quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Observador - Será que o Sanchismo vai morrer na praia de Ceuta? (Tiago Dores)

 

(sublinhados pessoais)

LBC - Brilhante!

Será que o Sanchismo vai morrer na praia de Ceuta?

Marrocos levou a mal o flirt de Sánchez com a Argélia e, numa variante do clássico “malas à porta”, despejou um carregamento de gente em Espanha, só com a roupa do corpo.

Se ainda for a tempo, começo por uma sugestão de férias: Nova Iorque. Têm é de ir o mais depressa possível, se querem testemunhar aqueles cinco, sete minutos em que um supermercado público tem produtos nas prateleiras. mayor da cidade, Zohran Mamdani, confirmou o arranque deste projecto e é a vossa oportunidade de fotografar esse fenómeno ainda mais efémero do que o eclipse do sol do próximo fim de semana.

Só podem mesmo é fotografar, esqueçam comprar os produtos supostamente 30% mais baratos do que nos supermercados normais da cidade. Para ir às compras no supermercado de Mamdani é preciso uma identificação de residente em Nova Iorque. Ou seja, para estes democratas — no sentido de “militantes do partido democrata”, jamais no sentido de “apreciadores da democracia” — comprar um molho de brócolos deve exigir documento de identificação, mas votar num fã do Hamas para liderar a capital financeira dos Estados Unidos da América dispensa por completo essa maçada, num volte-face tornado racista e colonialista.

A propósito de colonialismo, o que nunca foi uma colónia espanhola foi Ceuta. Como é óbvio para todos, especialmente para os geringonços ibéricos e afins, pois se Ceuta fosse uma colónia, isso faria do governo de Pedro Sánchez mais um braço armado do colonialismo, certo? Só para garantir que estamos todos de acordo e celebrar esta ocasião tão rara como haver pão no estaminé do Mamdani.

Não estou com isto a comparar Pedro Sánchez a Zohran Mamdani, como é óbvio. Até porque um é um bonitão e bem-falante comunista apostado em destruir tudo o que de mais fundacional existe no mundo ocidental por forma a alimentar a sua sanha de poder, de signo Peixes, e o outro é de signo Balança. Não, Sánchez é, como nos explicou há meses a jornalista do Público, Ana Sá Lopes (numa demonstração de perspicácia que só encontra paralelo na épica sagacidade da jornalista de investigação, Fernanda Câncio, que jamais desconfiou haver alguma coisa esquisita com José Sócrates), o Churchill dos tempos modernos.

O que depois deste episódio de Ceuta até faz, tenho de admitir, algum sentido. Afinal, houve presciência de Ana Sá Lopes. Quem é que disse que a Sonae está a deitar dinheiro à rua?! Quem diria que o enorme estadista Pedro Sánchez iria ter direito ao seu momento Gallipoli no norte de África. Em termos de tragédias marítimas para os lados do Mediterrâneo, o presidente do governo espanhol está ali, a pedir meças, a Winston Churchill e à sua catástrofe na Primeira Guerra Mundial.

Na verdade, Sánchez é, isso sim, um melting pot de tiranetes sul-americanos, de António Costa obreiro da geringonça e agora, com esta tragédia de Ceuta, do xexé Joe Biden. Que, se estão lembrados, nas vésperas da invasão da Ucrânia por Putin regurgitou a célebre gafe da “minor incursion”, ou seja, proferiu uma frase com o efeito de “se entrar só um bocadinho não conta”.

Enfim, a frase terá tido um efeito ligeiramente menos gráfico do que a minha versão, que serve, no entanto, para lançar o que parece ser a explicação mais simples dos acontecimentos em Ceuta: Marrocos levou a mal o flirt de Sánchez com a Argélia e, numa variante do clássico “malas à porta”, despejou um carregamento de gente em Espanha, só com a roupa do corpo.

E Sánchez ficou pior do que estragado, claro. Não por desdenhar — como é óbvio! — mais umas largas dezenas de milhares de marroquinos — é o desdenhas! — prontos a substituir os empecilhos nativos que teimam em não querer viver na Venezuela. Não, o que não foi simpático para Sánchez foi a forma de entrega deste novo pacote de votantes.

Que este tipo de “encomenda” não pode ser atirada, assim, por cima do portão. Este tipo de entrega tem de ser feita com a discrição que depois estende a passadeira ao clássico “mas como é que estas pessoas aqui chegaram? Bom, agora é humana, financeira e até fisicamente impossível recambiá-las para os seus países. Não resta alternativa senão dar-lhes casa, comida, subsídio e cartão de eleitor para irem às urnas para a semana.” É assim que este tipo de entrega tem de ser feita. E não num cenário que dá ideia de ser o próximo projecto dos criadores da Casa de Papel, uma co-produção hispano-marroquina do novo World War Z.

Resumindo: a culpa é dos judeus.


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