quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Reflexão - Presidente? Para a esquerda era Maduro ou Khamenei (Tiago Dores)

 


Luiz Boavida

Cumprimento-o pela prosa e por tudo o resto que nela transparece. Continue, não esmoreça. Mesmo tendo a sua reflexão "migrado" para outro local no Observador...;)

(sublinhados pessoais)

Presidente? Para a esquerda era Maduro ou Khamenei

Cotrim suspeito de assédio; Marques Mendes tem negócios suspeitos; Seguro suspeito de ser o Flash do Zootrópolis; Gouveia e Melo com apoios suspeitos; enfim, suspeito que o Ventura ainda ganha isto.

É verdade que nunca umas eleições presidenciais em Portugal foram propriamente um evento da relevância de uma Feira do Porco e das Delícias do Sarrabulho de Ponte de Lima, mas à luz do expectável impacto global dos acontecimentos na Venezuela e Irão, a nossa campanha para Belém é mesmo a piscina dos pequeninos.

Ainda por cima, agora entrou em cena Alexandra Leitão. Entrou não exactamente nesta piscina dos pequenitos, uma vez que veio emitir opiniões foi sobre os Estados Unidos da América, mas a verdade é que a vereadora do PS tapou bastante a visibilidade para a piscina dos pequeninos. Resultado: se queremos ver o que anda a fazer, a título de exemplo, o candidato Marques Mendes, temos de dar uma grande volta.

Apesar de tudo, é preferível Alexandra Leitão andar a bloquear as vistas para a piscina dos pequenitos do que andar a provocar a comunidade islâmica da capital passeando o seu apelido, extremamente ofensivo para a cultura muçulmana, pelas ruas do Martim Moniz.

E assim creio ter despachado, de forma mesmo muito subtil, as questões de body shaming que tinha para tratar hoje e, de passagem, ainda tive tempo para um piscar de olho ao princípio da Empatia Suicida, estabelecido pelo Dr. Gad Saad, indivíduo cuja audição e leitura recomendo. Nada mau para um par de singelos parágrafos, diria eu.

Prossigamos com Alexandra Leitão, rumo ao absurdo. E é esse o nosso destino, pois a vereadora da Câmara de Lisboa decidiu investir umas boas horas de trabalho pagas pelos contribuintes portugueses a analisar e debater uma questão passada em Minneapolis. Minneapolis que, sim, a vossa Geografia está forte, não é ali para os lados do Ameixial, mas sim da América.

Alexandra Leitão liderou um voto de repúdio do PS na Câmara de Lisboa pela morte de uma cidadã norte-americana que tentou atropelar um agente da polícia de imigração dos EUA, denunciando a “escalada repressiva” da administração Trump. Atenção. Não serei eu a criticar esta crítica de Alexandra Leitão porque, no que toca à imigração, estamos na presença de uma perfumista experimentada, cujo faro destrinça imigrações em relação às quais se deve borrifar por completo, de imigrações das quais pode tirar óptimos dividendos políticos. Daí que as 4 milhões de deportações feitas por Obama, ou as 2 milhões de deportações feita por Biden, não tenham provocado em Leitão qualquer ruído que passasse a fronteira de um “Cri, cri. Cri, cri.”

Agora, compreende-se que Alexandra Leitão, e a esquerda em geral, ande desinteressada com a eleição para Presidente da República Portuguesa. Claro. Afinal, os tipos de líder que fazem bater forte os corações socialistas são os Maduros e os Khameneis da vida. O Maduro, ali, a transportar toneladas e toneladas de ouro da Venezuela até à Suíça — que é longe! — a sacrificar-se para garantir que nenhum venezuelano tinha de andar a carregar ouro, que é muito, muito pesado e tão facilmente provoca problemas sérios na região lombar.  E o Khamenei, ali no Irão, a aguentar-se como estadista de referência, perante os vândalos que acham que a inflação se combate tocando fogo a mesquitas e não através da gestão rigorosa, transparente e humana que tem caracterizado o Irão nas últimas décadas.

Tivesse eu nascido também assim, sem um pingo de vergonha na cara e/ou sem o interesse de e/ou a capacidade cognitiva para discernir os princípios mais básicos do respeito pela dignidade humana (ou se me aparecessem aos 75.000€ de cada vez no escritório) e também eu, tal como Alexandra Leitão, não quereria saber das eleições do próximo domingo para nada.

Assim não sendo, quero saber das eleições, mas só um bocadinho, que a coisa também já cansa. Resumidamente: o Cotrim é suspeito de assédio; o Marques Mendes tem negócios suspeitos; o Seguro suspeito que seja o Flash do Zootrópolis; e o Gouveia a Melo conta com apoios mais que suspeitos; enfim, suspeito que o Ventura ainda ganha isto.


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