quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Observador - PISA 2025 ou o incómodo da avaliação comparada em educação (Luís Valadares Tavares)

 


(sublinhados pessoais)

PISA 2025 ou o incómodo da avaliação comparada em educação

Não serão os políticos que optem pelas comparações com os piores que irão contribuir com mais ambição para o desenvolvimento de Portugal.

1 A esquerda e o receio das comparações

Após o 25 de Abril-e tal como seria previsível tendo em conta a herança do regime anterior- correntes ideológicas diversas mas geralmente próximas de partidos políticos mais à esquerda têm tido grande influência no nosso setor da Educação incluindo opções que muito se afastam dos ideários marxistas, designadamente na gosto em reduzir exigências, eliminar exames, etc tal como aconteceu entre nós entre 2015 e 2023. Com efeito, estas opções poderão relacionar-se com ideários anarquistas mas não com os princípios e práticas dos regimes que mais se aproximaram dos movimentos comunistas, tal como eu próprio testemunhei na Polónia de Jaruzelski na década de 80 quando participei em atividades como convidado da Universidade de Poznan: nem a tolerância do quarto de hora académico era aceite! Todavia, entre nós, tais correntes continuam a lutar pela ausência de exames e de comparações de resultados educativos com argumentos variados, designadamente que tais comparações prejudicam os mais desfavorecidos e que geram processos escolares  apenas orientados para obter boa nota nos exames.

2 O Education at Glance, o PISA e o incómodo das comparações

Em 1990, era o autor Diretor Geral do Planeamento Educativo e Vice-Presidente do Comité de Educação da OCDE, quando se assumiu consciência da urgência de desenvolver análises objetivas que premitissem estabelecer comparações credíveis entre sistemas educativos dos Estados membros e dos resultados obtidos tendo assim nascido em 1992 o primeiro relatório do Education at Glance o qual haveria de evoluir para o projeto PISA a partir de 2000. Tal como seria previsível, nos nossos meios educativos surgiu forte oposição à participação de Portugal mas, felizmente, a minha proposta vingou e Portugal passou a participar desde o início. Aliás, movimentos semelhantes oposeram-se à divulgação de rankings no Ensino Secundário e só a conjugação de esforços da sociedade civil, onde se devem destacar os de jornalistas como o atual Diretor do Observador,continuaríamos a conhecer os rankings de outros países mas não o nosso.

Todavia, o incómodo evidente com que é recebido por muitos o relatório do PISA de 2025 confirma que os receios de 1992 perduram no nosso mapa educativo buscando argumentos visando mostrar que existem outros priores do que nós ou que também pioraram entre 2015 e 2025.

Para contrariar tal desinformação apresentam-se neste breve artigo três reflexões  que se retiram das muitas centenas de importantes análises e conclusões do citado relatório.

3 A falácia de que tudo piorou

A referida cultura de desvalorização dos resultados obtidos costuma encontrar outros casos de insucesso para assim atenuar os nossos fracos resultados e neste caso comenta-se que nós piorámos entre 2015 e 2025 mas  a média dos resultados da OCDE também baixou. Note-se que se deve usar a média da OCDE com cautela pois inclui países com níveis de desenvolvimento muito díspares, tais como a Colômbia, a Tailândia ou o Chile. Ora, é verdade que houve tal redução mas importa comparar com a de Portugal:

Resultados            Ciências                                  Literacia                                   Matemática

Ano                        2025-2015                                2025-2015                                 2025-2015

OCDE                   482-489=-7                             461-489=-28                              463-485=-22

PORTUGAL         482-501= -19                         462-498= -36                             460-492= -32

Confirmando-se assim que os agravamentos para Portugal são bem superiores aos da média da OCDE.

4 Que diversidade dos resultados em função das culturas educativas

Os paradigmas, os modelos e os sistemas educativos variam fortemente com os países pois radicam-se e são expressão das suas culturas e políticas públicas. O relatório PISA ilustra esta diversidade melhor do que qualquer outro estudo  pelo que  é interessante caracterizar alguns clusters de países que podem ser mais significativos para Portugal e que exemplificam culturas educativas bem distintas. Assim, consideraram-se os grupos, Latino (Espanha, França e Portugal); Nórdico (Suécia, Dinamarca e Finlândia), Anglo-Saxónico( Reino Unido e Irlanda); Asiático (Coreia do Sul, Macau, Hong/Kong, Japão, Singapura e Taipé) apresentando-se no quadro seguinte os resultados médios para cada grupo:

Resultados médios          Ciências                         Literacia                     Matemática    Média

1-Grupo Latino                 480                                    456                               466                  467

2-Grupo Nórdico              489                                    467                               468                  474

3-Grupo Anglo-Saxónico 506                                    497                               484                  496

4-Grupo Asiático               534                                    505                               538                   526

Como se sabe, a cultura nórdica é rigorosa e pragmática,a anglo-saxónica é exigente e muito orientada para os desempenhos e a asiática é extremamente exigente até para a avaliação dos docentes e acredita-se que a educação é o bem mais precioso que se pode cultivar. Os resultados são bem claros pois todos suplantam os do primeiro grupo, e, mesmo no seio da Europa, o 3º grupo distancia-se cerca de 30 pontos do primeiro. No que respeita a evolução entre 2025 e 2025 o grupo que apresenta melhores variações é o asiático onde até existem casos como Macau, Taipé e Singapura que apresentaram melhorias significativas.

5 Quantos alunos atingem o nível 2 de competência?

Dos  numeroso indicadores apresentados, talvez este seja um dos mais importantes: A percentagem de alunos  na faixa dos 15 anos que não consegue atingir o nível 2 de competência. Segundo a OCDE, o nível 2 é o “nível mínimo de proficiência (a chamada “linha de base”) que a OCDE considera essencial para que um jovem de 15 anos consiga participar plenamente e de forma eficaz na sociedade contemporânea, no mercado de trabalho e em estudos futuros”. Ora é muito preocupante  referir que em Portugal no ano de 2015 esta percentagem era de 24% e agora em 2025 é de 35%, ou seja cerca de 1/3 não têm condições para se integrarem na sociedade atual.

6 Que fazer?

Qualquer análise independente e objetiva permite concluir que importa identificar as principais causas do agravamento dos resultados e seguir os exemplos daqueles que nos ultrapassam pois os nossos jovens não têm menores capacidades ou motivação do que os desses países mas importará, em especial, não nos nivelarmos por baixo. Com efeito, não serão os políticos que optem pelas comparações com os piores que irão contribuir com mais ambição para o desenvolvimento de Portugal.


The Spectator - ‘We pretend to teach, they pretend to learn’: the reality of lecturing Chinese students

 


(personal highlights)

‘We pretend to teach, they pretend to learn’: the reality of lecturing Chinese students

Shanghaiing, the practice of drugging and kidnapping men on the US West Coast for service on ships bound for China, was made a federal offence in 1915, but every summer the university where I teach draws reverse inspiration from it when the Dean flies to China to round up students. Though it’s unlikely that he cruises the teen hangouts of Yichang or Xingtai, slipping laudanum into school leavers’ bubble teas, the demand for Chinese freshers is such that the use of press gangs by British universities would be neither unexpected nor much out of character.

More than one in 20 students in Britain are Chinese. They contribute billions to the UK economy annually and without them several universities would go bankrupt and most would struggle. The real earners are MAs, with fees of more than £30,000 for some one-year courses. University administrators secretly wish that all students were Chinese and on MA courses. Chinese students pay punctually, rarely complain and generally seem to go along with the ‘we pretend to teach and they pretend to learn’ model that is favoured by university management.

Chinese students are much like any others. Most are lively, cheerful and surprisingly funny, knowing about their own society and its discontents, while also sometimes being very acute about their hosts. But the language and cultural differences are wide, many vastly exaggerate their ability to speak and understand English, and there is little incentive to learn.

Outside of teaching, there is no real need to speak more than a few words of English. The city where I teach has Chinese restaurants, supermarkets, hairdressers, student accommodation and more. Translation apps fill the gaps. It’s not the students’ fault, but it results in trying to teach people who often don’t understand at least 80 per cent of what they’re hearing.

It’s probably lucky that I teach filmmaking. Until boredom can kill, unleashing a few more incompetent filmmakers on the world will not have life or death consequences. But sometimes I wonder about courses like medicine or nuclear engineering.

In filmmaking, seminars begin with me working out which student speaks the best English. I then deliver the key information to them and they explain to the others, or so I hope. They could be saying anything: ‘Just keep nodding and smiling at the stupid Englishman, tonight we film the air base.’ In truth, the topics of their films suggest most are very lukewarm supporters of the Chinese system. Corruption and the CCP manipulating everything from education through to jobs and housing are frequent topics for scripts, in spite of writers knowing that some of their colleagues are probably party informants.

The scripts are almost invariably written in Mandarin and then run through a translation app, but they give a better idea of the concept than the excruciating verbal pitches students are forced to do. There are many films about relationships, though mainly intergenerational ones. While British student filmmakers massacre fictional parents in car crashes and then write about themselves, Chinese parents and grandparents are all too present and demanding. There are always scenes involving food. Sex is rare, and what sex there is leans towards coming out but is occasionally deeply bizarre. I once had to explain to a student with almost no English why he could not film a scene where a child was abused by a man dressed as a sheep. Luckily, miming handcuffs instantly bridges cultural gaps.

Mime, sign language and Google Translate are essential – John Woo DVDs with Mandarin dialogue and English subtitles are there when all else fails. Some teaching is done but only for a minority, and every now and then a great script results. There are other compensations. The miscommunication and typos can be very funny: ‘Alarm sounds, Mary wake from sleep suddenly. She gasp for breath. She reaches for nearby cock.’

Assessment is designed to flatter, deceive and recruit. Reports that Chinese students refer to UK courses as ‘easy in, easy out’ are not unexpected. It is very difficult to fail. Grade inflation is rampant and both plagiarism and use of AI are largely overlooked. Ironically, plagiarism is becoming less of a problem because AI cheats more effectively. It is still easy to spot as monoglot students suddenly write perfect English, but challenging it means an academic misconduct case, which takes time and effort and might not succeed. What if the lawyers get involved – and if you feel that strongly why don’t you just knock 10 per cent off their final mark?

University authorities know all this but are trapped by finance. In David Lodge’s Nice Work, Vic Wilcox, a businessman, warns the university that you can’t play at capitalism; but the universities don’t listen and now market logic has them in thrall. If they enforced realistic grading, paper exams and expulsions for use of AI, students would go to universities that didn’t. What we are really selling is the remnants of our national integrity. At times you feel like some corrupt imperial functionary handing out colonial sinecures in return for bribes: this certificate bears His Majesty’s head. BACs or cheque?

There is little chance of change. Chinese students may be difficult to teach and losing their illusions about the value of British qualifications, but there is no substitute. Our future demographics are terrifying and universities collapsing would bring down towns and cities with them, so academics will continue to be censored, security guards set on campaigners for Chinese democracy and blatant cheating ignored. Our universities are addicted to Chinese students and – like most junkies – can’t even begin to think of life without the hit. It has taken almost 200 years, but the gods are just and the Opium Wars have come back to bite us.

Cartoons - Larson








 

Observador - Que falta faz um Pinheiro de Azevedo! (João Pedro Marques)

 


(sublinhados pessoais)

Que falta faz um Pinheiro de Azevedo!

De toda a evidência, os actuais governantes na Europa Ocidental, portugueses incluídos enfiaram até às orelhas a carapuça da irredimível e exclusiva culpa do homem branco

Uma delegação de países das Caraíbas, liderada pela ministra da Cultura da Jamaica, foi recentemente ao Palácio de Buckingham entregar uma petição com o objectivo de levar os britânicos a pagar reparações pelo antigo tráfico transatlântico de escravos. Mais especificamente, os peticionários querem que o Privy Council, isto é, o Conselho Privado do Rei, emita um parecer afirmando que a escravidão era ilegal segundo a lei britânica desse tempo, parecer esse que, a ser emitido, exporia o Reino Unido a uma mais do que provável futura litigância nos tribunais e torná-lo-ia responsável pelo pagamento de reparações.

Alguns dias antes o Guardian tinha noticiado que o Comité para a Eliminação da Discriminação Racial, um desses ninhos de wokismo que medram na (e à sombra da) ONU, viera defender a tese de que os estados europeus estariam obrigados a fazer reparações pelo tráfico de escravos, não porque essa prática fosse ilegal na altura em que foi praticada ou por outras razões históricas, mas por motivos jurídicos indirectos, isto é, por terem sido signatários de uma Convenção de 1965 que os obriga a combater todas as formas de discriminação racial — o que, por portas travessas, nas cabecinhas dos membros do dito comité, iria retroactivamente desembocar no antigo tráfico de escravos. Entre as várias formas de reparação que o comité preconiza, estaria, como o Telegraph realçou, a obrigatoriedade de erigir estátuas e monumentos a personalidades negras.

Esta tese do dito comité diverge da tese defendida pela delegação vinda das Caraíbas e suscita muitas objecções que deixarei para outro momento. O que aqui quero sublinhar é que estas reivindicações e teses sucessivas, total ou parcialmente contraditórias ou divergentes, não devem espantar-nos pois os activistas dentro e fora da ONU recorrem a todos os estratagemas e argumentos possíveis, defendendo ao mesmo tempo isto e aquilo, uma coisa e o seu contrário, para tentarem fazer vingar a obrigatoriedade de reparações. Andamos nisto há 25 anos, desde a Conferência de Durban, em 2001, época em que publiquei o meu primeiro artigo sobre o assunto, no Público. Nestes 25 anos, perante as pressões muito diversificadas dos activistas, os governos europeus têm-se encolhido, fingindo-se de mortos, tentando passar entre os pingos da chuva, procurando ser politicamente correctos, convencidos de que essa será a boa receita e de que, com o passar dos anos, os reivindicantes se cansarão e desistirão de reivindicar — o que, por este caminho e como é óbvio, não irá acontecer.

O que espanta é que até agora nenhum governante europeu tenha mandado esta tropa fandanga dar uma volta com todas as letras e que, com a excepção que referirei no fim, não haja nas altas esferas governamentais quem reaja face aos comités bem-pensantes, reparacionistas e woke até aos ossos que pululam na ONU e fora dela, com a frontalidade do saudoso Pinheiro de Azevedo, que aqui recordo para quem, sendo mais jovem do que eu, nunca o tenha ouvido e visto em acção. Parafraseando o valente almirante, e adaptando as suas declarações de Novembro de 1975 ao problema em questão, o que o nosso governo devia dizer era qualquer coisa deste género: “Os comités da ONU não interessam coisa nenhuma, os das Caraíbas idem e o engenheiro Guterres também não. Querem fiado vão ao Totta, e eu agora vou almoçar”.

Infelizmente, a Europa Ocidental está governada por pessoas timoratas com vergonha da sua sombra e da sua história, que, na ONU, como diz um amigo meu, “engolem as patranhas todas que sejam apresentadas por africanos e/ou islâmicos”. Ainda há dias o vimos no seu voto favorável à substituição do mapa Mercator pelo Equal Earth, mais uma bizarria ideológica porque o Mercator não foi feito para menorizar África e os africanos, mas sim para, planificando a esfera terrestre, facilitar a vida aos navegantes. Fazem falta governantes europeus que digam claramente, preto no branco, aos países africanos e caribenhos, e aos juristas que os representam e acicatam, que não há qualquer fundamento moral, histórico ou, suponho eu, jurídico, para pagar reparações pelo tráfico transatlântico de escravos (nem, aliás, por quaisquer outros dos vários que houve no já muito distante passado). Carecemos de governantes europeus capazes de dizer diariamente à gente woke que nos fala nesse tráfico de escravos e aponta um dedo acusatório aos estados europeus que nele estiveram envolvidos — a Dinamarca, o Reino Unido, Portugal, França, os Países Baixos e a Espanha — que são pessoas intelectualmente desonestas, muito vesgas ou muito esquecidas, porque os estados africanos — os reinos do Congo, do Daomé, da Lunda e muitos outros — também participaram activamente no dito tráfico e se, por hipótese absurda, houvesse reparações a fazer, também eles, que escravizavam e vendiam os povos vizinhos, deveriam ser chamados a fazê-las. E outro tanto se diga relativamente a vários outros estados, nomeadamente os árabes.

É absolutamente repugnante esta moda woke de responsabilização exclusiva do homem branco por todas as violências e atrocidades da História, ao mesmo tempo que, com uma borracha gigante, se apagam as violências e atrocidades dos outros, sejam eles asiáticos, africanos ou os povos da América pré-colombiana. É intolerável que se culpem os europeus na errada convicção de terem sido apenas eles a engendrar sistemas opressivos, como se os outros povos, nomeadamente os africanos dos séculos XV a XIX, fossem inteiramente formados por gente sem conhecimentos e capacidade de pensar e decidir por si. Que estúpida e, essa sim, racista presunção!

De toda a evidência, os actuais governantes na Europa Ocidental, portugueses incluídos, perfilharam essa presunção e enfiaram até às orelhas a carapuça da irredimível e exclusiva culpa do homem branco. É por estas e por outras que o Chega, o Reform e partidos que se situam nessa zona do espectro político, e que têm neste assunto uma posição clara e frontal de recusa de reparações, crescem nas urnas. Partidos mais do que ambíguos quanto a esse tema, como são o PSD e o PS, têm-se revelado, nesta matéria, uma profunda desilusão, para não dizer coisa pior.

Felizmente surgiu há dias uma luzinha ao fundo do túnel quando o porta-voz do PM britânico, tendo em mente a petição de países das Caraíbas que referi no início deste artigo, declarou, com todas as letras, que o Reino Unido “does not, and will not pay reparations”. Não quererá Luís Montenegro deixar-se de ambiguidades e de navegações em águas turvas, e seguir este muito bom exemplo?


Céus

 Na varanda, cedito.



terça-feira, 15 de setembro de 2026

The Spectator - Would Sadiq Khan back a rave in a mosque?

 


(personal highlights) - and probably one of the most important DM articles!

Would Sadiq Khan back a rave in a mosque?

I must return, regrettably, to the subject of the Church of England. Readers with long memories may recall the year of our Lord 2024. In February of that year, the people who are meant to care for Canterbury Cathedral allowed a ‘silent disco’ to take place over two nights in the place where St Thomas à Becket was martyred. Two thousand revellers turned up to take part in what became known as ‘a rave in the nave’. Naturally the Church of England authorities denied that this constituted any sort of defilement of one of England’s holiest places.

Fast forward to September of that same year and it was Peterborough Cathedral’s turn. That was when it announced an Ibiza-themed nightclub evening with DJs spinning an ‘epic’ set of ‘soul, funk and contemporary hits’. The event in Peterborough was exactly what the authorities in Canterbury tried to pretend their event was not. But, as I have often noted, the interesting thing about the Inferno is that there is always another level. Hell, it turns out, is bottomless. Which brings me to St Paul’s Cathedral.

Last week it was announced that St Paul’s had made a partnership deal with the nightclub Fabric, which is due to last four years. This will apparently allow St Paul’s to host raves of exactly the kind that Canterbury Cathedral denied it was having. It is almost as though some slopes are indeed very slippery after all.

Many of us were alerted to this partnership by a crowingly boastful social media post sent out by the Mayor of London, Sadiq Khan. ‘Fabric. St Paul’s Cathedral. Name a more iconic duo,’ Mayor Khan wrote. ‘Bringing together these two institutions will create a one-of-a-kind experience, pairing world-class music with one of our most special landmarks.’

About which there are a number of things to say. The first is that many of us would not put our capital’s great cathedral and the nightclub Fabric in quite the same bracket. Secondly, the resting place of Lord Nelson and other national heroes is not simply ‘iconic’. Thirdly, I very much doubt that the nightclub organisers in question can provide ‘world-class music’ unless they think that someone spinning tracks from a DJ booth is the equivalent of the Vienna Philharmonic playing Bruckner. And finally this isn’t a ‘one-of-a-kind experience’.

As my colleague Mary Wakefield has observed in these pages before, if you want to go into Westminster Abbey to pray, you will be charged an entrance fee, looked at with bewilderment by the bouncers as though you are trying to get around paying said fee, or you will be shoved into some ignominious corner like a suspect kept under close observance by security.

The point is that the desecration of our nation’s churches and cathedral is becoming routine. Unless you believe that the ravers whom Fabric is hoping to attract are people who have tired of the architectural splendours of Peterborough and Canterbury cathedrals and now wish to get off their tits on MDMA while admiring the architecture of Sir Christopher Wren: another national hero whose body will also be resting under their feet.

But the most obvious and necessary thing to say about Khan’s tweet is that it is, as ever, one-sided. A number of people pointed out online that some might regard the London Central Mosque as being an equally ‘iconic’ venue. Still, I suspect that neither the mosque in Regent’s Park nor any other Islamic house of worship would allow the kind of sacrilege that the Church of England seems so keen to foist on its own cultural and religious inheritance. If they did, I doubt that Khan or any other prominent Muslim would celebrate the ‘one-of-a-kind event’.

Indeed, were some mosque to allow such a thing, I suspect that no observant or cultural Muslim would welcome the fact. The Mayor would be unlikely to celebrate the event as ‘iconic’. Put simply, many people seem not to regard the desecration of St Paul’s as a noteworthy event because they do not regard such a space as sacred. Not to mention the fact that, if such an inconceivable event were to take place in certain mosques, the evening would end up being ‘booming’ and ‘banging’ in a more real and literal sense.

By now, we all know the arguments and the spin that is put on them. The wet fools in charge of our cultural and religious heritage will say that such events bring new people into our shrines and that they help raise the money to keep them standing. Idiot multiculturalists will pretend not to understand what the problem is and object at those of us who do. Many decent people will simply react with a sigh – the sort of sigh that the people of these islands have become used to emitting over almost any day’s news.

So perhaps I can reiterate a point I have tried to convey before. Which is that, if you allow other cultures to have their holy places, then we, the British people, must be allowed to have our holy places too. And we should be allowed to express more than a sigh at the unfairness of the deal that is being forced upon our country.

It is my understanding that when the Visigoths took over the land of the Romans, they allowed many of the holy places to remain standing for a time. But they slowly transformed their purpose. Or so I gathered from a biography of Theodoric the Great which I laboured through a while back.

It appears to me that something very similar is happening now. Our holy places have been allowed to stand, but their purpose is being changed. I suppose the question now is whether we simply stand by and allow this to happen or not.

Livros - "Bidding"

 






Céus (Torredeita)

 


Restaurante - "Bacalhau e afins"

(enviado por mail ao restaurante)

Boa tarde


Não sei se este é o “melhor bacalhau de Aveiro”. 

O que sei, foi que tivemos o privilégio de comer uma refeição requintada sem ser, nem snob nem armada aos cucos com chefes e sub-chefes como agora é moda.

Desde o requintado, saboroso e fresco cesto de pão, passando por um vinho verde imaculado (sim, eu sei que é externo ao restaurante) até ao prato de bacalhau acompanhado por uma invulgar açorda, usufruindo da amabilidade dos serviçais (Carla? Roberto?), já há algum tempo que não víamos, reunido num restaurante, um nível tão elevado de qualidade nos diversos serviços que possui. 

Preferiríamos ter ido lá num dia de semana mas não nos foi possível. Imaginamos o que seria não tendo o frenesim que presenciámos, ainda mais com dois colaboradores a faltar!

Não conhecemos os donos nem quem nos serviu. 

Mas o que comemos não se nos esquece…

Parabéns porque bem merecem, sobretudo num tempo em que o nivelamento por baixo tudo conquistou.

Luiz Carvalho







Almoço - Tropa (Rui Simões)

 Almoço com o Rui Simões (do R.I.Queluz) na antiga Casa Marítima em 08Set.2026





 

domingo, 13 de setembro de 2026

The Spectator - Who will remember Keir Starmer?

 


(personal highlights)

Who will remember Keir Starmer?

I am starting to think that Keir Starmer might have been in it for himself. In saying that, I am not trying to echo that laziest of all critiques of politicians that ‘they’re only in it for the money’. Good luck to anyone trying to make money from politics in Britain these days. Rather, I mean that the former prime minister’s decision to leave the House of Commons and trigger a by-election is not the behaviour of a patriot.

There were many people in the legal world who were nervous when the former director of public prosecutions decided to put his name forward as a Labour candidate for parliament. DPPs are meant to be politically impartial, like BBC presenters. But the fact that a DPP might turn out to be a Labour supporter was about as surprising as ‘impartial’ BBC journalists leaving the BBC and then starting very left-wing and lazy podcasts. In both cases the transition does not surprise the public but it does sow even greater suspicion of the supposed political neutrality of our institutions.

Like so many others, Starmer was clearly after the top job or nothing. Despite the usual pabulum, it never seemed likely that he would want simply to serve his constituents and make useful interventions on legal subjects. For some reason, like so many other men of little talent, he imagined he was ‘the man’. Though who or what persuaded him of that, only Starmer, God and perhaps Mrs Starmer can know.

In any case, he was eager enough for the top job that he was willing to put aside any existing principles throughout the Jeremy Corbyn years. In that period, anyone with a soupçon of decency either left the Labour party or acted as an opponent of the leadership from the back benches. Not Starmer. He stuck with Corbyn and sat in his shadow cabinet despite his party’s leader being a man who never saw an anti-British terrorist group he didn’t have the hots for. Starmer’s lack of principle paid off, and so in due course it came to be his turn. The Labour party needed someone efficient after the Corbyn years: a safe pair of hands, someone to steady the ship – all the usual banalities.

And so he got it. By then the Conservatives had made such a hash of government that it seemed as though Starmer’s calculation had worked. He got to Downing Street, but as I have asked in these pages before, for what? There was never any vision for the country. There was no major initiative or insight. Other than him being a walking advertisement for adenoidal surgery, even Starmer ‘loyalists’ couldn’t point to anything he actually achieved. When he announced that he was stepping down as PM, the best his supporters could say was that he had left the country a ‘fairer’ and ‘stronger’ place. Statements that mean less than nothing.

Once Andy Burnham became Prime Minister, Starmer faced the same decision as all former prime ministers have: stick around and serve your country or bugger off because you can’t be bothered. We learned this week that he had chosen the latter.

An alarming number of recent prime ministers have taken this stance. David Cameron, of course, announced that he would see through whatever verdict the British people delivered in the Brexit referendum, only to go into the most terrific huff and resign not just as prime minister but also from parliament. His aim appears to have been to make money – another thing he failed at.

Tony Blair took a similar view – though when he abandoned ship he did so at a time of his own choosing and onto a mega-yacht. To be fair, Gordon Brown gave it five years before he left parliament and Theresa May stayed for another term too. Boris Johnson, of course, left parliament within a year of losing the prime spot. And Liz Truss wasn’t given enough time to consider her options before being rejected at the ballot box by her own constituents. During the last days of Rishi Sunak’s time in office, Starmer used to taunt the then prime minister that he would be swanning off to California if he lost. To his credit, Sunak remained in the House – indeed he has now outlasted Starmer.

But Sunak is an honourable exception. Perhaps it is false nostalgia, but I cannot help missing the time when politicians who once held senior office routinely stuck around afterwards to see what they could do for their country, or at least their constituents. Stanley Baldwin springs to mind, and it’s enough to make you miss Edward Heath.

I think it is correct to say that there was a time when being in parliament mattered, and when, in the event that your party lost an election or you got unceremoniously booted out by your own party, you nevertheless stuck around. It may have been because the one thing that unites almost all politicians, whatever their party, is the hope that one day the country will call, and perhaps even call a second time.

But it also seems that the mere business of being an MP has come to be viewed as a bit of a bore by politicians like Starmer. It isn’t a surprise that his only interest in politics was to lead the country for no particular purpose. But it is a terrible indictment of the individual in question, and perhaps of our politics as a whole. Being a representative of the people in parliament ought to be regarded as a high honour, with the fate of the nation sitting in your collective hands.

Either parliament today does not have the power and significance it once had, or the best people, let alone the most patriotic ones, are simply not entering politics. Venality, ambition, double-crossing and betrayal might be expected among politicians but we ought at least to be able to expect longevity and some belief in public service.

Anyhow – I wish Starmer luck in the rest of his career. Doubtless there will be some international conferences to speak at, podcasts to appear on and an unreadable volume of memoirs in due course.

Observador - É a estupidez, estúpido (Alberto Gonçalves)

 


(sublinhados pessoais)

É a estupidez, estúpido

No Verão de 2008, a revista “Atlantic” trazia para a capa o título de um artigo: “O Google Está a Tornar-nos Estúpidos?” Para evitar suspenses desnecessários, a resposta é “sim”. Quanto ao artigo, escrito pelo jornalista Nicholas Carr, tinha como subtítulo “O que a Internet Faz aos Nossos Cérebros” e usava o Google enquanto símbolo genérico da chamada “era digital”. As conclusões, que aqui resumo imenso para que não escapem sequer aos viciados no TikTok, previam que o uso constante da Internet provocaria alterações neurológicas, com consequências drásticas nas capacidades de atenção e concentração. Ou seja, às cabecinhas crescentemente dependentes da pesquisa rápida e dos saltinhos entre páginas “web”, cada vez seria mais difícil ler textos longos e, Deus as livre, interpretá-los.

Grosso modo, Carr acertou em cheio, e fê-lo antes da omnipresença do “online” e da disseminação do “smartphone” e do advento das “redes sociais” e do tempo em que uma “storie”, uma fotografia vertical acompanhada de sanfona e frase tonta, constitui o exacto oposto de uma história. Em 2008, ainda não havia casais mudos à mesa do restaurante, entretidos a contemplar as maravilhas embutidas nas entranhas do iPhone. Ou criancinhas, frequentemente com 50 anos, com inquestionável talento para, horas a fio, deslizarem o polegar no ecrã cerca de 0,6 segundos após o início de um vídeo de 3. Ou os portentos do convívio social, avessos a conversas arcaicas mas que são a alma da festa nos 86 “grupos” do WhatsApp onde trocam centenas de mensagens por minuto. Se possível, e é possível, muitos usam umas rolhas enfiadas nas orelhas para ouvir nem ouso imaginar o quê e, sobretudo, evitar que a realidade lhes perturbe a rotina. Confirma-se: a Internet tornou-nos estúpidos.

Há indicadores discutivelmente fiáveis que provam o inexorável avanço da estupidez. Um deles são os testes de QI, cujas pontuações aumentaram durante um século e que nas últimas duas ou três décadas desataram a afocinhar, principalmente nos insignificantes sectores do raciocínio e da abstracção. Outro é o PISA, o estudo comparativo promovido pela OCDE aos alunos de 15 anos e que sai de 3 em 3. Há dias saiu um, e os resultados imitam a torre que não lhe deu o nome. Nos critérios avaliados (leitura, matemática e ciências), o tombo é brutal e, à semelhança dos testes de QI, principalmente brutal na Europa, menos brutal nos EUA e nada brutal na Ásia Oriental. E, preparem-se porque por esta não esperavam, em leitura e matemática Portugal tombou mais que o resto.

Dado que somos um país especializado em escalpelizar as desgraças a posteriori, a fim de parecermos preparados para a desgraça que fatalmente se seguirá, meio mundo lançou causas sortidas para justificar a vergonha do PISA caseiro. São os imigrantes. Foi a Covid. É o PS. É a fuga dos professores. É a invasão das “aprendizagens essenciais”. Quase todos acertaram um bocadinho, quase todos falharam uns bons bocados.

É verdade que a imigração recente influencia negativamente as notas do PISA, embora, a julgar pelos dados disponíveis, o respectivo peso seja ligeiro face à queda total. E é verdade que a Covid, ou a alucinada decisão de fechar os petizes em casa a pretexto de uma doença que estatisticamente não os afectava, ajudou à derrocada: em geral os países – e os estados dos EUA – que menos prolongaram a loucura das escolas fechadas menos caíram no PISA, ou não caíram de todo. Sucede que a Covid não explica uma tendência que remonta a 2012 e 2015 e desde aí prossegue sem parança. O que talvez explique são as gerações amamentadas a telemóvel e restantes pechisbeques digitais, e a maneira como os sistemas de ensino das diferentes geografias resistiram, ou cederam, aos pechisbeques.

Para continuar no exemplo português, aqui o ensino não se limitou a tolerar a moderníssima “digitalização”: a partir de 2015, o ministério, em sábias mãos socialistas, decidiu que não bastava às criancinhas passarem dois terços da vida a fitar ecrãs e despejou ecrãs no terço que faltava. De repente, mesmo que com origem num “relativismo” velho, os “conhecimentos tradicionais”, leia-se o conhecimento, foram desprezados em prol de “novas valências”, leia-se ideologia e lero-lero, regadas com baldes generosos de “informática”, que é o “futuro” (não sabiam?). Em vez de elevar os alunos à escola, afinal a única utilidade da dita, a escola desceu aos alunos, já de si, excepções sempre à parte, incapazes de uma vaga noção sobre se Pitágoras era um filósofo e matemático ou a cidade natal de uma senhora chamada Teorema. Ou sobre se Salazar governou: a) No século XX; b) No século XII; c) No século que vi num short “bué” cringe e agora não me lembro; d) O que é salazar? Sob o PS, a escola abdicou dos derradeiros resíduos de exigência e adaptou-se com entusiasmo à estupidez.

Simplificando, que a época não está para complexidades, suspeito que é por aí que espreitam as diferenças nos resultados do PISA em Portugal e na OCDE inteira, na forma como certas escolas de certos e raros lugares teimaram em continuar a ensinar e a vasta maioria das demais optaram por se transformar em espaços de ATL, curvadas ante as vistosas luzinhas do “progresso” e o mínimo denominador comum. Pelo meio, haverá incontáveis variações, e a prazo nenhuma deverá escapar à escolha entre a “inclusão” [sic] e o rigor. Ou a escola tenta salvar todos e acaba a não salvar ninguém, incluindo a si própria, ou a escola ignora o processo de ignorância em curso, resgata os que são resgatáveis e, “elitista” e caluniada e parcial, sobrevive.

Um epílogo. O PISA também pede aos meninos e às meninas que falem de emoções e sentimentos. Aqui Portugal está em grande por comparação com a média europeia: os nossos alunos não sofrem tanto “bullying”, sentem segurança acrescida, fazem amigos sem problema e são solidários. Há quem aplauda o facto de a escola ser “mais humana e acolhedora”. Não sei se a inteligência artificial destruirá a humanidade, conforme alguns prometem. Mas é evidente que a estupidez natural está bastante empenhada nisso.

Observador - Coitados dos americanos que estão tão mal (?!) (Pedro Caetano)

 


(sublinhado pessoais)

Coitados dos americanos que estão tão mal (?!)

A tragédia do português comum não é apenas desconhecer a prosperidade brutal gerada pelo capitalismo americano; é ter sido ensinado e formatado para sentir pena de quem vive no motor económico.

“Se queres que eu pague impostos vais ter que trazer uma cruz e pregar-me nela” canta a criativa e jovem banda americana Geese. Isto reflete o pensamento independente americano que resulta em dinamismo económico, porque o dinheiro fica no bolso de quem trabalha e inova, em vez de ficar nos bolsos de políticos e demais tíbios que vivem do Estado, pouco ou nada acrescentando à sociedade.  Já em Portugal, nos festivais, enfastiou-nos ouvir músicos lusos a pregarem — nada criativa e muito previsivelmente como os pais e avós ainda e sempre o marxismo (agora na versão do wokismo) que nos colocou entre os países mais pobres de uma Europa que, já de si, se encontra cada vez mais empobrecida. Da mesma forma, a maioria dos economistas portugueses insiste em criticar todas as medidas da direita americana por esta optar por políticas económicas e energéticas muito diferentes das europeias que têm empobrecido a Europa face aos EUA e China, provocando o desmantelamento da indústria europeia.

A comunicação social lusa faz coro e todos amansam os portugueses, enganando-os, sem respeito pelos factos económicos ou estatísticos, de que estão melhor no socialismo ou na social-democracia europeia, cada vez mais marxistas e de fronteiras abertas (para, por exemplo, a China entrar e destruir a indústria automóvel), do que no capitalismo americano. Ora este é simultaneamente protecionista, inovador, desfiscalizador, desregulador e, sobretudo, gerador de muitos e bons empregos com rendimentos cada vez maiores comparativamente com a Europa. Nesse contexto português, onde se esconde a superioridade dos EUA, a pergunta mais frequente que ouvimos dos portugueses quando dizemos que vivemos nos EUA é: “Ah, coitados, vocês agora devem passar lá muito mal.”

Em vez de denunciar as mentiras e propaganda da comunicação social lusa e desvarios da nossa intelligentsia contra os EUA (chegam a comparar diretamente o valor da dívida americana com o da portuguesa, ignorando que em apenas 4 dias a economia americana produz o que a portuguesa produz em 365) passámos a responder com ironia para ver se os nossos compatriotas percebem, de uma vez por todas, o quanto os EUA são avassaladoramente mais ricos do que a Europa — quanto mais do que um Portugal que vegeta bem abaixo da média europeia.

Deixámos assim de tentar educar pelos números comprovados dos EUA — largamente superiores a Portugal economicamente, como já elaborámos em artigos passados, com salários muito maiores, pensões muito maiores (segurança social e planos IRA/401K), impostos muito menores e serviços públicos, incluindo a saúde para pobres (Medicaid) e idosos (Medicare), com menos despesa para os contribuintes. Em conversas, nem sequer recorremos a exemplos elucidativos do descalabro do modelo económico e político luso, em que o Estado extorque muito diretamente aos contribuintes portugueses, recebe muito da UE extorquindo indiretamente ainda mais aos contribuintes da Europa toda, mas pouco dá em troca aos cidadãos. Por exemplo, nestas férias de verão no pequeno Portugal, gastámos em portagens de autoestradas mais de 300 euros, um custo total em 3 semanas maior do que em 30 anos a viajar nas autoestradas largamente gratuitas pelos 50 estados dos enormes EUA. Isto sem falar do custo da gasolina a mais do dobro do preço na América ou nos próprios carros, que chegam a custar 400% a mais do que nos EUA, devido a impostos infindáveis. Em conversação, nunca mencionamos sequer que a nossa alardeada justiça social significa nivelar por baixo: quase todos com 1000 euros líquidos mensais, com as novas gerações portuguesas praticamente sem capacidade de comprar casa ou fundar família.

Assim perante a constante pergunta à nossa família de “vocês passam muito mal nos EUA não passam?” respondemos divertidos: “Sim é uma desgraça ficar com o dinheiro do nosso trabalho para o usarmos como bem entendermos, como acontece nos EUA, em vez do privilégio de o entregar quase todo em impostos para líderes brilhantes como Neves, Montenegro, Sócrates ou Costa. Excelentes obreiros da justiça social e da eficiência dos serviços públicos! Coitados de nós nos EUA por não votarmos, muito inteligente e responsavelmente, sempre por políticas de esquerda e em mais dos mesmos políticos tradicionais, amorais apesar do discurso polido, como em Portugal, onde os soberbos resultados estão à vista. “

Formatado pela narrativa unânime na nossa imprensa, por exemplo, o nosso instrutor de golfe num resort privilegiado no Algarve — que nos confessou já quase não falar português quando ensina, tal é a raridade de famílias nacionais por ali — atirou de imediato: “Coitados, vocês agora vivem lá muito mal com o Trump, aquilo não está uma miséria?”Em vez de citar o PIB americano per capita três vezes superior ao português, o que, combinado com os impostos sobre o rendimento a metade dos nossos, significa ordenados líquidos cerca de 600% superiores para os mesmos trabalhos, respondemos divertidos: “Sim, é verdade, os republicanos de direita estragaram aquilo tudo. Por causa disso, somos a única família portuguesa aqui a conseguir pagar estas aulas — não pelo que ganhamos nos EUA a trabalhar e a investir em companhias líderes em IA e novas tecnologias, mas com uns cobres que fizemos em consultoria na Brandoa, porque lá na América não há nada para ninguém, não há desenvolvimento económico nem tecnológico e tiram-nos tudo em impostos! Se ao menos soubéssemos votar tão bem como vocês aqui em Portugal…”

Vindos dos EUA, onde trabalhamos e investimos, para Portugal, onde passamos férias, verificamos diariamente o quanto os portugueses foram bem amestrados por uma comunicação social largamente socialista, anti-empresarial e facciosa ideologicamente, a quem os factos e a verdade sobre a América para nada interessam. Uma imprensa que envergonharia grandes capitães de indústria e verdadeiros empresários como Belmiro de Azevedo, que não deixaram gente à altura. No fundo, os nossos principais jornais e canais de TV nada têm de pró-empresarial nem contribuem para melhorar Portugal; tornaram-se o equivalente moderno à propaganda da antiga Alemanha de Leste comunista, garantindo aos seus leitores que a Alemanha Ocidental capitalista é que era uma miséria. E os portugueses acreditam quase todos. Como não hão de acreditar se até as poucas portas supostamente de direita lhes mentem na TV que os EUA estão muito mal?

Assim, em mais um exemplo, no condomínio algarvio com vista frontal para o mar, onde praticamente todos os proprietários vivem de rendimentos americanos, a administradora contratada, portuguesa, também teve dó de nós, suspirando: “Coitados por estarem na América, devem sofrer muito”. Sim, concordámos: realmente, todos nós aqui somos luso-americanos de férias, nómadas digitais americanos, ou reformados americanos de classe média (ex.: polícia, professor, gerente de hotel, etc.): uns autênticos desgraçados. Isto porque, com o rendimento miserável vindo da América, os americanos só conseguem comprar em Portugal casas em primeira linha de mar ou no centro da capital. Com certeza que os portugueses, que ganham muito mais dinheiro do que os americanos e tomam decisões eleitorais muito mais responsáveis e atentas, estão muito melhor do que em primeira linha e não vivem nos subúrbios mais desolados e sem água — têm o problema habitacional completamente resolvido. Devem estar em linha zero, em casas enormes em ilhas marítimas artificiais maravilhosas que constroem mesmo no meio do mar, que pagam com os altíssimos salários portugueses, já que votam tão melhor do que na América. São fabulosamente informados pela nossa comunicação social e extremamente bem educados pelos nossos melhores economistas muito mais sapientes e com melhores medidas que os republicanos americanos.”

A tragédia do português comum não é apenas desconhecer a prosperidade brutal gerada pelo capitalismo americano e a respetiva inovação tecnológica que a desregulamentação e a diminuição de impostos republicana originam; é ter sido ensinado e formatado para sentir pena de quem vive no motor económico e da inovação do mundo, enquanto financia com impostos sufocantes a estagnação e um ciclo vicioso de empobrecimento em Portugal e pela Europa. Enquanto a nossa praça pública continuar a preferir a cantilena tendencialmente marxista europeia-lusitana contra os EUA, aos números e factos reais, resta-nos rir dessa ilusão — de preferência, enquanto aproveitamos as férias em Portugal pagas pelo dinamismo do mercado livre americano e da sua efervescente bolsa em Wall Street.

Finalmente e entretanto, há certos festivais fluviais, tornados novos Avantes, aos quais não voltaremos no próximo verão por não termos paciência para quem prega mais do eterno esquerdismo económico e anti-americanismo que nos fez a nós — e a mais dois milhões de portugueses — emigrar para fugirmos de tal miséria.


Reflexão (Voleibol) - LBC (Mensagem aos VetVals)

 Boa noite


Gostaria que lessem este texto. Ele pretende ser incentivador, mas também um alerta.

Estamos prestes a entrar no 54.º ano de existência deste núcleo de voleibol. É um percurso extraordinário, que merece ser lembrado e, se possível, prolongado.
O Álvaro Mendes (AM) e o Frederico Valsassina (FV) foram e ainda são, para alguns — poucos —, os seus grandes referenciais: o primeiro enquanto mentor e fundador, e o segundo, entre outros contributos, enquanto grande impulsionador da disponibilização das instalações do colégio, há mais de 40 anos.

Durante muitos anos, a proximidade e as relações pessoais dos membros do grupo com o AM e o FV fizeram com que a utilização do ginásio fosse algo absolutamente natural. Entretanto, o tempo foi passando e essas ligações foram-se perdendo. Com a saída do Jorge Orestes e do Manuel de Oliveira, desapareceram também duas das últimas relações diretas com aqueles dois precursores.

Hoje, apenas o Alfredo e eu tivemos contacto pessoal com esse grupo inicial, mantendo, por essa via, alguma ligação à história do voleibol no colégio.

Convém, por isso, termos presente que o acolhimento do nosso grupo no ginásio, durante tantas décadas, assenta numa história e em relações pessoais que, para a maioria de nós, são hoje já muito distantes ou mesmo desconhecidas.

Não se trata de pôr em causa essa utilização, nem de antecipar qualquer problema com o colégio. Trata-se apenas de reconhecer que as circunstâncias mudaram e que talvez não devamos assumir como garantida a continuidade desta situação.

Por reconhecermos o valor desses 54 anos de encontros de voleibol e, sobretudo, de amizade, julgamos que vale a pena começar a pensar nas condições que poderão permitir a continuidade do grupo.

Abraço

Luiz