segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

The Spectator - Environmental regulations are killing nuclear power

 (personal underlines)


Environmental regulations are killing nuclear power

Sizewell B (photo: iStock)

There is no greener form of power than nuclear power. It emits less carbon and uses less space per megawatt than any other form of power. Yet rules designed to protect nature have made it far more expensive than it needs to be and put it at a competitive disadvantage when competing against dirtier and more land-hungry forms of power. This is the reason why Hinkley Point C, when finished, will be the most expensive nuclear power plant ever built on Earth. 

So, what’s that got to do with the price of fish? A lot, actually. The Nuclear Regulatory Taskforce, a group appointed by the PM to figure out how to get the UK’s extreme nuclear construction costs down, have published a scathing report. It is full of infuriating examples, but none more so than the lengths to which EDF were forced to go to protect a tiny number of fish.

Hinkley Point C’s ‘Fish Disco’ has become a symbol of the absurdity of Britain’s planning system. At a cost of £50 million, speakers will be installed to play jumbo-jet level noise to deter fish from entering the water intake pipe. EDF fought the requirement for years – they were concerned for the safety of divers employed to repair the speakers – but eventually gave in when the dispute dragged on for so long that a safer alternative was developed.

The ‘fish disco’ is just the tip of the iceberg. EDF are also spending £150 million on a ‘world first’ fish recovery and returns system and half a billion on special water-intake heads. All in all, £700 million is being spent on fish protection. And how many fish are we protecting? Around a hundred per year. In other words, we will spend around £230,000 per fish saved over the next 25 years. It is an indefensible waste of money. It will make electricity more expensive at a time when it is crucial for both the economy and the climate that it gets cheaper. 

If nature is your priority, then it should anger you too. We could do much more to protect wildlife for much, much less. The report cites the example of a project that removed a weir and reopened up to 160 kilometres of natural habitat to salmon. It cost just £100,000, or just over a third of what Hinkley Point C spent saving a single fish.

In one case, EDF were required to develop, build, and operate a water treatment plant to remove trace levels of naturally occurring metals from groundwater before it was discharged into the Severn Estuary. The miniscule environmental benefit from removing the naturally occurring metals was almost certainly outweighed by the environmental impact of the treatment plant, which itself requires energy and chemicals. On top of that, regulators forced EDF to discharge the water 500 metres offshore. This required a longer pipe, which cost £60 million to build.

Sizewell C’s environmental impact assessment stretched to 44,000 pages (or 80,000 if you include all the supporting documentation). It is striking how ‘into the weeds’ these assessments get. The assessment included modelling on pilings driven into the seabed which looked at ‘the three-decibel difference in sound depending on which hammer would be used.’

Renewable campaigners and nuclear advocates often find themselves on opposite sides on the debate about energy policy, but one area where there should be consensus is on the impact of the EU-derived Habitats Regulations.

For every nuclear power station spending £230,000 to save a fish, there’s an offshore wind farm spending the same to save a guillemot. The taskforce cite the example of three windfarms that are stuck in planning limbo because they might damage a bit of seabed where a rare worm could be.

Every member of the public has an interest in knowing the cost of environmental mitigations like the ones above. We are the ones who ultimately end up paying for them – either in higher bills, or as with HS2’s bat tunnel, in higher taxes. Yet, the public is mostly kept in the dark.

The regulators and ministers deciding on projects typically don’t get information about the cost either. One of less radical suggestions in this radical report is to change the rules so developers include a cost estimate in their environmental assessment of any mitigation measure that is potentially over £500,000.

If decision makers could easily see just how bad these regulations are, then I suspect they wouldn’t blink before implementing the report’s more radical measures. The best of these is the idea to create a massive government-run nature fund that nuclear developers could pay into, at a cost of up to £1 million per acre, instead of having to provide expensive fish discos and extra-long discharge pipes. For Hinkley Point C, this could cost as much as £430 million. Even so, that’s still less than they spent on fish protection.

Observador - Esquerda, Irão e Venezuela (Rodrigues do Carmo)

 

(sublinhados pessoais)

Esquerda, Irão e Venezuela

Reina o silêncio. Nenhum voto. Nenhuma vigília. A Dra. Leitão não parece preocupada. A morte, quando não envolve os Estados Unidos ou Israel, deixa de ser politicamente excitante.

Há muito que a esquerda portuguesa desistiu de compreender o mundo. Mas raramente o fez com a alegria performativa destes últimos dias.

Na última semana voltou a cumprir a sua função essencial de se manifestar com solenidade moral, linguagem indignada e completo alheamento da realidade. Em Lisboa e noutras capitais europeias, desfilou indignada “contra a agressão à Venezuela e ao Direito Internacional”, empunhando faixas, berrando slogans e exibindo a mesma convicção com que, há poucos meses, marchava mascarada de tartaruga ninja do Hamas, melancias à lapela, keffiyehs ao pescoço, como se o ridículo resolvesse os problemas do mundo.

O embaraço começou quando a encenação deu de caras com venezuelanos reais e não os indivíduos abstractos da bolha ideológica. Gente que fugiu. Gente que atravessou fronteiras a pé. Gente que deixou filhos, pais, casas e mortos para trás. E que, em vez de se juntar ao protesto contra a “agressão”, festejava. Festejava a captura de Nicolás Maduro, criatura que, no léxico progressista, é simultaneamente uma vítima do imperialismo e uma “figura complexa”. Como todos os ditadores e torcionários, desde que façam as suas malvadezas em nome de uma causa que agrade à esquerda zangada.

Mas convém começar pela realidade, lugar que esta gente raramente frequenta. Nicolás Maduro (des)governou a Venezuela durante mais de uma década, dando continuidade ao “milagre” socialista de Hugo Chávez, e conseguiu transformar um dos países mais ricos da América Latina numa experiência de miséria estrutural. Hiperinflação, fome, colapso dos serviços públicos, eleições de faz-de-conta, opositores presos, exilados ou mortos. Sete a oito milhões de venezuelanos fugiram. Um detalhe!

O importante é denunciar “a agressão”. Sempre a agressão. Do agressor certo. O padrão repete-se, com notável coerência, no rectângulo à beira-mar plantado. Em Lisboa, a Dra. Leitão, do Partido Socialista, decidiu patrocinar um voto de protesto pela morte de uma cidadã americana numa operação policial nos Estados Unidos. A cidadã, numa decisão trágica, investiu com o carro contra um agente armado que bloqueava a viatura. O agente disparou.

As opiniões divergem: legítima defesa ou uso excessivo da força? O que não diverge é a existência, nos Estados Unidos, de um sistema judicial funcional, capaz de investigar, julgar e condenar, se for caso disso. Um sistema que dispensa as lições de Direito dadas pela Dra. Leitão e pela ala vigilante da esquerda lisboeta.

Mas enquanto em Lisboa se sinaliza virtude, no Irão morre-se sem cerimónia. Centenas, talvez milhares, de iranianos e iranianas foram mortos deliberadamente pelo regime teocrático. Não por erro. Não por acidente. Mas porque ousaram sair à rua e pedir liberdade. Execuções sumárias, tortura, prisões arbitrárias. Aqui não há ambiguidades. Aqui há repressão nua e crua. E, no entanto, reina o silêncio. Nenhum voto. Nenhuma vigília. Nenhum acampamento universitário. A Dra. Leitão não parece preocupada. A morte, quando não envolve os Estados Unidos ou Israel, deixa de ser politicamente excitante.

A estridência vem sempre do mesmo lado. Da esquerda profissional da indignação, instalada nas universidades, nas ONG subsidiadas, nos partidos que vivem do protesto. Uma esquerda que só reconhece vítimas quando estas encaixam na narrativa e só reconhece crimes quando o alegado criminoso fala inglês ou hebraico. Uma esquerda cujo cérebro ético tem um hemisfério inteiro paralisado, enquanto o outro se agita em fúria selectiva.

E, no entanto, a realidade insiste em existir. Enquanto o PS aprova votos simbólicos, no Irão sucede algo de verdadeiramente sério. Os iranianos perderam o medo. Mulheres queimam o véu em público. Estudantes enfrentam a polícia. Trabalhadores fazem greves. Pessoas saem à rua sabendo que podem não regressar. Quando um povo deixa de temer a morte, nenhuma tirania sobrevive indefinidamente. O regime dos aiatolas pode ainda impor, à bala, parênteses de silêncio, mas não pode voltar atrás. Cada morto é uma fissura irreparável.

O regime iraniano não assenta em “diferenças culturais”, como gostam de explicar os antropólogos de serviço. Assenta na negação sistemática das liberdades humanas mais básicas.

O ícone desta revolta, mulheres sem véu a acender um cigarro com a fotografia em chamas do aiatola, resume tudo o que a esquerda se recusa a encarar. A liberdade começa na simples decisão de uma mulher não ter de se esconder. E perante isto, o feminismo institucional cala-se. Sempre pronto a protestar quando a vítima é agredida pelo agressor “certo”, sempre ausente quando as mulheres são esmagadas pelos homens errados.

A explicação é simples, embora moralmente repugnante. A esquerda europeia, e a portuguesa em particular, vivem da fantasia de que tudo o que se opõe à democracia liberal merece indulgência. Caiu o comunismo, caiu o Muro, e a esquerda órfã apaixonou-se pelo islamismo político como novo símbolo de resistência ao Ocidente. O antiamericanismo tornou-se critério de virtude. A democracia liberal, pecado original. E Israel, encarnação do mal absoluto.

Por isso, Gaza enche avenidas e o Irão cabe à vontade na Rua da Betesga. Por isso, Israel e os Estados Unidos são julgados com lupa, enquanto os aiatolas executam manifestantes sem acordar ninguém no Largo do Rato, no ISCTE ou na Assembleia Municipal de Lisboa.  A esquerda não escolhe causas pela justiça. Escolhe-as pelo proveito ideológico.

Isto não é apenas hipocrisia ocasional. É método. E enquanto persistir, continuará a distinguir vítimas de primeira e de segunda, ditaduras toleráveis e intoleráveis, mortes que merecem cartazes e mortes que merecem silêncio ou até aplauso, como as israelitas.

A esquerda portuguesa, entre votos simbólicos, manifestações carnavalescas e seminários bem financiados, continua a escolher a ignomínia. E, incrivelmente, continua a reivindicar superioridade moral.

Almoço Fontanelas

Almoço em 16 de Janeiro de 2026 em Fontanelas, na sociedade com Paulo Santos, Tó Zé Sardinha, eu, Pedro Teixeira e Zé Luis Nascimento.



















continua "em projecto"...


Reflexão (LBC) - As presidenciais

Agradeço a onda de apoia, perdão, apoio daqueles meus camaradas que ao longo destes anos não me ligaram a ponta de um chavelho, antes me enxutaram do partido, mas que agora aparecem todos com o rabinho a dar a dar! Este é o VERDADEIRO PARTIDO SOCIALISTA!




E eu a julgar que ía ser presidente. O dinheiro que gastei em drones para me filmarem de cima...

Onde é que falhei? Tantos anos a estudar para fazer comentários da treta na televisão, e é esta a paga!! Este povo é esquisito!






A rir, a rir...eles não se enxergarão?



E continuam a rir...Feitios!...

















sábado, 17 de janeiro de 2026

Polemia - Les COP, des grandes messes inutiles

(soulignements personels)



 


Les COP, des grandes messes inutiles


Samuel Furfari, qui est ingénieur, docteur en sciences appliquées, enseignant en sciences politiques et auteur d’une vingtaine d’ouvrages, a travaillé durant trente-six ans à la Direction générale de l’énergie de la Commission Européenne. Son dernier livre, La Vérité sur les COP — Trente ans d’illusions (Éditions L’Artilleur, 336 pages, 20 euros), préfacé par Carlo Ripa di Meana, ancien commissaire européen à l’environnement et ancien ministre italien de l’environnement, « raconte de l’intérieur les méthodes de fonctionnement et les contradictions de ces gigantesques réunions au très fort retentissement médiatique ».

1. La question du dérèglement climatique anthropique
2. Une idéologie globaliste
4. Trente années de COP

La question du dérèglement climatique anthropique

Ce livre ne traite ni de la science du climat ni des rapports du GIEC : « Le débat scientifique est devenu si polarisé, voire clivant, qu’il discrédite ceux qui remettent en question certains de ses aspects. La controverse actuelle sur l’impact de l’homme sur le climat, bien que présentée comme un débat clos par les médias dominants, reste vivace dans certains cercles. L’opposition à ce qui est perçu comme un dogme scientifique persiste, alimentée par des arguments sérieux, mais freinée par l’inégalité des moyens et par les intérêts financiers colossaux qui soutiennent la position dominante. »

Le préfacier décrit quant à lui la manière dont sa position « a progressivement évolué jusqu’à se renverser » : « Je ne crois plus dans le dogme du réchauffement climatique causé par l’homme et, par conséquent, je ne crois plus à l’origine anthropique de l’effet de serre. […] En réalité, le climat évolue constamment et cette évolution dépend de nombreux facteurs tels que la composition chimique de l’atmosphère, la dynamique des grandes masses océaniques, les champs magnétiques produits par le “vent solaire” et la trajectoire parcourue par la Terre dans la galaxie, pour n’en citer que quelques-uns. […] En Italie, ainsi que j’ai pu le constater à l’occasion de diverses rencontres au cours de ces dernières années, une bonne partie de la communauté scientifique pense comme moi. »

Une idéologie globaliste

La genèse intellectuelle de la pensée environnementale contemporaine est issue des travaux du Club de Rome, fondé en 1968 par des industriels, des scientifiques et des hauts fonctionnaires inquiets de la croissance démographique et économique dans une « planète finie ».

En 1991, ce groupe de réflexion « dévoile le ressort profond de sa démarche » en écrivant que son objectif vise à « fédérer l’humanité autour d’un ennemi commun, non plus militaire ou idéologique, mais environnemental », prescrivant ainsi une transformation profonde des sociétés au nom de la préservation de la planète.

Le rôle des ONG

Dans l’Union européenne, les ONG écologistes assignent régulièrement en justice les États qui ne se conforment pas aux objectifs ou aux principes issus des conventions internationales. Fortes du soutien d’un appareil médiatique militant, ces organisations savent que des juges leur donneront raison, y compris en l’absence de textes juridiquement contraignants.

La situation est encore aggravée quand les instances internationales sont elles-mêmes largement influencées, voire infiltrées, par des activistes issus des ONG.

Trente années de COP

En 1995, les Nations Unies organisent la première Conférence des parties (COP), c’est-à-dire des États signataires, qui rassemblera chaque année des milliers de délégués scientifiques, des responsables politiques et des ONG du monde entier dans l’objectif d’analyser et de limiter l’augmentation de gaz à effet de serre.

Cette conférence se tient en Allemagne, qui s’impose comme leader de la diplomatie climatique durant cette période de recomposition mondiale post-Guerre froide. Depuis 1996, Bonn accueille également le siège du secrétariat de la convention-cadre des Nations Unies sur les changements climatiques.

La COP3, au Japon, fixe pour la première fois des objectifs chiffrés de réduction des émissions pour les nations industrialisées, bien que le représentant américain ait averti qu’il n’était pas question de « décider de la taille des réfrigérateurs des citoyens américains ».

La COP6, au Pays-Bas, est suspendue sans accord en raison d’une absence de consensus, avant de reprendre quelques mois plus tard en Allemagne. « Ce report illustre la difficulté de parvenir à un compromis sur des enjeux aussi complexes, où se mêlent intérêts économiques, énergétiques et considérations de souveraineté nationale. »

La COP15, au Danemark, voit également l’illusion d’un consensus se dissiper, les pays émergents du Sud refusant de s’engager sans contreparties substantielles et les États-Unis n’étant pas prêts à ratifier un accord international contraignant du fait de l’opposition du Congrès américain.

« Depuis lors, les chefs d’État se montrent plus prudents : ils assistent à l’ouverture des COP, posent pour la photo de famille et prononcent des discours, mais évitent d’être présents lors des conclusions, laissant aux négociateurs le soin d’assumer les échecs ou les compromis décevants. »

La COP19, en Pologne, « restera dans les annales comme un sommet où l’on a surtout brillé par l’art de sauver les apparences ». Le pays organisateur accueille également un sommet international sur le charbon, dont elle est grande productrice.

La COP21, en France, mobilise toute la diplomatie et les médias nationaux pour éviter de réitérer l’échec de Copenhague. Le ministre des Affaires étrangères Laurent Fabius, qui la préside, déclare solennellement : « Il y aura un avant et un après-COP21. »

L’accord de Paris prévoit ainsi que les signataires s’engagent à contenir la hausse de la température mondiale bien en dessous de 2°C par rapport à l’ère préindustrielle, tout en poursuivant leurs efforts pour limiter cette hausse à 1,5°C.

« Malgré son importance symbolique, l’accord repose avant tout sur la bonne volonté des États et la pression politique plutôt que sur des mécanismes de contrôle et de sanction contraignants. » En réalité, les pays s’engagent simplement à « poursuivre les efforts », tout en sachant que respecter le seuil indiqué supposerait des changements radicaux dans les modes de vie, les économies et les systèmes énergétiques.

La COP24, en Pologne à nouveau, réunit près de 8 000 participants dont 406 pour la seule délégation guinéenne ! De son côté, la France n’est représentée que par 188 personnes… Greta Thunberg fait également sa première apparition médiatisée.

Au même moment, le mouvement des Gilets jaunes contraint le gouvernement français à faire machine arrière sur l’augmentation de la taxe carbone sur les carburants, une mesure censée incarner la détermination de la France à réduire ses émissions de CO2.

La COP26, en Écosse, voit le nouveau converti à l’écologisme, le Premier ministre britannique Boris Johnson, échouer complètement dans son projet de « sortie du charbon », en raison notamment de l’opposition de la Chine et de l’Inde, grands consommateurs de ce combustible fossile.

Les COP27 et 28, qui se déroulent respectivement en Égypte et aux Émirats arabes unis, marquent « un tournant significatif dans les conclusions de ces grands rendez-vous climatiques, jusqu’alors largement influencés par les militants écologistes et l’Union européenne ».

Dubaï, l’un des plus grands producteurs mondiaux de pétrole, accueille 85 000 participants ! « D’année en année, la COP bat ses propres records d’affluence, au point que l’on se demande si l’objectif n’est plus de sauver le climat, mais de battre le record du monde des rassemblements diplomatiques. »

Lors de cette COP28, Vladimir Poutine se rend en visite officielle à Abou Dhabi sans se rendre sur le site de la conférence, témoignant ainsi du peu de considération qu’il porte aux sommets climatiques. « La signature de l’accord de Paris par la Russie ne doit donc pas être interprétée comme une adhésion sincère aux objectifs climatiques, mais plutôt comme un calcul géopolitique. En s’engageant formellement, Moscou renforce la dynamique d’autopénalisation de l’Union européenne, qui multiplie les contraintes sur son industrie et son économie, tout en préservant ses propres intérêts énergétiques et stratégiques. »

La COP29 se tient en Azerbaïdjan, qui est devenu « un acteur incontournable du marché pétrolier mondial et un fournisseur croissant de gaz naturel ». « Alors qu’elle ne cesse d’appeler à la décarbonation, Ursula von der Leyen a récemment exhorté le président Ilham Aliyev à doubler les exportations de gaz azerbaïdjanais vers l’Union européenne, illustrant ainsi les contradictions flagrantes entre les discours officiels et les réalités géopolitiques. » Pour cet homme d’État, il n’est pas question, comme le résume l’auteur, « de sacrifier la stabilité sociale ou la croissance économique sur l’autel d’objectifs climatiques irréalistes, imposés par des militants ignorant les réalités du terrain ».

De fait, cette conférence constitue un échec pour les activistes climatiques en raison de la réalité des rapports de force internationaux : « Le véritable tournant a été la prise de conscience que la lutte contre les émissions de CO2, telle qu’elle était portée par certains courants européens, cachait en réalité une volonté d’imposer un modèle de décroissance incompatible avec les aspirations de la majorité des pays du monde. »

Qu’attendre de la COP30 au Brésil ? « Un festival de bonnes intentions jetables, d’universalismes creux et d’autosatisfaction climatique. […] Le nouveau tourisme militant a encore de beaux jours devant lui sur les rives de l’Amazone… jusqu’à la prochaine déforestation record. »

***

La population mondiale croissante aspirant à une plus grande prospérité, « et donc à une énergie abondante et bon marché, comme le souhaitait l’Union européenne avant sa conversion à l’écologisme, […] les impératifs économiques et sociaux, ainsi que la nécessité d’un approvisionnement énergétique sûr, rendent improbable une réduction de la demande de combustibles fossiles ».

« Seule l’Union européenne continue d’accorder une importance quasi dogmatique à l’accord de Paris, quitte à compromettre délibérément sa propre compétitivité industrielle. ».

« La réalité, c’est que l’industrie européenne se délite, que les emplois se déplacent ailleurs et que les citoyens se lassent d’assumer la facture d’une politique climatique synonyme de suicide économique. »

Johan Hardoy
25/11/2025

The Spectator - Are we witnessing the end of Iran's Islamic Republic?

 (personal underlines)

Are we witnessing the end of Iran's Islamic Republic?

Police on motorcycles gather on the streets of Tehran as protests break out (Credit: Iran International English)

Iran’s clerical establishment has spent nearly half a century insisting – always with that brittle certainty peculiar to ideologues – that history culminated in 1979. That the Shah is a hushed embarrassment, monarchy a quaint relic, and the very notion of a crown something to be packed away with mothballs and other discarded finery. Yet politics, like biology, evolves in defiance of official catechisms. And Iran, in these final days of 2025, looks less like a regime in command than a contraption still whirring chiefly because no one has yet found the off-switch.

The past week has brought a small parade of humiliations, each more revealing than the last. The rial has continued its grim impersonation of confetti; protests have spread beyond the usual flashpoints; and the central bank chief’s resignation has been reported as the sort of administrative manoeuvre that tries to look like competence while smelling faintly of panic. The bazaar – those old Iranian seismographs of public mood – has reportedly rumbled again, with shopkeepers closing, chanting, and clashing with police in the capital and beyond. When a regime cannot keep its currency from melting, it is not merely suffering an economic wobble; it is watching its credibility liquefy in public.

In such an atmosphere – where state promises feel less like pledges than like taunts – something curious has happened. Reza Pahlavi’s name, long the subject of diaspora disputation and the occasional nostalgic sigh, has risen again, not as an echo of the past but as a provocation to the present. The son of the last Shah has for years occupied an awkward political niche: too royal for republicans, too Western for purists, too associated with memory for a generation that has known only clerical rule. And yet it is often the symbol a regime tried hardest to bury that returns most insistently when that regime begins to fail.

There are reasons for this. The Islamic Republic has, by the sheer, unrelenting consistency of its failures, revived the comparative appeal of what it overthrew. A state that cannot deliver basic economic stability, that devotes greater ferocity to policing women’s hair than to policing corruption, and that responds to dissent with tear gas and batons while demanding gratitude for ‘security’, performs a kind of reverse propaganda for the ancien régime. It makes ‘order’ sound tempting again. It makes the notion of national dignity – uncoupled from clerical metaphysics – feel positively radical.

One must, however, resist the easy romance of inevitability. Iran is not a normal state and cannot be read as one. The opposition remains fragmented, often performative, frequently quarrelsome. The Islamic Republic has survived crises that would have shattered less ideologically armoured systems because it is not primarily a government; it is a survival apparatus. The Revolutionary Guards and their auxiliaries were designed less to administer a country than to keep it hostage. A collapsing currency and popular anger do not automatically translate into collapse so long as coercion remains coherent.

And yet – here lies the point that must not be missed – coercion remains coherent only until it doesn’t. Even a small fracture in the obedience of security forces can alter the mathematics of regime survival. In that regard, it is not merely the protests that warrant attention but the increasingly persistent indications – circulating in open reporting and in the broader information environment – that parts of the security apparatus may be straining under the burden of enforcement, and that, in at least some instances, senior personnel may be balking at the harshest instructions. Such claims are notoriously difficult to verify in real time, and propaganda travels fast in moments of upheaval. But the strategic significance is plain enough: if even a minority of high-ranking officers begin to refuse orders, delay compliance, or quietly obstruct repression, the regime’s most reliable instrument – fear – starts to lose its edge.

This is where Reza Pahlavi’s rising salience becomes analytically interesting. It does not necessarily indicate a straightforward desire for the restoration of monarchy in its old hereditary form. More plausibly, it suggests that many Iranians want a focal point: a name and face around which the idea of ‘after’ can coalesce. A transitional figure. A convenor. A symbol of national continuity untainted by the Islamic Republic’s clerical project. Iran’s current unrest has already featured pro-monarchy slogans, which is itself telling: a society does not chant for a return unless it has concluded, at some level, that the present is intolerable.

So will the Shah return? Not, perhaps, in the literal, cinematic sense. But might we be witnessing the beginning of the end of the regime? It is no longer an outlandish question. When an economy decays into permanent crisis; when the streets turn economic grievance into political repudiation; when the bazaar stops playing along; and when obedience within the coercive apparatus begins to fray – then the speed of events can surprise even those who spend their lives predicting them. Legitimacy, once spent, is not replenished by slogans. And the Islamic Republic, by every visible sign, is running out of credit.

Observador - A ópera bufa (Nuno Lebreiro)


 

(sublinhados pessoais)

A ópera bufa

Numa eleição presidencial deveria ser central a discussão sobre a forma como a soberania e os direitos constitucionais estão em causa.

Entramos em 2026 em plena campanha para a Presidência da República. Este facto, permitam-me a partilha pessoal, suscita-me um momento de particular felicidade: independentemente do resultado, a proximidade do acto eleitoral significa que muito em breve será substituído Marcelo Rebelo de Sousa, essa figurinha que, aos pulos, babando-se, sem filtro e de forma constantemente embaraçante, denegriu o cargo de chefe de Estado durante os últimos 10 anos. Está chegando, pois, o momento em que, seja a pé, seja a cavalo, de burro ou trotinete, para alívio generalizado, o Prof. Marcelo desaparecerá no horizonte político da memória, ainda que sem rasto, que é como quem diz, sem obra ou marca de especial relevância — pelo menos, positiva.

Posto isto, a verdade é que há eleições, um evento que tem animado sobremaneira o país, pelo menos o mediático — já o real não sei se assim tanto —, dando lugar a milhares de entrevistas, centenas de estudos de opinião, dezenas de debates, tudo devidamente documentado por milhares de milhões de jornalistas (pelos menos assim soam) e triliões de comentadores (alguém lhes conhece sequer o nome?). Já quanto a mim, no que concerne a peleja eleitoral, admito o profundo desinteresse. Primeiro, e precisamente porque se trata de substituir o actual inquilino de Belém, por princípio, quem quer que venha a seguir não poderá fazer muito pior: afinal, Marcelo, mais que o ridículo generalizado ao qual se expôs — a si e a nós, diga-se — durante todos estes anos, conseguiu ser o maior factor de instabilidade política do país, simultaneamente o garante e o entrave do regular funcionamento das instituições, bem como, muito mais grave, o defensor oficial e o maior infractor do ordenamento constitucional português. Pior que isto, como é óbvio, será difícil.

De facto, porventura com uma excepção, olhando para os candidatos à sucessão, tal como analisando as possibilidades de vitória de cada um, se é certo que nem Marques Mendes nem Seguro entusiasmam particularmente, a verdade é que qualquer um dos dois representaria um mal menor face ao actual presidente: é uma espécie de duo Tiririca, pior que está não fica. Depois, Ventura e Cotrim, não devendo ter grandes hipóteses de eleição a duas voltas (salvo passarem os dois, algo que parece improvável), por mais números que façam apelando aos seus respectivos eleitorados, acabam por animar a festa, marcar presença, dizer umas coisas, mas, à partida, bem no fundo, sabemos todos, não passam de candidaturas meramente instrumentais que visam outros intuitos que não os da eleição presidencial.

Assim, no final, feitas as contas e apanhadas as canas da festa, goste-se mais ou menos, a realidade é que, por oposição ao duo Tiririca, sobra-nos a tal excepção: o famigerado almirante, essa esdrúxula personalidade que, inventada por certos meios de comunicação e interesses particulares, apenas por ter aparecido de farda na TV em histérica ocasião de pânico colectivo, se fez símbolo nacional da “luta contra a pandemia” apregoando a salvação do mundo através da distribuição de injecções experimentais. Ora, tal coisa, para uns motivadora de frémitos de excitação proto-autoritária, para outros uma triste lembrança da suspensão inconstitucional de liberdades e direitos fundamentais dos cidadãos que caracterizou tão negro período, independentemente da pessoa em causa, é muito pouco para justificar a Presidência da República. Na realidade, o dito almirante apareceu pela mão de certos media, fazendo jus a dois grandes clichés da política portuguesa: primeiro, que a “salvação” sebastiânica estará algures ao virar da esquina; e, depois, que ela virá de fora do sistema tradicional pela espada do herói salvador.

Vai daí, face ao sucesso mediático da operação logística de injecção nacional, logo alguns visionários vislumbraram na pessoa em questão uma liderança forte e carismática que, corporizando o mito, pudesse liderar um projecto político, primeiro para Belém, em seguida, da pandilha que atrás se juntou, sabe-se lá para onde. Então, quase como por magia, diversos poderes que são, mais uma panóplia infindável de figuras e figurinhas mais ou menos conhecidas, em particular tudo o que é marreta descontente com a direcção do seu respectivo partido político — é ver os PSD, PS e CDS que por lá cirandam — acorreram ao movimento a ver quem chegava primeiro, isto enquanto as agências de comunicação se esforçavam por mostrar o carácter independente e heróico do insigne candidato. Junto com sondagens que apenas questionavam se seria veneranda figura eleita à primeira ou à segunda volta, a coisa foi vendida, e consequentemente dada, como adquirida. Isto, claro está, até que, por diversas razões, foi o Sr. Almirante forçado a abrir a boca — e aí, materializando-se o sonho quimérico sebastiânico na pobrezinha realidade balbuciante que nos apareceu a todos pelos ecrãs dentro, foi um balão que se esvaziou, um puff que se deu, um ar que se foi, um bote de borracha que se afundou, desse modo desaparecendo o sonho e restando apenas uma triste estátua com tiques de superioridade ética e moral sobre todos os outros, ainda que sem qualquer especial talento que lhe reconheça motivos para tal.

Nos tempos actuais onde tudo se reduz à finura de um pixel, convenhamos, não é fácil revelar assim a toda a gente a incompetência e impreparação de um boneco político. Não obstante, foi algo que o candidato-almirante tratou de comprovar por todo o lado onde passou: desde as entrevistas onde se posicionou ora aqui ora ali, sempre sem se comprometer, mas em incessante procura de espaço político próprio que não tinha; passando pelos debates onde, progressivamente baixou o nível à medida que, exasperado, ia subindo o tom de voz, bem como o sotaque de taberneiro, assim revelando cada vez maior inabilidade de consenso, compromisso ou representação — as principais características que dizia trazer consigo para o cargo; terminando no curriculum maculado por um aglomerado de trapalhadas, jogadas e esquemas de pequena recomendação, bem como um impressionante rol de conflitos institucionais, legais, incluindo pedidos de desculpa aos quais foi condenado a emitir por decreto judicial. Em suma? Um flop. Pior, um flop com pretensões a fazer coisas, nomeadamente a salvar o país, ou seja, a fazer muita asneira se lhe for dado o meio e a oportunidade.

Assim, independentemente de virtudes, defeitos e vontades, entre a impossibilidade de eleger Ventura, Cotrim ou qualquer dos outros candidatos além dos três mencionados, objectivamente, seja para bem ou para mal, sobra aos portugueses a escolha entre, por um lado, aquela candidatura fajuta e forçada que pretende eleger um desnorteado sem qualquer substância ou reflexão política digna desse nome como chefe de Estado ou, pelo outro, a normalidade pré-marcelista do duo Tiririca prometida por Seguro ou Mendes. Sabendo-se de antemão que tamanha normalidade nunca oferecerá qualquer espécie de redenção, bem como qualquer fogacho de satisfação política — pelo contrário, sabe-se que dali nada virá de muito bom, tal como se espera que também nada venha de tenebrosamente mau — ainda assim, sugiro, francamente, esta segunda possibilidade.

Nos entretantos, a decisão sobre qual dos dois tomará a dianteira inevitavelmente dependerá em larga medida das sondagens. Aliás, como é evidente, o resultado tanto dependerá, por um lado, do esforço individual de cada eleitor para escolher quem considera ser o menos mau do cardápio, como, pelo outro, pelo efeito de feedback da bolha mediática que, financiada por um conflito de bastidores entre os poderes que são, vomita diariamente sondagens, tracking polls e estudos de opinião para todos os gostos. No final, sobra o caos que tanto clique e audiência potencia. E, para gáudio da bolha, em cada cabeça se multiplicam por estes dias os conflitos interiores, a indecisão, a excitação, o dilema sobre como combinar a preferência de cada qual com a utilidade dessa mesma escolha, utilidade a qual é necessariamente certificada, garantida — “cientificamente”, claro — pelos augúrios impingidos pelos oráculos criadores de sondagens, precisamente aquelas que, paulatinamente, nos têm brindado com espectaculares falhanços de previsão nos últimos anos.


Tudo isto, obviamente, é mau. Desde o patético front runner que há mais de um ano nos atormenta com a sua inevitável eleição (igualmente vendido como imbatível pelas sondagens que então se encomendaram), passando pela fragilidade generalizada dos  restantes candidatos, não esquecendo a óbvia manipulação que pode decorrer dos “estudos” de sondagem eleitoral, lembrando, ainda, a peneira completamente inconstitucional que afastou outras candidaturas de debates com critérios de participação tudo menos coerentes e, claro, terminando em todo o discurso da campanha, centrado nos perfis, nas virtudes e defeitos dos diversos candidatos, bem como em três ou quatro ensejos para o país de propostas que não compete sequer ao Presidente da República aplicar, tudo torna o espectáculo numa coisa infinitamente deprimentemuita politiquice, muita insinuação, muito insulto, pouca substância,  tudo muito manipulado, processado, ou seja, profundamente fake e irrelevante.

Ainda assim, a coisa consegue ser pior. Não apenas se discute somente o acessório, o folclore e o polémico, bem como se analisa o pessoal, o carácter, as virtudes — altíssimas! — de todos, mas aquilo que passa ao lado, como sempre, é o essencial. Dou dois breves exemplos: primeiro, o facto de ao longo da última década termos abdicado da nossa soberania económica, senão política, para Bruxelas, algo aceite, por conveniência, por António Costa e o PS, mas que Montenegro e a AD não mudaram, ou sequer alguma vez referiram. Aliás, muito pelo contrário, nunca em momento algum a subserviência portuguesa à agenda da UE, qualquer que ela seja, em troca da manutenção do subsídio, do PRR bazuqueiro, bem como do apoio do BCE para comprar dívida pública portuguesa no mercado secundário e garantir a estabilidade económica da dívida pública, nunca nada disto entrou no debate político português porque ninguém — de Mortágua e o PCP a Cotrim e Ventura — se atreve a explicar que, se pretendermos recuperar a nossa soberania nacional, então seremos forçados a adoptar como parte da estratégia nacional um conjunto de medidas que, entre o seu bom-senso e a sua dificuldade eleitoral, são conhecidas famosa e genericamente como “austeridade” — e isso é que não pode ser.

Depois, num segundo exemplo, o facto dessa mesma UE, pela mão da sinistra Von der Leyen, tomar decisões políticas que infringem os principais direitos, liberdades e garantias dos cidadãos — tal como a liberdade de expressão —, pondo, mais uma vez, em causa a Constituição portuguesa. A verdade é que hoje, tal como durante a pandemia e os seus esdrúxulos estados de emergência, as decisões sobre coisas tão perigosas como o Digital Services Act e o Democracy Shield são tomadas lá fora, por gente não eleita e de pouquíssima recomendação, sendo logo importadas para Portugal por políticos medíocres e acríticos que se orgulham em fazer “cá dentro” aquilo que “toda a gente” faz “lá fora”lá está, porque no provincianismo português aquilo que vem do estrangeiro é sempre bom.

Talvez seja esse ridículo parolismo o maior entrave à nossa plena soberania. Ainda assim, creio que, sendo o Presidente da República o chefe de Estado, logo o garante máximo da soberania nacional, bem como aquele que defende e aplica a Constituição, então numa eleição presidencial deveria ser central a discussão sobre a forma como a soberania e os direitos constitucionais estão em causa, tal como o que cada um dos candidatos se proporia a fazer para os defender — só que não, sobre isso, sobre o fundamental, nicles, zero, bola, nada de nada — em uníssono, reina o vazio absoluto.

Daí, lamento, o meu profundo desinteresse por uma corrida de aparências onde, no essencial, em silêncio, cantam todos em coro. Ou seja, todo o ruído, toda a fanfarra, toda a mise en scène, não passa de uma farsa, uma espécie de comédia de enganos, uma ópera bufa, em que, ganhe quem ganhar, o final é sempre o mesmo — descendo o pano, terminado o espectáculo, cada actor retira a máscara, recebe o seu e, junto com o público, vai para casa com a ilusão de dever cumprido. Já o verdadeiro guião, esse, foi decidido, provavelmente por inércia, incompetência e muita conveniência, nos bastidores muito antes da peça começar.

Teatro - Plateias D'arte (ensaios "A canção de Lisboa")

(Diogo Novo)

Bom dia a todos, 

Espero que estejam bem.
Estou preocupado, pois mais de metade do elenco não vai amanhã ao ensaio e eu PRECISO de fazer um ensaio COM TODOS antes da passagem de ano e não estou a ver forma.
Vou deixar uma sondagem para que me digam qual o melhor dia. Pensem que será o último deste ano, e preciso mesmo de um esforço da vossa parte pois estarmos até Janeiro sem fazer 1 corrido, é mesmo mto complicado pq tudo se vai varrer das cabeças. Contamos convosco.
Obrigado


(Luiz)

Resposta (LBC)- Diogo, pode contar comigo para amanhã (…), e para as datas propostas. Correndo, no entanto, o risco de parecer desajustado, estranho esta desmarcação (compreensível, em última análise, pelo número significativo de ausências) “um pouco”em cima da hora . 
Independentemente de eu ter alterado a minha vida privada (como informei o Diogo) para poder comparecer a este ensaio de 06.12, e de o Diogo ser completamente estranho a esta súbita alteração, gostaria de deixar a minha estranheza pela ligeireza com que se interfere com a vida privada de cada um! Como se sabe, não exteriorizo habitualmente as minhas emoções. Tento ser uma pessoa reservada que só intervém quando é necessário, como certamente (…) já se aperceberam. Lamento esta alteração e apelo, à semelhança do Diogo, para que se tente consciencializar que este processo é colectivo, pelo que qualquer alteração particular - que não de força maior! -, tem implicações colectivas. 

Bom fim de semana (para quem não o desmarcou😉!)

Reflexão - LBC (os comentadeiros e jornalistas de serviço)

Como é que é possível tanta incompetência, por unidade de tempo, seja da "jornalista" (seriously??), seja do comentador (no comments!), seja da comentadeira (há Kanos a "Comentar"...)




Desporto - Campeonato Europeu de andebol

 





Na minha modesta opinião, continuamos a fazer uma série de faltas técnicas imperdoáveis e continuamos a não saber gerir o resultado quando estamos na mó de cima a ganhar desafogadamente. Tivemos guarda redes, tivemos irmãos Costa (contra a Roménia também não me parece difícil...), tivemos defesa até deslaçarmos por estarmos "à vontade"... Falta-nos a frieza de quem está na frente. E assim não vamos lá!






quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

The Spectator - The pleasure of not knowing

 (personal underlines) 

LBC - simply spectacular!

The pleasure of not knowing

A few years ago the podcaster Lex Fridman published a list of books that he was hoping to read in the year ahead. It included works by George Orwell, Fyodor Dostoyevsky, Hermann Hesse and others. If he had published this in the world of print media he might have got back some encouraging noises. But because he put the list online – worse, on the platform then still known as Twitter – he received mostly mockery. ‘Who hasn’t read Animal Farm?’ was the general tenor of the blowback, as though a man who had been a researcher at MIT was next to being a neanderthal.

I watched that passing storm with interest because one of the things that often strikes me about people who presume themselves to be well-educated is how often they feel the need to give off the impression that they have read, heard and know everything. As if at some stage between the cradle and the end of their formal education the whole canon was downloaded into their heads.

Several things result from that, not least that it probably puts some people off trying at all. So reading, listening and looking closely at art become cordoned-off areas, available only to those who already know almost everything. Tell somebody that you have just listened to Beethoven’s Symphony No. 4 and that it’s really, really good, and you’re likely to be greeted as either a pseud, a fraud or a gibbering idiot. Who hasn’t heard it already? Besides, who expresses enthusiasm about something we all know – or are meant to pretend to know?

I think about this because one habit of mine is going back and reading things I know I’ve missed, and listening to things I haven’t heard before. It’s partly because, for instance, I noticed how many people have a favourite piece by a composer and just stick with that, leaving behind all the other works from the same pen that are waiting for them.

 When Nicky Haslam started performing cabaret (mainly songs from the first half of the 20th century) he noted that people would often come up afterwards and say some variant of: ‘Why don’t they write them like that any more?’ To which his reply went something along the lines of: ‘They don’t have to – there’s thousands of them no one knows.’ Which is completely right. Take the American songbook – surely America’s greatest contribution to world culture. Most people will recognise a couple of Cole Porter or Rodgers and Hart songs, but veer away from the standard tunes and it’s blank faces all round. Which is ridiculous, because there’s gold all over the place – even before you venture into the lesser-known songwriters of the period.

One of the joys in my life is to keep digging while trying not to be abashed about doing so. If I look back over the past year, one of the greatest things in it was reading Daniel Mendelsohn’s new translation of the Odyssey. I picked it up because Mendelsohn is one of those authors whom I read everything by the minute it comes out. But some way in I had a strange sensation; I was sure I knew the Odyssey. I must do? Yet except for some of the big set-pieces (the Cyclopes, the Sirens and so on) much of it seemed completely new territory. I realised that, like one of those academics in a David Lodge novel, I had never actually sat down and read the Odyssey all the way through before. Doing so changed my life.

Since reading it I’ve been seeing it every-where, not just in other works of literature and art, but in everyday encounters. I can’t stop thinking about parts of it, or thinking we should all be talking about it most of the time. When I got to the part where Odysseus, on his ten-year voyage home, lands on the island where Helen is living, reunited with her husband Menelaus, I didn’t stop talking about it for days. It is so appalling, unexpected and real: that the woman who started all this is back home, when Odysseus still is not, and that the men he set out with and fought with at Troy for a decade – because of her – are all dead.

As a result of discoveries like this I realise that I have become a lot better at just saying: ‘I don’t know that. Tell me about it.’ A friend recently told me about a beautiful, fairly recent, choral piece by Bob Chilcott called ‘High Flight’. It sets the opening of a poem by Henry Vaughan (‘I saw Eternity the other night’) and a sonnet that it turns out all American schoolchildren used to know and which I had never heard of.

The poem, by John Gillespie Magee Jnr, begins: ‘Oh! I have slipped the surly bonds of Earth/ And danced the skies on laughter–silvered wings.’ The poem gained fame in part because Magee was a second world war pilot who died in a crash over England in 1941 at the age of just 19. Then I realised that this was the poem that Ronald Reagan referred to in January 1986 on the evening that the Space Shuttle Challenger exploded. It was the genius of his speech-writer, Peggy Noonan, to have the US president refer to Magee’s poem at the end of his remarks to the nation – remarks in which he specifically addressed the children who had watched the disaster live. ‘We will never forget them, nor the last time we saw them this morning as they prepared for their journey and waved goodbye, and slipped the surly bonds of Earth to touch the face of God.’

So what started with a discussion about a piece of music ended up going out in all of these directions. And it seems to me that reading and learning is always like that – it spills out endlessly. Perhaps because of that it can be off-putting: there is so much to know.

Some people might say: ‘I admit my ignorance.’ But I’d like to suggest a slight alteration to that phrase. Perhaps something like: ‘I’d like to admit my curiosity.’ Because it’s only when we accept what we don’t know that the whole world really opens up.

Livros - "História de Portugal" e "La super classe mondiale contra les peuples"

 Para começar bem o ano...



Almoço - Tropa 1982/1983

Almoço no Fragateiro em 08.01.2026, com Rui LM e António Oliveira (camaradas oficiais no Regimento de Infantaria de Queluz)







Reflexão - Maduro caiu e o direito internacional foi convidado para o funeral (Rodrigues do Carmo)

 


(Sublinhados pessoais)

Maduro caiu e o direito internacional foi convidado para o funeral

É tempo de voltar ao ginásio da realidade. Este mundo que se anuncia não respeita quem se refugia em abstrações enquanto os outros fazem contas, estabelecem alianças e treinam os bíceps.

Maduro caiu de maduro. Esta é uma memorável ocasião em que a botânica e a política coincidem. O fruto apodrecido desprendeu-se do ramo com um vigoroso abanão das Forças Especiais americanas, a gravidade fez o seu trabalho e o ex-camionista que via Chavez a chilrear em forma de passarinho, jaz preso e apodrece algures na terra de Mandani, irritado e impotente perante a captura de um parceiro ideológico.

Caiu um ditador sem legitimidade interna e sem crédito externo, uma personagem histriónica que confundiu o Estado com um balcão de negócios obscuros.

Sob a sua égide, que continuou a epopeia de Chavez, a Venezuela deixou de ser um país rico para se tornar uma manjedoura, na qual mafias, gangues, políticos da esquerda europeia (como Rodrigues Zapatero e Ken Livingstone), ditaduras e organizações terroristas pastavam à vontade. O narcotráfico de cocaína tratou do grosso do rendimento; as petrolíferas russas e chinesas encarregaram-se da pesca de arrasto, arrebanhando o ouro negro a preço de saldo; e o regime fez de porteiro e proxeneta do seu povo, escancarando portas e cobrando comissões.

Tudo terminou como terminam as caricaturas quando o guionista perde a paciência com o disparate. Do Capitólio à Rocha Tarpeia em menos de um fósforo, eis a trajectória fulgurante do Sr. Maduro, enfim, sentado no banco dos réus, o lugar que melhor lhe assenta, em provável transição para uma pacata vida atrás das grades.

Mal a queda se consumou, a esquerda do costume, atoleimada nas habituais causas perdidas, decretou luto retórico e vestiu-se de carpideira. Sacou da cartilha da “flagrante violação do Direito Internacional” e desencadeou-se em paroxismos apopléticos, esperando que a invocação repetida e ruidosa do jargão jurídico disfarce a ausência de raciocínio e decoro.

Chega a ser comovente. Criaturas que durante anos foram incapazes de produzir um único sussurro crítico enquanto a Rússia violava galhardamente o DI, acordaram subitamente para o Direito com a indignação virginal de donzelas ofendidas.

Para esfriar um pouco as indignações, convém recordar aos juristas de ocasião, que o DI não vive no éter das ideias puras. Vive no mundo real, lugar desagradável onde o poder existe antes da norma e onde a força raramente pede licença à moral. O DI é, na melhor das hipóteses, um manual de boas maneiras destinado a disfarçar, entre cavalheiros, a brutalidade estrutural das relações de poder entre Estados. Um código de etiqueta que só alguns levam em conta.

Raymond Aron definiu-o com cruel precisão: “O direito internacional é um permanente incitamento à hipocrisia, obrigando os poderes reais a dissimular aquilo que não podem deixar de fazer”. 

Explicando de forma simples: No mundo concreto, se o leitor vir um ladrão a assaltar um transeunte (violando ipso facto o Direito) e intervier dando-lhe uma paulada, estará a “violar flagrantemente” a letra fria da lei. Mas dificilmente alguém defenderá que fez a coisa errada. Violou o direito, mas salvaguardou os direitos da vítima.

É assim no mundo real. Há momentos em que a justiça e a legalidade seguem caminhos divergentes, e fingir o contrário para sinalizar virtude e parecer boa pessoa, é mera converseta de Miss Mundo.

Por vezes há que escrever direito por linhas tortas, pelo que Invocar o DI para proteger líderes ilegítimos que não respeitam sequer os direitos elementares dos seus concidadãos é um exercício de hipocrisia tão descarado que roça a prostituição retórica.

Em suma, os EUA capturaram o torcionário, fizeram muito bem e merecem aplauso.

Até aqui tudo bem. O problema começa quando Trump abre a boca e fala sem filtro.

Ao anunciar, com aquela basófia que o caracteriza, que os EUA vão tutelar a Venezuela, fazer dinheiro com o petróleo e projectar sombra sobre Cuba, Colômbia e até a Gronelândia, Trump confundiu estratégia com fanfarronice, torpedeou uma posição moralmente sólida e vai criando anticorpos em todas as direcções, que não auguram um futuro muito risonho para o prestígio da América no Mundo que, recorde-se, é também uma forma de poder.

Abstraindo da verbosidade do Presidente americano, quanto à Venezuela, percebe-se o essencial. Washington prefere conduzir o poder local, com uma combinação clássica de cenoura e bastão, a alinhar-se com os seus interesses estratégicos: afastar o entrincheiramento chinês, russo, iraniano e de outros inimigos da América. Não, não se trata de “ficar com o petróleo”, como repetem os cartilheiros mais rudimentares. Os EUA são exportadores líquidos de petróleo. A narrativa do saque é uma fábula infantil para consumo de massas ideológica e intelectualmente subnutridas.

O objectivo é expulsar companhias chinesas e russas da exploração venezuelana; cortar uma fonte de energia barata que Pequim utilizava para amortizar um empréstimo usurário de cinquenta mil milhões de dólares; colocar petróleo no mercado legal para estabilizar preços e, pelo caminho, ir sufocando o vasto polvo do mercado negro que hoje navega impune pelos mares. Isto é geopolítica energética, não colonialismo.

Também não se trata de evitar a substituição do dólar por outra moeda de referência, como sustentam alguns delírios conspiratórios que germinam nas mesmas lixeiras do terraplanismo e dos “chemtrails”.

Não existe, nem existirá num futuro previsível, moeda, nem sequer o euro, e muito menos o yuan submetido ao capricho de um partido comunista, capaz de substituir o dólar como padrão global. A hegemonia monetária não se decreta; constrói-se com poder, durante décadas de previsibilidade institucional, coisa que nem Pequim nem Bruxelas oferecem.

O princípio da parcimónia dispensa delírios ideológicos e teorias assentes em transtornos paranóides.

Quanto à Colômbia, Trump não vai invadir nada, apesar do crescimento do narcotráfico. Vai continuar a afundar barcos carregados de droga, actividade que, por mero acaso, raramente indigna os súbitos e extremosos defensores do DI à la carte. Não gosta do actual presidente colombiano, um ex-guerrilheiro urbano de extrema-esquerda, mas sabe que o país é uma democracia funcional e que dentro de meses haverá eleições. Provavelmente vencerá um candidato mais simpático aos olhos de Washington. A política, ao contrário do que pensam os revolucionários de sofá e a Dona Marta Temido, também tem relógio.

Cuba é outra história. Cuba ficará sem o petróleo venezuelano que recebia em troca de serviços de “segurança”, que incluíam a protecção pessoal de Maduro e a formação de guardas pretorianas. A ilha já não tem grande margem de manobra, apesar de fornecer carne para canhão ao Sr Putin. A prazo, cairá também, não por invasão, mas por asfixia autoinduzida. E ainda bem!

Ah, mas a Gronelândia e a “anexação” ….

A Gronelândia, para já, não passa de uma ideia saída de uma sessão de brainstorming na Casa Branca. Nesta prática criativa, a asneira é livre.

Não haverá anexação, por muito testosterona retórica que Trump exiba. Não basta um decreto presidencial para invadir o território.

Convém lembrar que a Gronelândia não “pertence” à Dinamarca no sentido clássico. É um território autónomo, com governo e parlamento próprios. A lei dinamarquesa reconhece-lhe explicitamente o direito à independência, bastando um referendo local. Após isso poderia, em teoria, pedir adesão aos Estados Unidos e seguir os trâmites legais. Que são longos e complexos. Para começar é necessário um Tratado internacional aprovado por 2/3 do Senado, legislação interna aprovada pela Câmara dos Representantes, assinatura presidencial e consentimento do território (por plebiscito ou acordo).

É provável que isto venha a acontecer? Não. Os gronelandeses têm uma identidade nacional forte e desejam mais soberania, não trocar Copenhaga por Washington. Nem a esmagadora maioria dos congressistas e senadores está para aí virada.

O que já existe, e tenderá a intensificar-se, por negociação e acordo, é a presença estratégica americana. Bases militares, cooperação em defesa, acesso a minerais críticos e controlo de rotas no Ártico. Nada disto exige ou aconselha a apropriação imperial do território. O século XXI prefere contratos a bandeiras e chatices.

E a Europa?

A Europa faria bem em compreender a verdadeira natureza do DI: uma ferramenta de convivência entre poderes, não uma parede sólida e sagrada atrás da qual se possa proteger tranquilamente só com conversa de advogado. A História europeia é um memorial de países que acreditaram nessa ilusão. Alguns tiveram o triste destino do dodó.

É tempo de voltar ao ginásio da realidade. São precisos músculos. Este mundo que se anuncia não respeita quem se refugia em abstrações enquanto os outros fazem contas, estabelecem alianças e treinam os bíceps. A política internacional já não é um tribunal asséptico onde se dirimem argumentos; tornou-se um campo enlameado e perigoso. E quem insiste em levar apenas códigos morais e legais para um combate de força e interesses, acaba invariavelmente esmagado. Com toda a dignidade jurídica que quiser, mas esmagado na mesma.