(sublinhados pessoais)
Europa: a avestruz a anos-luz do Estreito de Ormuz
Até ver, não haverá mais barcos naquela região além dos norte-americanos. A não ser que os boatos sobre a orientação sexual do novo aiatola levem à organização de uma flotilha pelos direitos LGBTQIA+.
Além do já normal andar à volta, o mundo anda também agitado. Digamos que o planeta está shaken, and stirred. O James Bond não ia gostar: mandava-o logo para trás. E eu também não sou grande fã deste bombardeamento ininterrupto de megabytes de informação sobre o que se passa em todos os cantos da Terra. É fácil sentirmo-nos assoberbados com tanto estímulo. Por isso, nesses momentos, é essencial parar um pouco. O método que eu adoptei para conseguir o máximo relax é, tomem nota, imaginar-me Mário Centeno.
Ah… Que maravilha… Fico imediatamente todo zen, só de visualizar aquela reforma de Centeno aos 59 anos, com o estatuto de Ronaldo das Finanças e o vencimento quase de Ronaldo Ronaldo. Ainda que o Ronaldo Ronaldo deva a seu prestígio ao facto de, em vários campeonatos, se ter fartado de facturar, ao passo que o Ronaldo das Finanças deve o seu prestígio ao facto de não pagar facturas: ali, no governo, a pulverizar recordes mundiais de cativações uns atrás dos outros. Que campeão.
A propósito de cativações – ou da falta delas – e de saudosos grandes líderes socialistas, José Sócrates já tem um novo muito em breve ex-advogado. Sim que, à hora a que lêem isto, o mais provável é José Sócrates já ter dispensado o seu então agora antigo novo porque já ex-advogado oficioso. Ou qualquer coisa deste género que, sinceramente, neste emaranhado de advogados de Sócrates perdi-me ainda mais depressa do que a ver A Origem, com o DiCaprio.
E já que falo de actores, aproveito para não mencionar os Óscares, uma vez que não tenho grande interesse em acompanhar assembleias do grupo parlamentar norte-americano do Bloco de Esquerda. Além de que o Conan O’Brien, pelo que sei, não foi nenhum Ricky Gervais nos Globo de Ouro de 2020. Falarei, isso sim, de uma grande actriz europeia: Ursula von der Leyen.
Nas últimas semanas, tem estado extraordinária, a Ursula. Merecedora mesmo de um Óscar pelo seu desempenho no papel de uma senhora de meia idade amnésica, que depois de há escassos anos, enquanto ministra e potencial sucessora de Angela Merkel, ter apoiado efusivamente o fim da energia nuclear na Alemanha, andar agora, de forma igualmente convicta, a garantir que a Europa não vai a lado nenhuma sem energia nuclear. E sem Ursula von der Leyen para nos chamar a atenção para a incompetência de Ursula von der Leyen, naturalmente.
Põe os olhos nisto, Meryl Strip, que numa primeira e muito benevolente análise, poderia ser visto como um simples mudar de ideias. Mas que numa segunda e apenas benevolente análise talvez não seja um simples mudar de ideias, mas sim um não ter a mínima ideia sobre coisa nenhuma. Para numa terceira e acintosa análise, ser inevitável cogitar se este ir ao sabor do vento das renováveis, com as velas infladas pelos impostos dos europeus não terá sido, afinal, um epopeia repleta de tesouros para a Presidente da Comissão Europeia.
Velas infladas ou não, para onde os barcos europeus não navegarão, de certeza, é para o Golfo Pérsico. Donald Trump lançou o repto a vários países da Europa para juntarem as suas forças às dos EUA no controlo do Estreito de Ormuz e os líderes europeus, com a feminilidade tóxica que os caracteriza, optaram por não tomar partido no conflito que coloca, frente a frente, o maior aliado de história da Europa e um regime que, à primeira oportunidade, apreciaria imenso apagar a Europa da história. Compreende-se, é uma daqueles decisões difíceis, tipo “gostas mais do pai ou da mãe?”, quando o pai só não bate na mãe quando está demasiado ocupado a bater no filho.
Ou então estou a ser injusto e os líderes europeus só não responderam a Trump porque não escutaram o desafio do presidente norte-americano. Ou acham que é fácil ouvir alguma coisa quando se tem a cabeça enfiada na areia movediça das suicidas políticas imigratórias que trouxeram sabe-se lá quantos fundamentalistas islâmicos para o coração da Europa? Hã? Acham ou não? Mau, não me digam que têm a a cabeça enfiada na areia movediça das suicidas políticas imigratórias que trouxeram sabe-se lá quantos fundamentalistas islâmicos para o coração da Europa?
Bom, o facto é que, pelo menos até ver, não haverá mais barcos naquela região do médio oriente além dos navios estado-unidenses. A não ser que os continuados ataques americanos e israelitas à liderança do Irão, associados aos boatos sobre a orientação sexual do novo aiatola, resultem na organização, urgente, de uma flotilha pelos direitos LGBTQIA+.
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