quinta-feira, 6 de julho de 2017

Capuchos - Mariana Alcoforado

02.07.2017 - Soror Mariana Alcoforado (Ópera)











Neuza Magalhães (Expresso)

São 22 profissionais e 84 amadores os que participam na ópera “Soror Mariana Alcoforado”, que esta sexta-feira, 16 de junho (e com repetição a 17 e 18), tem marcada a estreia mundial no Convento dos Capuchos. Nesse momento, chegará ao fim um processo posto em marcha há seis meses, quando a Câmara Municipal de Almada e a Musicamera Produções encomendaram a obra ao compositor Amílcar Vasques-Dias e abriram as portas daquilo a que chamaram “residência artística para a construção de uma ópera”.
“Um projeto como este não depende dos resultados, mas também da importância do processo. Um não existe sem o outro“, explica Brian MacKay, o diretor musical e coral que desde janeiro está a trabalhar com os músicos ao lado de F. Pedro Oliveira e Aldara Bizarro, responsáveis pela encenação e o movimento. Das mais de 70 pessoas que apareceram nas quatro audições, cerca de 30 foram escolhidas, e destas ficaram 22, com idades a oscilarem entre os 13 e os 70 anos. Porém, a comunidade participa também na elaboração dos figurinos, dos vídeos — está presente em toda a parte técnica, lado a lado com os profissionais.
“É muito gratificante“, diz F. Pedro Oliveira. “A maioria não está porque quer ser artista, mas para se divertir, para usufruir de uma experiência. E isso é ótimo.” E se no início se deparou com algum pudor por parte do grupo, as barreiras foram-se quebrando ao longo dos ensaios. Nos primeiros meses, esse foi o principal objetivo, conseguido graças a 12 workshops com ênfase na expressão corporal, no improviso e no movimento. Mas rapidamente Pedro sentiu a atmosfera distender-se: “As pessoas vão-se conhecendo, começam a dar boleia umas às outras, cria-se uma amizade.”


A ópera foi sendo montada através de uma residência artística, com 12 workshops de teatro e música 
Neuza Magalhães 

Ao mesmo tempo, Brian MacKay ia trabalhando as vozes. “Era preciso treinar as competências do canto coral, que não é um canto a solo. No caminho, muitos jovens revelaram um potencial incrível, enquanto os mais velhos traziam a sua própria experiência de vida”, conta o maestro. Alguns nunca tinham cantado e esta ópera representou uma primeira vez. Seis meses passados, é “incrível” o que conseguiram. Para Brian, talvez a parte mais difícil tenha sido estar a ensaiar o grupo enquanto a música estava a ser criada e o libreto escrito. “Tudo acontecia em simultâneo, pelo que eu próprio desconhecia o que viria a seguir.”
E a seguir viria a música, que Amílcar Vasques-Dias compunha em estreita colaboração com a libretista e sua mulher, Helena Nóbrega. O tema que lhes fora proposto era a história de Mariana Alcoforado e as cartas de amor que terá ou não escrito a Noël Bouton, Marquis de Chamilly — que se tornaria Marechal de França durante as Guerras da Restauração —, e em 1669 editadas em Paris sob a forma de um romance epistolar intitulado “Cartas Portuguesas”. “É uma história forte, polémica, cheia de contrastes psicológicos, de tristeza, de alegria, de sensualidade, de dramatismo”, diz Vasques-Dias. A tais mudanças, a música de raiz contemporânea respondia introduzindo o flamenco, o jazz, o canto gregoriano. E o cante alentejano, que surge em evocação das raízes de Mariana Alcoforado, nascida em Beja em 1640 e aos 16 anos ingressada na clausura da Ordem de Santa Clara, onde morreria em 1740, aos 83 anos.


“A maioria não está porque quer ser artista, mas para se divertir, para usufruir de uma experiência”, explica o encenador, F. Pedro Oliveira 
Neuza Magalhães

O compositor revela que o cante está presente na música de duas formas: como citação na própria partitura e como elemento cénico. “O cante surge como algo estrutural na composição, mas também é entoado pelo grupo Cantares de Évora, cujo 'cantador-alto', Pedro Calado, também desempenha a personagem do pai de Alcoforado”, explica, revelando-se “orgulhoso” com o resultado. “Comove-me assistir aos ensaios e ver a capacidade e a força de vontade destas pessoas, pois algumas partes não são fáceis nem sequer para os profissionais. Tiveram de aprender um texto, uma partitura e seguir um encenador. E isso é espantoso”, confessa.
Com um elenco profissional formado por Natasa Sibalic no papel de Mariana Alcoforado, Manuel Caldeira, Telma Valente de Almeida e Maria João Augusto, há também uma pequena orquestra especialmente criada para a ocasião. E desta fazem parte Luís Pacheco Cunha, André Fresco, Chiara Antico, Catherine Strynckx, Alejandro Erlich Oliva, Andrew Swinnerton, Paulo Gaspar e Agostinho Sequeira. A figurinista é Maria Luiz.
Depois da primeira edição em Paris, as “Lettres Portugaises”, atribuídas a Mariana Alcoforado, acenderam e mantiveram a discussão sobre a veracidade da história, sendo reeditadas uma centena de vezes até 1800. Em Portugal, aparecem em 1824 — e a sua receção não foi menos controversa. Figuras importantes tiveram algo a dizer ao seu respeito, como Pinheiro Chagas, Camilo Castelo Branco ou Alexandre Herculano. Nunca ficou claro quem escreveu as cartas, se é que foram escritas. Mas a sua popularidade foi tal que elas são lidas até hoje. Em 1972, três séculos após publicadas, inspiraram as “Novas Cartas Portuguesas”, escritas por Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa. São 120 textos de crítica social, que não podiam deixar de fora o papel da mulher na sociedade de então.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Medina Carreira (1931 - 2017)





Medina Carreira, o homem que não tinha medo de morrer

Augusto Mateus lembra o antigo ministro das Finanças como um homem preocupado com o país e com a melhoria do mesmo
Após um mês de internamento, faleceu esta segunda-feira num hospital de Lisboa vítima de doença prolongada, aos 85 anos, Henrique Medina Carreira, ministro das Finanças do I Governo Constitucional.
Em 2009, numa entrevista concedida a Anabela Mota Ribeiro, teve uma declaração rara sobre a morte. "Não tenho vontade de morrer, mas não é da morte que tenho medo: é da maneira de morrer. Defendo que desde a nascença devíamos ser portadores de uma ampola com cianeto de potássio. Os nazis andavam com uma. Quando dava para o torto, dentavam e caíam para o lado. Acho que devíamos ser senhores do nosso fim", disse na altura.
O homem que adorou ser, em 1975, sub-secretário do Orçamento no consulado de Pinheiro de Azevedo e detestou ser ministro das Finanças, de 1976 a 1978, no Governo liderado por Mário Soares era conhecido pelas opiniões assertivas e por ser um crítico da política despesista dos últimos governos da República. "Eu não sou candidato a nada, e por conseguinte não quero ser popular. Eu não quero é enganar os portugueses. Nem digo mal por prazer, nem quero ser popularucho porque não dependo do aparelho político!", gostava de referir.

O melhor do Diário de Notícias no seu email

O antigo ministro da Economia, Augusto Mateus, ressalva a coragem de Medina Carreira e confessa uma aproximação ocorrida nos últimos anos. "Conhecia muito bem. Éramos amigos, apesar da nossa diferença de idades. Ao longo das últimas décadas fizemos uma aproximação, falávamos e era uma pessoa pela qual tinha grande apreço e respeito. Sempre foi uma pessoa que nunca teve dificuldade em expressar com coragem as suas opiniões e essa é uma qualidade que aprecio muito, independentemente de concordar ou não. Era um homem que falava em função da experiência que tinha sobre os assuntos, preocupado com o país e com a melhoria do país", disse ao DN, acrescentando ainda que Medina Carreira deu contributos relevantes relativos à "procura da eficiência e ao equilíbrio da gestão da coisa pública".
Quem olhava para Medina Carreira via um economista. Sim, formou-se em Economia mas antes disso fez um bacharelato em engenharia mecânica, tirou os cursos de pedagogia, direito e quando estava a frequentar economia... abandonou por falta de tempo e logo aquele que era "um sonho de 20 anos".
Nos últimos anos foi um oposicionista das políticas económicas dos governos, o que lhe valeu ser visto como uma espécie de arauto da desgraça. Em vida não teve pejo em responder a quem o via dessa forma: "Os arautos da desgraça são os irresponsáveis que andam a dizer isso. Andam de olhos fechados, ou para se servirem, ou para fazerem carreira política. Se não mudarmos a economia, vamos estar numa pobreza como não conhecemos desde princípio do século passado."
Filho do historiador António Barbosa Carreira e de Carmen Medina Carreira, nasceu em Bissau, capital da Guiné a 14 de janeiro de 1931.
Curiosa a revelação feita em 2009 de que o pai lhe tinha chamado "burro" por ter aceite o cargo de ministro das Finanças "de um país falido". Sem complexos, assim se definia, em jovem praticava futebol no Inverno, remava na Primavera e fazia atletismo no Verão.
E garantia que não desapontava. "Só posso ter desapontado trafulhas. Pessoas sérias, não. Eu tenho uma qualidade: sou uma boa pessoa. Sou uma pessoa que não trafulha, que não intriga, que não se vinga, que não persegue, que não odeia. São as minhas grandes qualidades."


Medina Carreira. O problema de fundo não é o euro mas a desindustrialização

É uma condição necessária mas não suficiente. Existe porque não há dinheiro para que o Estado provoque défices mais altos e gaste mais. E também porque sem ordem nas contas públicas, com dívidas brutais, com impostos selvagens e com juros demolidores, não se investirá em Portugal. Sem se investir na produção de bens exportáveis ou que evitem as importações, o que vamos dizendo destina-se apenas a ludibriar-nos uns aos outros.
O congelamento das reformas antecipadas resolve o problema de fundo da Segurança Social? Ou é preciso ir-se muito mais longe?
Creio que não passa de um expediente de tesouraria. A sustentabilidade tem muito mais que se diga e exige um trabalho sério, ainda não iniciado. Quer isto dizer que é indispensável uma reforma global do social e não apenas cortes de circunstância aqui e ali. Preocupante é que nenhum responsável político, que se saiba, tenha feito qualquer alusão a esta tarefa, essencial e urgente.
E a sucessiva utilização dos fundos de pensões para pagar despesa corrente e amortizar dívida pública, ao invés de a transferirem para a Caixa Geral de Aposentações ou a Segurança Social?
São apenas expedientes. É precisa uma reforma. Quanto a isso, e como já disse, deploro a passividade do governo. O problema das políticas sociais será, talvez antes de 2020, explosivo. Na verdade, só a preservação do Estado social – adaptado às novas realidades económicas, financeiras e demográficas – poderá evitar uma situação ainda mais dramática em Portugal.
Critica muito os políticos por só olharem para as folhas em vez de para a floresta. Quais são os verdadeiros problemas de Portugal?
Tenho para mim como certo que a origem da presente crise do Ocidente emerge da sua desindustrialização e da dependência energética, com custos crescentes. Foi isso que afundou as economias e foi esse afundamento que motivou os endividamentos já referidos, destinados a evitar uma quebra acentuada do padrão de vida ocidental. Entre nós, sentem-se também os efeitos da incompetência e da irresponsabilidade governativa vigente nos últimos anos. A fragilidade económica ocidental gerou os endividamentos e foram estes que originaram o subprime americano, tanto quanto a chamada crise das dívidas soberanas na Europa. A crise da zona euro surge na sequência desses factos. Sem se enfrentar esta realidade mais ampla, os esforços em curso na Europa do euro, mesmo que bem sucedidos, não evitarão a progressiva decadência do Ocidente. Neste emaranhado de circunstâncias, de que ainda não se fala em Portugal, as árvores são a austeridade, a falta de crescimento e o desemprego. Estão na orla da floresta e por isso são visíveis por todos. Mas a reviravolta do mundo, que é tudo o resto que a liberalização económica provocou, ultrapassa a Europa e o euro, e constitui a verdadeira floresta em que avançamos, desorientados.
Na sua opinião, este governo fez ou mediatizou as reformas?
Das muito urgentes e decisivas, creio que pouco. Talvez distracção minha! É altamente preocupante a lentidão na execução dessas reformas. E sem explicações públicas para este arrastamento de pés.
Concorda com o novo Código do Trabalho ou ainda estamos longe dos nossos mais directos concorrentes, que neste momento são os ex-países de Leste? 
Há muitos anos que não trabalho nessa área. Tenho por isso dificuldade em me pronunciar acerca da adequação das soluções a introduzir no Código do Trabalho. Nunca escutei uma palavra acerca do ponto de referência que foi escolhido, por isso tenho a convicção de que o método tenderá a falhar. Portugal precisa de atrair investimentos, para o que
se impõe escolher medidas competitivas como as adoptadas, nestas e noutras áreas, pelos países europeus que nos têm roubado os investimentos. De facto, se é essencial sermos competitivos em relação ao que produzimos, é indispensável que o sejamos também no que toca ao que se investe. Trata-se de uma consequência inexorável do funcionamento dos mercados abertos. Se o governo não está a proceder assim, comparativamente com o que se passa na Europa Central e do Leste, de pouco servirão as reformas que estão a ser estudadas. Repito: falamos de reformas sem as quais não teremos um crescimento razoável e continuado, susceptível de combater o desemprego.
Como vê a actual crise da Europa?
Já mencionei há pouco as causas situadas fora da Europa. Pela sua importância decisiva, volto a sublinhar que são, primeiro, a instalação das indústrias transformadoras nos países de mão-de--obra muito barata, em geral no Oriente; segundo, os custos crescentes do petróleo. Por isso ficaram connosco: o desemprego industrial, que não diminui; os empregos mal pagos nos serviços pouco qualificados; a obrigatoriedade de importar o que antes produzíamos e agora já não produzimos, provocando de- sequilíbrios, que não existiam, nas nossas balanças comerciais; a cada vez mais pesada factura do petróleo. São estas as causas essenciais do afundamento das nossas economias. Iludimos esta realidade com os “endividamentos” destinados a manter um nível de bem-estar que já não estava, nem está, ao alcance do que produzimos. As sociedades desta parte do mundo estão a ser enganadas,
todos os dias, por um número excessivo de irresponsáveis.
A actual crise é mais política ou mais económica?
É económica na sua génese e política pela incapacidade de correcto diagnóstico dos estados. E sem um diagnóstico acertado não haverá políticas adequadas.
E que papel tem a Alemanha neste contexto? Como vê a actuação da senhora Merkel? 
A Alemanha também sofre as consequências. Atenuadamente, porque as suas indústrias de exportação ainda não fugiram e porque se aproveita muito dos países vizinhos aos quais compra o que ali se produz muito mais barato. A Alemanha também beneficia muito da credibilidade da sua economia e da sua organização, pelo que se financia a taxas de juros impensáveis para os outros países. Além de tudo isso cuida com muito rigor da sua competitividade, com políticas salariais muito contidas. Porém, que ninguém se engane: a economia da Alemanha também rasteja, a um ritmo médio anual, entre 2000 e 2010, de 0,9%. Nós, portugueses, registámos 0,7%!
Ainda há diferenças entre uma governação de esquerda e de direita no actual contexto da zona euro?
Cada vez menos. Entenda-se que aos estados da actual zona euro foram sendo subtraídos poderes de intervenção económica de relevância decisiva, relativos às tarifas aduaneiras, à emissão de moeda e à definição da sua quantidade em circulação, à fixação das taxas de juros, às taxas de câmbios, à fixação autónoma dos défices orçamentais e ao controlo da circulação de capitais. Impõe-se ainda recordar os efeitos da internacionalização económica, que permite que as empresas se movam no âmbito global, ficando a soberania dos estados amarrada dentro dos seus territórios. Há também o afundamento das economias desde há 30 anos. A considerar, igualmente, o envelhecimento demográfico, só por si inviabilizador das políticas sociais tais como foram instituídas. Tudo isto condiciona decisivamente a prática de políticas económicas mais à esquerda ou menos à direita, como aliás se verifica em toda a Europa. A social-democracia está confinada ao pretenso monopólio da sensibilidade social, que não passa de um discurso vazio. O sindicalismo tornou-se ineficaz porque não vale a pena reivindicar, face a falidos, como estão hoje o patronato e também o Estado. Vivemos assim num mundo novo em que os modelos de há 30 anos já não cabem e só são defendidos por alguns distraídos que se recusam a abrir os olhos e a descortinar a realidade que os cerca.
Quando era ministro as pessoas não reivindicavam como hoje quando os salários desvalorizavam? É certo que não havia cortes como agora mas a inflação absorvia os aumentos provocando cortes muito maiores que os actuais...
Não havia uma noção rigorosa do fenómeno. A grande massa não tinha a noção da erosão provocada pela inflação. Ou seja, os salários cresciam por hipótese 15% com uma inflação de 25%, o aumento nominal criava a ilusão de que estavam a ganhar mais. Em seis meses, um ano, a crise passava. Hoje não há nada disso. A capacidade de adaptação às novas circunstâncias é muito mais difícil hoje. Os mercados são mundiais e as nossas leis são locais.
Há mais de duas décadas que se fala do declínio dos Estados Unidos e da emergência da China. Afinal quem está a ir ao fundo é a Europa. Porquê?
Nos últimos dez anos – de 2001 em diante – todas as economias desenvolvidas do Ocidente registaram desacelerações muito acentuadas, na zona euro como nos Estados Unidos. Compreende-se. Foi neste período que as deslocalizações e os investimentos industriais directos procuraram o Oriente, com saliência para a China. Foi nesse tempo também que os preços do petróleo mais subiram e mais altos se mantiveram. Estes factos explicam muito, a meu ver, as crises dos endividamentos, que nos trouxeram até à dificílima situação actual. Se se mantiverem estas tendências, a decadência do euro e da Europa será rápida e irreversível.
Não receia que o fim do Estado social, tal como ele é hoje percepcionado pelos europeus, e o desemprego abram caminho à extrema-direita na Europa?
Se nada for feito, ajustando o regime do Estado social às novas realidades financeiras, económicas e demográficas, são previsíveis rupturas sociais com consequências inimagináveis. É por pensar assim que há muito tempo insisto na necessidade, absoluta e urgente, da reforma do Estado social. De outro modo, poderemos ter o caos e a desordem no nosso país.
A democracia está em perigo?
Se a crise que atravessamos persistir e o governo se limitar à política dos cortes, em vez de à reforma do Estado social, tudo poderá acontecer.
Como vê a França depois da vitória de François Hollande?
Vive-se um tempo de fantasia, agora animado pelo novo presidente francês. Só por cegueira ou por estupidez se pode pensar que há quem não queira o crescimento e o emprego. Para tanto é porém essencial criar fontes de financiamento e definir o destino dos meios conseguidos, em termos de assegurar o êxito da sua aplicação. Quanto ao primeiro problema levanta-se a dificuldade da sua obtenção: a palavra alemã, que é fundamental, não vai ser favorável a esquemas de facilidade – como o dos eurobonds – porque o eleitorado não estará disposto a suportar os riscos e encargos, conhecida que é a irresponsabilidade na gestão dos dinheiros públicos, em alguns países. Quanto ao segundo problema, fala-se em aplicar o dinheiro em infra-estruturas, em energias verdes, em grandes projectos, etc... Nós, portugueses, sabemos muito bem o que é tudo isto, através da pré-bancarrota e da desgraçada situação para que nos arrastaram. Vítimas do excesso do endividamento e da má aplicação dos dinheiros, iremos repetir a solução que nos desgraçou?
A receita dos impostos indirectos agravou a tendência de queda em Abril e a Unidade Técnica de Apoio Orçamental já alertou para um buraco potencial de 800 milhões de euros na receita no final do ano (0,5 pontos do PIB). À medida que for percebendo que a meta do défice orçamental está em risco o governo deve lançar mais medidas ou procurar tolerância por parte da troika?
O governo tem afirmado que só se falharmos por razões que nos sejam estranhas se promoverá uma alteração das condições da troika. Aliás, como também o disse o ministro das Finanças alemão. Creio que o assunto está esclarecido.
O Conselho para as Finanças Públicas alertou para a continuação de erros clássicos no processo orçamental: dependência de medidas transitórias e de cortes cegos na despesa, cortes excessivos no investimento público e previsões futuras demasiado optimistas. O que lhe parece a qualidade do ajustamento orçamental português? Poderia ser outra dada a urgência da situação?
Desse Conselho espero apenas, e é muito, a apresentação de números rigorosos e completos.
Como vê as próximas eleições na Grécia? 
A situação na Grécia é muito complexa. Não possuímos elementos que nos permitam discernir com muita segurança a respeito da evolução no país. Pessoalmente temo que esteja a caminhar para um regime autoritário. Se houver um colapso financeiro, não é de excluir que surjam problemas de rua. Quando é assim, os países temem em entregar-se a alguém que de volta tranquilidade.
E vê o país a sair do euro?
Alguma Europa, a que tem dinheiro, começa a cansar-se do problema grego. Já houve dois acordos de assistência e não se vê as necessidades gregas chegarem ao fim. Não se percebe o que está feito ou não está. Sabe-se que precisa de dinheiro todos os dias. Se a Grécia tem o direito de democraticamente escolher o seu próprio rumo, é preciso perceber também que os países ricos também podem democraticamente fazer as suas opções.
E a situação em Espanha?
A Europa rica vai fazer tudo para evitar problemas muito grandes na Espanha. Primeiro, porque não se encontra em estado de desagregação política e social como a Grécia. Segundo, porque a Espanha tem um peso na Europa em relação ao qual não deve haver descuidos. Qualquer dos países que se encontram em grave crise precisa de financiamentos, que naturalmente passam pelo sistema bancário. E esses financiamentos que muitos querem que se faça pelos eurobonds dificilmente avançarão. Por um lado, os países que se financiam a baixos juros, como a Alemanha. Pela via dos eurobonds, irão sofrer um agravamento das taxas de juro. Por outro lado porque se os países necessitados vierem a falhar os seus compromissos serão os países ricos a suportar as dívidas destes. Tudo isto leva a crer que os eleitorados europeus vejam com maus olhos essa figura dos eurobonds. Creio que só serão viáveis quando os países necessitados se submeterem a uma disciplina financeira que não deixe receio aos países do centro da Europa que vão ter de pagar ainda mais pelo não cumprimento das regras por alguns estados-membros.
Ou seja, primeiro a disciplina e depois os eurobonds. É essa a posição implícita da Alemanha...
Sim. Se põem dinheiro a circular sem se instalar uma rigorosa disciplina financeira na Europa, num prazo muito curto corre-se o risco de voltarmos ao ponto de partida.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Reflexão - LBC ( o novo aeroporto na Ordem)

A Ordem dos Engenheiros não foi consultada para a questão do Aeroporto?
...bem, muito provavelmente foi a Ordem dos Arquitectos? Sim, porque as dos Advogados, Enfermeiros, Médicos, Farmacêuticos não terão sido!


Cartoon - o roubo de Tancos


domingo, 2 de julho de 2017

Séries - Genius (Einstein)



Reflexão - Alberto Gonçalves

(Alberto Gonçalves no Observador)

Contra a descrença de alguns, felizmente poucos, o Estado afinal esteve à altura dos acontecimentos em Pedrógão Grande. O Presidente da República esteve soberbo. Oito dias depois de ter assegurado que fora feito o possível na segurança dos cidadãos, apareceu a exigir que se apurasse “tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar”. Um burgesso julgaria que a investigação precede as conclusões, mas espíritos superiores do calibre do prof. Marcelo não se deixam tolher pelas amarras do senso comum. Pelo meio, ainda arranjam tempo para atender a uma festança beneficente, faltar aos funerais das vítimas e distribuir abraços comovidos e comoventes a 381 transeuntes – fora os que conseguiram fugir.
O primeiro-ministro esteve impecável. Em vez de explicar, como os fracos, o dr. Costa exigiu explicações. Em vez de dar respostas, como os pelintras, o dr. Costa fez perguntas. Em vez de pedir desculpas, como os malucos, o dr. Costa pediu um “focus group” para avaliar o impacto dos fogos na sua imprescindível popularidade. E sempre com um perpétuo ar compungido, que só interrompeu para participar, aos saltinhos, no “lançamento” de um indivíduo obscuro – e certamente prodigioso – à câmara de Lisboa.
A ministra da Administração Interna esteve excelente. Chorou imenso, o que é prova cabal de sensibilidade. Nos (curtos) intervalos, declarou que: 1) o incêndio de Pedrógão Grande foi um grande incêndio; 2) aquele foi o pior momento da vida dela; 3) não se demite na medida em que a demissão seria o “mais fácil”, e que prefere “dar a cara”. A cara lavada em lágrimas, escusado recordar.
O Bloco de Esquerda esteve magnífico. De início, ao pedir chuva em lugar de demissões. De seguida, ao descobrir que a culpa dos incêndios é dos eucaliptos, que os eucaliptos foram uma invenção de Salazar e que os capitalistas da celulose querem calcinar o país inteiro. Ficou claro que o conhecimento do dr. Louçã & Cia. em matéria de fogos florestais rivaliza com a erudição que demonstram na economia e, de resto, em qualquer assunto que se dignem abordar. Avisado, o governo apressou-se a proibir o eucalipto, em forma plantada ou tentada.
O PCP esteve fabuloso. Perdida a liderança do combate ao eucalipto para o BE, os comunistas desprezaram Pedrógão Grande e mantiveram-se focados nas autênticas prioridades nacionais, leia-se uma greve dos professores convocada para fingir que a classe está descontente.
O parlamento esteve irrepreensível. Os partidos aprovaram uma comissão de especialistas, metade dos quais a nomear pelo dr. Ferro Rodrigues. Elogiar isto seria redundante.
A Protecção Civil esteve fantástica. Dotada há três meses de novas chefias, muitas sem experiência na matéria de modo a refrescar aquilo, a entidade não serve apenas para emitir avisos coloridos: também serve para confundir as calamidades ao adoptar procedimentos caóticos e avulsos. Num instante, o método “andar à nora” (jargão técnico) fintou as expectativas das chamas e mostrou-lhes quem manda.
O famoso SIRESP esteve imaculado. Após numerosos testemunhos de que esta luminosa herança do dr. Costa não funciona, um relatório isento, realizado por uma empresa acionista do próprio sistema, concluiu o contrário.
Os helicópteros Kamov, outra negocia… desculpem, benesse do dr. Costa estiveram formidáveis. Não saíram do chão, logo não são suspeitos de nada que se relacione com a tragédia.
Os “media”, salvo ligeiros deslizes, estiveram estupendos. Às primeiras notícias funestas, correram a auxiliar os que mais precisavam: o dr. Costa, a ministra e as metástases do poder. Raramente se assistiu por cá a acção de solidariedade tão coordenada.
O facto é que, apesar de toda a perfeição acima descrita, em Pedrógão Grande morreram, que se saiba, 64 pessoas, além das centenas de feridos, desalojados e desgraçados em geral. Culpados? A tese oficiosa foi evoluindo. Começou por se desconfiar de uma árvore (radicalizada e já devidamente referenciada pelas autoridades). Partiu-se para a crítica à natureza, que nunca, nunca, nunca na História da Terra se manifestara com tamanha violência. Prosseguiu-se com a acusação dos jornais espanhóis que não veneram a competência do dr. Costa e, movidos pela inveja, acham o nosso Estado um atraso e uma vergonha. Finalmente, chegou-se a um consenso, aliás previsível: a culpa é de Pedro Passos Coelho, que confiou num boato, permitiu-se uns comentários sobre eventuais suicidas na região dos incêndios e, para cúmulo, desculpou-se pelo erro.
De súbito, o tipo de gente que passou anos a misturar jovialmente suicídios e “austeridade” esfregou as mãos e aproveitou a deixa. Não é que essa gente precisasse, mas enfim dispunha de um “pretexto”, grotesco que fosse, para ignorar a incúria, a corrupção, a demagogia, a incompetência, o descaramento, a prepotência e o desrespeito dos, digamos, “responsáveis”. Para alívio colectivo, o horror talvez criminoso de Pedrógão Grande expiou-se numa frase infeliz. E, sem surpresas, os seus autores preparam-se para sair impunes: o “focus group” determinou que a popularidade do dr. Costa não sofreu abalos. No fundo, é que importa.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Reflexão - Rui Ramos (Observador)

Só há responsabilidade para as boas notícias?

O fogo de Pedrógão-Grande pode ter tido as origens mais extraordinárias, mas ocorreu numa região, numa época do ano e num contexto meteorológico em que os incêndios florestais não são extraordinários. É difícil, por isso, não admitir a hipótese de ter havido uma falha da protecção civil. Não se previu o risco de incêndio florestal, não se pôs a população em alerta para a possibilidade do fogo, não se prepararam meios para uma eventualidade, e quando o incêndio rebentou, não se tomaram todas as providências, como, por exemplo, controlar a circulação automóvel. Ao contrário do que disse o Presidente da República, não parece ter-se feito tudo o que se pôde.
Mas neste país, só há responsáveis para as boas notícias. Para a saída do défice excessivo, não faltaram pais, mães e até avós. Ninguém invocou a conjuntura externa favorável, nem o ajustamento de 2011-2014. Mas para uma tragédia como a de Pedrógão-Grande, os tomadores de responsabilidades são escassos. Nestes casos, prefere falar-se da natureza, da temperatura, do vento, da conjugação misteriosa de todo o tipo de fatalidades.
É curioso notar, a este respeito, o contraste entre o regime português e o regime britânico, perante dramas de dimensão semelhante. Em Londres, morreram a semana passada 58 pessoas no incêndio de uma torre de apartamentos. O fogo começou com um acidente (a explosão de um frigorífico). Mas para a sua propagação rápida e avassaladora, terá contribuído o revestimento exterior, mais barato do que outras opções, mas perigosamente inflamável. A partir daí, começou a discussão, a primeira-ministra foi confrontada, exigiram-se demissões. Como em qualquer democracia, quando alguma tragédia acontece que podia não ter acontecido.
No caso de Pedrógão, depois do acidente inicial (neste caso, uma trovoada seca), também houve um problema de revestimento barato: o tipo de floresta com que, há mais de um século, o Estado forrou a antiga paisagem portuguesa de serras nuas, charnecas e areais. Escolheram-se espécies económicas, como o pinheiro e o eucalipto. E assim, com a ajuda do clima e do relevo, se preparou o terreno para a “época de incêndios”. Depois, o êxodo rural piorou as coisas, ao transformar a chamada “floresta” num enorme matagal abandonado, cercando estradas e povoações. Todos os anos há incêndios e todos os anos os “especialistas” fazem a ronda dos telejornais. Nada muda.
Demasiada população, incluindo uma parte da população mais vulnerável, como são os idosos rurais, é ano após ano sujeita à roleta russa dos fogos florestais. Foi revoltante ver nas televisões o desamparo de muitas dessas pessoas. Quem é responsável? Não se sabe, porque a oligarquia começou logo por decretar a “unidade nacional”, de modo a não haver perguntas aborrecidas nem debates incómodos. Em vez disso, houve emoções, abraços, afectos: mais um caso de revestimento barato.
Sim, o fogo é natural, mas é possível reduzir a vulnerabilidade aos incêndios. Os outros países do sul da Europa não têm tantas ignições nem tanta proporção de área ardida. Não foram as actuais autoridades que plantaram pinhais e depois os abandonaram? Pois não. Só que não estamos a falar de “culpas”, mas de responsabilidades. Estar no poder é assumir a responsabilidade: é prevenir, é mudar. É por isso que no Reino Unido houve discussão desde o início.
Não se pode andar a dar lições sobre o aquecimento global, e depois não conseguir sequer dar uma impressão de previsão e de controle perante um fenómeno que se repete todos os anos, nas mesmas condições, como são os fogos florestais. É nestes casos que o vazio de liderança política em Portugal, disfarçado pelo preenchimento regular dos cargos, se torna óbvio. É também nestes casos que fica à mostra a fragilidade extrema do país artificial do optimismo e das boas notícias.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Ciberespaço - ataque a uma estrutura rodoviária


Ordem Engenheiros - A Cibersegurança

A Engenharia e a Cibersegurança

Seminário

Auditório da Sede Nacional da Ordem dos Engenheiros, Lisboa
19 de junho de 2017


José Tribolet e Pedro Veiga a alertarem para os perigos dos tempos actuais, no que à segurança informática diz respeito. Vi em transmissão em streaming já que o calor me desmotivou em estar presente para assistir ao vivo.
Interessante o papel dos gestores e a falta de formação e de informação dos mesmos.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Wild Scotland (National Geographic Wild)

Série de programas que passaram na National Geographic Wild, sobre a Escócia. Este é um dos poucos momentos em que ainda sinto alguma esperança na raça humana. Saber que existem pessoas que doam os seus serviços em favor da preservação de espécies como a águia pesqueira ou a rena, sem nada em troca senão o altruísmo e o gozo que naturalmente lhes dá.
Acompanhado da música apropriada, criteriosamente escolhida, com a locução do escocês Ewan McGregor e, claro, das únicas paisagens que ali existem. Com um pouco de animais a mais e paisagens a menos, mas compreende-se. O programa é "NG wild".



sexta-feira, 9 de junho de 2017

Reflexão - LBC ( John Oliver e a selecção nacional )

Depois de ter tentado, durante dez minutos, seguir o jogo de Letónia - Portugal para o apuramento para o Mundial de 2018, e de ter - UMA VEZ MAIS! -,  desistido, vi o John Oliver em mais uma cruzada contra o Donald Trump pela sua decisão de abandonar o Acordo de Paris. Um fartote! Um pagode!
Porque é que não há mais gente a pensar assim, mesmo que às vezes a linguagem não seja a mais adequada?

quarta-feira, 7 de junho de 2017

terça-feira, 6 de junho de 2017

Reflexão - LBC ( Vetvals ) - Ago2010

(Nota - escrito em Agosto 2010)

AGO10

As novas oportunidades, criadas pela diversificação de mercados, pela crescente adequação e adaptação dos diversos intervenientes, por uma campanha publicitária dirigida, e por sistemas de auditoria estruturados, fazem com que a visibilidade dos conteúdos seja agora uma realidade, e assim, a proactividade que hoje em dia se pretende aplicar…..

-Epá, vai pó caralho com essas patacoadas e vê lá se falas português! – disse uma voz lá no fundo. 
E assim voltei à realidade!
E, claro, ao nosso contacto, porque esse – sim, ESSE -,  é que tem sido (…) verdadeiro, e não estas tretas modernistas cacarejadas pelos “licencio-Bolonhósos” e “pseudo – capazes” dos dias de hoje, e que enchem os noticiários, os ouvidos, e fazem perder a paciência e a compostura, a qualquer ser normal que hoje ronde os 50, e tenha obtido o 7º ano no “antigo regime” (sorry…). 


Escrevo-vos em férias, apesar de vos enviar o texto, apenas quando se iniciar a época. 
Ou seja, e antes de mais, para “aqueles” que me acusam de “perder tempo” a escrever, tenho, neste momento, todo o tempo do mundo. Sobretudo quando, com todo o carinho e enlevo, desanco, perdão, escrevo sobre os meus amigos!…
Eis-me (nos?) ansioso (s) por voltar aos relvados, perdão, ao estrado, ou ao tacoado se preferirem. 
Receio no entanto que, a esta distância, um tratamento ao madeirame tenha sido entretanto, e como tem vindo a ser hábito nos dois últimos anos,  aplicado nas férias; sofisticadíssimo, estilo “dernier kri”, e que, acrescido da crónica falta de limpeza e de controlo, torne os treinos iniciais em sessões (e serões) dançantes, para alguns que ainda vão dando. ..ao pé (frise-se…)

Quanto a novas aquisições, o mercado anda pelas ruas da amargura, pelo que receamos ter de jogar com o plantel da época passada. Isto, apesar de “algumas caravelas” subrepticiamente, se aproximarem do porto… 
Analisemo-lo:


Antes de mais, do nosso bardo que prometeu regresso, Fezix Vitalix. E digo bardo em sentido figurado, claro. O do Astérix e Cia., rebentava com os tímpanos dos gauleses. O nosso rebenta-nos, não com os tímpanos, mas com os bracitos, com as cabecitas, etc. Vê-lo, sobretudo acima do nível da rede, é o click mais rápido que existe para nos trazer à realidade, e para fazer disparar o instinto de sobrevivência mais imediatista que existe em nós.

Tenho sentido, também, uma saudade gritante dos desabafos inflamados e das discussões acaloradas, sobre as bolas em cima da rede, as bolas fora e/ou dentro, os 7 toques, etc., que o Rui Cardal, o Manuel Piedade e o Luis Miranda mantêm em cada treino. A perplexidade que inunda o pavilhão quando aqueles homens se engalfinham no calor da luta, os brados que trocam, os impropérios, as exclamações, etc., fazem corar de vergonha Queiroz e Cia. Não são poucas as vezes que me contenho para não exclamar: - Manuel, Rui, Luis calem-se, já chega!!

No outro extremo, que saudade do recato, da discrição, do monástico mutismo a que, crescente e paulatinamente, se têm votado os robertos, perdão, os lampiões  Nelinho dos Trunfos, o das cortiças e o marquês; não se percebe o que se passa (;)). Já não se vibra como antigamente,… no tempo do Eusébio, entenda-se…

E já que falamos de lampiões, que dizer do jogo de pés, e da forma como troca os olhos dos adversários ( que não dos pacientes, espera-se…), do João de Deus? Um espanto para os colegas, um exemplo para os benfiquistas, e uma chatice para quem tem de ir buscar as bolitas ao fundo do ginásio…

E já que falamos do fundo do ginásio (a sua extensão, entenda-se…), como elogiar o equilíbrio, a coordenação motora,  o controlo rigoroso da intervenção, e do gesto, do Luis Costa? Sempre preparado para ajudar os colegas com o saco com as sulfamidas, com os saridon, mercurocromo e sanguessugas; não há pai (e muitas vezes, paciência…)para ele! 

E como esquecer as bolas relojoeiristicamente colocadas pelo JP (sem álcool), e “cirurgicamente operadas” pelo LM (sem filtro); este dueto põe os blocos adversários à nora, se não à roda. Aos opositores põe-nos de rastos (psicologicamente), e de gatas, fisicamente…

Como elogiar o esforço sobre-humano do Al Soar Muhamed Pir,  que treinando apenas de 3 em 3 semanas, conseguiu ainda não atingir os 3 dígitos (nem a porta da caldeira?...)? 

Como receber o serviço matreiro, mortífero, manhoso  e morteiral do Sobral?
Como é que ainda há “jovens valores” do nosso núcleo, que ainda não interiorizaram, que é o único (the one) que deveria (porque ”tirou o brevet" e é um rapaz com bom senso, além de uns ténis giros…) falar, quando há dúvidas em qualquer jogada?

Como defender o remate esfugaxal, mitrukárdico e, sobretudo, manquiolístico, mas sempre “doloso”, do Giorgiu Orêstievski? 
Como não admirar aquele envolvimento contínuo, aquele affaire único, aquele romance adolescentó-eróticó-apalpeirístico que mantém com a rede, e que ele tão bem oculta da malta (ela não; queixa-se muito! Women!!…)?

Como não perdoar as bolas ao segundo toque, inocentemente – claro -,  colocadas pelo ZBD (não, não é Zorro Bora Daí, nem Zézito Bolita Dádá , é Zé Barata Dias), o elemento que uma vez por mês (…) – para não rotinar -,  nos honra com a sua visita? 
Como não esquecer os seus constantes incentivos aos companheiros? Mesmo os que acertam?...  ;) (Made in SLB…só pode!)

Mcshade? Um nome!! Não, não é uma sombra, nem o personagem de uma qualquer obra ficcional das que por aí pululam! Ele não faz um, mas dois blocos,  três, os que foram necessários!
 Besides? Um serviço a perder de vista (J), uma vista a perder o serviço(L…) e não só, um remate colocado. Ah, que ganas de se lhe comparar! Um homem daqueles, até se lhe perdoa se morder a rede!

Azevedo? Um apelido, mais rápido que a própria sombra (Luky Azevedo…) a defender, a limpar o pó do ginásio (aqui acumula funções, em triunvirato com o Rui e com o Luis), e a apagar os fogos que, piores que na nossa época de Verão, são postos pelos pirómanos da equipa.
Tirou uma pós – graduação em  “incentivamento na empresa” na Deloitte, e doutorou-se em “incentivadura pós moderna” no Valsassina,  pelo que  ajuda e incentiva tudo e todos, mesmo que façam as maiores alarvidades a jogar, marquem golos nas balizas de andebol, ponham a bola jogável junto da casa da caldeira, se atropelem a defender, passem a bola pró do espaldar rematar (conhecem alguém?...;)),  ou ponham a redonda na galeria. 
Quanto ao resto…um pêndulo!


E tu ó Duarte? Sim, tu, que com a graça do nosso rei (J), não paras, literalmente! Tu, que se a corrida fosse contabilizada estaisticamente (como é uma das modas agora no futebol), correrias centimilhas e mil-e-milhas? Saltarias montes e vales, cruzarias rios e ribeiros, e depois cairias exausto – aliás, como é hábito -, aos pés do Vasques ou de outro qualquer que ousasse tentar, pobrezito, intervir na sua zona de influência… 
O “ressuscitado”, aquele com o cabelo “fumado” e com problemas de incontinência maxilar que treina “uns caceteiros”, (não confundir com o puto do Norte, nem com o assobrancelhado pintarolas…) é que ainda não te viu… 

Vasques? O de Oliveira? Que o nome não acabrunhe, que o remate não atemorize, que o passe não seja em vão. Que o verbo não se lhe gaste (havia de ser bonito!:)...), que a queda não amedronte, que os estanca-suores não se lhe esgotem, que as toalhitas apareçam (o SLB ainda há-de ser campeão outra vez…), que o charrito lhe saiba bem, que a Isaura (“a outra”) continue a servir bem, mas sobretudo, que a presença seja duradoira . 

Finalmente, como esquecer os mais jovens que intermitentemente aparecem, cheios de força, e de “carga positiva” como soi agora dizer-se? E já que falamos de carga positiva, como não esquecer a “outra”? A de porrada que eles nos servem, quando servem (passe a redundância), e rematam? Não os metam na ordem não, depois queixem-se que deixamos de ter quorum…


Bom ano voleibolístico.
Mas sobretudo, lembrem-se do que o “V”, o de Oliveira disse – mansamente -, no jantar;…behave (para os que não sabem estrangeirês, quis dizer “portem-se bem”… nos treinos, claro).

PS – Continua a ser um privilégio, não só  estar convosco, como incentivar-vos desta forma carinhosa e construtiva ;)

domingo, 4 de junho de 2017

Dia Regional do Engenheiro

Com a ida a Albufeira ao Dia Regional do Engenheiro em 13.05.2017, com o Côro da Ordem, aproveitámos e fizemos umas mini-férias: dois dias antes em Albufeira num resort; nos dois subsequentes em Évora.





D. Sancho - visita ( O "Render da Guarda")

Visita em 21.05.2017, ao Museu do Oriente e ao render da Guarda em Belêm.





D Sancho - Festa de encerramento


Em 03 e 04 de Junho, realizou-se no Teatro Azul (Joaquim Benite) em Almada, a festa de encerramento das actividades da Universidade D. Sancho TKM. Em 03 um conjunto de classes diversas e duas actuações inopinadas (a minha com o Mr. Sandman e Venham mais cinco, e a do Filipe) com o Salvador; em 04 uma peça de teatro de Romeu Correia, "As quatro estações", na qual eu fazia de Rogério :).






Reflexão - LBC ( o Francisco )

Sem ruído, calmamente, de mansinho, em Basel, o Francisco chegou em 12.05.2017. A Filipa, o Filipe estão contentes com o segundo rebento. A Maria exulta com o mano.

Nesta data (03 de junho), cantei, à capela, sem ensaios, na festa da Universidade no Teatro Azul em Almada, o "Mr. Sandman" e o..."Venham mais cinco"...:)
Aguardemos pois pelo que os manos (Iôiu e Fifipa) farão...:):):)
(parto do princípio que vocês não lerão esta mensagem!:)

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Reflexão - LBC

Os últimos grandes temas da actualidade:
- os afectos do Marcelo;
-a vitória no Festival da Canção;
- o reconhecimento do consolidadíssimo sistema bancário que possuímos (CGD);
- um grupo da "geração mais bem preparada de sempre" invadiu Torremolinos e partiu tudo à sua    passagem;
- No futebol, há um ou outro que diz asneiras, um grupo restrito que bate nos árbitros,  meia dúzia de fadistas que louvam terceiros com canções de "intervenção", um ou outro maluco que passa o jogo a insultar. Ah, e também se joga futebol, claro!
- O aero-busto de um (Ronaldo) e o bom porto do mesmo. Tudo na Madeira;
- os copos e as mulheres de um holandês;
- A Ordem dos Engenheiros  organiza um debate (pago) sobre "A essência do vazio do nosso umbigo";
- 300 novos comentadores, 280 de futebol,  terminaram a sua formação na Universidade Superior.


Os últimos pequenos temas da actualidade:
- Numa terra do extremo oriente que dá pelo nome de Coreia do Norte, uma família de malucos à frente do "Governo",  toma conta de tudo e de todos;
-A Europa tem um furo e ora guina para um lado, ora para o outro;
-Erdogan na Turquia, Putin na Russia, Trump nos USA, Chavez na Venezuela, Kim-Jong-Un na Coreia do Norte, Dilma (entretanto deposta!) no Brasil, Le Pen em França, e uma dúzia de outros desequilibrados  em África, ilustram o que de pior nós podemos trazer à Humanidade;