apoia paternalmente, os historiadores que operam uma sistemática cirurgia plástica dessa realidade a que chamamos passado, e forjam a narrativa que o vai condenar. Essas pessoas estão a falsificar a História, a substituir uma narrativa equilibrada — em História o equilíbrio é absolutamente fundamental —, alicerçada em documentos, por outra estribada em fantasias, mitos, omissões e apagamentos, e estão a fazê-lo com a anuência ou complacência dos poderes políticos ocidentais, que depois se encarregam de transpor essa narrativa falsificada, martelada, mutilada, para o ensino básico e secundário.

O processo de falsificação é relativamente simples. Há desde logo uma falsificação involuntária que radica na ignorância e nas confusões de alguns dos historiadores, assunto a que voltarei num próximo artigo. O processo passa também, mais frequente e astuciosamente, pelo apagamento propositado. Enquanto a historiografia séria e imparcial procura alargar o leque e a visão das coisas, para estudar e compreender a escravatura como fenómeno de quase todas as épocas e de quase todas as regiões terrestres — vejam-se, por exemplo, os vários volumes de The Cambridge World History of Slavery —, os historiadores revisionistas e reparacionistas restringem a escravatura ao tráfico transatlântico de escravos e às colónias criadas pelos europeus nas Américas no período que vai de meados do século XV a finais do século XIX. Apagam ou ignoram tudo o resto, mesmo o que diz respeito a África, como sejam a escravatura intra-africana e o comércio negreiro levado a cabo por árabes e outros muçulmanos, que, como é bem sabido, remonta ao século VII e que terá sido responsável pela captura, venda e transporte de 5,6 milhões de pessoas negras ainda antes de os navegadores portugueses terem chegado ao Golfo da Guiné.

Outro método de falsificação é o da imaginação criativa com vista a diminuir a dimensão humanitária e moral positiva do Ocidente. Vou dar um exemplo. Sabemos que a escravatura — toda ela, não apenas a que fluía através do Atlântico — terminou em consequência do grande movimento abolicionista surgido no último terço do século XVIII e que foi liderado pelos povos ocidentais, nomeadamente pelos britânicos. A importância desse movimento e dos seus principais impulsionadores (Wilberforce, Clarkson, etc.) não oferece contestação, nem mesmo por parte daqueles antigos historiadores de origem africana — como Eric Williams, por exemplo — que queriam minorar o peso da ideologia para fazer sobressair o do interesse económico. Mas os actuais historiadores revisionistas que defendem a ideia de reparação contam-nos outra história. Um deles, José Lingna Nafafé, sobre o qual já escrevi e voltarei certamente a escrever, quer fazer-nos crer que houve um movimento abolicionista africano (sic) anterior ao dos séculos XVIII-XIX. Nessa visão revisionista da História o abolicionismo teria, portanto, nascido em África. Outros, mais numerosos, tentaram e tentam vender a ideia de que a escravatura acabou não por iniciativa e esforço dos abolicionistas ocidentais, mas por acção dos próprios escravos que se revoltaram e lhe teriam posto fim. Ainda há dias pudemos ler, no Público, uma historiadora brasileira a difundir essa tese.

Trata-se de uma tese com pouco ou nenhum fundamento, que combato há 20 anos, tanto aqui como no estrangeiro. Mas estou a remar contra a maré porque muitas pessoas não querem ouvir nem pensar. Sim, é verdade que os melhores historiadores (David B. Davis, Seymour Drescher, etc.) concordam comigo, mas são pessoas nascidas nas décadas de 1920-40, alguns deles já cá não estão, outros estão retirados, e infelizmente há agora um batalhão de novos historiadores ao serviço desse revisionismo e apostados em alcançar e promover a meta das reparações. São eles, e os poderes académicos e políticos que lhes dão cobertura e acolhimento, que têm vindo a forjar uma História falsa, porque descaradamente amputada ou desequilibrada, e a fabricar a grande substituição da narrativa — e de um suposto saber — na qual as futuras gerações irão acreditar, e as desejadas e já tacitamente aceites reparações monetárias e outras se irão estribar.