sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Cartoon - Le test de la clochette

 Tempos difíceis...














Reflexão - Vários

 

(Alberto Gonçalves)

O futuro do país está nas cartas

O dr. Pedro Nuno sente-se genuína e compreensivelmente repugnado sempre que um caixote é entregue ao destinatário por uma empresa privada, dedicada ao feio lucro e não, conforme devia ser, ao prejuízo

Muita gente, em geral apreciadora do PS, acha ridículo que nos preocupemos com os CTT em vez de nos ocuparmos com aquilo que, cito oitocentos e trinta utilizadores do Twitter, “verdadeiramente importa aos portugueses”. Vamos por partes.

Em primeiro lugar, a generalização é abusiva. Eu, pelo menos, não me preocupo nada com os CTT, que identifico com lojas melancólicas que vendem livros esquisitos. Como vivo no século XXI e não em 1972, não envio cartas nem as recebo. O que recebo, por regra sem problemas, são compras feitas na internet e depois deixadas em minha casa por uma das inúmeras empresas do ramo. Desde que o produto corresponda ao que adquiri e chegue inteiro e a tempo, o que de resto costuma acontecer, é-me indiferente que venha pelos CTT ou por qualquer das concorrentes. Sei que parece doentio mas, quando vou ao restaurante, ligo mais a que as sardinhas estejam saborosas do que ao registo comercial do barco que as pescou e ao currículo detalhado do sujeito que as assou.

Em segundo lugar, quem pelos vistos se preocupa imenso com os CTT é o PS. Foi um governo do PS a determinar a respectiva privatização (no PEC para 2010) e foi um ministro das Finanças do PS a assiná-la (no “memorando” da Troika em 2011). Foi outro governo do PS que tentou renacionalizar um pedaço dos CTT à socapa em 2020 ou 2021, para agradar aos partidos comunistas com que se aliara ou por ímpeto estatista próprio. E foi um ex-ministro das Comunicações do PS que, em finais de 2023, fingiu que o assunto não lhe dizia respeito para de seguida, no início de 2024, se lembrar que afinal sabia de tudo e, principalmente, concordava com tudo – excepto, presume-se, com a privatização, que considerou “desastrosa” a ponto de a imputar ao PSD.

Em terceiro lugar, o dr. Pedro Nuno não se limita a desejar moderadamente que os CTT regressem à influência do PS, perdão, do Estado: a julgar pela conferência de quinta-feira, o homem encontra-se convencido de que a existência de Portugal enquanto nação soberana depende disso. Para ele, a privatização de um anacronismo “lesou profundamente o interesse nacional”, que este génio das negociatas, digo, dos negócios confunde com “nacionalizado”. É natural que o génio que conseguiu espatifar quatro mil milhões do nosso dinheiro na TAP não se entusiasme com uma transacção que, ao invés de perder, rendeu 900 milhões. As suas intervenções na TAP e na CP provaram que a motivação do dr. Pedro Nuno nunca é económica, e sim simbólica. O dr. Pedro Nuno sente-se genuína e compreensivelmente repugnado sempre que um caixote da Amazon é entregue ao destinatário por uma empresa privada, dedicada ao feio lucro e não, conforme devia ser, ao prejuízo. Uma encomenda da Ali Express manuseada por um funcionário que não seja público representa uma facada na memória de D. Afonso Henriques ou, pior ainda, na de Lenine. Aliás, o dr. Pedro Nuno não despreza a hipótese de, alcançado o poder, nacionalizar a Amazon e a Ali Express a título de companhias-bandeira.

Em quarto lugar, o que move o dr. Pedro Nuno é, nos CTT e no resto, o “serviço público de qualidade”, por acaso um pleonasmo na cabeça de um marxista, desculpem, de um patriota: ou o serviço é público ou não é de qualidade. Só os domínios nas mãos do PS, quero dizer, do Estado é que são, por natureza e desígnio, capazes. O exemplo óbvio é o da saúde, onde a organização e a eficácia do SNS são o farol que ilumina as salas de espera de urgências que, se não estiverem fechadas, atendem os pacientes em meras quinze ou dezasseis horas – e de especialidades tão precavidas que permitem a marcação de consultas com dois anos de antecedência, isto se não calhar em data com tolerância de ponto. Porém, a excelência da saúde pública não nos deve distrair da superioridade da educação pública (com apenas 50 mil alunos sem professores e com quase metade de notas positivas nas provas de aferição) ou da magnificência dos transportes públicos (sem greves na maioria dos dias). Para o dr. Pedro Nuno, e bem, o que é nacionalizado é bom.

Por fim, custa-me definir o que “verdadeiramente importa aos portugueses”. Serão os CTT? Duvido. E, a acreditar no relativo sucesso do PS nas sondagens, os portugueses também não se importam com a situação do SNS (fabuloso, recordo), do ensino (sublime, insisto) ou dos transportes colectivos (imaculada, volto a notar). Se não estou em erro, os portugueses não estão igualmente importados com a questão da habitação (que o PS resolveu num ápice e com um pacote), o aumento do custo de vida (que o PS compensa com esmolas ocasionais e caridosas), a perda do poder de compra (que apesar da más-línguas o PS manteve acima do da Bulgária) e a subida da carga fiscal (que o PS credivelmente nega). Os portugueses nem sequer se importam com a possibilidade de, após um oportunista sem vergonha, a 10 de Março um irresponsável com alucinações ideológicas subir a primeiro-ministro em parceria entusiástica com as delegações locais de Putin e do Hamas.

Até lá, o irresponsável prosseguirá em campanha triste sob o lema “Portugal Inteiro”, engraçado na medida em que, por causa dele, dos que ele apoiou e dos que o apoiam a ele, o país está em cacos. E, em breve, talvez nem isso. Basta saber ler as cartas, logo que o Estado volte a dá-las.

(Helena Matos)

O diabo veio, veio e veio

“O diabo não veio, não veio e não veio” — três vezes negou António Costa que o diabo tivesse vindo. Mas o diabo veio, veio e veio. A última vez que o viram foi numa urgência hospitalar.

Já tinham passado dez minutos de discurso. António Costa acelerava na retórica num congresso que tem a carga dramática de ser o último da sua carreira como líder dos socialistas: “Nós conseguimos aumentar salários e ao mesmo tempo criar empregos, nós conseguimos aumentar salários e aumentar o investimento das empresas, nós conseguimos aumentar salários e aumentar as exportações, nós conseguimos aumentar salários e melhorar a nossa competitividade”. Mas quando se julgaria que ia fechar a enumeração de um país que o ainda primeiro-ministro vê a mudar em função daquilo que o Governo escreve no Diário da República, eis que António Costa acaba a deixar-nos uma das afirmações mais interessantes sobre aquilo que o preocupou enquanto primeiro-ministro: o diabo.

O “diabo não veio, não veio e não veio repetia Costa com o arrebatamento de quem faz um esconjuro, para depois, numa inflexão de voz, anunciar como quem partilha um qualquer de retro, “eu vou agora revelar um segredo: porque é que o diabo não veio? O diabo não veio porque o diabo é a direita“. A assistência aplaudia. Muitos sorriam. Todos eles temeram de facto que o diabo viesse. Não Belzebu nem Satanás mas sim aquele outro diabo que no dia 6 de Abril de 2011 viram claramente visto no palácio de São Bento enquanto José Sócrates anunciava ao País que Portugal ia pedir ajuda externa. O slogan das contas certas deixa assim de ser slogan e torna-se mantra quando se ouve Costa repetir o “diabo não veio, não veio e não veio”.

Sim, a preocupação de Costa em não repetir a humilhação por que passou Sócrates e a alteração das regras europeias afastaram do horizonte dos últimos anos o espectro duma falência como aquela a que o PS nos levou em 2011. Mas não impediram que o diabo viesse. Ao contrário do que diz António Costa, o diabo veio. Entrou no SNS onde ora o frio ora o calor, sem esquecer as escalas de férias e dos dias úteis… tudo são pretextos para explicar o não funcionamento. Banalizaram-se as urgências fechadas e os doentes urgentes que morrem à espera de ser observados. Dizem-nos agora que nós é que não sabemos usar o SNS e repreendem-nos porque existe um “afluxo excessivo às urgências“, como se as urgências não fossem a única opção que resta aos 1,7 milhões de portugueses que não têm médico de família. Aliás o número de pessoas sem médico de família não só tem vindo a aumentar — em 2023, mais 155 mil utentes ficaram sem médico no seu centro de saúde — como tudo indica que continuará a aumentar: em Dezembro último, o Governo abriu 924 vagas para médicos de família. Apareceram 143 candidatos. Das 29 vagas para a especialidade de Saúde Pública 17 não tiveram candidatos.

Sim, o diabo veio, veio e veio. Estava em Loures quando um idoso morreu num corredor do Beatriz Ângelo depois de esperar seis horas com a anca partida num dia de Agosto em que mais de vinte ambulâncias faziam fila no hospital. E esteve, o diabo, claro, pelo menos onze dias em Penafiel, os mesmos dias que um homem passou numa maca num corredor…

O diabo passou pelas escolas públicas, salta-nos aos olhos quando vemos os resultados das provas de aferição: No segundo ano, quer a Português quer a Matemática os resultados não são positivos em nenhum domínio. 

O diabo está sentado à espera dos que se vão reformar a partir de 2026:  ano após ano as pensões serão cada vez mais baixas. Em 2045, a reforma será inferior a metade (48,2%) do último vencimento… Sim, o diabo veio, veio e veio. E vai continuar a vir. Só que veio ao encontro do povo e não de quem o governa, que sabiamente repete o esconjuro das contas certas como quem se agarra a um bentinho.

Combater o diabo implica combater o socialismo mas como sabe quem algum vez se interessou pela mefistofélica figura poucas coisas existem mais sedutoras que as palavras de quem nos diz o que queremos ouvir.

(António Marques Mendes)

Pedro Nuno Santos: "diz-me com quem andas e o que fazes, dir-te-ei quem és"

Pedro Nuno Santos lida mal com a verdade, com a modéstia, com a competência e comprometimento, com a transparência, com o caráter. Os socialistas estão a aclamá-lo em Congresso.

O PS aclama este fim-de-semama PNS, uma figura que molda a verdade à medida da realidade num exercício contínuo de propaganda. Mas se os socialistas têm este dever de aclamação, os portugueses não!

No congresso os discursos vão sair inflamados, quentes, quase-épicos (hesito entre um Vangelis ou um Einaudi como música de fundo). As mensagens vão sair curtas, simples, diretas, tal qual os quadradinhos da nova imagem da república. Os conteúdos serão redondos, insubstantes, cheios de promessas sobre “a coisa pública”, e carregados de adjetivações irreproduzíveis sobre a “direita que, qual anjo caído, assombra os dias e as noites dos portugueses”.

Mas os portugueses não se podem esquecer que PNS é o homem que:

  • afirmou que salvou a tap, mas se esqueceu que foi com o dinheiro dos portugueses e que deixou um rasto de confusão atrás de si
  • aprovou indemnizações de 500 000 euros por whatsapp
  • afirmou que é o único que tem experiência empresarial, mas que afinal foram apenas uns meses
  • é aquele que acordou uma manhã a dizer “hoje o aeroporto vai ser em Alcochete”, e que ao fim do dia, de rabo entre as pernas, pediu desculpa por ter sido irrefletido, imaturo e incompetente depois de Costa lhe ter tirado o tapete
  • afirmou que colocou a CP a dar lucro, esquecendo-se da engenharia financeira que fez e do dinheiro dos Portugueses que lá injectou (para não falar da sucata que comprou a Espanha)
  • tem uma consciência social desde menino por toda a pobreza que viu à sua volta, mas que se passeou num Porsche 911 (997) e se divertiu a guiar o Maseratti Quattroporte do pai
  • aproveitou o programa de Júlia Pinheiro, para confessar que “este vai ser o tempo de finalmente fazer qualquer coisa decente pelos portugueses”, como se porventura tivesse aterrado de uma viagem interplanetária de 8 anos, esquecendo-se que fez parte, precisamente, dos governos que não fizeram o que era decente pelos portugueses
  • que demonstrou que a honra socialista é uma sanduíche requentada, já que os compromissos assumidos quando, aflitos, pedimos dinheiro a financiadores internacionais devido à bancarrota criada pelo PS, não deveriam ser cumpridos e que Portugal devia usar a bomba atómica contra os credores
  • que recusou o rótulo de radical de esquerda, “sempre fui social-democrata” , mas que se esquece que a verdadeira social-democracia não cita Karl Marx do palanque ao pequeno-almoço, nem defende indiscriminadamente as nacionalizações
  • não sabia, mas que sabia, que não sabia mas não tinha que interferir, que tinha que interferir mas não o fez, que se calhar até cometeu uma ilegalidade de palmatória, no caso da incompreensível e injustificável compra de ações dos CTT

Pedro Nuno Santos lida mal com a verdade, com a modéstia, com a competência e comprometimento, com a transparência, com o caráter. Os socialistas estão a aclamá-lo em Congresso.

Livros lidos - As mulheres dos nazis

Mais uma prenda do Jorge Basílio.


Reflexão - Helena Matos

 


E no fim a justiça ficou com o que era da política

...a política ficou sem nada e o país ficou a braços com um manto de decadência. Não, isto não é a democracia a funcionar. É sim um modo perigoso de funcionar na democracia.

É uma democracia que funciona. É uma democracia que funciona.” — repetia Marcelo Rebelo de Sousa à jornalista que o interrogava sobre as crises políticas que o país vive. O mantra da democracia a funcionar sucede ao já obviamente caduco e ultrapassado pela vertigem dos acontecimentos do “À justiça o que é da justiça. À política o que é da política” que nos trouxe a este Janeiro de 2024. Um e outro procuram apenas tirar o foco da responsabilidade dos protagonistas e transferir para nós a responsabilidade e a culpa: ou porque estamos a discutir na política o que é da justiça (ou vice-versa) ou porque não percebemos que isto é uma democracia a funcionar. Mas isto não é a democracia a funcionar.

Enquanto escrevo esta crónica, Portugal tem um primeiro-ministro demissionário a ser investigado pelo Supremo Tribunal de Justiça e vários membros do seu governo/equipa também a serem investigados. O agora demissionário presidente do governo regional da Madeira foi constituído arguido. O também demissionário presidente da câmara do Funchal está detido para interrogatório. O presidente da República não consegue dar explicações convincentes sobre o uso do seu nome e influência no chamado caso das gémeas. O líder da oposição é objecto de um inquérito sobre os benefícios fiscais atribuídos à sua casa em Espinho. Um antigo primeiro-ministro socialista está acusado de 22 crimes três dos quais de corrupção, 13 de branqueamento de capitais e seis de fraude fiscal sem que o PS tenha até agora reflectido sobre esse período recente da sua e da nossa história.

É isto uma democracia a funcionar? Não, isto não é a democracia a funcionar. É sim um modo perigoso de funcionar na democracia. E é esse modo que temos de discutir, criticar e abordar porque a alternativa é aquilo que está a acontecer: a justiça ficou com o que era da política, a política ficou sem nada e o país imerso num manto de sordidez, decadência e bruteza, vive de sobressalto em sobressalto, viciado numa escala crescente de indignação em que o inimaginável que acontece hoje banaliza o que na véspera era impensável.

A emergência de que não se fala: a violência nas escolas. “Aluno de 11 anos sodomizado por oito colegas em escola de Vimioso na presença de uma funcionária” – A cada linha das notícias sobre este caso surge mais uma questão. A primeira e óbvia: porque não interveio a funcionária? Mas há mais: como conseguem oito jovens com idades entre os 13 e os 16 anos agredir desta forma um colega (e irmão de um dos agressores) sem que ninguém mais, além da funcionária que “nada fez”, perceba que algo de anormal está a ter lugar? Os outros funcionários e professores da escola não deram por nada? Note-se que tudo isto terá acontecido pelas 12h 30 hora em geral movimentada em qualquer escola. Mas não acabam aqui os factos a exigirem esclarecimento: o presidente da Junta de Freguesia de Vimioso, José Manuel Alves Ventura, que tem tido um papel muito mais activo que os responsáveis do agrupamento escolar na denúncia deste caso alerta para “um clima de terror e de encobrimento” que, segundo ele, se vive no Agrupamento de Escolas de Vimioso, relatando mesmo vários casos de violência entre alunos, entre alunos e funcionários. Algo de francamente anormal está a acontecer neste agrupamento escolar.

A violência nas escolas deixou de ser assunto o que não quer dizer que tenha deixado de existir, antes pelo contrário. Mas como acontece quando a ideologia pretende determinar a realidade os números foram sendo trabalhados e apagados para que os resultados fossem conformes aos amanhãs cantados pela equipa do ministério da Educação: em Dezembro de 2023, um estudo revelava que o número de ocorrências em ambiente escolar comunicado às forças de segurança é 48% superior aos casos que depois surgem contabilizados nos relatórios oficiais.

Mas nem a brutalidade do acontecido na escola de Vimioso foi suficiente para que se quebrasse o muro de silêncio que se tem levantado em torno do que está a acontecer nas escolas: dos resultados à violência. Antes de começar o coro de críticas à funcionária que “nada fez” quero recordar que essa funcionária e os demais que as 12h 30 m não viram nem ouviram nada de estranho naquela escola agem como toda a sociedade portuguesa que tanto se tem esforçado por não ver nem ouvir o que de estranho lhes chega das escolas portuguesas.

Ps. Continuam a aguardar-se explicações sobre a morte de uma aluna na Escola Secundária de Seia após ter chocado com uma porta de vidro. Os diferentes vidros que se podem usar nas escolas está especificado e devidamente regulamentado. Logo não é verdade que como o ministro João Costa defendeu se trate “de um acidente que poderia ter acontecido, infelizmente, em qualquer escola ou em qualquer lugar onde haja vidro.”

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Reflexão - The Spectator (The joy of middle-aged football)

 A quem (“middle aged”...) ainda joga esta modalidade…:),…ou outra qualquer :):):)

The joy of middle-aged football

(iStock)

Theo Hobson has narrated this article for you to listen to.

I can tell when my life’s going OK. My stray thoughts are not about what a loser I am but about what a terrible footballer I am. Why didn’t I shoot when I had that chance? Why did I pass to the opposition? And, oh dear, I wonder how Diego’s knee is?

For almost a decade I’ve been playing football on Saturday mornings in a local park in London. For the first few years I was a fair-weather visitor, shy about it. I’m not much of a joiner and I don’t have much chat about the transfer window, so I felt awkward and almost stopped going. A couple of others were middle-aged and rusty like me, so they probably didn’t really want another old guy getting in the way. But I gradually felt that they didn’t mind me being there, that I was a valid part of the mix.

It’s a couple of steps up from jumpers for goalposts. It’s plastic self-assembly goalposts for goalposts and fluorescent bibs for one of the teams. One of the old guys, Keith, brings the kit. Recently he asked everyone for a fiver for some new stuff. That’s all I’ve ever paid in ten years.

There’s a pool of about 40 men (in the early days a brave young woman sometimes played). You sign up by WhatsApp during the week and there’s room for about 26 people. If there are more than 20, we make three teams, which is nice in the summer as it gives one a breather. Only once or twice have the requisite 16 failed to enroll and only once do I remember it being full when I wanted to play.

About half are student age, a few barely out of school. Some are seriously good. A few can dribble right through a defence or tee up a shot with a deft juggle-touch. There’s a pair of brothers from Kosovo who seem to me to be worth the attention of a Premier League scout. And there are a handful more whose skills are sometimes jaw-dropping. Part of the pleasure of playing is just watching others, even if it does mean being nutmegged for the third time that day.

London’s diversity is fully reflected. Most people are black or brown. There’s a Mo, an Ibrahim, a Nitesh and a few with African origins and ancient names: Ishmael, Abraham and Joel. ‘This is like being in the Bible,’ said Greg once.

Greg is the group’s proud founder. He’s a geezer, is Greg. Don’t tell the missus what a bender he was on last night, that sort of thing. He’s an estate agent but keen to defy the stereotype: don’t tell head office etc. He enjoys being the father figure to the youngsters, tearing them off a strip if they’re late – but in a semi-ironic way, aware there’s nothing much at stake.

Or maybe there is. Once there was a near-fight. A row over a foul led to some nasty insults being thrown about, as well as offers to take it outside, as it were. The two men stormed off in separate directions, and it was suggested that the one deemed chiefly responsible for the ugly scene be banned. But Greg said no, he’s bloody well going to come back and shake the other guy’s hand and learn to be less of a prick. I admired him for that.

There’s one rather tough guy of whom I’m a little nervous. He seems to barge me a bit when there’s a corner and looks like he wants to call me a posh idiot. I think he’d like to meet me in a different context: for example, in a pub. I always hope I don’t accidentally foul him.

Talking of which, there’s a tricky grey area in games like this. Sliding tackles are frowned upon: yes, they’re part of the game when it’s played seriously, but at this level the risk of injury isn’t worth it. Therefore, although I clearly won the ball, it was wrong of me to slide in on Diego last week. I felt bad as he hobbled off home. I still feel bad.

Do we start by picking teams? Isn’t that a form of schoolboy humiliation? Thankfully the selection process is politely veiled. A couple of captains are chosen, they have a private conference and a minute later someone chucks me a bib or doesn’t. Thank God.


I’m not the sort of writer who offers a moving final paragraph on the mental health benefits of understated male-bonding camaraderie. These things are hard to gauge. Did football help me through my depressed phase a couple of years ago? I turned up less regularly and was even less chatty than usual. For a couple of hours, it took my mind off my mind. But maybe it also gave me a sense that it was all right to be quiet and distant; I was still accepted and my teammates still said ‘Well played’.

My advice to middle-aged dabblers in football is this. Don’t be shy. Those lads in the park might be nippier than you ever were, but don’t assume that they don’t want you to join them. Get stuck in and know again that wonderful boyhood feeling of washing caked mud from tired legs.

Futebol - Franz Beckenbauer (1945 - 2024)

 






Reflexão - Diogo Quintela

 


A revolta da Mariana da fonte

O BE acha que "transição energética" é o que sucede nos seus acampamentos de Verão, quando todos fecham os olhos e dão as mãos para passar energia positiva uns aos outros.

Aproxima-se uma daquelas alturas em que o povo português se identifica mais com Nossa Senhora de Fátima, na medida em que lhe são feitas uma série de promessas que, na sua maior parte, nunca serão pagas. Para a mãe de Cristo é um bocado indiferente. A desilusão com a falta de palavra da humanidade deixou de a maçar por volta de 430, já se habituou e não lhe custa nada. Já a nós, uma promessa quebrada pode custar caro. Mas não tão caro quanto uma promessa cumprida, que pode custar caríssimo. É que a diferença entre as promessas que os crentes fazem a Maria e as que os políticos fazem ao povo é que as primeiras são pagas por quem as faz, enquanto as segundas são pagas por quem as recebe.

Convinha por isso que os eleitores portugueses dominassem as ferramentas que permitem avaliar o custo das promessas que lhes são feitas e a probabilidade de serem cumpridas. Nossa Senhora leva vantagem: à experiência acumulada em dois mil anos, junta um razoável domínio da matemática (que lhe permitiu, por exemplo, aperceber-se que para justificar a sua gravidez teria de inventar uma visita do Espírito Santo). Aos eleitores portugueses, com apenas 50 anos de eleições livres e um sistema de ensino cada vez mais complacente, faltam traquejo e conhecimentos básicos de contabilidade.

A propósito deste tema, há tempos a Iniciativa Liberal apresentou uma proposta para a promoção da literacia financeira nas escolas. Obviamente, foi chumbada pelo PS e pelo BE. O primeiro por pirraça, o segundo por convicção ideológica. O Bloco de Esquerda afirma que ensinar aos alunos como funcionam as taxas de juro, como se calcula o IRS, como se capitaliza a Segurança Social, o que é a inflação, qual a diferença entre salário bruto e líquido, e outros conceitos económicos do dia-a-dia, conduzirá a decisões financeiras ruinosas. Percebo a desconfiança do Bloco: também eu vejo as filas de doutorados em Economia à porta das tabacarias, para comprar raspadinhas, e amaldiçoo a perniciosa influência do conhecimento académico na bancarrota dos pobres.

Além do mais, estamos em Portugal: face à enxurrada de promessas eleitorais que aí vêm, não há matemática que ajude a compreender os riscos todos. Ensinar literacia financeira na véspera de eleições tem o mesmo efeito que ensinar a nadar quanto está a vir um tsunami.

É natural que o Bloco antipatize com o ensino de certas matérias. A direita também tem embirrações desse tipo. Da mesma forma que a que direita condena uma suposta ideologia de género que pretende convencer as crianças a mudar de sexo, o Bloco teme que a literacia financeira sirva para catequizar jovens, metendo-lhes na cabeça ideias perigosas como alterar o juro atribuído à nascença do empréstimo. Ensinamos um petiz a calcular a taxa de esforço e a prever que poupança poderá amealhar e, sem que dêmos por isso, passado pouco tempo está a investir num negócio que o poderá emancipar financeiramente. É óbvio que isso assusta. O Bloco quer que crianças saibam questionar o sexo, mas não o destino das verbas do PRR.

Se a IL quer mesmo que o projecto seja aprovado, vai ter de fazer algumas cedências para acomodar a forma como a literacia financeira é abordada. Talvez amaciando a consciência bloquista com referências positivas aos temas da sua predilecção. Uma hipótese seria um exercício deste tipo: “A Inês tem três maçãs. Desde hoje, identifica-se como homem. Passou a ter maçã de Adão. Em percentagem, isso representa um acréscimo de quantas maçãs? Na tua opinião, a contrafacção é positiva ou negativa para o regular funcionamento do mercado?” Fica a sugestão.

O Bloco de Esquerda não despreza apenas a literacia financeira. Também tem nojo da lítioracia financeira. O valor do lítio não o convence. Mariana Mortágua quer impedir à força a exploração do lítio em Portugal. O que é estranho, já que o Bloco tem-se batido pela transição energética e isso implica que se troquem fontes de energia à base de combustíveis fósseis por outras que, apesar de também terem impactos no ambiente, não emitam gases com efeito de estufa. Quer dizer, implica se partirmos do princípio de que o objectivo é manter o nível de consumo energético (em habitação, alimentação, transportes, produção industrial, construção, informatização e todas as actividades que acarretam grande gasto de energia, venha ela de onde vier) responsável pelo crescimento económico. Deixa de implicar se não se desejar crescimento económico e consequente melhoria das condições de vida a que está umbilicalmente ligado. Seria uma opção só entendida por quem, lá está, não tem literacia financeira.

É a opção do Bloco. O BE acha que “transição energética” é o que sucede nos seus acampamentos de Verão, quando todos fecham os olhos e dão as mãos para passar energia positiva uns aos outros. É giro, sem dúvida. Mas a transição energética é outra coisa. É a mudança de uma fonte de energia para outra. O Bloco diz que é a favor, mas parece ser contra.

“Carvão? Não, é muito sujo e faz lembrar a maldita Revolução Industrial”.

“Biomassa? Coitadinhas das árvores!”

“Gás? Para beneficiar os Estados Unidos? Está bem, está”.

“Petróleo? Não, pois desestabiliza o Médio Oriente”.

“Água? E a EDP a encher os bolsos com as barragens? Não, obrigado.”

“Nuclear? Nem pensar! Ainda temos o trauma da derrota na Guerra Fria, porque os russos não pescavam nada do assunto”.

“Vento e sol? Era bom, mas obriga a abater sobreiros, caçar javalis e a minerar lítio para as baterias”.

Parecem crianças quando não há o brinquedo que queriam na loja e nenhum outro os contenta. Não gostam de nenhuma das fontes de energia disponíveis. É a revolta da Mariana da fonte.

As promessas do Bloco são muito parecidas com as que os devotos fazem a Nossa Senhora.  Nas promessas em Fátima acende-se uma vela a Maria; nas promessas do Bloco acendem-se várias velas para se conseguir ver à noite, depois de um apagão.

Faróis

 O farol de Þrídrangar (significa "três pilares de rocha" em islandês) foi originalmente construído entre 1938 e 1939, sem maquinaria, no mais alto de três rochedos, cujo topo está 36,6 metros acima da superfície do mar, e só era alcançável escalando-o. O farol fica a 6 milhas da costa, no arquipélago de Vestmannaeyjar , a sudoeste da Islândia, e apenas é acessível de helicóptero - antigamente, por barco, se estivesse bom tempo, e a trepar como os alpinistas...




Livros lidos - 50 anos de Observação

Memórias interessantes de Manuel José Homem de Mello (livro dado por Teresa Mendes filha do Álvaro Mendes)
















Cartoons - Work Chronicles

 











domingo, 14 de janeiro de 2024

Livros lidos - José Veiga Simão

 





VetVals - jantar em 09.01.2024

 Jantar no Fraga em 09.01.2024

Da esquerda: João Deus, António Remexido, Luis Miranda, Manuel Piedade, Carlos Barroso, Mário Guerra, José Machado, CarlosAmorim, José Azevedo, Jorge Infante, Alfredo Duarte e António Pires. Agachados o Armando e eu.

O Frederico Valsassina (neto) ficou de aparecer mas não apareceu.





quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Música - Coro O. Engenheiro

 Concerto no Mosteiro dos Jerónimos em 07.01.2024. 







Voleibol - VetVals ("Sporting - Benfica")

Primeiro treino de 2024 em 02.01.2024 com esta "novidade" do Sporting - Benfica.

Os do Sporting: A Luisa (filha do Luis Costa), o Carlos Barroso, o Manuel Piedade, o Luis Costa, O Luis Miranda, o Filipe Melo e eu 



Os do Benfica

Mário Guerra, António Pires, José Azevedo, João (sobrinho do Miranda), Alfredo Duarte, Carlos Amorim


Que grupo que conseguimos fazer ao longo destes 35 anos, desde 1988, ano em que ingressei no Valsassina - ou 50 contando desde o início, momento em que o Álvaro o fundou -, recordando claro, os lesionados, os que deixaram de jogar e os que já faleceram. Aqui, claro qu um destaque particular para o mentor do grupo, o meu amigo Álvaro Mendes. 





Política - Pedro Nuno Santos

E pronto, cá está o novo "príncipe" de Portugal. Depois do despedimento da Alexandra Reis por watsup (..), dos milhões enterrados na TAP, do Aeroporto em Alcochete que afinal não foi (...), do valor do salário mínimo que não sabia, etc., etc., temos aqui o nosso futuro grande líder.

Isto é um País para ser levado a sério?? Really??

Tempos difíceis...



segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Reflexão - LBC (programa Leste - Oeste na SIC N)

 Exmos. Senhores:


1 - Hoje 03.09.2023 vi, uma vez mais, e com o habitual interesse, o programa “Leste Oeste”, apresentado pelo Dr. Nuno Rogeiro. 

2 - É sempre bom ouvir alguém que pensa, planeia e apresenta os temas como ele o faz. E com a mesma consistência de há anos a esta parte. Desculpo, inclusivamente, a pontinha de vaidade que intermitentemente patenteia, mas que é perfeitamente compreensível, tendo em conta o universo da amostra dos nossos canais!...

3 - Oiço-o há muito anos, lamentando, porém, que o programa “ A Sociedade das Nações” tenha sido interrompido. Era (mais) um oásis na programação.

4 - Pena que, como é hábito em todos estes programas, o entrevistado tenha de ser constantemente interrompido, sem lógica, pelos entrevistadores. A necessidade de protagonismo de que ele e elas enfermam, levam-me a concluir que deverão ser instruções que receberão, para assim justificar a sua presença. Só assim o entendo...

5 - Gabo, sinceramente, a paciência do entrevistado, esclarecendo desde já, não o conhecer.

6 - Bem sei que tanto a Clara de Sousa como o Rodrigo G. Carvalho - por exemplo -,  têm outro momento no canal...

7 - Mas não seria possível industriar os entrevistadores para intervirem menos? 
    Ou os tempos modernos justificam esta exibição de mau gosto - quando não de completa falta de senso e/ou ignorância -, nalgumas das intervenções dos entrevistadores?

Os meus parabéns por este programa

cumprimentos





Caro Senhor Luiz Boavida Carvalho,

Agradecemos muito por assistir às nossas emissões - a sua observação foi encaminhada para as áreas responsáveis, que tomaram nota da mesma e o convidam a manter-se Telespectador interessado pelos canais SIC.

Colocando-nos à sua inteira disposição para futuros contactos, apresentamos os nossos cumprimentos e desejamos boa semana, em nome de toda a SIC,

Bruno Costa
Assistente de Atendimento ao Público

Edifício IMPRESA Rua Calvet Magalhães, 242
2770-022 Paço de Arcos
Tel.: + 351 214 179 652 (custo: chamada fixa nacional)

Luiz Boavida Carvalho

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Reflexão - Miguel Pinheiro no Observador

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Aliás, estão há tanto tempo no poder que já funcionam, em simultâneo, como governo e oposição. Nestes últimos nove anos, o PS já foi a favor da geringonça, já foi contra a geringonça e agora é novamente a favor da geringonça. Já foi contra a recuperação do tempo de serviço dos professores e agora é a favor da recuperação do tempo de serviço dos professores. Já foi a favor da nacionalização parcial da TAP, já foi a favor da nacionalização total da TAP, já foi a favor da reprivatização total da TAP e agora é a favor da reprivatização parcial da TAP. Já foi a favor de uma redução rápida da dívida pública e agora é a favor da redução lenta da dívida pública. Com o passar do tempo, o PS tornou-se especialista em dar voltas de 360 graus: gira e faz reviravoltas, mas no final acaba sempre no mesmo sítio — e esse sítio é o poder.

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Reflexão - Alberto Gonçalves no Observador

 (sublinhados meus)


Eu cá desejo saúde...


2023: as figuras do ano

O dr. Montenegro, em teoria o líder da oposição, na prática não quer incomodar. Principalmente não parece querer governar. De resto, tem sido o primeiro a inventariar as situações em que não governará

Figura triste: Marcelo Rebelo de Sousa. Recentemente, Sua Excelência, o Presidente da República informou a nação que, segundo uma sondagem, a sua popularidade se mantém intacta. O alívio da população ouviu-se à distância. Muito mais do que, sei lá, o pandemónio na saúde pública ou a penúria em que progressivamente afocinham, o que afligia os portugueses era, sobretudo, a possibilidade de o prof. Marcelo ter caído em desgraça, no caso com o caso das gémeas brasileiras. Curiosamente, era também essa a única preocupação do próprio prof. Marcelo desde que entrou em Belém. O homem nunca quis ser presidente, tarefa para que aliás mostrou vasta impreparação e desconhecimento: o homem quis, e quer, ser popular. Logo em 2016 ficou claro que ali não há a sombra de um estadista, e sim um artista de variedades emocionalmente dependente dos humores da audiência. Em 2023, deixou sair o dr. Costa quando imaginou que o apoio ao governo poderia beliscá-lo (a ele, o prof. Marcelo) – isto depois de amparar o governo em toda a sorte de loucuras, algumas inconstitucionais, porque calculara que isso o beneficiaria (a ele, o prof. Marcelo). O prof. Marcelo é o assunto exclusivo do prof. Marcelo.

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Indecente e má figura: António Costa. Sou dos que acham absurdo o dr. Costa se ter demitido em 2023 por causa de um comunicado da PGR, suspeitas de tráfico de influências e 75 mil euros em notas no gabinete ao lado do seu. Nos oito anos anteriores houvera razões de sobra para o sujeito cair (metaforicamente, vá lá), desde a tragédia de Pedrógão, em 2017, à gestão primitiva e autoritária da Covid, em 2020 e 2021, para não falar da TAP, do SNS, da Justiça, da Educação e, por exemplo, dos srs. Galamba e Cabrita. E isto descontando a trapaça que o levou ao poder em 2015 e, para os menos atentos, lhe definiu o carácter. Em debate de 2014, António José Seguro já o definira. Não serviu de aviso. Para muitos eleitores, a julgar pelas eleições subsequentes, até serviu de estímulo: por cá, a ausência de escrúpulos e de vergonha parece dar votos. Um dia, o dr. Costa congratulou-se pelo aumento de famílias necessitadas de “prestações sociais” (leia-se o aumento da pobreza) e nem uma alminha protestou seriamente a afronta. O país mereceu-o.

Figura de corpo presente: Luís Montenegro. Há exactamente um ano, estava o governo a esfarelar-se em demissões e demais vergonhas típicas da Bolívia, o dr. Montenegro aparecia às vezes a pedir contenção e, raramente, uma ou duas remodelações. Mas não aparecia muito. O dr. Montenegro, em teoria o líder da oposição, na prática não quer incomodar. Principalmente não parece querer governar. De resto, ele tem sido o primeiro a inventariar as situações em que não governará. São várias e as únicas possíveis: o dr. Montenegro não aceita ser primeiro-ministro se perder as eleições e, mesmo que as vença, se precisar do Chega para a maioria parlamentar. Ou seja, o dr. Montenegro só será primeiro-ministro se houver um milagre. Lembro que o adversário do dr. Montenegro nas “legislativas” é alguém desejoso de se aliar a apoiantes da Venezuela, da Rússia e do Hamas, além de que não enjeitaria um pacto de incidência parlamentar com os canibais da ilha Sentinela. Pelo menos no que toca à ambição, a luta é desigual.

Figurinha: Pedro Nuno Santos. Esta sumidade terminou 2022 a demitir-se do governo por se esquecer de indemnizações que aprovara através do WhatsApp e termina 2023 como secretário-geral do PS e candidato plausível a primeiro-ministro. O que aconteceu entretanto? Nada de especial, apenas a proverbial reciclagem de um irresponsável que em países normais estaria escondido num bunker ou exibido na barra do tribunal. Em Portugal, foi contratado por um canal televisivo a título de comentador, retornou ao parlamento e começou a ser vendido enquanto “carismático”, essa qualidade difusa com que se tenta disfarçar a falta das restantes. Numa entrevista televisiva, provou desconhecer o valor do salário mínimo cujo aumento aprovou. Após a estreia da fita “O Neto do Sapateiro”, “biopic” na tradição de “A Filha do Mineiro”, o dr. Santos passou a apresentar-se como o homem que salvou a TAP, a troco de meros milhares de milhões sonegados ao contribuinte. Antes de 10 de Março, irá a tempo de confessar que inventou o avião, a ferrovia e a trotineta. O dr. Santos é uma piada involuntária, e por isso mesmo um perigo.

Figura de urso: o português médio. Quase 70% dos trabalhadores portugueses ganham menos de mil (1000) euros. O fisco directo e indirecto consome boa parte dos rendimentos dos poucos que ganham acima disso. O nosso poder de compra já desceu abaixo do romeno. Apenas quando adoece, a metade pobre do povo precisa de um SNS que os socialistas conseguiram arruinar enquanto lhe despejavam mais dinheiro em cima. Há anos que aqui se morre em excesso e se vive por defeito. A quantidade de sem-abrigo cresce sem parança. Os que ainda têm abrigo desunham-se mensalmente para pagar a respectiva prestação ou contam com o abrigo paterno. A fim de resolver o problema da habitação, o governo decidiu enxotar o investimento em habitação e, de caminho, rebentar com os pequenos empresários do alojamento local e ameaçar o turismo. Os crimes violentos sobem com firmeza. O regime presta-se a implodir por descrédito e ridículo. Os dados do PISA e os resultados das provas de aferição demonstraram que as novas gerações são de facto as mais preparadas de sempre para dependerem de subsídios à existência. Os que escapam à miséria educativa aproveitam para escapar do país. Os estrangeiros sem dinheiro são bem-vindos, os estrangeiros com dinheiro são escorraçados. Portugal, portanto, vai benzinho. Não admira que o PS lidere as sondagens.

Figura de estilo: todas as pessoas que, perante o acima exposto, desejam ao semelhante um feliz 2024. Ou são do PS ou são malucas. Ou acumulam.