Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho a certeza absoluta. (Einstein) But the tune ends too soon for us all (Ian Anderson)
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Moi-jantar Vetvals (11dez12)
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Reflexão-Alberto Gonçalves ("medicinas alternativas")
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Moi-Reflexão (Engenharia-o novo mundo?)
Seminário
Gestão de Tempo e Produtividade Pessoal
O Conselho Diretivo da
Região Sul vai promover, no próximo dia 24 de janeiro, pelas 18h00, um
Seminário sobre Gestão de Tempo e Produtividade Pessoal.
Hipótese 1: está tudo balhelhas
Hipótese 2: someone slept with the chief, neste caso com o Presidente do CDRS...
Hipótese 3: já não sabem o que hão-de inventar para dar a volta à matula iletrada
Hipótese 4: mais um jovem valor, primo de um conselheiro (que não o Acácio...)
Desde "... a aquisição de uma visão compreensiva e estruturada (haverá outras ???) dos aspetos (quais??? os do costume, claro!) que mais impacto têm (não devem ter mudado muito...) na produtividade de indivíduos e equipas numa organização (a densidade - próxima do zero - desta vacuidade de palavras, deixa-me de quatro!!!), munindo os participantes das melhores ferramentas (gostava de lá estar para ver quais!...) para enfrentar a turbulência (divinal! Simplesmente divinal!!) do atual fluxo de trabalho (se for como outros fluxos...)
a "Gestores e Quadros Diretivos, bem como a Profissionais com elevado nível de autonomia", (quer dizer...TODOS "OS MUITA BONS"!)
passando pelo "Executive Coach" (presumo que um elemento com profundos conhecimentos de ...formas avançadas e diversificadas de extorquir dinheiro à malta)
e, claro: contexto de trabalho reúna características de grande volume de solicitações (gastronomia, body board, nails, futebol, wrestling), processos de decisão (um conceito relativamente recente...), forte concorrência de assuntos de múltiplas origens (desligar a luz do escritório, ensinar à mulher da limpeza onde fica a dispensa, substituir o papel da impressora, etc) e pressão para a concretização (...de???)
e não há quem diga: "O REI VAI NÚ, PORRA"
Gestão de Tempo e Produtividade Pessoal
Com a duração de duas
horas, este seminário visa a aquisição de uma visão compreensiva e estruturada
dos aspetos que mais impacto têm na produtividade de indivíduos e equipas numa
organização, munindo os participantes das melhores ferramentas para enfrentar a
turbulência do atual fluxo de trabalho.
Lecionado pelo
Executive Coach Gonçalo Gil Mata e organizado pela empresa Mind4Time, este
seminário destina-se a Gestores e Quadros Diretivos, bem como a Profissionais
com elevado nível de autonomia, cujo contexto de trabalho reúna características
de grande volume de solicitações, processos de decisão, forte concorrência de
assuntos de múltiplas origens e pressão para a concretização.
Hipótese 1: está tudo balhelhas
Hipótese 2: someone slept with the chief, neste caso com o Presidente do CDRS...
Hipótese 3: já não sabem o que hão-de inventar para dar a volta à matula iletrada
Hipótese 4: mais um jovem valor, primo de um conselheiro (que não o Acácio...)
Desde "... a aquisição de uma visão compreensiva e estruturada (haverá outras ???) dos aspetos (quais??? os do costume, claro!) que mais impacto têm (não devem ter mudado muito...) na produtividade de indivíduos e equipas numa organização (a densidade - próxima do zero - desta vacuidade de palavras, deixa-me de quatro!!!), munindo os participantes das melhores ferramentas (gostava de lá estar para ver quais!...) para enfrentar a turbulência (divinal! Simplesmente divinal!!) do atual fluxo de trabalho (se for como outros fluxos...)
a "Gestores e Quadros Diretivos, bem como a Profissionais com elevado nível de autonomia", (quer dizer...TODOS "OS MUITA BONS"!)
passando pelo "Executive Coach" (presumo que um elemento com profundos conhecimentos de ...formas avançadas e diversificadas de extorquir dinheiro à malta)
e, claro: contexto de trabalho reúna características de grande volume de solicitações (gastronomia, body board, nails, futebol, wrestling), processos de decisão (um conceito relativamente recente...), forte concorrência de assuntos de múltiplas origens (desligar a luz do escritório, ensinar à mulher da limpeza onde fica a dispensa, substituir o papel da impressora, etc) e pressão para a concretização (...de???)
e não há quem diga: "O REI VAI NÚ, PORRA"
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Reflexão-Saragoça da Matta ("i")
Mistério público | iOnline
Mais concretamente, na imprensa que já estava escrita, impressa e embalada para distribuição na quinta-feira à noite, para estar nas bancas sexta de madrugada, vinha escarrapachada a realização de diligências “secretas” de buscas e apreensões, detenções, nessa mesma quinta-feira.
Tomando por óbvio, por ser de bom senso e resultar da experiência comum (um dos critérios que a lei manda os juízes utilizarem ao julgar), que os buscados e detidos são quem menos interesse tem nesse tipo de publicidade, fica no ar uma dúvida incómoda para quem faz da Justiça efectivamente a sua missão: quem terá colocado as “novas” na imprensa? A quem interessava que se soubesse que tal “trabalho” havia sido feito? E quem conseguiria, com tanta rapidez, colocar as notícias na imprensa, de molde a que meia dúzia de horas depois dos factos terem tido lugar, já estarem postos em letra de forma?
Eu não faço a mais pequena ideia acerca da identidade de quem violou (também neste caso) o segredo de justiça, mas presumo que aos buscados fosse um tipo de publicidade que não interessaria de todo. Às suas famílias, e empregados, muito menos, por razões igualmente óbvias. Ninguém gosta de ver os seus, ou de quem profissionalmente se depende, com o nome enlameado, quem sabe sem razão!
Por outro lado, a quem não participa das investigações seria impossível saber da existência das diligências… por isso nem eu, nem quase dez milhões de portugueses, soube de nada até ver as capas dos jornais de sexta-feira nas televisões à uma da manhã. Logo, “nós”, terceiros, também não poderíamos ter sido!
Quem terá sido então? O Gato das Botas? O Coelho apressado da Alice no País das Maravilhas? A Rainha de Copas, personagem de má índole? O Capitão Gancho, que é vingativo? Ou a fada dos dentes?
Mas, Portugal, tem calma! Tudo será esclarecido! És um Estado de Direito. E democrático. Tens instituições democráticas, a funcionar regularmente. Senão o teu Presidente da República já teria zurzido em alguém, com veemência, em face de tão clamorosas violações da lei e da Constituição da República.
Assim que possamos todos estar descansados. Havendo um corpo pago pelo erário público para fazer investigações e juízes igualmente pagos por todos nós para tutelar os direitos dos cidadãos, há-de descobrir-se quem foi que tão rapidamente publicitou na imprensa escrita o que devia estar no segredo das investigações! Eu, tenho fé! Mas… é só uma fé!
David Walliams (little Britain)
Em pesquisa pela net, e depois de ontem à noite ter recordado, no BBC Entertainement, o feito da travessia do Canal a nado, descobri que afinal ele não fez "só" isto.
Depois de ter lido mais algumas particularidades muito especiais da sua vida, desde a mudança de nome, à bipolaridade que o afectou, li que também atravessou o estreito de Gibraltar em 07 de Março de 2008, e nadou 140 milhas no Tamisa durante oito dias, entre 5 e 12 de setembro de 2011. Tudo para o (charity) "Sport Relief".
"Chapeau"! Double...
Depois de ter lido mais algumas particularidades muito especiais da sua vida, desde a mudança de nome, à bipolaridade que o afectou, li que também atravessou o estreito de Gibraltar em 07 de Março de 2008, e nadou 140 milhas no Tamisa durante oito dias, entre 5 e 12 de setembro de 2011. Tudo para o (charity) "Sport Relief".
"Chapeau"! Double...
Moi-jantar Fontanelas (06dez2012)
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Moi-Engenharia
"...mas acredito que os problemas que hoje se colocam à Engenharia são mais de ordem ética e de valores do que propriamente técnicos." (Fernando Nunes da Silva no 1º Congresso de engenheiros de Língua Portuguesa)
"...O país não precisa de mais autoestradas, de mais rotundas,de mais pavilhões desportivos,e de mais estádios de futebol. O País precisa de mais empresas, de mais empreendedores, de mais tecnologia, de mais inteligência..." (AntónioCosta Silva, eng)Moi-Engenharia (conferéncia Carlos Fiolhais)
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Moi-vetvals (2012)
(originalmente enviado em 07.set.2012)
Depois de um fim de semana alucinante, em que o nosso Pedro ( que não "o Primeiro"), na sequência de outras medidas - a Passos -, nos brindou com mais um Coelho da sua cartola ( veremos, a prazo, as consequências destes tempos para o nosso Núcleo...), vamos iniciar, em 11 de Setembro (e onze anos depois ...), aquela que será a quadragésima época do Núcleo de Veteranos de Voleibol do Colégio Valsassina.
Será, certamente, novidade para a maioria dos que actualmente comparecem aos treinos. Não o é, no entanto, para alguns que têm tido o privilégio de se passar no Núcleo ao longo do tempo, de o conhecer um pouco melhor, e de lidar com todos aqueles que o ajudaram a fundar.
E um Núcleo como este não é, como bem sabemos, vulgar.
Reafirmo-o e reitero-o.
Seja pelo tempo inusual de existência de um núcleo desta natureza, seja pelo leit motiv que está na sua base -que não é como a maioria, nem gastronómico, nem futebolístico, nem gerontó-saudosista -, seja pela preferência pelo voluntarismo colectivo em detrimento do estrelato individual, seja pela genérica sensatez e elevação que perspassa pela maioria significativa das pessoas que o têm ajudado a construir, ou seja até pelo são relacionamento, de evidente e manifesta cumplicidade que, silenciosa, calma e estruturadamente, tem ligado a quase totalidade dos que por lá (cá) têm passado.
Ou por uma equilibrada mistura de tudo.
E se por vezes, episodicamente, algumas dúvidas parecem assaltar, no presente, - tal como assaltaram no passado -, um ou outro interveniente "mais confuso" sobre a sua passagem por ali, mesmo daqueles já com tempo suficiente(!), mas ainda não totalmente "amadurecido para este tipo de relacionamento", não deixa de ser curiosa, mas saudável e saudada, a solidariedade que, de imediato, se gera entre os outros, tendente a fazer recuperar a sensatez a esse pobre participante tresmalhado.
Há uns anos, mais precisamente em 1997, num relatório de observação que então foi elaborado por alguém que, apesar de ter ouvido falar desde sempre no Núcleo, nunca o tinha presenciado ao vivo, e entre inúmeras considerações, foram incluídas três reflexões, que agora, relendo-o 15 anos depois (obrigado ASP!), me chamaram a atenção. Elas afloravam, de alguma forma, os grandes objectivos do Núcleo: a primeira dizia que " existe um objectivo que rege esta equipa, que é a de manter a bola o mais tempo possível no ar"; a segunda " Verifica-se que o grupo é autónomo..."; finalmente a terceira " o clima é óptimo e de louvar seja qual a for a forma em que é realizado".
Simples não é? Mas apenas com muito trabalho por parte de todos.
Na entrada desta época, e sem me querer esticar ainda mais do que habitualmente me estico (...), queria lembrar a todos estas reflexões:
a)vamos continuar a tentar manter a bola no ar o mais tempo possível;
b)ser autónomos (...);
c)e, claro, manter ou melhorar, o relacionamento que temos sabido manter.
PS- na próxima reflexão que fizer, e em jeito de "avaliação contínua", prometo voltar ao tom verruminosó-caneleiró-caceteirístico.
Depois de um fim de semana alucinante, em que o nosso Pedro ( que não "o Primeiro"), na sequência de outras medidas - a Passos -, nos brindou com mais um Coelho da sua cartola ( veremos, a prazo, as consequências destes tempos para o nosso Núcleo...), vamos iniciar, em 11 de Setembro (e onze anos depois ...), aquela que será a quadragésima época do Núcleo de Veteranos de Voleibol do Colégio Valsassina.
Será, certamente, novidade para a maioria dos que actualmente comparecem aos treinos. Não o é, no entanto, para alguns que têm tido o privilégio de se passar no Núcleo ao longo do tempo, de o conhecer um pouco melhor, e de lidar com todos aqueles que o ajudaram a fundar.
E um Núcleo como este não é, como bem sabemos, vulgar.
Reafirmo-o e reitero-o.
Seja pelo tempo inusual de existência de um núcleo desta natureza, seja pelo leit motiv que está na sua base -que não é como a maioria, nem gastronómico, nem futebolístico, nem gerontó-saudosista -, seja pela preferência pelo voluntarismo colectivo em detrimento do estrelato individual, seja pela genérica sensatez e elevação que perspassa pela maioria significativa das pessoas que o têm ajudado a construir, ou seja até pelo são relacionamento, de evidente e manifesta cumplicidade que, silenciosa, calma e estruturadamente, tem ligado a quase totalidade dos que por lá (cá) têm passado.
Ou por uma equilibrada mistura de tudo.
E se por vezes, episodicamente, algumas dúvidas parecem assaltar, no presente, - tal como assaltaram no passado -, um ou outro interveniente "mais confuso" sobre a sua passagem por ali, mesmo daqueles já com tempo suficiente(!), mas ainda não totalmente "amadurecido para este tipo de relacionamento", não deixa de ser curiosa, mas saudável e saudada, a solidariedade que, de imediato, se gera entre os outros, tendente a fazer recuperar a sensatez a esse pobre participante tresmalhado.
Há uns anos, mais precisamente em 1997, num relatório de observação que então foi elaborado por alguém que, apesar de ter ouvido falar desde sempre no Núcleo, nunca o tinha presenciado ao vivo, e entre inúmeras considerações, foram incluídas três reflexões, que agora, relendo-o 15 anos depois (obrigado ASP!), me chamaram a atenção. Elas afloravam, de alguma forma, os grandes objectivos do Núcleo: a primeira dizia que " existe um objectivo que rege esta equipa, que é a de manter a bola o mais tempo possível no ar"; a segunda " Verifica-se que o grupo é autónomo..."; finalmente a terceira " o clima é óptimo e de louvar seja qual a for a forma em que é realizado".
Simples não é? Mas apenas com muito trabalho por parte de todos.
Na entrada desta época, e sem me querer esticar ainda mais do que habitualmente me estico (...), queria lembrar a todos estas reflexões:
a)vamos continuar a tentar manter a bola no ar o mais tempo possível;
b)ser autónomos (...);
c)e, claro, manter ou melhorar, o relacionamento que temos sabido manter.
PS- na próxima reflexão que fizer, e em jeito de "avaliação contínua", prometo voltar ao tom verruminosó-caneleiró-caceteirístico.
Moi-Engenharia
Pergunta: Mas então, há Engenharia que não é económica???
Conselho
Diretivo da Região Sul e IST/DEG promovem
Curso de Engenharia Económica
Análises Económicas e de Decisão aplicadas à
Avaliação de projetos de engenharia
O Conselho Diretivo da
Região Sul da Ordem dos Engenheiros e o Instituto Superior Técnico (IST) -
através do seu Departamento de Engenharia e Gestão (DEG) -, estabeleceram um
Protocolo de Cooperação que visa o desenvolvimento de iniciativas e atividades
de interesse mútuo na área da formação especializada para Membros da Ordem dos
Engenheiros (OE), do qual resultaram já vários cursos que decorreram durante o
ano de 2012. Em 2013 continuar-se-á o desenvolvimento de novas formações, sendo
a primeira o Curso de Engenharia Económica, ministrado pelo Prof. João Oliveira
Soares e Prof. Carlos Bana e Costa.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Moi-Férias na UK (Coast)?
Os apresentadores da série britânica Coast, pronunciam-se sobre os melhores lugares para passar férias nas ilhas. Definitivamente um conjunto de conselhos a seguir!
Reflexão-JPPereira (Público)
OS INTELECTUAIS E "A ANULAÇÃO DO DESTINO" (JPP)
Ninguém pode, a não ser por abuso, tratar os portugueses como se não estivessem conscientes de que os tempos estão difíceis Pode-se sempre dizer que qualquer tempo é um tempo de exigência para os intelectuais, embora os intelectuais não tenham uma história particularmente brilhante de "interpretação" dos tempos. Bem pelo contrário, os intelectuais têm uma história no século XX de participarem activamente nas grandes mentiras do século, fascismo e comunismo em particular, e de justificarem as mais monstruosas das ideias e das práticas, quando estas enunciavam, mais do que praticavam, dar-lhes um papel de interlocutor privilegiado na "interpretação" do que se passava.
Mas, também por isso, tempos como os de hoje são particularmente exigentes para a réstia de função que ainda podemos atribuir aos intelectuais. Por duas razões: há uma enorme circulação de mentiras em curso, e há um enorme sofrimento na maioria das pessoas comuns e uma perda colectiva da esperança, em si mesmos, na sociedade, na democracia, no país. Esta é a crise perfeita, como a tempestade perfeita.
Foi tudo uma ilusão artificial, como
agora nos dizem? Teve aspectos ilusórios, expectativas excessivas, mas não foi
uma ilusão, foi uma melhoria. Não precisamos que nos venham dar lições morais
com a parte da ilusão, para nos arrancarem as melhorias, porque a melhoria de
vida dos portugueses deve ser defendida ao limite. O que conseguiram nos
últimos anos foi feito com muito esforço, já para não falar da obrigação de
reparação do muito que se devia ao homem comum, pobre e trabalhador, pela
ideologia da santidade da "pobreza honrada" dos últimos quarenta
anos, que deixou uma pilha de ouro no banco e uma população analfabeta e cujos filhos
morriam no parto como tordos.
A discussão em "economês" dos
nossos dias faz-se para legitimar o desprezo por estas melhorias, tidas como
esbanjamento; pela esperança das pessoas em não perder o pouco que conseguiram,
tido por uma reivindicação egoísta de direitos; a que se soma um efectivo
desprezo pelo seu sofrimento, tido como pieguice. Sempre achei que atribuir aos
governantes que têm de tomar medidas difíceis estados de alma de indiferença
face às dificuldades era excessivo, mas agora não tenho qualquer dúvida sobre a frieza e a incompreensão
com que olham para o sofrimento dos seus concidadãos.
No meio disto tudo, acabou a esperança, ou seja,
acabou o futuro. Para várias gerações, em particular aquela que o
desemprego de longa duração - um eufemismo para não dizer eterno - marca com
enorme violência, o futuro acabou. Sabem, com um saber magoado mas certeiro, que a partir de agora é só
caminhar num plano inclinado sem fim, ou seja, até ao fim dos seus dias.
O resultado é não só uma vida devastadora no presente, onde tudo está a começar
ou já começou, e onde o amanhã é apenas o agravamento do dia de hoje. Estes
homens e mulheres estão sozinhos e também já perceberam que ninguém cuida
deles. Estão do lado torto
de tudo, não são "jovens" e por isso nem sequer têm direito ao
discurso retórico sobre a juventude, são os restos vivos do
"esbanjamento" do passado, mesmo quando eram apenas operários
têxteis, metalúrgicos, empregadas de limpeza, secretárias, professores,
enfermeiros, funcionários públicos, encarregados de armazém, trolhas. Ao lado
deles, os jovens têm um futuro radioso, só que fora do país.
Por tudo isto, as mentiras são
insuportáveis, até porque as pessoas comuns sabem a verdade. Toda a gente tem
uma percepção realista da situação, as pessoas sabem que não vão poder
continuar como antes, sabem que as dificuldades são inevitáveis, e sabem que
medidas de autodefesa têm que tomar, com as suas poupanças e com os seus
gastos. Ninguém pode, a não ser por abuso, tratar os portugueses como se não
estivessem conscientes de que os tempos estão difíceis, e que não podem esperar
muito, sendo que este "ajustamento" natural das pessoas já se deu há
muito.
Só que uma coisa
é esta percepção e outra é validar políticas cujo objectivo não é corrigir
excessos, mas empobrecer estruturalmente o país, para que ele possa fornecer
mão-de-obra barata, e atirar para a caridade ou para o estrangeiro os muitos
milhões de portugueses que estão a mais neste glorioso plano de
"refundar" Portugal como um país estruturalmente pobre, que talvez
daqui a algumas décadas - a palavra surge com cada vez mais regularidade nos
discursos do poder - possa ficar um pouco menos pobre, se "trabalhar
muito" e "fizer o trabalho de casa". Será que os governantes não
percebem como isto é ofensivo?
Há por isso mais verdade, na tentativa tardia e desesperada de no Orçamento comunitário se tentar obter o maior número de fundos para Portugal, do que no mambo jambo irreal do nosso Orçamento. Porque, face ao falhanço dos méritos da política de "ajustamento", os nossos governantes, mais Passos do que Gaspar, voltam-se desesperados para as ajudas europeias, porque sabem que são a única esperança de poderem minimizar as suas asneiras. São hayekianos cá dentro e keynesianos lá fora e serão o que for preciso porque se começa a perceber o desespero nas hostes.
Ninguém pode, a não ser por abuso, tratar os portugueses como se não estivessem conscientes de que os tempos estão difíceis Pode-se sempre dizer que qualquer tempo é um tempo de exigência para os intelectuais, embora os intelectuais não tenham uma história particularmente brilhante de "interpretação" dos tempos. Bem pelo contrário, os intelectuais têm uma história no século XX de participarem activamente nas grandes mentiras do século, fascismo e comunismo em particular, e de justificarem as mais monstruosas das ideias e das práticas, quando estas enunciavam, mais do que praticavam, dar-lhes um papel de interlocutor privilegiado na "interpretação" do que se passava.
Mas, também por isso, tempos como os de hoje são particularmente exigentes para a réstia de função que ainda podemos atribuir aos intelectuais. Por duas razões: há uma enorme circulação de mentiras em curso, e há um enorme sofrimento na maioria das pessoas comuns e uma perda colectiva da esperança, em si mesmos, na sociedade, na democracia, no país. Esta é a crise perfeita, como a tempestade perfeita.
Comecemos pelo sofrimento. A não ser em
guerra, onde todo o tipo de violências, a começar pela morte, marca
indelevelmente a vida de cada um, o plano inclinado da pobreza e da miséria são
particularmente destrutivos. Não estamos numa parte do mundo onde se morra à
fome, onde a vida seja destruída por epidemias evitáveis, ou no limiar da
subsistência. Nem vale a pena perdermos tempo com esses exageros que muitas
vezes nos deitam à cara, para estarmos mesmo assim felizes porque não passamos
o pior. Não é a miséria africana, a violência urbana latino-americana, o
espectro da pobreza asiática do Bangladesh.
Não é isso. É uma sociedade europeia,
saída ainda há muito pouco tempo de uma pobreza ancestral rural e de bairro de
lata, da emigração e da tuberculose, da mortalidade infantil e do
analfabetismo, para um mínimo de condições de vida, de esperança, de conforto
urbano, de consumos "espirituais", de posse de alguns bens materiais
e de segurança e alguns direitos precários. Tudo pouco acima do mínimo, com
diminuição da pobreza, criação de uma classe média, e também retorno de alguma
riqueza. A diferenciação social e a exclusão continuaram, mas foram colocadas
num patamar diferente.
Daí as mentiras e a petulância. Um
secretário de Estado resumiu essa mentira entranhada quando afirmou no
Parlamento que os portugueses deviam estar felizes porque iam ter a devolução
de um dos subsídios tirados, porque o Governo cumpria, presume-se com alegria,
a decisão do Tribunal Constitucional. Aliás, ele apenas se excitou
canhestramente com uma das muitas mentiras circulantes cujo melhor exemplo é o
Orçamento do Estado e as sucessivas avaliações positivas da troika,
peças de uma política cujos perigos dois ou três dias depois vem o FMI
enunciar. A verdadeira avaliação da troika é essa, repete o que toda a
gente está a dizer do Orçamento, antecipa o que vai acontecer, mas "Tout
va bien Madame la Marquise".
Há por isso mais verdade, na tentativa tardia e desesperada de no Orçamento comunitário se tentar obter o maior número de fundos para Portugal, do que no mambo jambo irreal do nosso Orçamento. Porque, face ao falhanço dos méritos da política de "ajustamento", os nossos governantes, mais Passos do que Gaspar, voltam-se desesperados para as ajudas europeias, porque sabem que são a única esperança de poderem minimizar as suas asneiras. São hayekianos cá dentro e keynesianos lá fora e serão o que for preciso porque se começa a perceber o desespero nas hostes.
Na
verdade, os portugueses também já "ajustaram" os governantes.
"Miúdos", "garotos", como o povo manifestante bem intui,
percebendo a sua inexperiência da "vida", saídos da pior escola,
carreiristas e espertos, obcecados pela "imagem" mediática,
conhecedores de mil e um truques, tão vingativos como ignorantes, deslumbrados
pelo seu poder actual, subservientes face a todos os poderosos, e que
incorporaram um profetismo grandioso sobre "refundar" o país, que
rapidamente se torna numa luta pela própria sobrevivência política, custe o que
custar. O resto é expendable, no inglês técnico de que gostam.
Pode ser que, mais uma
vez, os intelectuais traiam, com a obsessão de respeitabilidade, o respeitinho
moderado e o sufoco dos bens escassos para distribuir. Mas a obrigação do
intelectual, como escreveu Emerson, é "anular o destino", pensar para
haver "liberdade". Presos neste miserável destino, o sofrimento de
muitos é uma efectiva ameaça à liberdade.
(Versão do Público de 24 de
Novembro de 2012.)
Música-The Cure (Friday...)
Brilhante música, brilhante refrão, brilhante clip, brilhante premonição...:)
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