domingo, 11 de outubro de 2026

Tempos difíceis... (LBC)

 Jura? Sem comentários...

Sem comentários...


Mas o Carnaval não é em Fevereiro ou Março?



Cartoon - Larson

 Há cartoons e cartoons...



Observador - França: uma sociedade em fragmentação (Jérémy Silvares Jerónimo)

 


(sublinhados pessoais)

França: uma sociedade em fragmentação

Contrariamente à palavra utilizada pela Lusa em Portugal, não se trata de “protestos", mas sim de violência urbana.

Há muito que o colapso social em França é claro à vista de todos. A não ser aqueles que, de maneira voluntária ou por cegueira ideológica, pretendem não ver, qualquer pessoa com o mínimo de coragem intelectual tem a oportunidade de constatar que o país está em franca queda, como, de resto, grande parte dos países ocidentais. Mas, em França, tal como no Reino Unido, esta queda é acompanhada por níveis de violência social que apenas vão crescendo a cada ano que passa… A sociedade está mergulhada numa espiral de violência. Quer seja por causa do terrorismo islamista, da violência cometida por antifas (que este ano mataram um jovem, o Quentin Deranque), da violência ligada ao tráfico de droga, ou dos motins nos bairros islamizados no dia de Ano Novo ou no feriado francês de 14 de Julho. As elites francesas têm-se mostrado incapazes de solucionar esta situação, por cobardia e cegueira ideológica. Desta vez, a violência veio pela mão dos estudantes…

Há uma semana, vários sindicatos de estudantes – da esquerda à extrema-esquerda – apelaram a uma greve contra as alegadas difíceis condições no ensino secundário: falta de professores e horários sobrecarregados. Logo no primeiro dia, terça-feira, dia 29/09, eclodiram os primeiros episódios de violência. No terceiro dia da greve geral, a violência atingiu um nível tal que o Governo francês afirmou considerar os acontecimentos como sendo “graves violências urbanas”. No momento em que este texto é redigido (domingo, 04/10), as autoridades tornaram públicos os números relativos aos quatro primeiros dias da greve. Em muitos casos, os polícias afirmaram ter falta de meios perante o número de pessoas que participavam nos motins e a violência das exacções. Houve destruição de mobiliário urbano, escolas e igrejas, bem como violência contra pessoas. Alunos que se opunham à greve, agentes das forças de segurança e membros do corpo docente foram agredidos. Ou seja, contrariamente à palavra utilizada pela Lusa em Portugal, não se trata de “protestos”, mas sim de violência urbana.

Vejamos… No que toca à destruição de estabelecimentos e de mobiliário urbano, o custo já ronda as dezenas de milhões de euros. Desde liceus fortemente danificados por incêndios criminosos como em Nantes ou Metz — alguns dos quais tinham sido renovados no ano passado, renovações que tinham custado milhões de euros —, a jovens vindos dos bairros “norte” de Marselha (bairros sociais fortemente islamizados) que atacaram autocarros com pedras e destruíram um veículo de bombeiros, passando pela Igreja de Sainte-Madeleine em Estrasburgo, contra a qual um grupo de arruaceiros atirou caixotes do lixo em chamas, as destruições materiais foram importantes. Mas, mais do que as destruições, foram os ataques contra pessoas que chocaram muitos franceses. Vários polícias foram atacados, sendo os dois casos mais chocantes o de um agente da polícia de Belfort, espancado com pontapés na cabeça por vários jovens — tendo perdido a consciência — depois de ter ficado isolado, só devendo a sua salvação aos colegas que conseguiram intervir a tempo; e o de uma agente da polícia estagiária em Paris, perseguida, empurrada e espancada sob gritos de “Wallah, tue-la” (“Wallah, matem-na”).

E se os polícias passaram quatro dias complicados, o mesmo se aplica aos membros do corpo docente, aos funcionários e directores das escolas, bem como a simples cidadãos que tentavam pôr termo às violências. Um professor foi agredido com um pontapé nas costas por jovens com a cara coberta e perseguido na rua, em Lille, ao som de gritos de “Wesh, Wallah, niquez-le” (demasiado vulgar para ser traduzido). Outro professor, em Angers, levou com uma barra de ferro na cabeça, tendo ficado ferido com alguma gravidade. Em Toulouse, um membro da direcção de um liceu da cidade foi espancado por dezenas de jovens depois de tentar apagar um fogo. Em Marselha, um jornalista do canal M6 foi agredido, e uma senhora que tentava proteger o abrigo de uma paragem de autocarro foi atacada por um jovem de 15 anos, que lhe incendiou o rosto e parte dos cabelos utilizando um spray e um isqueiro. Em La Rochelle, um estudante que se opunha às violências foi espancado por vários jovens em frente a um liceu. Na cidade de La Ciotat, um professor que tentava apagar um fogo foi agredido e salpicado com gasolina, tendo os polícias conseguido evitar o pior ao deter o agressor. Além das destruições e da violência contra pessoas, também houve roubos em lojas, bem como caixotes do lixo atirados contra carros.

Sim, uma parte importante dos detidos por violência contra pessoas ou por actos de vandalismo são estudantes. Tal como disse, a maioria não quis participar nas violências. Mas uma minoria importante participou de bom grado. Contudo… virá dos estudantes a ideia destas violências? Pelos vistos, a resposta não é assim tão simples. O que interessa saber é quem se esconde por detrás do apelo à greve e quem agitou os alunos e os convenceu a recorrer à violência. Quem levou os petardos? Quem levou os líquidos inflamáveis? Quem preparou os cocktails Molotov? E aí, a resposta é, segundo os próprios Renseignements Territoriaux (DNRT) — um serviço especial da polícia cujo papel é observar, analisar e antecipar ameaças à segurança pública — e os serviços secretos internos (DGSI), apenas uma: a extrema-esquerda. Os sindicatos de estudantes que convocaram a greve foram influenciados, quando não completamente dominados, por grupos e partidos de extrema-esquerda: grupos antifas, o partido Révolution Permanente e, sobretudo, o partido La France Insoumise, de Jean-Luc Mélenchon.

De facto, o governo francês acusa o partido de extrema-esquerda LFI (La France Insoumise), de Jean-Luc Mélenchon, de utilizar os seus “proxies”, ou seja, grupos antifas, para tornar a situação ainda mais violenta. Entre os detidos encontram-se adultos pertencentes a grupos de extrema-esquerda. A LFI e o partido Révolution Permanente estiveram presentes nas manifestações desde o primeiro dia. Levaram consigo militantes “habituados” aos bloqueios, às greves e às manifestações mais “movimentadas” (os grevistas profissionais), para incentivar os alunos a cometer actos de violência. Além dos seus proxies, vários deputados e presidentes de câmara da LFI foram apoiar os estudantes. Por exemplo, Bally Bagayoko, membro do partido LFI e presidente da Câmara Municipal de Saint-Denis, decidiu apoiar os estudantes em greve, tendo sido filmado a dançar com alunos que tinham acabado de queimar um caixote do lixo. Tentou ainda retirar o microfone a um jornalista do média Frontières, acusando-o de estar a “provocar” os jovens. O deputado Thomas Portes foi visto a tentar impedir polícias de intervir contra jovens violentos; o deputado Louis Boyard foi visto a festejar com alunos grevistas; o deputado Aurélien Le Coq também impediu a polícia de realizar detenções, entre muitos outros.

Há um outro grupo que se juntou aos estudantes: jovens adultos e adultos vindos dos bairros problemáticos das grandes cidades. Jovens e menos jovens de origem extra-europeia que nutrem, explicava o jornalista vedeta Ivan Rioufol, um profundo ódio pela França — e que utilizam todo o tipo de acontecimentos sociais para o demonstrar. Assim, muitos estudantes afirmam que apareceram grupos vindos de bairros problemáticos ou mesmo de outras cidades, apenas para causar danos materiais e confrontar-se com a polícia. É aí que a situação se torna ainda mais complexa e, sobretudo, mais perigosa. Como afirmou, e bem, o colunista Guillaume Tabard, no Le Figaro, a aposta da LFI em agravar a violência para depois se apresentar como salvadora dos jovens e dos oprimidos pode acabar mal. Utilizar grupos antifas e jovens dos bairros problemáticos, muitas vezes islamizados, como tem feito a extrema-esquerda, pode, a prazo, revelar-se uma estratégia muito perigosa. A criatura pode acabar por escapar ao criador. Os próprios serviços secretos franceses, as forças de segurança e o governo estarão extremamente preocupados com uma situação que poderá, ou não, explodir a qualquer momento:

Em círculos restritos, as fontes ligadas à segurança consideram que o movimento, “instrumentalizado pela esquerda e pelos desordeiros”, chegou a um “ponto de viragem”. A mais pequena faísca poderá conduzir ao caos. Enquanto os liceus estão em convulsão há 48 horas, as autoridades vêem-se confrontadas com o cenário de uma onda de agitação generalizada em todo o país. Em círculos restritos, uma fonte ligada à segurança confidenciou esta quinta-feira que o conflito em torno dos bloqueios chegou a um “ponto de viragem”, com acontecimentos que se assemelham cada vez mais a fenómenos de violência urbana. «Até aqui confinados às imediações dos estabelecimentos de ensino, os incidentes parecem estar cada vez mais a desligar-se da questão dos estudantes do ensino secundário, para se transformarem em fenómenos de motins nos centros das cidades, com desordeiros que atacam agora outros representantes do Estado ou agentes da vida económica», afirma a mesma fonte, em tom confidencial. Em termos claros, já não é possível afastar verdadeiramente o cenário de um caos generalizado, como aconteceu no caso de Nahel Merzouk, morto durante uma tentativa de fuga a uma operação de fiscalização rodoviária, a 27 de junho de 2023, em Nanterre.

Um ensaio geral antes da explosão?

A conclusão que podemos retirar deste acontecimento é a de que, tal como uma boneca russa, ele esconde várias camadas. À primeira vista, temos uma simples greve estudantil, motivada por alegadas dificuldades no ensino secundário. Mas, à medida que retiramos cada uma dessas camadas, encontramos realidades muito diferentes. A primeira camada é, portanto, a da própria greve dos estudantes, que acaba por se revelar bastante superficial quando comparada com aquilo que se encontra por detrás dela. A segunda é a da extrema-esquerda, que mobiliza os seus militantes e as suas milícias — os grupos antifas, como a Jeune Garde, cujos membros foram acusados de envolvimento na morte de Quentin Deranque este ano — para participar nos confrontos e, segundo os serviços de segurança, contribuir para o caos. A terceira camada é a de uma parte da juventude extra-europeia, estrangeira ou de nacionalidade francesa, nascida em França, mas que, ao que parece, nutre um profundo e visceral ressentimento em relação ao país. Esta realidade revela uma fractura cada vez mais profunda na sociedade francesa: de um lado, uma juventude que acolheu pacificamente o Papa Leão XIV, com cânticos, alegria, bandeiras francesas e cruzes ao peito — uma juventude que não era exclusivamente nativa, já que muitos dos que foram ver o Papa eram eles próprios de origem extra-europeia, e entre a multidão havia até judeus e ateus que quiseram saudar a sua chegada. Do outro lado, uma juventude marcada pelo ressentimento contra a França, o Cristianismo, a Civilização Ocidental e tudo aquilo que estes representam. E há ainda uma quarta camada, mais escondida, mas que não terá passado despercebida aos serviços de segurança: a dos islamistas. Desde o primeiro dia da greve, e mesmo antes, surgiram sindicatos próximos de sectores ligados à Irmandade Muçulmana, como o sindicato Étudiants musulmans de France (EMF), cujas reivindicações, segundo as informações disponíveis, não se centram apenas nas questões das condições de ensino, mas também em questões como a criação de horários que permitam aos alunos muçulmanos rezar, a autorização do véu e do hijab nas escolas ou a disponibilização de comida halal. Ou seja, por detrás da reivindicação de melhores condições existe uma realidade bem mais profunda: a vontade por parte dos islamistas de infiltrar e dominar a escola republicana e laica, e propor um outro modelo, o modelo de ensino islâmico.

Diria que há forças que se estão a preparar para algo mais em 2027. Há linhas de separação que se estão a desenhar entre estas forças. A extrema-esquerda, os antifas e o partido LFI querem o caos. Sempre viveram do caos, e este dá-lhes força. Nas palavras do intelectual Matthieu Bock-Côté, estas violências urbanas são uma espécie de “grande ensaio geral antes das eleições presidenciais de 2027”. Os jovens de origem extra-europeia (uma minoria é verdade, mas uma minoria importante), vindos dos bairros problemáticos, que participaram nas violências querem apenas mostrar o seu ódio à França, bem como a sua força, tal como fizeram nos motins de 2023 ou de 2005. Não se trata de “luta pela justiça”; trata-se de mostrar que são eles que mandam em certos territórios. Daí as bandeiras palestinas, argelinas, sírias e marroquinas que levaram nas manifestações, ou as palavras de ordem contra Israel e os sionistas. Nada disto tem algo a ver com a greve dos estudantes. Quanto aos islamistas, são pacientes e perigosos. Pouco a pouco, através dos seus aliados da extrema-esquerda, tratam de ganhar espaço e força nas escolas, nos clubes de desporto, nos jornais de esquerda e nas associações culturais para, um dia, nem que seja daqui a 70 anos, conquistar o poder.

Que acontecerá em 2027 quando Marine Le Pen vencer as eleições? É dada como vencedora em todas as sondagens, sem excepção. Contra Jean-Luc Mélenchon, venceria por 67.5% contra 32.5%. Como irá reagir a extrema-esquerda? E os jovens dos bairros problemáticos que causaram actos de violência durante a greve dos estudantes, como irão reagir? E os islamistas? Como não ficar preocupado com a possibilidade de haver motins que, perante uma violência cada vez maior, possam dar origem a algo diferente, algo da ordem de uma guerra civil? É o que pensa o antigo jurista especializado em terrorismo Thibault de Montbrial. Para o antigo jurista, a extrema-esquerda, aliada aos movimentos islamistas, prepara algo terrível para 2027, já que o próprio partido afirmou que não iria aceitar a vitória do RN, como ele bem relembra: “Logo após a sua eleição, Bally Bagayoko, o presidente da Câmara de Saint-Denis, afirmou por várias vezes que, em caso de vitória da direita em 2027, essa vitória seria ilegítima. (…) Portanto, afirmo-o diante de vocês: a LFI está a preparar-se para tomar o poder, pelas urnas… ou pelas armas”. Preocupante, de facto…

Por fim, acabaria por dizer que existe ainda uma camada mais profunda nestes acontecimentos — a mais profunda de todas. Todos estes eventos — a violência de certos estudantes; a violência de uma parte dos jovens vindos dos bairros islamizados; a violência da extrema-esquerda; e a tentativa dos islamistas de fazer da França um emirado — têm, no fundo, a mesma origem: o Declínio do Ocidente. Porque um país forte, com uma sociedade forte, segura de si mesma, inserida numa Civilização forte, que olha para o passado com orgulho e para o futuro com sonhos e esperança — como é o caso da China — dificilmente teria sucumbido a este tipo de acontecimentos. Só as nações que se encontram numa fase avançada de colapso social se deixam destruir por dentro por grupos antagónicos, sem sequer encontrar forças para lhes dar luta. Quanto à juventude ocidental, é preciso, mais do que nunca, salvá-la de si mesma, do marxismo cultural e do declínio mental em que se encontra. E, quando relemos o intelectual francês Louis Pauwels a propósito da greve estudantil de 1986, apercebemo-nos de que o declínio mental da juventude vem de longe.

São os filhos do rock idiota, os alunos da vulgaridade pedagógica, os deslumbrados alimentados com uma sopa infra-ideológica cozinhada pelo show-biz (…). Receberam uma impregnação moral que os leva a tomar o “baixo” pelo “alto”. Nada lhes parece melhor do que não ser nada, mas todos juntos, sem chegar a lado nenhum. O seu sonho é um mundo indiferenciado onde vegetar morosamente. Estão embriagados de uma generosidade reduzida ao grau zero, que se assemelha ao amor, mas que se vira contra qualquer exemplo ou projecto de ordem. Todas as medidas que a sociedade toma para não acabar por se dissolver — selecção, valorização do esforço pessoal e da responsabilidade individual, código da nacionalidade, luta contra a droga, etc. — revoltam-nos. Este regresso à realidade é, para eles, um escândalo. (…) Eis todo o seu sentimento revolucionário. É uma juventude atingida por uma espécie de SIDA mental. Perdeu as suas imunidades naturais; todos os vírus da decomposição a atingem. Perguntamo-nos o que se passa dentro das suas cabeças. Nada. Mas esse nada devora-os. Bastaram cinco anos para fabricar uma geração assim. Será toda a juventude? Certamente que não. Ousemos dizer que é a escória com que o socialismo faz o seu vinagre.

(Louis PAUWELS, Le Monome des Zombies, Éditorial do Figaro Magazine sobre a greve estudantil de 1986)


The Spectator - Don’t take Britain’s cathedrals for granted

 

(personal highlights)


Don’t take Britain’s cathedrals for granted

Everywhere I hear voices complaining about charges being imposed on those who wish to visit our great cathedrals. Everywhere, I reply to them: ‘Stop moaning and pay up!’ In fact, you should give more than you are asked. Who else is going to provide the money to save these astounding, irreplaceable buildings for a future in which they may one day be full of worshippers again? Wouldn’t you spend more on a good meal or a good bottle of wine, or a trip to the cinema?

Yes, of course, there should be concessions and exemptions if you are a child or disabled or have no job or are living on a tiny pension. If you have an especial desire to pray in a very large church, then there should be a chapel, near the entrance, where you can do so without charge. But it’s dishonest to pretend piety for a free ticket. You shouldn’t do it. As the great ghost-story writer and lover of cathedrals, M.R. James, might have asked of such people: ‘Do you know what forces you may be toying with, when you lie to get into a church?’ Of course James’s cathedrals contained slobbering demons hiding in the tombs, and sinister carved cats that turn on you and bite you in the middle of the psalm, and strange laughter, high up in the triforium, at dusk. Having attended the cathedral choir school at Chichester, and spent many a late afternoon amid its pillars as the shadows thickened and the noise of the busy world faded away, I wouldn’t be a bit surprised by such things.

But if you want to see an alternative arrangement, slip across to France, which I reluctantly admit, has cathedrals as good as ours – well, as buildings, anyway. But they have been owned and maintained by the secular state (with a few exceptions and anomalies) since 1905, and it shows. I remember hurrying one evening from Chartres station to the cathedral, in the hope of seeing it in the sunset light, before it closed. And I did. The blaze of majesty from the west window is something I shall never forget.

But the place was otherwise asleep. No vergers patrolled, no smiley volunteer ladies offered guidebooks. In any English cathedral of the same size and importance, Evensong would have been just beginning, perhaps the first verses of the Magnificat curling up into the vaults. The combination would have been almost too powerful.

But it did not happen. I have often tried to hunt down Vespers in French cathedrals, and only once succeeded. While the Roman Catholic Church is still free to celebrate its services in these state-owned places, is it possible that the heart has gone out of them now that they are controlled and maintained by a room full of fonctionnaires somewhere in the Ministry for Culture? Doubtless, they will swiftly repair a crumbling crocketed finial, or a blocked gargoyle, once informed of the problem. But it will be an act of efficiency, not one of love and concern.

This is a pity. The cathedral in Strasbourg is one of the greatest buildings in the world, fit to rank alongside our best. At High Mass on Sunday, the procession to the altar is escorted by men in plumed tricorn hats, one of them rhythmically whacking the stone floor with his halberd. Did I imagine the other one carrying a sword? There was a lot of incense. Yet the place seemed far from full. I was there, Protestant as I am, to show gratitude for the great church’s decision to ring its mightiest bell, audible well across the Rhine in Germany, to mark the death of our Queen – one great reverberating stroke for each of her 96 years.

You learn so much from the difference between French cathedrals and ours. Their bells sing a different song, and don’t ring the glorious changes we are used to. Instead they sometimes express another older purpose. I thought James had made up the decayed town of Saint-Bertrand-de-Comminges, in which the story of ‘Canon Alberic’s Scrap-book’ unfolds. But it really exists, and I am determined to go there one day, remote as it is, to see and hear the moment he describes:

It was time to ring the Angelus. A few pulls at the reluctant rope, and the great bell Bertrande, high in the tower, began to speak, and swung her voice up among the pines and down to the valleys, loud with mountain-streams, calling the dwellers on those lonely hills to remember and repeat the salutation of the angel to her whom he called Blessed among women. With that a profound quiet seemed to fall for the first time that day.

Maybe someone will offer me an interesting volume, when I go. I shan’t buy it, if so, and nor should you.

But we all really ought to marvel more at these buildings. Laon with its carved stone oxen standing in its high white towers is not really any stranger than Lichfield with its three spires and rich red stones, or Wells with its scissor arches and moated palace. Le Puy, with its ferociously grim exterior and its forbidding stairs, stands in the middle of that rather crazy volcanic town (where we fetched up by accident after getting lost on the French railway system, long years ago). But it is in fact no stranger and no fiercer than Durham, if your mind is open.

These places are too good to miss. All sensible people should devote their lives at least partly to seeing all of them. And in Britain, unless you want them to fade away in the unfeeling arms of the state, you should be more than willing to pay. As so often, you don’t know how lucky you are, and will not know what you have got till it has gone.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Reflexão - Miguel Morgado sobre a novela Ronaldo /Jesus (LBC)

Miguel Morgado define, no programa "Linhas Direitas", com muita precisão, o que se passa hoje em dia com o desporto profissional mas, sobretudo, com o futebol.




https://www.youtube.com/watch?v=4ytvvnY0Ocw&t=24s



Observador - Uma geração infantilizada? (Rodrigues do Carmo)

 


(sublinhados pessoais)

Uma geração infantilizada?

Ser-se adulto começa quando cada um percebe que pode pedir, protestar e discordar, mas isso implica também propor, escolher, trabalhar, perder e pagar.

Em França, a pretexto de problemas nos liceus, adolescentes, jovens e adultos de várias etiologias, muitos com bandeiras da Palestina, keffyehs e estandartes com foices e martelos amalgamaram-se num frenesim de violência que ganhou momentum e se transformou num protesto contra já não se sabe bem o quê. Pelo caminho, escolas são bloqueadas, equipamentos destruídos, carros incendiados, e pessoas agredidas.

A questão que me interessa neste artigo é em que momento se passa de uma da reivindicação concreta para a convicção de que reclamar, exigir, incendiar, destruir e agredir é uma estratégia eficaz para resolver um problema de mobiliário escolar, falta de pessoal para arrumar as cadeiras, ou sequer exorcizar frustrações.

Conhecemos todos a típica cena de supermercado.

Uma criança birrenta vê um chocolate e reclama-o. Os pais explicam que não pode ser. O infante berra, bate com os pés, atira com o brinquedo ao chão,  e os pais fazem um esforço e cedem, para salvar a tarde, a reputação e os tímpanos. A criança, vitoriosa, aprende a magnífica lição de que berrar compensa e a intensidade do grito é um argumento vencedor. Repetido durante anos, o método produz adolescentes, jovens e adultos que já não chamam “mãe” à entidade encarregada de satisfazer os seus desejos, mas sim “eles” ou “Estado”.  E, quando o Estado não lhe dá o que eles exigem, os adultos infantilizados berram, fazem birra e usam o contentor em chamas como estratégia de conseguimento.

Convém distinguir um direito, de uma vontade a que se juntou um megafone. Ter professores,  segurança e certas condições são exigências inteligíveis, razoáveis, e os impostos servem para isso. Querer tudo imediatamente, sol na eira e chuva no nabal, sem escolher prioridades ou pensar em custos, é outra coisa.

A educação, em certos meios confortáveis do Ocidente tem procurado eliminar a frustração da infância. A derrota agride a autoestima e causa ansiedade, uma nota má é culpa do professor, um obstáculo é violência estrutural e a palavra “não” necessita de acompanhamento emocional e “espaços seguros”. Chegados à universidade, alguns destes “snowflakes” dominam já completamente a linguagem dos direitos e mostram-se pouco preparados para ouvir falar de deveres, dificuldades, escassez ou concorrência.

A psicologia conhece a sobreprotecção parental, ou educação “helicóptero”, feita por pais que removem todas as dificuldades aos filhos, levando-os à incapacidade de aprender a decidir, falhar e corrigir o rumo. Não é uma doença nem explica uma geração inteira, mas ajuda  a compreender o hábito de berrar e fazer birra, a pedir a atenção de uma figura paternal providencial, sempre que surge um obstáculo.

Em Portugal, em 2023, grupos climáticos ocuparam escolas e instituições públicas para exigir o fim dos combustíveis fósseis até 2030 e electricidade totalmente renovável a prazo ainda mais curto. O tema merece ser discutido, mas bloquear a porta de um ministério, ou sujar com tinta o fato de um político, dispensa essa parte maçadora que exige menos esbracejar e mais folha de cálculo.

Nos acampamentos universitários palestinianistas, exigiu-se o corte de ligações a instituições israelitas. No Instituto Superior Técnico chegou a propor-se o fim de um mestrado conjunto em Neurociências e Ciência de Dados. A ideia de sinalizar virtude exigindo a supressão da cooperação científica tem tanta lógica e eficácia como  apagar um incêndio destruindo a biblioteca. Mas para certos manifestantes, a reitoria devia obrigatoriamente produzir uma solução para o Médio Oriente até à hora de fecho da secretaria e o mestrado que se cancelasse, quanto menos neurociências, menos dores de cabeça.

A febre dos pronomes oferece outra variante. Tratar uma pessoa pelo termo que ela acha ser-lhe devido é uma cortesia a decidir por cada um. Já a exigência de transformar cada preferência individual numa obrigação universal, administrada por circulares, formações e vigilantes da linguagem, é outra conversa. Há um problema quando a delicadeza voluntária se converte numa exigência de submissão do outro. O respeito deixa então de ser recíproco, porque se exige ao outro que se adapte sem reservas, enquanto se declara ofensiva qualquer pergunta.

A exigência do “façam alguma coisa”, já saiu da universidade e entrou até no futebol.

A Irlanda, um caso patológico de antissemitismo, jogou há dias contra Israel, mas a sua selecção de futebol decidiu acompanhar os jogos com gestos de protesto, braçadeiras negras, cabeças baixas durante o hino adversário e ausência de apertos de mão. O seleccionador Hallgrímsson, cheio de si, encheu a boca com a patacoada de dizer que a equipa jogava “contra o genocídio”. Seguiram-se críticas, conferências de imprensa incómodas e dois encontros tensos. No fim, incapaz de aguentar a frustração de não ser universalmente amado e aclamado por aquilo que acreditava ser uma manifestação de virtude, pediu que a UEFA evitasse novos emparelhamentos entre Irlanda e Israel, invocando o bem-estar dos jogadores.

O princípio é delicioso: sinalizamos virtude, fazemos birra, somos grosseiros, transformamos um jogo numa declaração política e exigimos à UEFA que nos poupe às consequências, à crítica, e que actue como um Serviço de Apoio ao Desconforto Autoproduzido.

Há ainda a política do “alguém que pague”.

Na sua versão infantil, o socialismo é a crença de que o Estado possui um cofre inesgotável, escondido atrás do retrato do Presidente da República, e só não distribui casas baratas, bons salários e serviços perfeitos, por maldade ou distracção. Para o adulto essencialmente reclamador, “eles” têm dinheiro que não nos querem dar, e existe uma abstracção inesgotável chamada “os ricos”, categoria apta a financiar todas as promessas. O programa tem a simplicidade do chocolate no supermercado, é só preciso exigir e reclamar, de preferência com a cara coberta por um lenço da moda intifada-chic e a  pergunta “quem paga?”, é uma intolerável provocação reaccionária e fascista.

Manifestar-se é um direito importante, claro, mas uma multidão não substitui uma demonstração, e um cartaz não é um plano. Agir em manada faz muitos destes adultos infantilizados sentirem-se corajosos, sem assumirem qualquer responsabilidade individual. Cada um grita e exige tudo, mas poucos dizem quais das suas exigências sacrificariam para tornar possível a primeira.

Seria injusto, reconheço,  transformar esta caricatura no retrato de toda uma geração. Há jovens que estudam a sério, trabalham, criam empresas, cuidam de familiares, fazem investigação ou servem os outros sem pose no Instagram. Talvez sejam poucos os que escapam à armadilha da facilidade, mas são estes que resolvem problemas, pensam soluções e melhoram realmente a vida de todos. São muito capazes, embora menos visíveis porque, em vez de fazer birras em manada, estão ocupados a construir coisas.

A verdadeira infantilização não consiste em ter vinte anos e fazer disparates, porque isso sempre aconteceu, inclusive aos velhos de hoje. Consiste em ensinar alguém, durante vinte anos, que o mundo existe centrado em volta do seu umbigo, com o único propósito de lhe evitar contrariedades.

Ora ser-se adulto começa quando cada um percebe que pode pedir, protestar e discordar, mas isso implica também propor, escolher, trabalhar, perder e pagar. Sem essa descoberta, será toda a vida um “activista empoderado” e fará carreira como deputado do BE ou do Livre, se tiver sorte.

Ou como uma criança com cartão de eleitor, a servir de figurante nos rebanhos habituais, a chamar injustiça à distância entre o que deseja e o que está disposto a fazer para o conseguir.

Observador - A intifada em França (Rui Ramos)

 


(sublinhados pessoais)

A intifada em França

A associação com o radicalismo islâmico, em regiões de grande migração muçulmana, deu à extrema-esquerda uma força como nunca teve desde os anos 1970

Os noticiários dizem que os estudantes franceses saíram à rua para exigir mais despesa em educação. Mas estes estudantes, que querem mais meios para o ensino, incendeiam as escolas. Queixam-se da falta de professores, mas agridem e regam com gasolina aqueles que apanham. São franceses, mas marcham sob as bandeiras da Palestina e da Argélia. Nos seus ajuntamentos, escutam e aplaudem os deputados e vereadores da extrema-esquerda. Entretanto, já atacaram esquadras e feriram mais de 700 polícias.

Não estou a dizer que não haja problemas na educação em França. Deve haver, porque sempre houve, apesar de a despesa com o ensino público ser a mais elevada de todos os tempos. Também não estou a dizer que não haja gente na rua inspirada apenas por essa causa. Deve haver, tal como deve haver simples curiosos. Mas como os serviços de informação já concluíram, o motor da campanha de violência é o partido da extrema-esquerda La France Insoumise, de Jean-Luc Mélenchon. Podemos perguntar onde quer chegar Mélenchon. Mas antes, convém perceber onde já chegou.

A extrema-esquerda no Ocidente assenta agora numa parceria entre activistas estudantis intoxicados pelo professorado esquerdista, e fundamentalistas islâmicos. O islamismo radical aproveitou a incapacidade de integração do Ocidente, tolhido pela auto-abjecção wokista, para transformar os migrantes muçulmanos num bloco de votos de cabresto à antiga. Por enquanto, os jihadistas preferem usar a extrema-esquerda como barriga de aluguer política. Eis como Die Linke na Alemanha, o Green Party na Inglaterra, ou La France Insoumise elegem deputados e vereadores. Foi para consolidar essa aliança que a extrema-esquerda fez de Gaza a sua grande causa, e do anti-semitismo a sua filosofia.

Em França, Mélenchon parece ter concluído que o jihadismo, ao pôr à sua disposição os jovens da imigração dos subúrbios para juntar nas ruas aos estudantes e aos “casseurs” esquerdistas, lhe deu mais um recurso: a “intifada”. Para quê? Nas presidenciais de 2027, Mélenchon gostaria de ir a uma segunda volta com Marine Le Pen. Perdesse ou ganhasse, submeteria toda a esquerda à sua liderança. Não poderá então o actual ensaio de violência emprestar-lhe fama de desordeiro e prejudicá-lo? Não necessariamente. Dá-lhe apenas outra opção. Imaginemos, por exemplo, que Le Pen é eleita. Mélenchon lança a intifada, e das duas, uma: ou uma presidente Le Pen recorre à força para conter a insurreição, e Mélenchon denuncia o “fascismo” e exige às elites francesas que provem ser “democratas” juntando-se à sua “luta”; ou Le Pen cede, exibe a mesma fraqueza de todos os governos franceses dos últimos 30 anos, e desacredita-se junto dos seus eleitores, que esperam ordem, e dos investidores e credores do Estado, que esperam reformas. Sem o consentimento de Mélenchon, dono da rua, ninguém poderia governar em França.

Se é esse o plano, não é mal pensado. A associação com o radicalismo islâmico, em regiões de grande migração muçulmana, deu à extrema-esquerda uma força como nunca teve desde os anos 1970. Podia servir-lhe só para eleger presidentes de câmara, como em Berlim ou Nova Iorque. Mas para estes revolucionários, a violência foi sempre a maneira mais coerente de fazer política, e a Mélenchon, talvez a insurreição pareça a melhor jogada. A questão é saber se a restante esquerda e as elites bem-pensantes em geral se deixarão liderar por gente como Mélenchon a pretexto do “antifascismo”. Há anos que à oligarquia europeia só interessa ver perigos à direita, entre aqueles que contestam as suas políticas de estagnação económica, caos migratório e desmantelamento da cultura nacional. Por isso, nem deu pela emergência desta extrema-esquerda com motor jihadista. Vai perceber agora? E, percebendo, vai resistir?

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Reflexão - Tempos difíceis (LBC)

Rough times


in France 


Brasil


Everywhere!







The Spectator - Do France’s pupil protestors have a point?

 


(personal highlights)

Do France’s pupil protestors have a point?

On 21 September, pupils at the Lycée Saint-Exupéry in Créteil, south-east of Paris, staged a protest. They had a list of grievances. Classes were overcrowded and there was a shortage of teachers. They were also dismayed at the decaying state of some of the school buildings and the automated university admissions platform they feel deprives them of autonomy.

Pupils filmed the protest and uploaded the footage onto social media. It went viral. Across France, children in other secondary schools joined the protest. They aired the same complaints as their peers in Créteil – and more.

Some pupils described seeing rats in classrooms, others of enduring leaking ceilings and mouldy walls. For many, memories of the summer heatwave were still painfully fresh. They remembered how they sat their exams in June in classrooms where the temperature topped 38°C. At one high school in Versailles pupils took their exams in an underground car park because it was the only cool place in town.

As the protests spread, so they became violent. At Saint-Exupéry school, pupils had demonstrated peacefully behind a barricade of wheelie bins. In other schools the bins were set ablaze and fireworks used as missiles. These acts of vandalism attracted the police and there were confrontations. They also attracted young men wearing hoodies and masks; young men who looked too big to be at school.

Last week the violence exploded. The statistics bear witness. More than 1,000 injured: 715 police officers, 215 pupils and 85 teaching staff.

Much of the savagery was uploaded, and it has horrified France. A policewoman chased along a Paris street and hurled to the ground; a policeman kicked unconscious by a gang of howling youths in Belfort; a woman in Marseille set on fire by a 15-year-old with an aerosol can as she told him to stop vandalising a bus stop. On Monday, a 15-year-old boy had his hand blown off by a police stun grenade outside his school in Lens.

Schools have been firebombed, shops have been pillaged, a fire engine has been attacked and buses have been vandalised. It is anarchy, and it is ongoing. After a weekend of calm, more than 400 schools experienced protests of some form or another on Monday.

The following day, higher education students and some unions joined the school protestors on their picket lines. The numbers on the streets were estimated to be somewhere around 200,000.

They were encouraged by La France Insoumise (LFI), the political party fronted by Jean-Luc Mélenchon, often described as the French Jeremy Corbyn. On its website LFI listed the main demonstration sites and the times of the protests. The party praised the students for the action, declaring: ‘Unjustly repressed by the government and its law enforcement agencies last week, they have sparked a widespread mobilisation.’

This is Mélenchon’s ambition – a repetition of May 1968 when a minor student protest at Nanterre University over access to the women’s dormitory quickly turned into a nationwide uprising. There were ten million people on the streets by the end of that month: students, workers and trade unionists united against the government and the police.

On Monday, Mélenchon proclaimed that the Republic ‘is witnessing the most powerful movement of high school and college students it has seen since May 1968’.

In recent weeks fishermen, police officers, health workers and teachers have staged protests about their working conditions. For several weeks social media has been awash with rumours that the gilets jaunes (yellow vests) will re-emerge on 17 October.

They were first seen eight years ago in what began as a protest against a green fuel tax and spread rapidly and ferociously. Demonstrators focused their fury on Paris and the perceived arrogance of Emmanuel Macron. On one Saturday in December 2018, a helicopter was reportedly prepared in the grounds of the Élysée Palace in the event that the president was forced to flee the capital.

A similar fury to that which led to the gilets jaunes in the winter of 2018-19 has been simmering for years. It is now bubbling because of rising fuels costs, energy bills and supermarket prices. The people in the provinces – the Praetorian Guard of the gilet jaune movement – are struggling to put petrol in their cars and food on their tables.

When their original protest erupted eight years ago, the gilets jaunes had the support of three-quarters of the country; a recent poll revealed that 62 per cent of the French support the high school demonstrators. It is hard not to sympathise. The average day for a French high school pupil starts at 8 a.m. and ends at 6 p.m. My daughter went through the French education system and it was demanding. Compared with the British system there is little outlet for self-expression, and opportunities for sport, music and the arts are very limited.

My wife has taught in the state sector for a decade. First, she was in Seine-Saint-Denis in the north of Paris, which has been the epicentre of the violence in recent days. Now she teaches in a large secondary school in Burgundy.

Within a week of the new school year, she was telling me about staff shortages and overcrowded classrooms. The protest movement has not surprised her or her colleagues. It’s been coming for years. I spoke to some of her pupils this week. Agathe told me about her lack of maths teaching this year, a subject she’s desperate to improve. She also mentioned classrooms barely fit for habitation. Thomas told me of a chaotic school timetable in which some subjects are overloaded and others neglected.

The protests at their school have not degenerated into violence. The atmosphere at Tuesday’s demonstration was one of cheerful determination. ‘The National Education system: more toxic than my ex,’ was one of the many placards brandished by pupils. Around 20 police officers were present, some accepting patisseries offered by the protestors.

But among some of the pupils there is an undercurrent of anxiety. Laetitia explained that she is scared of ‘outsiders’ coming to cause trouble – but she’s also wary of the police, who are under extreme pressure during the protests but occasionally overreact. Last week one officer was filmed holding a distressed 14-year-old girl in a headlock for more than a minute. The police don’t want the general public to turn against them as they did in 1968.

Most teachers across France support the protest movement. My wife does and so does her colleague Constance, a teacher for 20 years. ‘We need to change the curriculum,’ she said. ‘It’s too intense, too tiring and completely inefficient for the pupils.’

Gaspard, who’s been teaching at my wife’s school for 25 years, said constant cost-cutting had made life unbearable for staff and pupils. ‘It’s a mess,’ he said. ‘Teachers are suffering from burnout because of their workload.’ There are too many pupils and not enough teachers. He pointed a finger at Paris, accusing the government of ‘neglecting’ provincial schools like his. Certainly, it’s hard to have much clarity and vision when there have been seven education ministers since 2022.

Last Friday I was in Paris, observing a protest at a high school in the trendy 15th arrondissement, not far from Montparnasse. There were 100 or so pupils gathered outside the entrance in mid-morning. It was rather jolly. The only flash of hostility I saw was when a police car drove by and the boys and girls hissed and hollered.

The pupils sang a chant about Macron resigning and I saw one or two signs denouncing Marine Le Pen. There was no overt support for Mélenchon and the left. I spoke to a couple of 16-year-olds who said they didn’t want the movement to become political; they just wanted to be listened to.

Constance sees something more profound than a protest about class sizes and leaky roofs. ‘This is a generation a little lost, left behind,’ she says. ‘They have worries about the environment, about society and its inequality. It’s a broader revolt. There is an immense anger.’ But this anger is cross-generational. Different reasons, same rage.

Desporto - Telenovelas

o que se ouve 


o que se devia pensar...



terça-feira, 6 de outubro de 2026

Cartoon - Larson

Há cartoons e cartoons...





 

Reflexão - O Túnel "Algés - Trafaria"... (LBC)

PARA MAIS TARDE RECORDAR...


1 - Um pequeno exercício no ChatGPT: calcular os pontos de saída do "túnel rodoviário Algés - Trafaria" com um critério optimista do fixe a 100m (...). 

2 - O critério mais optimista (inclinação de 5%) no que ao comprimento diz respeito, é de 7000m, ou seja, não é entre Algés e Trafaria mas mais entre Carnaxide e Funchalinho. Parece-me...

3 - O critério mais pessimista (3%) é de 9,7Km de comprimento, ou seja, aproximadamente entre Linda-a-Velha e Sobreda.

4 - Então, a designação correcta não deverá ser Algés - Trafaria! De que estarão "eles" a falar? E porquê?...

5 - a não ser que o túnel não seja túnel, antes um tubo "suspenso" no meio do rio...:), modernices!

Enfim, "cãojecturas" pessoais (...) para um futuro longínquo...






Fazer um perfil completo de um túnel de 3 km sob o rio, a 100 m de profundidade, incluindo a distância das rampas, ponto mais baixo e comprimento total, usando uma inclinação máxima de 3%, 4% ou 5%.

Sim. Vou assumir que:

  • 3,0 km = extensão horizontal do trecho sob o rio, no nível mais baixo;
  • 100 m = desnível vertical entre a cota dos portais e a cota do ponto mais baixo do túnel;
  • há duas rampas simétricas, uma de cada lado do rio;
  • a inclinação indicada é a máxima longitudinal;
  • para este cálculo preliminar, desconsidero curvas verticais de concordância.

A relação é:

Lrampa=100i

onde i é a inclinação em valor decimal.

Comparação dos três cenários

Inclinação máximaDescida de cada ladoTrecho sob o rioSubidaComprimento total
3%3.333 m3.000 m3.333 m9.667 m (9,67 km)
4%2.500 m3.000 m2.500 m8.000 m (8,00 km)
5%2.000 m3.000 m2.000 m7.000 m (7,00 km)

m=1003333.33

Perfil longitudinal

Opção A — 3%

Perfil simplificado:

Cota 0 m ──┐                                      ┌── Cota 0 m
           │\                                    /│
           │ \                                  / │
           │  \                                /  │
           │   \______________________________/   │
           │          3.000 m sob o rio           │
           │                                      │
Cota -100m └────────── ponto mais baixo ──────────┘
              3.333 m          3.333 m
  • Portal esquerdo: 0 m
  • Início da zona de fundo: 3.333 m
  • Ponto mais baixo: 6.333 m
  • Fim da zona de fundo: 9.333 m
  • Portal direito: 12.667 m?

Correção importante: o comprimento total calculado acima é 9.667 m, portanto a representação deve ser interpretada como:

  • rampa: 3.333 m
  • fundo: 3.000 m
  • rampa: 3.333 m
  • total = 9.666 m

A estação do ponto mais baixo é, portanto, 3.333 m, e ele permanece na zona baixa durante os 3 km, até à estação 6.333 m.

Opção B — 4%

Cota 0 m ──┐                                ┌── Cota 0 m
           │\                              /│
           │ \                            / │
           │  \__________________________/  │
           │       3.000 m sob o rio        │
Cota -100m └──────── ponto mais baixo ───────┘
             2.500 m       2.500 m
  • Rampa de entrada: 2.500 m
  • Trecho a -100 m: 3.000 m
  • Rampa de saída: 2.500 m
  • Comprimento total: 8.000 m
  • Início do trecho mais baixo: km 2+500
  • Fim do trecho mais baixo: km 5+500

Opção C — 5%

Cota 0 m ──┐                          ┌── Cota 0 m
           │\                        /│
           │ \______________________/ │
           │      3.000 m            │
Cota -100m └──── ponto mais baixo ────┘
              2.000 m    2.000 m
  • Rampa de entrada: 2.000 m
  • Trecho a -100 m: 3.000 m
  • Rampa de saída: 2.000 m
  • Comprimento total: 7.000 m
  • Início do trecho mais baixo: km 2+000
  • Fim do trecho mais baixo: km 5+000

Resumo do perfil

3%4%5%
Profundidade máxima100 m100 m100 m
Rampa de entrada3,333 km2,500 km2,000 km
Trecho sob o rio3,000 km3,000 km3,000 km
Rampa de saída3,333 km2,500 km2,000 km
Comprimento total9,667 km8,000 km7,000 km
Estação início fundokm 3,333km 2,500km 2,000
Estação fim fundokm 6,333km 5,500km 5,000

Em termos geométricos, 5% é a solução mais curta, mas exige uma inclinação significativamente maior. Para um túnel rodoviário, a escolha entre 3%, 4% e 5% não deve ser feita apenas pelo comprimento: entram também segurança, drenagem, ventilação, veículos pesados, evacuação e critérios normativos.

Se quiser, posso fazer a seguir um perfil longitudinal completo em escala, com cotas a cada 500 m, quilometragem, rampas, ponto mais baixo e comprimento total, para as três alternativas.